Que não haja ilusões

Tendo em conta estas exigências, que se irão prolongar por muitos anos, o País não pode afastar-se de uma linha de rumo de sustentabilidade das finanças públicas, de estabilidade do sistema financeiro e de controlo das contas externas. A não ser assim, seríamos obrigados, se as instituições internacionais estivessem na disposição de o fazer, a um novo recurso à ajuda externa, e dessa vez, muito provavelmente, em condições mais duras e exigentes do que aquelas que atualmente tantos sacrifícios impõem aos Portugueses.

Que não haja ilusões.

Cavaco, o Reformado Golpista

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A escolha não é, portanto, entre austeridade e ausência de austeridade. É entre o cumprimento, com uma estratégia consolidada de curto e médio prazo, e o incumprimento que teria como provável desfecho a saída do euro com consequências catastróficas para todos, sobretudo para a classe média e para aqueles que estão mais vulneráveis.

Temos de ter a coragem para resistir às falsas promessas e às ilusões que tempos como os que estamos a viver fazem crescer.

Passos, o Carniceiro de Massamá

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Pode uma sociedade aplaudir um plano para espiar um primeiro-ministro através de polícias e magistrados e com esses recursos passar a emporcalhá-lo no espaço público e, por fim, ainda o tentar levar a tribunal com acusações inventadas só para o atacar politicamente? Que tipo de país será esse que permite tamanha violação do Estado de direito?

Pode um Presidente da República promover uma conspiração para influenciar resultados eleitorais e não sofrer qualquer tipo de penalização, antes conseguindo a reeleição sem que tivesse sido confrontado pelos restantes candidatos presidenciais ou jornalistas a respeito da sua responsabilidade no caso? Que tipo de país será esse que permite tamanha violação da Constituição?

Pode um partido boicotar o acordo de um Governo minoritário com a Europa que garantia condições especiais de financiamento alegando que esse acordo trazia sofrimentos inadmissíveis e depois, assim que toma o poder, esse mesmo partido começar a multiplicar por dez ou cem esses mesmos sofrimentos que amaldiçoou? Que tipo de país será esse que permite tamanha violação do contrato eleitoral?

A direita domina por completo esse tal país, possuindo o poder político absoluto, o poder económico-financeiro maioritário e o poder mediático mais importante. Mas não lhe chega, ainda precisa das forças estrangeiras. Depois de ter trabalhado incansavelmente para que Portugal perdesse a soberania e o respeito próprio, agora a direita utiliza essa desgraçada situação para chantagear a população. Diz que a nossa vidinha pode ser ainda pior e muito pior. Ameaça com novas desgraças e bíblicas catástrofes. Tudo o que prometeram e juraram até às eleições presidenciais e legislativas é esquecido e contrariado pelo programa radical de empobrecimento em curso. Nada os inibe, nada temem. Assistimos à grande vingança contra o povo que sonhou conseguir diminuir as desigualdades.

O que está a acontecer nesse infeliz país seria impossível de ver se a direita não tivesse tido o caminho aberto pela cumplicidade da esquerda. Que não haja ilusões.

4 thoughts on “Que não haja ilusões”

  1. “O que está a acontecer nesse infeliz país seria impossível de ver se a direita não tivesse tido o caminho aberto pela cumplicidade da esquerda. Que não haja ilusões.”

    Eis uma incontestável e lamentável verdade que diz tudo sobre a esquizofrenia deste país que como um cordeirinho amansado se está preparando, sem grande agitação, para mais 40 0u 50 anos de salazarismo ainda mais vil, porque tem ao seu dispôr meios muito mais sofisticados de manipulação das cabeças.

    A profusão com que, quase todos os dias, são dados à estampa, livros sobre o Salazar é bem anunciadora do que nos espera.

  2. Basta ver a hagiografia de salazar na wikipedia; é uma autêntica vergonha como há pessoas que associam o seu nome a uma peça de propaganda bafienta, cujo odor a ideologias defuntas vai daqui até aos confins dos infernos. Até Eduardo Lourenço afirma que um ditador que nunca se submeteu a eleições livres e justas “foi uma emanação do nosso povo, do nosso imaginário colectivo”. Palavras para quê?!

  3. Que simplismo, caneco…

    Se isto tudo fosse assim tão trivial, não se percebe como poderia o PS sobreviver sem um discurso que claramente o realçasse! Mas, como salta à vista, o PS atual tem uma narrativa que não se desvia UM MILÍMETRO da do “guverno”, na sua versão álvaro/maduro, à excepção de alguns brilhantes franco-atiradores da área económica (Galamba, Medina e outros), pelo que se calhar este simplismo super-estrutural é apenas mais uma forma de continuar com a carola bem afundada na areia…

    Que a Extrema-esquerda continua a Leste de toda a realidade, já todos o sabíamos. Que a Direita não passa de uma cambada de facínoras sem escrúpulos, também não é novidade. Que o Centro-esquerda não consiga criar uma narrativa decente e mais profunda sobre o momento presente em Portugal, isso sim é que é preocupante.

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