Política e Tânatos

Comentário

 

Comentário em Comissão de inquérito é uma “infantil manobra tática preventiva” do PSD

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Será fácil supor que o autor deste comentário está apenas a divertir-se, a desabafar ou mesmo a expressar um estado depressivo de qualquer origem, tipologia e gravidade. Todavia, o conteúdo da sua mensagem, à excepção dos desejos de morte tão explícitos e assumidos, é por nós sobejamente conhecido. Consiste num discurso articulado onde se lista o argumentário que foi, e ainda é, o da actual direita portuguesa a respeito da governação de Sócrates. É também o discurso oficial, presente no tratamento sensacionalista e caluniador tanto dos artigos como dos editoriais, do Correio da Manhã, para dar o exemplo maior. E ainda da Helena Matos ou do Zé Manel na RTP, para dar um outro exemplo num meio onde é suposto existir algum tipo de deontologia de imprensa. Trata-se de uma diabolização que se alimenta do narcisismo inflamado e do tribalismo político e suas eventuais psicoses paranóides, obsessivas e até delirantes. Quem está nesse estado não responde à lógica de terceiros, porque a sua própria distorção aparece como a única lógica possível para dar sentido ao que observa. É a dinâmica do ódio.

Miguel Relvas (comparsa e figura decisiva no acesso de Passos Coelho à presidência do PSD e à chefia de um Governo), num acto de campanha eleitoral em 2011, disse para registo da comunicação social que todos os familiares do então primeiro-ministro – portanto, incluindo os seus pais, os seus filhos e o irmão ainda vivo – deviam esconder o seu parentesco com Sócrates. Esta declaração, que eu saiba, não gerou qualquer pedido de desculpas por parte daquele que poucos meses depois era empossado como ministro. Mas não é apenas a ausência de módico civismo e mínima educação que se regista por parte de um labrego que viria a fazer muito pior com uma jornalista e um jornal num caso sórdido e assustador, é também a completa ausência de censura do episódio por parte dos partidos, da comunicação social e das figuras de referência da comunidade (sejam elas quem forem) perante o que é um espectacular apelo à violência. Ao nível de um Relvas, naquele contexto, declarar que um adversário político enquanto adversário político merece ser ostracizado pela própria família é um literal apelo ao linchamento físico.

A actual direita está cheia de atiradores e incendiários com grande exposição e influência mediática que se habituaram a despejar as acusações mais graves no espaço público sem qualquer prova, inclusive contra o sistema de Justiça, e que constatam ser tal prática legitimada pela cumplicidade da comunicação social, mesmo a de “referência”, e pela indiferença das autoridades judiciais e demais órgãos de participação política. O que difere entre aquela que é uma estratégia de permanente desgaste pelo emporcalhamento, nascida de condicionantes antropológicas que moldam a cognição e de um sentimento de inferioridade que gera inesgotável ressentimento, e o sectarismo de um PCP, onde igualmente se diabolizam os adversários políticos enquanto adversários políticos, reside na fulanazição. Os comunistas recorrem a abstracções (capitalismo, imperialismo, reaccionários, grande capital, etc.), dessa forma diluindo a agressividade da retórica em moinhos de vento lá muito ao longe. Já os pulhas personalizam os ataques ao ponto, como vimos com Relvas e vemos sistematicamente na indústria da calúnia, de até a família e relações de amizade e amorosas do adversário nomeado como inimigo se tornarem um alvo para a violência promovida politicamente.

Ainda não ter existido em Portugal uma tragédia como a que vitimou Jo Cox poderá explicar-se por pura sorte.

17 thoughts on “Política e Tânatos”

  1. O comentário acima citado foi inserido pelo menos duas vezes na caixa
    de comentários da notícia publicada no DN sobre o escrito de José Sócrates
    propósito da Comissão de Inquérito promovida pelo PSD com o apoio do
    CDS-PP para debater a CGD!
    Na altura, inscrevi um comentário à atenção da futura direcção do Jornal
    para acabar com este tipo de lixo nas caixas de comentários ao mesmo tem-
    po chamava a atenção para a célula laranja e arrastadeiras que por lá conti-
    nuam a fazer “serviço”!!!

  2. É um facto.

    Os jornalistas e comentadores de direita estão a atiçar cada vez mais os broncos dos seus apoiantes.

    O observador, o blasfémias, até o Sol são autênticas academias de formação de fanáticos.

    Praticam a censura de comentários de esquerda ou até da direita moderada e incitam ao ódio contra os “comunas” que, no caso, são todos os que não forem por eles, os da direita neoliberal mais radical.

    Nas caixas deles até se vê cada mais propaganda de teorias de conspiração, como a de origem nazi, conhecida como “marxismo cultural”.

    Isto é questão de tempo até provocarem mais situações d eviolência como a que aconteceu na GB.

  3. Só acrescento que a censura de comentários não será a solução. Está-se a cair no nível deles.

    Por outro lado, convém não esquecer que os outros fanáticos, os de esquerda, não são tão “diluídos” como o Madeira quer fazer crer.

    Ainda há pouco vimos um cartaz do MRPP a bramar pela morte dos traidores…

  4. Noto aqui neste “lindo” post que falta o Cavaco; não se esqueçam do cavaco, porra.

  5. Ó cristovao, esse tal não é preciso mencionar no corpo do post dado saber-se de antemão que alguém assim como tu está sempre pronto a lembrar-nos desse tipo de personagens.
    As grande pequenas e medíocres figuras são os teus santinhos.
    Já o sabíamos.

  6. pura sorte também não é.
    há pouco saiu uma noticia que dava conta de sermos o 5º país mais pacífico do mundo. ora deve haver pelos menos 4 nações que são apenas pequenos atóis no oceano e cuja povo q os habita é praticamente todo da mesma familia logo…

  7. Ó Valupi, sem te ler mais uma vez a conclusão a tirar é que passaste horas a trabalhar no post sobre

  8. Demorou mas foi, Valupi, admito que desta vez cheguei a pensar que até tu me tinhas abandonado.

    Nem preciso de o ler porque sei que, depois de longas horas a trabalhar em mais um post brilhante (o take da Lusa de 20 de Junho de 2016 às 07:58), deve estar o máximo. Mais uma vez muitos parabéns pelo truque de falares de outros paspalhos para falares de mim que é o que interessa.

    Obrigado, e tchim-tchim.

  9. Ó Valupi, sem te ler mais uma vez a conclusão que também eu tiro é que passaste horas a pensar como é que escreverias mais um post sobre o teu São José. Enfim, não de novo por aqui.

  10. jpferra, entretanto não deste notícias e eu também não perguntei.

    – Olha lá, estás melhor das cólicas?

  11. avaliando o prurido que pingas por aqui, tu é que pareces estar pior da emburróidal. olha, faz comó cristóvão, mete um cavaco e reza à lúcia santos, alivia e dá esperança.

  12. … «avaliando o prurido que pingas» é muito erudito-popular, até parece um faduncho Ignatz.

    Cidália Moreira – Sardinhada – YouTube
    https://www.youtube.com/watch?v=tKobOTXao8s

    Reino Maravilhoso de Chaves

    luizfoclore: É isso mesmo, em PORTUGAL com Amor, o Prato do dia, é Uma SARDINHADA, PINGA da BOA e uma GUITARRADA!! SOMOS PORTUGAL!! com AMOR
    Viva as Nossas ROMARIAS, NOSSAS FESTAS, NOSSO FOLCLORE, NOSSO FADO!
    Um Abraço para Todos os PORTUGUESES!! e DESCENDENTES !! Espalhados por todo MUNDO.
    Gente Boa ! Lutar pelas Nossas TRADIÇÕES ! Mimar a NAÇÃO VALENTE!! MIMAR os NOSSOS IGREJOS com AMOR.
    Da Cidade de Chaves PORTUGUESA com ORGULGO (sic) FÉ e ESPERANÇA.

    Nota. Olha que este é ultramontano como tu e os igrejos (!!) até parecem que foram escritos por ti, Ignatz.

  13. Nome pessoal masculino, 1) De uma língua antiga do norte germânico que era falada pelos habitantes da Escandinávia e pelos habitantes dos assentamentos estrangeiros na era viking, Eirikr, literalmente “Regente/Governador/Monarca Honroso”. Uma possível interpretação contemporânea “Líder honrado”. 2) Do Proto-Germânico *aiza- “Honra” + *rik- “Regente/Governador/Monarca.”

    Nota, hum. jpferra estás equivocado, eis o que diz a própria enciclopédia virtual… de nome wiki-wiki.

  14. ai que riso! quer dizer, o conteúdo do texto não tem piada alguma – antes é tão verdade como o nojo de calor – mas fiquei a pensar na política com Eros. faz um, val. :-)

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