Paradoxos da crise à portuguesa

Uma das curiosidades na crise portuguesa, radicando na nossa identidade e História recente, é a existência de uma profunda disponibilidade intergeracional para assumir projectos com dimensão nacional. Só falta a liderança para indicar o caminho.

Por exemplo, imaginemos que se estabelecia um consenso para transformar Portugal num pólo de indústrias tecnologicamente avançadas. Ou para recuperar a pesca e a agricultura. Ou para expandir os sectores do calçado, vinha, azeite e automóveis. Ou tudo isto ao mesmo tempo. Aparecendo uma decisão, e os respectivos meios políticos e económicos, centenas de milhares de portugueses estariam agora em condições de reproduzir por cá qualquer padrão de excelência internacional.

O que criou este potencial são os mesmos factores que alguns apontam como a causa da crise: o tremendo investimento público, nesta terra que vivia numa miséria salpicada de enormes fortunas, no ensino, saúde, redes viárias, estruturas de comunicação e segurança pública desde o 25 de Abril.

A árvore deu excelentes frutos. Haja alguém para lhes aproveitar as sementes.

22 thoughts on “Paradoxos da crise à portuguesa”

  1. Será que ninguém comenta? Isabelita girl, Valupetas, penélope small girl, vegasushi?

    Farsolas os meninos desta porqueira socrática, só tem olhos para o seu amado pinócrates e conjurando que o sebastião de alcova um dia os vai receber no colo e acariciar-lhes o ego de beatos.

    Vocês são uns cobardolas de trazer por casa!

    Ex-Presidente da República fala na oportunidade de o partido reflectir e não repetir erros cometidos nos últimos governo. Elogios a Sócrates e Passos Coelho. Críticas a Cavaco Silvs

    Mário Soares é muito crítico de alguns sectores do Partido Socialista, nomeadamente durante os anos de Governo de José Sócrates e até António Guterres. Apesar de elogiar Sócrates, o histórico líder coloca o dedo na ferida e diz que o regresso à oposição deve ser oportunidade para reflexão.

    «Havia muita gente dentro do PS que pensava que o partido era uma coisa boa para se estar e para se poder ganhar dinheiro. Esta coisa de um partido estar muito tempo no poder, aquilo foi-se deteriorando um pouco. Houve situações difíceis. Falo nestes seis anos e também nos de [António] Guterres», disse, em entrevista à «Antena 1».

    Soares considera, ainda, que a influência da terceira via britânica, de Tony Blair, foi prejudicial ao partido: «O PS deixou-se levar muito pelo blairismo, isso foi a grande desgraça dos socialistas europeus».

    Ainda assim, há elogios para José Sócrates, de quem tem esperança. «Parece que Sócrates quer agora fazer uma cura cultural em França, na área da filosofia política. Vai amadurecer. É uma pessoa corajosa, que se atira para a frente, mas tem uma ponta de irritabilidade. E tem de curá-la».

    Soares também elogia Passos Coelho, mas antevê dificuldades. Diz mesmo ser seu «amigo», mas não íntimo. «Tenho simpatia e estima por ele, é um homem de boa-fé, embora não goste de certas ideias que ele tem tipo neoliberal. Como solução, acho que as privatizações vão ser uma desgraça», frisou, alertando a coligação de Governo: «Vão existir muito dissabores até ao fim do ano, quanto mais até ao fim [da legislatura]».

    Crítico dos ataques constantes à União Europeia, considera que a sociedade portuguesa tem de estar atenta em tempos de crise. «Estou a ver a sociedade portuguesa e estou a ver a aflição. Não basta dizer que isto está mal, isto vai ser muito grave, que temos todos de ter muito cuidado, como o Presidente da República fez ¿ isso é pouco», vincou, aproveitando para sublinhar o facto de Cavaco Silva ter dito «pouco» sobre a situação actual do país.

  2. Not quite so ?

    Admitindo que o que dizes fosse 100 % certo, então porque é que necessitariamos de crédito ? Não seriamos bem capazes, sozinhos, de aguentar, mercê da tal solidariedade geracional, que as sementes dessem novas arvores ? Não teriamos mesmo interesse em vedar provisoriamente o acesso ao quintal ?

    Mas também não estas 100 % errado. Por isso não compreendo que todos se furtem a encarar o obvio : a necessidade de financiarmos os nossos investimentos publicos com aquilo que produzimos…

    Compreendo que os meninos que brincam de empresarios e produzem essencialmente “adiamento da data de vencimento da letra” (matéria dificil de exportar), os quais são infelizmente uma boa parte da base do PSD, o façam.

    Ja custa mais ver o PS a pactuar com eles, como se tivesse medo da alternativa…

    Boas

  3. Vim aqui para sublinhar a qualidade do post de Val.
    Muito assertivo, muito certeiro e sem poder, digo eu, merecer qualquer reparo…pela negativa.
    Estou, estamos, todos, digo eu, de acordo com o enfoque.
    Agora, já quanto ao “artista” que exalta, nos “comentários”, Mário Soares…
    duas ou três, mesmo quatro, ou uma dúzia de perguntas:
    1/ Já ouviu falar em Rui Mateus?
    2/ Diz-lhe alguma coisa, Carlos Melancia?
    3/ Conhece, Manuel Tito de Morais, filho?
    4/ Conhece Menano do Amaral?
    5/ Ouviu soletrar o nome de Rosado Correia?
    6/ Barbas de Carvalho, diz-lhe algo?
    Mário Soares está balhelhas, está gága, está mesmo léle da cuca.
    “Vocês são uns cobardolas de trazer por casa!”, diz o farsola do comentarista.
    Já dizia o outro: “a ignorância não é argumento”.
    Que autoridade tem o Mário Soares para falar do que fala e ao modo que escolhe?
    Mário Soares foi o criador da criatura.
    Este PS é o “monstro” que Mário Soares criou.
    M.S. é, porventura, um dos maiores corruptores, que existe em Portugal.
    Quer falar da Fundação Mário Soares, do seu património e dos seus financiamentos?
    Quer falar do Colégio Moderno, proriedade da familia Soares, do seu crescente património, avaliadao em milhões de Euros? Quer falar do “usucapião” exercido pelo Colégio Moderno sobre uma parcela que confinava com a Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa?
    Quer falar de quê?
    Ah!, já me esquecia, quer falar da entrevista de Mário Soares.
    Pois falemos.
    Se fosse Jorge Sampaio a dizer o que disse Soares…tudo bem.
    Se fosse Guterres a falar do que disse Soares…ainda tudo bem.
    Agora, Soares, a falar de corruptos no PS…ao tempo de Sócrates…de ir às lágrimas.
    Conclusão:
    1/ Claro que houve corruptos ao tempo da liderança de Sócrates;
    2/Claro que houve muita coisa mal feita ao tempo de Sócrates.
    Agora, podemos comparar, neste dominio, as barbaridades que fez Mário Soares, na liderança do PS e durante bué de anos com este periodo recente?!
    Poder podemos, mas ficava a perder o senador.
    Tenha dó.
    Dito isto, já o escrevi muitas vezes, Portugal e os portugueses devem muito a Mário Soares.
    Desde logo a liberdade, o bem mais essencial a qualquer comunidade organizada.
    Isso deixa-o na história de Portugal…mas não lhe permite dizer tudo o que lhe passa pela mona.
    E, por hoje, já chega.

  4. Muito bem, Albergaria. Mesmo assim, essa corrupção no reino Soarista é uma gota de água perante a corrupção do cavaquismo. Mas esta, muito oportunamente, Soares nunca ataca nem sequer reconhece.
    No comentário ao pot da Penélope disse que M’ario Soares não aceita sucessores. Constancio e Sampaio foram episódicos. Os dois sucessores pra valer, foram Guterres e Socrates. Ora é estes que ele ataca na sua entrevista. Mais claro não pode ser.
    A vaidade é compreensivel. O culto do “ego” por convicção de obra feita, também. Mas outra coisa é prestar-lhe vassalagem.
    “À vezes sinto-me sozinho a puxar pelas energias do país” (Sócrates). Vamos sabendo, cada vez melhor, porque o disse.
    Quanto ao tema do Val sou de opinião que Sócrates teve esse sonho lindo e concretizou uma boa parte. Ainda hoje nos chegou a noticia dos elogios da UE nas realizações socráticas na esfera da educação. Um elogio que não mede as palavras: “Portugal é um exemplo”. Por aquilo que se fez nos últimos anos. Claro que isto não vai ser noticia ou vai sé-lo de forma a que pareça que o “bom aluno” a merecer este elogio é o Passos que ainda não mexeu uma palha.

  5. mas portanto deixa cá ver ,

    se eu bem percebo à seguir à lancha da Islândia vieram as fragatas Grécia, Irlanda e Portugal, e agora vai nos cruzadores a meter água, depois ainda temos os porta-aviões França e Alemanha

    mais uns submarinos que não digo

    a chatice é que ainda não percebi se um dos porta-aviões de cá está a amandar balázios para cá, sinto-me um pouco como Humberto da Massa Folhada no meio dos Pé-chatos a perguntar pelos Savannahs. Onde andará meu amigo Humpapá?

  6. joão viegas, o capitalismo, num certo sentido essencial, não passa do crédito. Mas não falei de solidariedade, antes de disponibilidade geracional para “projectos nacionais” – isto é, para uma entrega a um desígnio colectivo que mereça consenso pelos seus benefícios comunitários. E nunca tivemos tantos tão bem preparados, e capazes, como agora. Esse foi um resultado do regime democrático, tendo feito chegar mais riqueza às populações.
    _

    josé albergaria, certíssimo.
    __

    Sinhã, tens teorias do adubo? És completa.
    __

    Mario, bem verdade, Soares ficou cristalizado no mito fundador que, para nossa vantagem, assumiu ao longo da sua vida activa.

  7. Está certíssimo e tens toda a razão, mas o problema é ser muito difícil criar um ambiente de empreendedorismo empresarial num país onde, na prática, não existe sistema judicial, rule-of-law e contract-enforcement, e onde os empresários dedicam por vezes 50% do seu tempo a tentar cobrar dívidas, 25% a preocupar-se como pagar as deles, 12,5% borrados de medo com novos clientes, que não conhecem e não sabem se vão cumprir, e o restante em dirigir a empresa, inovar e abrir mercados. Esta é a realidade da grande maioria das PME, e as PME são tudo. Podemos, e devemos, maravilharmo-nos com o automóvel que construímos, com a sua potencialidade, mas numa estrada esburacada, não vai andar nunca a grande velocidade e as avarias são frequentes.
    As pessoas não precisam de consensos nem de desígnios, embora por vezes ajudem. Precisam que as coisas essenciais funcionem, de um ecossistema favorável à actividade empresarial e ao assumir de riscos. Feito isso, o resto aparece sem grande esforço. Nós somos empreendedores por natureza.
    Só se a ideia era forçar qualquer empresa a ser exportadora de modo a lidar apenas com clientes estrangeiros. Se é assim, a estratégia foi brilhante.

  8. Claro que é, mas por isso mesmo é angélico deixa-lo por mãos alheias, como podemos hoje experimentar de forma bastante clara. Acho que estamos a dizer a mesma coisa, so falta perguntar porque é que instituições internacionais haviam de acreditar mais em nos do que nos proprios acreditamos ?

  9. Quer falar da Fundação Mário Soares, do seu património e dos seus financiamentos?

    Quero, quero … yes, yes, esclareça-me que aquilo também fede a corrupção!

    Quer falar do Colégio Moderno, proriedade da familia Soares, do seu crescente património, avaliadao em milhões de Euros?

    Sim, sim, … quero. Já o jornalista do Público – José cerejo – deve ter ficado muito chamuscado quando abordou o tema. Lembra-se?. Sim quero ouvir mais …

    Quer falar do “usucapião” exercido pelo Colégio Moderno sobre uma parcela que confinava com a Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa?

    Estou à sua disposição … e muitíssimo curioso.

    Quer falar de quê?

    Pode ser disto:
    1/ Claro que houve corruptos ao tempo da liderança de Sócrates;
    2/Claro que houve muita coisa mal feita ao tempo de Sócrates.

  10. “Só se a ideia era forçar qualquer empresa a ser exportadora de modo a lidar apenas com clientes estrangeiros.”

    Acho que o Vega acerta em cheio com esta observação.

  11. Vega9000, não posso concordar mais contigo: Justiça a funcionar e liberdade para os empreendedores. Mas eu aponto para um outro aspecto da realidade nacional, ligado com uma apetência (que detecto ou imagino) para uma entrega colectiva a uma causa unificadora. O melhor exemplo que me ocorre, abdicando das armadilhas do fenómeno tanto da Expo 98 como do Euro 2004, é o do movimento por Timor.

    Do que falo agora, claro, é de um eventual movimento de criação de riqueza a um nível estrutural, por aposta em grandes sectores. Obviamente, não estou interessado em lidar com os aspectos concretos desta visão, só com os idealistas ou líricos.
    __

    joão viegas, não estamos a dizer a mesma coisa, embora isso seja completamente irrelevante.

  12. não podia deixar de te contar, Val, da minha teoria. aqui fica:

    a maior vantagem competitiva que um país pode ter é o capital intelectual – são os activos intangíveis como a qualificação, a tecnologia de informação ou os incentivos à inovação que, aliados à força de trabalho, perfazem a agregação de valor e geram riqueza: é este o adubo, o maior bem que um país pode ter. e isto serve para tudo, para todos os sectores – principalmente para aqueles que estão na merda porque é, bem visto, a merda que faz crescer. levanta-se, com esta merda toda, um pseudo-paradoxo interessante: o investimento na merda aumenta as potencialidades de mobilidade social, de mobilidade do capital, da merda do cérebro humano como gestor do conhecimento. a parte do pseudo é aquela em que se aproveitarmos os recursos, a mão de obra e o material intelectual bruto (depois transformado em capital intelectual) para fazermos compostagem caseira – e entenda-se caseira como nacional -, transformando a merda em adubo, nenhum cérebro merdoso vai querer zarpar: quem é que não quer ter uma casa com jardim na sua terra?

    o adubo é, portanto, a chave da vantagem competitiva, de aumento e facilitação do fluxo interactivo produtivo. porque adubar passa um pouco por cagar na aflição do ciclo de desenvolvimento, cada vez mais curto, dos produtos e meter a mão na merda, de forma cada vez mais crítica, na qualidade, no valor agregado, no serviço, na inovação, na flexibilidade, na agilidade e na velocidade.

    ou ainda não sabias que as minas de merda são as melhores? :-)

  13. Gostei desta merda da Sinhã! Tem deixado indicações de que anda cheia de tesão. Só não deve ter encontrado o companheiro certo. Mas há-de lá chegar.

  14. tens de cagar no ciclo, curto, de vida do tesão e meter o teu cérebro na merda. em suma, Mario, fazeres uma compostagem do texto que leste e gostaste.

    (e que Deus – o das pedras e das árvores e das águas – se lembre de abolir essa palavra, reles, de companheiro. homem que é homem e mulher que é mulher não são chamados de companheiros) :-)

  15. Também não gosto de falar em “companheiro/a”. Saiu-me. E às vezes sai mesmo merda. Também detesto falar em “esposa”. E cojuge, só nas leis. Mulher, sim. A “minha mulher”, então, é o máximo. Não por ser minha mas tê-la eu encontrado. E ela o seu “homem” como se diz aqui na aldeia.
    Quanto ao ciclo de vida do tesão, por enquanto vai coincidindo, na duração, com o ciclo da vida. Aqui há tempos perguntei, por curiosidade, a um amigo de oitenta anos que me dá confiança para tais atrevidas inquirições, “se ainda lá ia”.
    Fiquei a olhar o futuro mais animado. Quanto ao tesão.

  16. Sinhã: toma-me conta das minas de lítio se o Valupi esquecer – que cretinice: Portugal é um dos países mais ricos do mundo no metal mais precioso da actualidade e anda-se agora em provações, ainda por cima é antidepressivo,

    sempre gostei do verbo zarpar, escapar-me na linha do horizonte, voar

    PS: bem esgalhada a tua compostagem.

  17. fico contente, Mario, e faço votos que sejam felizes por muitos anos. isso e que respeitem sempre, mesmo os desconhecidos, a tua mulher: não por ser tua mas por ser mulher. :-)

    tomo sim, x, é coisa leve – e faz voar. :-)

  18. 1/ Claro que houve corruptos ao tempo da liderança de Sócrates;
    2/Claro que houve muita coisa mal feita ao tempo de Sócrates.

    Discorre mais um pouco sff, porque aqui no aspirina parece ser assunto tabu e sinal de lepra falar desses mui evidentes factos.

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