81 thoughts on “Para o Carlos Castro”

  1. No dia 8 de Janeiro de 2011, em New York a lei veio permitir que casais do mesmo sexo partilhem o mesmo quarto.

    Foi há um dia. Após uma longa luta.

    Penso que foi uma luta contra o medo.

    Foi o dia mais triste da vida dele (Carlos Castro).

    S.T.T.L.

  2. O puto que alegadamente o matou será, para além de um assassino com tudo o que isso representa, uma dupla vítima: do poder excessivo de alguém que conseguia mover influências para promover pessoas e provavelmente da sua própria ganância e incapacidade para ombrear de igual para igual com os outros candidatos ao seu lugar.
    É triste que muitas das coisas da vida funcionem assim e que as pessoas se deixem enredar neste tipo de esquemas, mas ninguém tente fazer do CC um símbolo seja do que for nem do seu assassino um pobre coitado.
    Ambos fizeram as suas escolhas de forma consciente e ambos criaram as condições extremas para o desfecho que se verificou.
    O resto é aplicação da Lei em vigor e talvez alguma lição de vida aprendida pelos clones potenciais destas pessoas com vidas que por acontecerem em altos planos sociais não deixam por isso de serem ética e moralmente marginais.

  3. Carlos Castro foi assassinado com violência psicótica, não se sabe ao certo ainda por quem, nem porquê, apesar das suspeitas acerca do seu companheiro. Para além disso, que em si configura uma dupla tragédia, o Carlos tinha Nova Iorque como a sua cidade de eleição, tendo indicado que queria ser cremado e ter as cinzas por lá espalhadas.

    Vir falar de homossexualidade, lei dos casamentos e considerandos hipotéticos sobre as causas do evento é uma estranha curiosidade que não antecipei ao fazer a homenagem a alguém, durante décadas figura da nossa paisagem social, que amava uma certa cidade onde morreu.

  4. Caro Val,

    Tanto quanto sabemos:
    1. Carlos foi assassinado.
    2. O suspeito era seu colega de quarto, não era «o seu companheiro», nem «o seu namorado», era um miúdo provinciano, irmão duma médica, finalista universitário e campeão universitário de basquetebol.
    3. Terá sido seduzido?
    4. Terá sido alvo de tentativa de violação?
    Não o sabemos…
    A normalidade da homossexualidade esbate-se na anormalidade deste crime.
    Curiosamente, as suas colegas do «jugular» ainda não escreveram uma palavra sobre o tema.

  5. Na minha opinião vejo este desfecho também como paradigma da chegada à ribalta, suas luzes e lantejoulas, dum certo segmento de pessoas integrando o que eu chamo universo «morangos com veneno». Não é nem nunca foi «morangos com açúcar». Há por aí, por esse meio da TV, das canções, da moda e quejandos, uma certa ideia errada de «gala», por exemplo. Chamam «gala» a um grupo de miúdos a imitar canções de outros numa espécie de fotocópia a cores – só pode ser engano. Ques se enganem uns aos outros é uma coisa; quererem enganar o pagode já é outra. Bem pior. Tal como nos «morangos» não podem continuar a beber e a comer sem pagar. Alguém terá que se chegar à frente e pagar a conta.

  6. pedro oliveira, Renato Seabra era o seu companheiro de vida e de quarto, estes são os factos relatados publicamente pelas fontes. As tuas bizarras interrogações ficam para ti, assim como a absurda referência às “colegas do «jugular»” – que tenho eu a ver com o que se escreve seja onde for ou o que é que tal importa para este assunto?
    __

    jcfrancisco, se vês este acontecimento como resultado de não sei o quê ligado a sei lá o quê, tens de consultar com urgência um psiquiatra. Pelo menos, ele poderá explicar-te alguma coisa acerca das patologias que se estudam nessa área, sua tipologia e frequência.

  7. O que é que o Carlos Castro, que foi meu colega de trabalho durante uns anos e por isso conheço pelo menos parte do seu percurso, fez de concreto para lhe renderes algum tipo de homenagem?

  8. shark, a homenagem é àquilo que nos liga a todos: a humanidade. Não preciso de me rever em nada que ele tenha feito, como não revejo sem surpresa, mas o facto de ser uma celebridade (mesmo que à minúscula escala de Portugal e do meio profissional que era o seu) significa que certos aspectos da sua história amplificam certos aspectos daqueles que fazem parte da sociedade onde ele estava presente com destaque mediático.

    Na tragédia da sua morte violenta há uma poética ironia que realça a solidão de todos nós – pode ser mais fácil amar uma cidade do que as pessoas.

  9. Estive algumas vezes ao lado de CC em determinados eventos – não «cor de rosa». Era uma pessoa que assumia a sua homossexualidade de maneira absolutamente enjoativa. Também nada devia à beleza. Imagino um jovem (que dizem ser seu namorado) assediado e a fazer sexo com este senhor. É possível que a tentação do estrelato, como manequim, tivesse levado este jovem a vender-se. CC tinha 65 anos, estava velho, gordo, cada vez mais feio e efeminado. O namorado tem 20 ou 21 anos. Imaginemos o seu sacrifício. Sinal maior de ódio, nojo e recalcamento, o facto de lhe ter amputado os orgãos genitais. Quanto a mim, isso diz tudo. Um verdadeiro horror, todo este drama. Que fique como exemplo, quer para os jovens ambiciosos, quer para os velhos «sedutores» da nossa praça.

    Como cronista social, CC era o que era: igual à sua própria personalidade. Mas dava jeito aos «cor de rosa». Não sei como vão passar sem ele, nesse mundo artificial e triste onde vivem. Era nesse meio que tinha amizades (?) e alguma influência. Servia-se dela e vivia disso – e bem. Não é qualquer um que se desloca, apenas em um ano, 14 vezes a New York! Paz à sua alma!

  10. Tomo cuidado comigo, em que sentido, Val? Até agora, nada faz supor que o jovem tenha tido, na sua curta vida, qualquer sintoma psicótico: bom estudante, bom atleta, mostrando ser uma pessoa normalíssima. Eu sei, eu sei que, por norma, os psicopatas, até à data de cometerem um crime, são dados como pessoas normais. As situações vividas, essas, é que podem conduzir a que se tomem atitudes que se confundem com as de um psicopata: neste caso, a repulsa, a vergonha, a submissão a outro, que exige troca de favores homossexuais, isso, sim, pode levar à loucura de quem acaba por ter repugnância por si próprio. Não me admiro que tudo isto esteja na base do comportamento do jovem: preso numa rede onde se terá enredado, sem ver maneira de se libertar. Tudo porque somos humanos, com uma capacidade limitada de lidar com situações extremas, como a que se terá verificado…

  11. Pedro II, toma cuidado contigo porque estás a falar do que desconheces, tanto no plano factual como clínico, acabando por projectares os teus preconceitos e fantasias. Estás a insinuar que houve uma qualquer violentação dos direitos de alguém, gerada por um certo tipo de desejo sexual e sendo essa a causa directa para um crime, e logo com estas características. Ou seja, estás só a conseguir falar de ti.

  12. Se me permitem, há argumentos válidos em todos as intervenções.

    Ninguém deve matar ninguém, ninguém tem nada que ver com a opção sexual do outro.

    A pergunta do Shark é pertinente:eu não conheci a vítima, não gostava do tipo de trabalho do mesmo, não sei se fez algo de útil pela sociedade. Todavia, o Valupi tem razão nisto: «a homenagem é àquilo que nos liga a todos: a humanidade» e « pode ser mais fácil amar uma cidade do que as pessoas». A cidade não trai, deixa-nos andar, deixa-nos ver, não nos apunhala como os seres humanos – alguns – fazem.

    Não gosto dos artigos do JKF, hoje reconheço -lhe inteira verdade no que escreveu. A solicitação que nos chega através de canais de difusão, como, inclusive, a «literatura cor de rosa», os «morangos com açúcar», tudo que transmite normalidade a «coisas» que não são efectivamente normais, pode alterar a mentalidade para pior e levar a «desfechos» trágicos como este. Não creio que o JKF esteja errado. Quantos crimes são praticados e na sua origem estão «coisas» tão estúpidas como «modos de vida», «ascensão social», «celebridade», seres que se vendem para alcançarem ( o quê) afinal???
    O Pedro Oliveira levanta questões pertinentes, que vão certamente ser deduzidas em julgamento, obrigatóriamente. A sua conclusão, a de que a «A normalidade da homossexualidade esbate-se na anormalidade deste crime», é uma meia verdade, porque dependendo do perfil de quem vitimizou, do seu móbil, assim, também, se concluirá se é a normalidade da homossexualidade que se esbate ou se foi justamente a anormalidade para o agente do crime que determinou a sua prática.

    «Dá pano para mangas», desconheço se o agente é português ou não. Se for é extraditado e espera-se da defesa toda a argumentação de um crime passional. Sendo assim, apesar da perversidade do crime, o «tipo» está safo, consideradando a gravidade do acto.

  13. Val, não há preconceitos e fantasias. Há a realidade dos factos, a terem ocorrido da maneira como foram noticiados primeiramente. Também não afirmei que houve violentação dos direitos de alguém. Terá havido, pelo contrário, consentimento, subordinação de uma das partes, sujeita a «um certo tipo de desejo sexual». em troca de algo. Tudo isso poderá ter tido um preço demasiado alto para as duas pessoas envolvidas neste drama. A ablação dos orgãos genitais é a resposta ao que não queres aceitar.

  14. Pedro II, o que é que eu não quero aceitar? A realidade dos factos, aqui na conversa, é apenas relativa ao relato publicado sobre os mesmos. Tudo o que estás a dizer, e os nexos que estabeleces, não vem nas notícias, nasce na tua imaginação.

  15. Val,
    O estado psicótico é de geração espontânea? O assassino no momento de matar tornou-se psicótico de per sí, o assassino por obra e graça do espírito santo, foi tocado pelo estado psicótico e logo foi matar. Logo os investigadores e os juizes vão tentar apanhar e prender o verdadeiro culpado: o tal “estado psicótico”. Ou então o “estado psicótico” já existe na pessoa e surge por estímulo, mas nesse caso não é mais que uma faceta da condição humana.

    Val, só porque a psiquiatria faz uma tentativa científica de explicar a mente do homem acredito mais nela do que na astrologia. Como se sabe, a psicanálise foi racionalizada a partir dos mitos gregos. E todos esses mitos representavam tragédias que resultavam das DECISÔES e ACÇÕES que os homens(e neste caso também os deuses), tomavam ou eram obrigados a tomar na sua vida política-social na Cidade.
    Foram as decisões (livres? no mito grego metia imposições de deuses, neste caso imposição social) que tomaram ambos, submetidos às condicionantes dos valores da sociedade actual, onde campeia como um dos valores heróicos precisamente a “luz da ribalta” e ter uma vida de sucesso luxo.
    As quetões postas por jcfrancisco e outros não só são pertinentes como têm toda a razão de ser.

  16. Adolfo Contreiras, os estados psicóticos podem ser os mais variados, com a mais diversa etiologia. Mas não entendo o teu comentário, pois ninguém está em condições de saber sequer o que aconteceu exactamente, quanto mais ter explicações para tal.

  17. Valupi,
    Não é que o sujeito em causa me mereça grande consideração, mas como o caso é muito grave, dramático e implica com diversas áreas muito complicadas da existência humana e da vida das pessoas, quero só dizer que “as amigas jugulares” não têm por hábito falar de coisas destas pela rama. Pela parte que me toca vou esperar por mais dados, e depois, se me apetecer e me parecer oportuno, logo direi alguma coisa, mas depois de ler esta pequena notícia sobre o assunto http://dn.sapo.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=1753446 a minha suspeita de que estamos perante um quadro psicopatológico gravíssimo começa a ser cada vez mais forte.

  18. Nem mais, Ana. Creio que a gravidade psicótica estava já estabelecida com a referência à mutilação, fazendo deste caso algo bem diferente de um acidente de violência passional ou conjugal. Esta notícia só vem ilustrar e adensar a situação.

  19. Ana Matos Pires,

    Diz a senhora que uma pequena notícia permite-lhe retirar uma suspeita de que estamos perante um quadro psicopatológico gravíssimo.
    E isso quer dizer o quê!? Não acha um pouco lisonjeiro escrever assim? Sem mais nada?

    Para mim, e numa lógica mais prosaica, pois não sou psiquiatra, o suposto homicida entrou em conflito com a sua própria identidade e ficou farto de um tipo que o ‘seduziu…’ em troca de ‘favores…’ saindo de ‘cena…’ de uma forma brutal e trágica.

    E o suposto homicida é pouco mais que uma criança, enquanto a vítima já tinha idade para ter ‘juízo…’.
    E não ficarei admirado que se o suposto homicida for bem defendido e bem apoiado em pareceres (psiquiátricos…) que a pena lhe seja atenuada.

    O meu comentário, admito, parece deixar implícito um preconceito, embora me esforce para que assim não seja.

    Espero que a senhora desenvolva o tema e não avance apenas com uma mera “suspeição” fundamentada numa “pequena” notícia (se lhe apetecer…).

  20. João José Fernandes Simões, o teu comentário não deixa implícito um preconceito, ele é todo construído a partir de preconceitos, vários.

  21. João José Fernandes Simões,
    Por vezes até lhe acho graça mas neste caso, e pelas razões que referi acima, não me apetece mesmo nada deixar passar em claro as patetices que diz no seu comentário. Sugiro-lhe que releia o que escrevi, se reparar tenho a preocupação de referir que aguardo mais informações e falo em suspeitas, ou, no meu linguajar, em hipóteses de diagnóstico, e faço-o exactamente pela falta de dados para consubstanciar um parecer diagnóstico mais consistente, sobretudo em praça pública, o que não me impede, por não ser deontologicamente incorrecto, dar minha opinião impressionista enquanto cidadã com conhecimentos técnicos. Fui clara?

  22. já estava à espera dessa resposta, meu caro.
    de uma resposta toda ela preconceituosa.

    enfim… mas não vou entrar por aí.

  23. o que val(e) é dizer uma coisa, reafirmar o seu contrário sem mudar de opinião e pelo caminho passar uns atestados de preconceituoso, excluíndo as manhosises saloias. se lesses o pitta vias como tratar o assumpto de maneira inteligente.

  24. Ana Matos Pires,

    Antes de mais não sabia que me acha graça, às vezes. Fico feliz por isso.

    Mas vamos ao que interessa. Que patetices são as minhas?

    E as patetices têm que ver com a substância do meu comentário (preconceituosamente adjectivado por preconceituoso por Val, que deve ter andado comigo na escola para me estar a tratar por ‘tu’ e que me deve conhecer muito bem para de tal me adjectivar a partir de um singelo e único comentário, e o primeiro alguma vez feito por mim no seu blog…)?

    Ou as patetices têm que ver com o desafio que lhe fiz para que se explique melhor?

  25. João José Fernandes Simões, até Jesus tratava o seu Pai (que não era um gajo qualquer) por tu. Se vens comentar neste blogue, vens oferecer-me a possibilidade de te tratar por tu. Quanto a ter andado contigo na escola, não me digas que eras aquele fuinha do canto que passava as aulas a tirar macacos do nariz…

    O teu comentário, singelo e único, é quanto basta para ter opinião a seu respeito, o comentário, não a teu respeito. E o que escreves é preconceituoso, como de resto reconheceste antecipadamente ao ponto de o escrever no mesmo comentário.

    Se quiseres discutir o que seja um preconceito, força nisso.

  26. Já que você me oferece tal possibilidade, esteja à vontade.
    Trate por tu, ou por o que lhe apetecer. Olhe, até pode ser por “dom”.

    Mas do que eu fico à espera é que pessoas sem preconceitos, que não me parece ser o seu caso (porque, ao contrário de si em relação a mim, já o venho lendo neste blog há muito tempo, sempre sem intervir…) escrevam alguma coisa de interesse sobre a motivação do comportamento do suposto homicida.

    E, já agora, a única coisa que você escreve sobre isto com algum sentido é quando diz «fazendo deste caso algo bem diferente de um acidente de violência passional ou conjugal», inclinando-me para a “suspeita…” na mesma linha de Ana Matos Pires, mas sem que esta ache graça a “patetices…” porque este assunto não tem graça nenhuma.

    E também já fui ler no Da Literatura. E, de facto, como um comentador já aqui disse, e que eu traduzo, em termos de escrever de forma “inteligente…” sobre este assunto, você não lhe chega sequer aos calcanhares.

    Agora vou almoçar…

  27. É divertido assistir a estas trocas de piropos, mas a verdade é que ainda ninguém conseguiu explicar como é que um gajo consegue com um simples saca-rolhas, enfim…

  28. Dom José, não reclamei estar com carência de preconceitos, apontei foi para os teus.

    O teu terceiro parágrafo é completamente ininteligível para mim.

    E confirmo: não chego aos calcanhares do Pitta.

  29. Pois! De facto, você está a ser um pouco básico, que é como quem diz está a ser “burro…” neste assunto.

    Não apenas para entender o que eu escrevo, mas também, ao que me parece, para entender o que você próprio escreveu.

    E porquê? Porque você comentou em cima de uma ideia pré-concebida, a qual construiu, de forma simplista, em cima do meu primeiro comentário.

  30. Mas o Pitta não disse nada, nada, quem disse foi o Lauro António, 0 Pittapiça só falou na Cantarella:

    “Ao fim destes anos todos ainda muita gente se espanta que heterossexuais conspícuos e respeitados pais de família levem no cu. Não vale a pena chover no molhado. É urgente traduzir Bisexuality in the Ancient World (1992) de Eva Cantarella, professora no Instituto de Direito Romano da Universidade de Milão e no Trinity College de Dublin. A ver se percebem de uma vez por todas que isso de “gostar de mulheres” não exclui outras possibilidades”,

    que nada tem a ver com o ritual no hotel da Times Square.

    Com extirpação violenta de tomates, na capital dos larilas e das lisbolas e do 9-11, isto anda a ficar meio-satânico, meio jet set, meio live and let die, macartney and al. E depois envolve um rapazinho na idade da tropa, modelo meia-foda, inevitáveis contactos com agências de publicidade, pra subir na vida, muito estranho. Depois os diagnósticos do Valupi, sem as devidas prognoses, sem nada. Estranhinho.

    Escutem: isto ainda vai dar que falar antes de ser abafado. Há que meter rolha no cu, malta, medida preventiva.

  31. precisamente, V. Kalimatanos. eu estava a falar de Lauro António… no blog de Pitta.
    eu reparei nisso, mas não me dei ao trabalho de precisar melhor.

    fez bem em corrigir. se bem que, e ao que aqui interessa, quer aquele, que falou, como este, que o transcreveu, revelam ser bem mais ‘inteligentes…’ sobre como abordam este assunto.

  32. não percebo porque é que esta gente, em vez de andar à roda com voltinhas, não diz o que pensa: “o paneleiro velho há-de ter levado o que merecia”. quando foram os bobbitt ninguém se lembrou de dizer que aquilo aconteceu porque eles eram heterossexuais e tinham pouca diferença de idade. é tão óbvio para quem pense que esta não foi uma ocorrência normal e previsível. só mesmo o preconceito para simular raciocínio aos olhos de quem o emite.

  33. Susana (não és a minha afilhada, poinão?): o que está em causa é que o Carlos Castro era uma pessoa poderosa e tinha plena consciência desse facto. E quem tem o poder usa-o.
    E depois de muito uso pode sobrevir o abuso e pode dar merda, seja qual for a orientação sexual dos/as intervenientes.
    Ou achas que se fosse uma gaiata com 20 anos no cerne da questão isso mudava a perspectiva de alguém?
    O saca-rolhas, isso sim, é que me faz imensa confusão…

  34. olhe, susana, na parte que me toca, não acho nem deixo de achar que «“o paneleiro velho há-de ter levado o que merecia”», embora eu não esteja a enfiar nenhuma carapuça.
    e se Carlos Castro era ou não «paneleiro» era um problema do seu foro íntimo, nem você nem eu temos nada com isso.

    o que eu acho é que Carlos Castro, repito, já «tinha idade para ter ‘juízo…’».
    acrescentando, agora, em não se apaixonar por uma pessoa que é pouco mais que uma criança, seja homem ou mulher…
    e até posso achar que essa treta de que o amor não escolhe idades, como diria a minha avó, é coisa que se pode aceitar, vamos admitir.

    mas o facto é que Carlos Castro, segundo ouvi de um amigo dele, sobre o aviso que este lhe fez quanto à idade do parceiro (sabiamente, acho eu…) respondeu que, não, não senhor, o rapaz é muito adulto e blá blá blá.
    isto que não significa que se fossem da mesma idade tal também não poderia também acontecer.

    mas «“o paneleiro velho (que) há-de ter levado o que merecia”» que tenha a paz que mereça…

    o que me incomoda, na linha do que um comentador também já disse, é a sedução para que estes jovens são atraídos.

    e, olhe, também me sabia bem trocar a minha mulher por duas de vinte e cinco. mas eu procuro ter ‘juízo…’.

  35. Dom José, larga o vinho.
    __

    susana, exactamente.
    __

    shark, essa do Carlos Castro ser uma pessoa poderosa carece de explicação. Por exemplo, eu que o conheço apenas da sua imagem pública, diria que ele era uma pessoa frágil e passível de inúmeras manipulações. Não tenho é a ousadia de lançar palpites acerca de quem manipulou quem, por esta simples evidência: estamos perante um caso de distúrbio psiquiátrico, o que não se explica com simplismos desse calibre preconceituoso (como a batida versão do “velho tarado” a corromper moralmente até à loucura fatal o “jovem inocente”).

    O que é lícito dizer é que a causa principal do evento não está no período recente da vida do assassino (seja ele quem for).

  36. Val,

    Se quer manter a conversa com algum nível comigo, então, não se arme em monte de esterco com essa do vinho.
    Se se quer armar em monte de esterco, então, diga, e ficamos por aqui, que eu tenho mais que fazer do que passar o dia a escrevinhar num blog.

  37. sou levado a concluir que o Val, neste assunto, está a pensar com o… cu.
    até um dias destes, então.

  38. Um dos comentadores aflorou aquilo que me parece realmente importante e que tem a ver com a motivação por trás deste crime odiondo: o que terá levado um jovem até ao momento aparentemente normalíssimo, a torturar, castrar e assassinar um senhor que tinha idade para ser seu avó?… Como chegou ele a esse ponto? Há qualquer coisa que não bate certo e se fazer do rapaz um coitadinho inocente é um abuso, fazer de C.C. uma pobre vítima de um psicopata louco tb n me parece acertado. Para além disso, e antes de ser acusado de preconceito, para o caso, pouco me interessa tratar-se de um moço de vinte anos ou não, a minha percepção seria a mesma caso se tratasse de uma moça de igual idade. Enfim, o tempo talvez esclareça os contornos reais do caso.

  39. Queres explicações para o óbvio ou estás a mancar comigo, Val?
    É que igualmente no domínio público encontra-se com facilidade a génese do poder a que faço alusão, o de promover ou banir pessoas com poder financeiro ou meramente nobiliárquico de uma “corte” construída por via mediática nas capas e nos interiores das publicações dedicadas a tal tarefa.
    Isso implica que Carlos Castro tinha arcaboiço para arcar com amigos poderosos e gratos como para enfrentar os inimigos que “deserdava” com a sua indiferença ou a sua verrinosa forma de os descrever quando não os reconhecia dignos ou simplesmente não gramava.
    Não estamos a falar de uma pessoa frágil mas de uma pessoa hábil. E sim, acredito (os factos que vêm a lume só o confirmam) que na origem do que se passou esteve um abuso de poder. Ou no mínimo um erro de casting fatal.

  40. Estive agora a ler que Carlos Castro, em 2007, falava «do pai que o amarrava à mesa, do vizinho que o violou aos seis anos e das muitas vezes em que foi abusado na prisão, recordando ainda o tempo em que viveu na rua, os amores e o sucesso que conquistou».

    Enfim, um passado ‘normal…’ que teve Carlos Castro.
    Já Renato Seabra, este, terá nascido com um qualquer problema «psicopatológico gravíssmo».

    E eu é que devo «largar o vinho»!

  41. Em imitação do Pitta, Valupi escreve como muito cuidado para não borrifar as impressões digitais com perfumes que possam desnortear os olfactos à polícia de NY nas suas investigações. O termo “preconceito” anda de lá para cá e daqui para outros lados. Parece contágio do virus porcino. E não é só isso, é também o “já sabemos o que é que certas pessoas (os “homófobos”, pois, esses nazis) vão dizer e espalhar por aí.

    O Corte Real da Opus Gay ainda vai mais longe que qualquer deles e não está com meias medidas: pede ao poder político para “reforçar a aceitação de gays no âmbito social e profissional”. Deve andar à espera que lhe façam vénias. Não é só querer mais, quer mais e mais grosso, coisa que encha a mão. “A lei não muda mentalidades”, diz ele, como quem diz: porrada nestes gajos (nos e nas heterossexuais, pois então) até eles e elas meterem as leis que nos protegem pelas cabeças dentro e fiquem mentalmente incapacitados para exprimir uma opinião que fira o coirato rosa das nossas sensibilidades. Puro caso de abalo sísmico cerebral que pede urgente check up por parte do Valupi.

    A Fabíola Cardoso, da Associação de Defesa dos Direitos das Lésbicas (como se alguém ande a estorvar os direitos desta senhora de trabalhar como empregada de balcão ou a costurar ou a andar aos saltinhos pela avenida abaixo com a cor de sapatos que lhe apeteça) essa ainda vai mais longe que o resto e insere-se com muito ronco e militância fanática na conhecida agenda da Nova Ordem Cerebral entre as mulheres que querem endireitar isto, dê por onde der, quando profetiza com a certeza duma Rosa Luxemburgo já esquecida: “a aceitação homossexual é um percurso irreversível da modernização da sociedade”. Tomos tramados. Pouco falta para sermos engolidos pela boca do vulcão que é esta mulher.

    Todos estes marmanjos e marmanjas têm uma coisa, ou duas, em comum na análise da tragédia Castro de sangue e sexo num dia aziago. Já sabem que andam por aí, por jornais e internet, muitos “homófobos” a imaginarem coisas e a ofenderem as pobres minorias perseguidas com bons empregos na TV e nas revistas das senhoras. Mas nenhum deles ainda mostrou um exemplo. Minto, excepto o Valupi, mas ainda não sei onde é que ele foi buscar essa do “velho tarado”. E se eles não viram, como eu suspeito, é porque há uma boa razão para isso. Os “homófobos” estão todos cagados, cagadinhos pelas pernas abaixo, porque por experiência já sabem que o poder está sempre nas mãos das minorias, sejam elas de que natureza forem.

    Termino com este extracto sobre o estado mental de certa gente que interessa bastante a este tema, aliás de tempos a tempos relembrado aqui pelo Valupi para bem da sanidade deste blogue:

    “It is claimed, that the high rates of mental illness among homosexuals are the result of ‘homophobia’. However, even in the Netherlands, which has been far more tolerant to same-sex relationships and which has recently legalised same-sex marriages, high levels of psychiatric illness, including major depression, bipolar disorder (‘manic depression’), agoraphobia, obsessive compulsive disorder and drug addiction are found. (Sandfort TG, et al. Same-sex sexual behavior and psychiatric disorders: findings from the Netherlands Mental Health Survey and Incidence Study (NEMESIS). Arch Gen Psychiatry. 2001; 58 :85-91.)”.

  42. Carlos Pimentel, tens de arranjar uma ligação à Internet e começar a ler umas coisinhas acerca de psiquiatria e psicologia.
    __

    adelaide, what?
    __

    Dom José, larga lá a vinhaça, vá.
    __

    shark, estás a dizer que assassinatos com mutilação são o resultado lógico, ou provável, dos típicos e frequentes abusos de poder daqueles que têm o tal poder para escolher quem aparece e desaparece das capas das revistas? É isso, compadre?
    __

    Kalimatanos, és uma inteligência, ó pá.
    __

    Zeca Diabo, não se trata de Portugal, é só em Cantanhede.

  43. Homenagem a um conhecido pedófilo que destruiu a vida de um jovem na flor da idade.
    Já tiveste melhor Val, já estiveste melhor….

  44. Caro Val,

    Passados tantos comentários não percebi, ainda, o que o levou a prestar homenagem a Carlos Castro.
    Qual a grande qualidade que ele possuía que o distinguia de todos os outros seres humanos?
    Escreveu: «I don´t have friends. I have New York» talvez, Carlos pensasse, realmente, assim, talvez gostasse mais duma cidade que de pessoas, talvez não se importasse de magoar, de provocar dor e de violar as pessoas na sua (delas) mais íntima intimidade (pleonasmo propositado).
    (estou só a levantar hipóteses, tendo como ponto de partida sua homenagem)
    Quanto à suposta pedofilia, segundo a lei portuguesa se um miúdo de 18 anos fizer amor consentido com uma miúda de 15 é pedofilia; se um senhor de 65 anos violar um miúdo com 18 não é pedofiliia… leis socráticas; logo o caso em apreço não era pedofilia.

  45. pedro oliveira, esta vai ser a última vez que me dirijo a ti, e faço-o ainda mais esta vez tendo em conta a tua longa permanência como comentador neste blogue. Portanto, se porventura responderes a este comentário eu já não responderei ao teu.

    Presta atenção:

    – Não fui eu que escrevi «I don´t have friends. I have New York». Esse texto já vinha escrito por outro, o autor do cartoon. A peça, na origem, em nada se relaciona com a pessoa ou o sucedido a que a associei por aqui, evidentemente.

    – A homenagem ao Carlos Castro é feita tendo como referência a tragédia da sua morte, não a sua vida (que só conheço como figura pública). Tal como expliquei em resposta ao shark, é uma homenagem à nossa solidão, a de todos.

    – O que dizes a respeito de violações, pedofilia e leis socráticas é a razão pela qual será um alívio não perder mais tempo contigo seja lá qual for o assunto em discussão.

  46. É um espectáculo como o cabrão do Sócras aparece metido em tudo. Agora até já tem culpas indirectas no cartório nas relações sexuais entre pessoas com grandes diferenças de idade.
    O gajo é omnipresente e nesse caso podíamos fazer uma petição para o beatificarem. Ou então abraçamos de vez o politeísmo.

  47. Val,

    Vamos lá a ver se nos entendemos.
    Respondes ou não respondes é uma opção tua, tal como a sexualidade é uma opção (e não uma orientação) de cada ser humano.
    Homenagem à solidão?
    Vou ali já venho… a solidão não viaja acompanhada para New York.
    Queres escrever «posts» para homenagear a solidão?
    Inspira-te nos «velhotes» que morrem e os corpos são descobertos passadas semanas, em Massamá, em Santo António dos Cavaleiros e assim… o Correio da Manhã e o Diário de Notícias relatam, todos os dias, casos desses.
    A questão da pedofilia era uma tentativa de responder a um comentário; julgo que nesse particular concordamos.
    Termino utilizando o teu bordão que sempre detestei (mesmo quando não me era dirigido):
    – Val, larga o vinho

  48. Tás feito, Val. O piquete revolucionário dos Alcoólicos Anónimos passou à luta armada e tem um imenso arsenal informático ao dispor.
    Vais beber litrobytes que te flixas.
    :)))

  49. Exmos Senhores:

    Vimos pela presente manifestar a nossa indignação pela vergonhosa campanha que este blog está a promover contra uma bebida sagrada que até já deu de comer a um milhão de portugueses.
    Na verdade, a insistência no apelo à largada do vinho suscita-nos algumas questões, nomeadamente a do potencial aproveitamento por parte das marcas de refrigerantes que alegadamente patrocinarão este espaço e que justificará da nossa parte a apresentação de uma queixa formal junto da Alta Autoridade mais à mão para que se proceda à abertura de um inquérito e de uma garrafa de tinto alentejano de 1990 para que seja feita justiça quanto a esta pérfida campanha que visa minar a forte ligação dos comentadores portugueses ao néctar dos deuses e que, de resto, se vê espelhada em profusão pelas caixas de comentários deste blog.
    Posto isto, resta-nos apelar com veemência ao bom senso de V. Exas. no que respeita ao respeito que é devido a um líquido que para além de simbolizar o sangue de Cristo (aconselhamos rosé) tem servido de fonte de inspiração para gerações de comentadores a quem V.Exas. pretendem, em sentido figurado, enfiar uma rolha pelo
    teclado.

    E nós, a Coooperativa Vitivinícola da Brandoa, em nome de todos os nossos associados, parceiros comerciais e respectivos agregados familiares vamos acabar com esta lei da rolha (estando já em estudo um sistema de abertura fácil semelhante ao das minis Super Bock para as colheitas de 2011 em diante)!

    Os nossos cumprimentos,
    P’lo Presidente em exercício

  50. João José Fernandes, borraste a pintura. Tentas ter juízo é? Vá-se lá saber se não andas aí com cálcio na testa á conta da «cota» e as duas de 25 não te querem!

    Shark, granda questão! Fogo! Mas tu pensas que a especial perversidade do crime não vai ser levantada em tribunal, seja cá ou lá? Tou a ver o MP de lá ( ou de cá) a voltar-se para o juri e a dizer: Podem imaginar o que é arrancar os tomates a saca – rolhas?

    Este puto ou arranja um bom atestado psiquiátrico e mesmo assim não se safa lá, ou arranja uma boa escolta de pedidos para ser extraditado ( que a nossa lei é mais favorável) e aí tem que haver intervenção a outro nível – superior….sendo extraditado, é crime passional ou nem sequer é crime. Declara-se maluco.

    Caso fique por lá, e vá para uma prisão daquelas, o tipo não dura um ano. Vai levar de tudo o que é paneleiro e vai comer por ter morto um homossexual. Onde é que o puto estava com a cabeça?! Trágico! Em todos os sentidos.

  51. Não gozem seus filhos da mãe.

    O morto era homossexual, mas era uma PESSOA. O que fez durante a vida não nos cabe agora julgar. Lá vou ter que mudar de nique outra vez, quem fala bosta são vocês.

  52. …acho que nem sempre a especulação dá bom resultado, a malta investe na esperança de ter um lucro fácil e abundante, o produto é tóxico, e por vezes acaba-se na bancarrota, num crash qualquer. muitos suicidios, homicidios, mutilações, etc..felizmente portugal conseguiu colocar a divida.

  53. Ó Doutor Cagalhão, agora fizeste jus ao teu nick e por isso deixa-o ficar.
    Falaste no plural e eu não gozei ninguém, fiz-te uma pergunta clara a que não respondeste. E se calhar é porque não tens capacidade de lá chegares, mas a cabeça do assassino vagueou com toda a certeza ao longo daquela mixórdia por ideias que nem imaginamos.
    Vai chamar filho da mãe a quem te fez as orelhas, pá.

  54. Ok Shark tens toda a razão, vou manter o nicque, assim posso entrar na tua onda.

    A tua pergunta não é clara é claríssima, mas como não sou omnipresente, não posso elucidar-te. Quem sabe, tu com a tua lógica faseada, nos dás resposta?

    Eu não comento o que não sei e a minha alegada incapacidade, ainda que presumida ilidivelmente por ti, não me permite sequer brincar com duas tragédias: a da vítima e a do agressor. Como diz um «outro»: ambos viram a vida fodida.

    Quem me fez as orelhas ensinou-me a respeitar os outros, e sobretudo os sentimentos humanos. Todos erram pá. A não ser tu que és um gajo do caraças.

  55. Estava a ver que não chegavas lá.
    E deixa-te de birras porque aquela dos filhos da mãe foi excessiva e nem se aplica ao que perguntei e repito: onde estava a cabeça dele antes, durante ou depois do crime?
    E eu acredito que a cabeça dele não esteve sempre no mesmo sítio, como os factos (nomeadamente os analisados publicamente por psiquiatras) parecem comprovar.
    Era isso.
    E se quem te fez as orelhas te ensinou a respeitar os outros mete freio nesses “filhos da mãe” que traem o bom trabalho que tentaram fazer contigo…

  56. Shark, utilizando a tua filosofia ou filosofar, diz-me: então queres que te chame o quê? Pois tu não tens mãe, gaita?

    Podes crer que quem me fez, não precisou ou precisa de recorrer à borracha.

  57. Adiante, acho que temos a questão resolvida e ficamos assentes na questão do respeito devido.
    Acho que podemos chamar a isto um final feliz, não?
    Tem um bom fim-de-semana, pá.

  58. Caros maomés, trago-vos esta montanhita que aproveito para juntar à cumbersa, inevitavelmente apetecível e cujo eco me leva a duas reflexões que não resisto a partilhar:

    – terrível, isto em nós que nos condena a carregar com as nossas tragédias pessoais alguma opinião que formamos sobre as tragédias dos outros;
    – terrivelmente interessante, a forma como isso se revela e nos expõe no que escrevemos e como escrevemos, escarrachando exactamente aquilo que não queremos dizer nas voltinhas e floreados do que deixamos dito;

    Enfim, palavras. Tipo ‘olá pessoal’ mas em grande, um nadita mais elaborado, talvez.
    E só para terminar, antes do texto:

    . Val, o prazer de sempre! Deliro com as tuas faenas, como bem sabes, discordar ou não acaba sempre por ser mero pormenor, dez furos abaixo do larga o vinho, who cares?! Abraço-te, mesmo.
    – Ana Matos Pires, idem no prazer de sempre, mas mais adequado o aflorar de lábios na manita, talvez, digo eu.. Bom, ler-te.
    – Sharky, CC again, caríssimo? Afinal que eu saiba, de facto, és o único maomé que já esteve nesta montanha, pelo que a metáfora não se te aplica, perdoarás. Toma lá abraço, nem que só por isso.
    . José do Carmo, ‘morangos com cicuta’, portanto… Interessante classificar, esse. Cumprimentos, caro c’lega.

    E pronto, chega.
    Siga a festa, fica o monte.

    Julgo não estar enganado, vejamos: a mim parece-me que vai tudo nas palavras, nas palavras e nas cores escolhidas por uns para pintar o que aconteceu aos dois, de forma a poder instruir todos os outros sobre a memória específica que devem guardar sobre o assunto. Vou tentar explicar melhor. Na verdade consigo até dizer exactamente o mesmo usando uma só palavra, hipocrisia, só não vejo é razão para resumos nem para temer as palavras, já que elas são também um poderoso instrumento da verdade, tal como da mentira. As palavras são importantes, determinantes mesmo, na classificação que fazemos por instinto a toda a informação que os nossos sentidos processam para a formação de um juízo. A palavra-chave deste caso de horror, por exemplo, qual é? Muitos dirão ‘homosexualidade’, e muito tem sido feito e dito para instalar essa ideia, de que este é um caso que acontece pela homosexualidade de duas pessoas. Eu não vejo assim, confesso. Para mim a palavra-chave de todo este caso é ‘abuso’ e não qualquer outra que até pode caber, situar, indiciar o assunto, digamos assim, mas que de todo não explica nada. ‘Abuso’ é a palavra aqui a reter, a mola que saltou de muito aperto e fez o estrago que se viu.

    Depois há a tal questão das cores. Qual é a côr deste assunto? Muitos dirão ‘côr de rosa’, e muito tem sido feito e dito para instalar essa ideia, de que este é um caso do mundo cor de rosa das colunas sociais, um épico sobre a grande paixão de um coração sensível que foi para Nova York viver um grande amor e que este, ingrato, o matou. Tudo muito rosa, muito choque, muito drama, panache a rodos e ainda um corolário de grand finale com direito a cinzas espalhadas ao vento na Broadway para mais tarde recordar, coisa de jet-oito, no mínimo, logo o máximo do rosa nacional. Será? Pois eu não vejo assim mais uma vez. Para mim qualquer resquício de rosa que por aqui se encontre só pode vir do intenso branqueamento que vem sendo feito ao negro-sórdido que seria a côr natural deste caso, se o morto não fosse o Carlos Castro mas sim qualquer outro homosexual de 65 anos assassinado por qualquer outro amante de 20 levado ao castigo em Nova York com isco de promessas vãs. Fosse esse o caso e muito se falaria seguramente na componente sórdida da pressão sexual óbvia, típica do predador que paga as contas do bem-bom mas exige troco de bumbum. Só que aqui curiosamente só existe o corrompido, não se ouve qualquer referência a um corruptor, só à sua pretensa ingenuidade. C’est ça la vie en rose, non?

    De volta às palavras: este é um caso em que é preciso ter mil cuidados com aquelas que usamos para o descrever, para já não falar das que ousemos utilizar ao serviço de uma opinião. É que está em jogo todo um sistema, toda uma classe, toda uma indústria, que digo eu? – todo um país, no fundo. Há por isso que explicar tudo bem explicadinho a bem da decência, que isto ainda é uma pátria de famílias e, na dúvida, o decoro pode ter que se impor à verdade por estarem em jogo valores de Estado ou pior: o que dizem os programas da manhã da SIC ou da TVI. Por isso entendamo-nos desde já no óbvio, que fica dito e assinado: Renato Seabra não tem perdão pelo que fez. Não se violenta assim um outro ser humano, extirpar-lhe a vida a golpes de saca-rolhas e computador, estrangulamento e castração, por esta ou outra ordem, não se faz, não se perdoa. E sobretudo não tem perdão aquilo que Renato fez à sua própria vida, um mundo de oportunidades em aberto até ao dia aziago em que se deixou contactar por Carlos Castro e uma vida igualmente acabada naquele momento de loucura no quarto, naquela que foi a primeira das muitas mortes que o esperam em cada um de todos os dias dos próximos anos da sua existência. E aqui vem a parte que o meu povo gosta. Por muito impiedoso que seja recordá-lo a verdade é que, se as coisas lhe correrem bem na cadeia, Renato vai ser somebody’s bitch nos próximos vinte e cinco anos, objecto das lambujices mais abjectas que possamos imaginar envolvendo animais enjaulados, crueldade sem limites, tesão raivosa, muita impiedade e um ex-garoto perdido que vai aprender como a beleza física pode virar uma maldição em Rykers Island. E este é o melhor cenário para Renato Seabra, porque se as coisas lhe correrem mal ele vai provavelmente ser everybody’s bitch até ao dia da sua morte, natural ou provocada, por si ou por outrém, num mar de inimaginável sofrimento. Num caso ou noutro, o sexo com Carlos Castro poderá vir a ser uma miragem do paraíso, na comparação, o que só mostra o quão terrível pode vir a ser a existência deste rapaz que já morreu e ainda não sabe. Agora eu pergunto ao meu país, a este Portugal que chora o pobre cronista cor de rosa que só queria amar perdidamente um corpinho jovem e tenro de vint’anos que tinha comprado com umas roupinhas e viagens: não te parece castigo suficiente, Portugal? Há que castrá-lo também ou um futuro assim negro já acerta as contas deste garoto palerma que um dia acreditou que o pai natal podia ser paneleiro que não fazia mal viajar no trenó?

    A verdade é que Carlos Castro era um predador, uma bicha velha e sabida que caçava rapazinhos onde os houvesse disponíveis, do Parque Eduardo VII ao Finalmente, dos jardins de Belém ao Facebook onde por último sacou o tonto Renato. Sabia-a toda, os truques todos de uma cegueira de sedução testada e aplicada ao longo de cinquenta anos de engates todo-o-terreno na dependência de um complexo de Marlene mal amada. Era um barron como tantos outros, que se insinuam com chocolates, ténis de marca ou passeios de Ferrari, roupas da moda ou viagens a Nova York enquanto babam com o pensamento numa coisa, uma só e mais nenhuma. Vivia um cio agressivo que lhe dava sentido à vida e que os ‘amigos’ caracterizam como ‘uma grande ingenuidade, de uma pessoa que se dava incondicionalmente e sofria muito por amor’… os mesmos amigos que juram agora ao mundo que foi Renato quem viu as fotos do Carlos na net e se perdeu de amores por aquele físico magnífico, aquela pose sensual e irresistível. Foi o rapaz que, sabidão, lhe deu a volta à cabeça e o arrastou para a cama prometendo o mundo porque era homosexual e lhe queria dar muitos beijinhos… e o Carlos, coitado, embarcou sem querer, ou vá lá, querendo mas pouco, muito pouco, quase nada, nadinha mesmo. Foi o outro, o malandro de Cantanhede que era um atiradiço e que o desencaminhou por ambição desmedida, logo a ele que nada prometeu, era incapaz, nada ofereceu por um beijo, um apalpão, um desfile por Lisboa com o troféu de caça ao lado para que Lisboa imaginasse o que ele delirava imaginando: que no seu mundo de diva brilhavam as cores da rosa e das paixões impossíveis. Por isso moral da história não há, que esta é a história da própria imoralidade. Só umas palavrinhas finais, limpas de ironia. Pobre Carlos, que foi ao engano. E triste Renato que foi enganado.

    (publicado no 7Vidas a 17Jan)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.