Os pulhas que paguem a crise

Quando ministros do anterior e actual Governo afirmaram que Portugal estava a conseguir escapar da crise – casos mais notáveis de Sócrates, Manuel Pinho ou Teixeira dos Santos – tinham três razões objectivas, consensuais e aferíveis para o fazer:

1) Estavam a referir-se à crise começada em 2008 nos EUA, a qual gerou um período de recessão global que ameaçava, nalguns países ou continentes inteiros, tornar-se numa depressão.

2) Descreviam a realidade portuguesa medida pela queda do PIB em 2009 e crescimento seguinte em comparação com o cenário internacional, especialmente o europeu. Vide resultados em 2010.

3) Tentavam criar um clima político-social favorável à continuação da recuperação económica, tal como é inerência da responsabilidade governativa, esteja quem estiver no Governo.

Quando Sócrates afirmou que faria tudo o que fosse possível para evitar a ajuda externa, no contexto da crise dos mercados de financiamento iniciada com a Grécia no começo do ano passado, tinha uma só razão objectiva, consensual e aferível para o fazer:

– Estava a negociar um acordo com os parceiros europeus, mantendo o valor da República, não uma ajuda do FMI, já em desesperada bancarrota e seu colossal prejuízo.

O PS de Sócrates, desde 2005, governou para as reformas do Estado e para a requalificação do tecido empresarial, o qual carecia de quadros técnicos e científicos capazes de injectarem inovação e eficácia. Investiu-se como nunca em ciência, tecnologia e educação. Em simultâneo, desenvolveu-se uma política de negócios estrangeiros ambiciosa e arrojada, a qual deu os seus frutos por todos reconhecidos. As exportações nacionais cresceram para além de todas as previsões, incluindo as mais optimistas. E ainda se dotou o País com um parque de energias renováveis que se constitui como vanguarda internacional.

Foi este o melhor Governo do Mundo ou de sempre em Portugal? Talvez nem os deuses saibam, mas qualquer um pode pensar pela sua cabeça e perguntar-se se esta linha política é que nos trouxe aqui ou se aqui estamos porque o partido do BPN e o partido dos submarinos tiveram o apoio do partido dos professores e do partido dos sindicatos para impedirem Portugal de se governar sozinho.

12 thoughts on “Os pulhas que paguem a crise”

  1. “3) Tentavam criar um clima político-social favorável à continuação da recuperação económica, tal como é inerência da responsabilidade governativa, esteja quem estiver no Governo.”

    Um belo eufemismo para “esconder a realidade, criando ilusões”

  2. Infelizmente, não tenho muito tempo para desenvolver, mas quando temos um crónico problema de falta de crescimento consolidado da economia de vários anos, quando a própria crise internacional, lado a lado com a costumeira falta de contenção da despesa pública, deu um empurrão para o agravamento irremediável das nossas contas públicas, pareceu-me desfasado da realidade falar-se no final da crise. Podes dizer que o governo tem obrigação de criar um clima político-social favorável à continuação da recuperação económica, e daí tais declarações optimistas, mas prefiro saber uma verdade inconveniente do que uma mentira motivadora. Mas, enfim, a política é mesmo assim.

  3. Não fazes qualquer referência aos números das contas nacionais em cada um dos anos desde os Governos de Sócrates e o que tal significa em relação ao passado. Se o escamoteias intencionalmente, estás de má-fé. Se o ignoras inconscientemente, estás em negação. Os factos são objectivos: é precisamente por causa do atraso estrutural do País – o qual tanto pode remeter-se para Guterres, para o Euro, para Cavaco, para a descolonização, para Salazar, para o regicídio, para os Filipes, para o Rei que batia na mãe ou para aqueles cabrões que atraiçoaram Viriato – que os resultados até 2008 são da maior importância, assim como foi importante ter tentado de tudo para sair o melhor possível das crises actuais que não causámos.

    Quando falas em “verdade”, expressas a crença ingénua – e por isso explorada pelos manipuladores – de que existe uma única versão descritiva do copo que tem água pelo meio. A verdade é a de que o copo está sempre a meio, pois quem assume a governação, seja de que partido ou ideologia for, está obrigado a fazer o mesmo que todos os outros: encontrar soluções para diminuir a pobreza e aumentar a riqueza. Por isso, quando anuncias preferir copos meio vazios a copos meio cheios, estás a criar a tua própria verdade. De certeza que não o farias se fosses tu o governante, porque isso equivaleria a reconheceres que estavas no lugar errado. Não elegemos representantes para se lamuriarem e nos deprimirem. Esse tem sido o fatal papel da oposição. Sabes porquê, não sabes?

  4. Segundo dados do INE publicados hoje, as exportações aumentaram 21,7% no trimestre que decorreu entre Dezembro e Fevereiro. Ou seja, apesar da situação em que nos encontramos, a política do Governo continua a dar frutos.

    Estamos em campanha, alguém faz alguma ideia do que pensa Passos Coelho acerca do investimento em ciência e tecnologia e nas energias renováveis?

    E acerca da reforma nas escolas, está bem feita ou vai, por exemplo, voltar a abrir as escolas com menos de 20 alunos? E a modernice que o Governo inventou de os miúdos terem actividades extra-curriculares, como o inglês, a música, a educação física, etc., desde o primeiro ano, é para manter ou põe-se tudo como estava? Só a poupança em professores…

    A mim interessa-me bem mais conhecer a resposta a estas perguntas do que saber quantos ministros vai ter um governo seu. Mas isto sou eu, o que não falta para aí é quem não se importe de lhe passar um cheque em branco…

  5. Li noutro dia que uns prof.s de Economia justificavam com números apurados que o Guterres tinha tido umas contas boas, com crescimento significativo (muita construção civil, mas pronto) e contas públicas equilibradas, ao contrário do que então o psd conseguiu fazer crer, e assim vencer as eleições para dar um escavacanço que só visto, o país ardeu como nunca.

  6. Acaba a linha do Tua talvez acabe a linha do TGV
    Porque se a dez à hora não aguentamos o embate, a 300 era o fim desta viajem!

  7. o “amigo” HG é falso.
    Age de má fé, como o Val bem te topou. Escamoter que a economia cresceu sempre com Sócrates, desde 2005 até 2008 (com o record da década atingido em 2007, um dos melhores anos desde que há democracia em Portugal), escamotear isto, como dizia, revela dolo e má-fé. O protótipo-tipo dos botabaixistas ganânciosos e sedentos de poder a qq custo. O protótipo deste Psd.
    Ganância e Sede de Poder a QQ Custo.

    O Sócrates havia de ganhar isto com maioria absoluta. Era muito bem feito!

  8. Força Valupi. vamos correr com essa cambada de imbecis, do PSD e afins, nas eleições de 5 de Junho. Até os meus filhos que estão a estudar fora vão estar cá para os ver passar enrabados debaixo da sotaina do PPC.
    elisabete.

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