Os críticos esquizofrénicos

Depois da oposição se ter suicidado por causa do marasmo partidário, é agora a vez da crítica mediática fenecer sem glória. O Portugal cantado pelos que vão buscar trocos e vaidade às colunas de opinião não existe para lá do corpo das suas letras. Sem nunca revelarem um qualquer vagido de auto-crítica, este rancho de instalados na megalomania escreve para os amigos, não para a comunidade. Porque é dos amigos que vêm os almoços e as sinecuras, a comunidade que se foda. O caso mais enxovalhante é o de José Manuel Fernandes, director do Público, o qual descobriu a sua vocação anti-Sócrates no dia em que a OPA da SONAE morreu na praia. Mas o resto da pandilha não faz melhor, despejando compulsivamente irrelevâncias e fel.

E então, foi assim: a CGTP planeia uma greve geral, e o único resultado visível é uma manifestação de apoio ao Governo. Para lá dos espectáculos circenses, decadência de uma geração de políticos decadentes, os empresários e os consumidores afirmam-se mais confiantes. O crescimento da economia é reconhecido por todos os institutos nacionais e internacionais. As reformas do Estado prosseguem. A promoção de um Portugal mais tecnológico e qualificado avança. A terraplanagem da endémica cultura de conformismo, irresponsabilidade e corrupção está apenas a começar.

Perante isto — que são factos — os críticos escolhem a miséria argumentativa, tanto derrapando no bacoco psicologismo, como mergulhando histéricos na demagogia escabrosa. Tanto reduzem as opções do Governo a essa entidade abstrusa denominada “teimosia do primeiro-ministro”, como berram que chegou a tirania, o Big Brother e o anticristo. E esta falência constata-se à esquerda e à direita. Ora, quem perde somos nós, pois o exercício do Poder carece da vigilância que só uma comunidade intelectualmente forte é capaz de garantir. Não com os actuais críticos, apre!, grupelho de cínicos moralmente barrigudos.

Precisamos de inteligência, mas daquela que é corajosa. E, neste tempo, a coragem está com quem rema para o mesmo lado.

49 thoughts on “Os críticos esquizofrénicos”

  1. outra vez uma chapelada a Valupi!
    E desta vez não é só pelo que se diz, mas pelo modo irresistível como é dito!
    Vais-me gastar o chapéu, mano!

  2. concordo consigo em tudo. Mas, depois de dizer “os críticos escolhem a miséria argumentativa” atira a seguir com aquela quantidade de adjectivos gratuita? Também dava jeito escrever-se melhor, não acha? Porque as palavras usadas assim são muletas desnecessárias quando se tem toda a razão, como é o caso.

  3. Joao leal: Não vejo qualquer «gratuitidade» no uso dos adjectivos. De resto, o conceito é vago – mas tanto do ponto de vista semântico como pragmático, nenhum dos adjectivos é gratuito. Gratuitas são essas críticas sem substância. A não ser que nos queira honrar com alguns exemplos dessas «muletas desnecessárias».

  4. (bom, é só uma opinião subjectiva…)

    “bacoco psicologismo, como mergulhando histéricos na demagogia escabrosa.”

    “essa entidade abstrusa ”

    “grupelho de cínicos moralmente barrigudos.”

    é realmente o último parágrafo.

    É necessário esta ‘cor’ toda quando se tem razão e não há interlocutor à vista? A violência da argumentação faz sentido quando há argumentos a serem trocados. Assim, parece só alguém de cabeça com vontade de insultar. Se for o caso é pena. Escrever bem é eficácia, não acha?

  5. Ah, estamos a falar de estilo. Mas aí não há muletas desnecessárias, tudo se resume a uma questão de gosto. Eu, por exemplo, acho a prosa particularmente eficaz.

    Mas há também muito moralismo nas suas críticas, não acha?

  6. moralismo? Não acho que haja moralismo. Não falei nem de bem nem de mal, deus me livre! É só uma questão de eficácia de escrita, porque no aspecto da substância está bom. Bem sei que pode parecer estranho alguém dar uma opinião sobre estilo. Mas, bem vistas as porque não apontar quando alguém se expressa mal (não escreve bem) e tentar ajudá-lo a escrever melhor, com toda a rrogância que isso possa ter?

  7. Eu queria ter mandado esta “Carta ao Director” porque achei que ele não gostaria. Depois contive-me pois achei que ele não gostaria mesmo.
    Resta-me a esperança que ele venha cá lê-la num dia de “inchaço laboral”.

  8. Anonymous,

    Fico honrado, e responsabilizado, com o entusiasmo.
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    Joao leal,

    Também concordo com a potencial desarmonia adjectiva. Mas, para mim, essas construções fundam o seu eventual excesso no intento lúdico. Seja como for, que tente agradar a todos o que não consiga gostar de si.

    E não encontro legitimidade, nem no argumento da “violência”, nem no da “eficácia”. Por um lado, porque há sempre troca de argumentos, aqueles que recolho do tópico, aqueles que acrescento em opinião. Por outro lado, porque a convocada eficácia é apenas uma abstracção na dependência de um qualquer critério não apresentado. Assim, o que não tem eficácia é o próprio argumento da dita.

    Finalmente, agradeço penhorado a qualquer um que me ajude a escrever melhor, pois bem preciso.
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    Primo, tratas a família com supino cuidado. O que considero desvairada sorte minha.

  9. também chapeau Valupi, com uma cereja a saltar. Aquele JMF é eterno? É engraçado como os tiques estalinistas se manifestam sempre na perpetuação do poder, no caso de Director de jornal, campeão do apoio à segunda invasão do Iraque. Já quase não leio o Público, neste novo formato tablóidizado perdeu o eixo e reduziu substancialmente o espaço público. Só pode ter sido esse aliás um dos objectivos.

  10. Há muito mais para além disso neste texto, mas o argumento da inanidade da oposição é eterno, fácil e já pouco credível.

    Remar para o mesmo lado sim, mas a exigência de que se deve remar às cegas por ominiscência do piloto preocupa-me mais do que a suposta miséria argumentativa dos críticos do novo homem do leme.

    E a insinuação de que nenhuma crítica que lhe é dirigida é séria empobrece o discurso e atemoriza as ovelhas negras, fundamentais para uma sociedade sã.

  11. É por isto que eu gosto tanto de escrever aqui.

    Sai, do meio da tranquilidade nacional, a trombeta profética do Valupi, e a voz pública reage. Com a adesão crítica de um João Leal, com a adesão generosa do Py.

    Pelo meio, Valupi lui même lembra a dimensão lúdica da intervenção humana, depois da análise semântica do seu nobre Primo aos adjectivos.

    Que se pode pedir mais? Que José Manuel Fernandes nos leia?

  12. sininho,

    Não mandes, não vá ela perder-se e ainda acabar por ser lida.
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    py,

    O JMF nunca foi líder de opinião. Sempre lhe faltou leituras e ideias – por comparação com o Vicente Jorge Silva, esclareço.
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    Radagast,

    Mas donde vem a ideia de que se rema às cegas? O Governo tem 4 anos para executar o programa com que concorreu. É só isto, 4 anos e um programa. Para além disto, temos todas as liberdades e garantias, todos os institutos e instituições, toda a oportunidade e liberdade para propor alternativas. Cegueira? É não querer ver onde estão os instrumentos para a intervenção política.

    Quanto às críticas, não posso concordar mais: mal de nós se o Governo estivesse, por qualquer catástrofe cósmica, imune à crítica. É, aliás, precisamente por isso que escrevo: para que o Governo suscite as mais pertinentes críticas… Quem as irá fazer? Não aqueles que estejam de má-fé, ou que nem compreendam as políticas em vigor, isso é certo.
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    Fernando,

    O que podemos pedir mais, e mais, é que tu continues aqui a escrever. Para nossa ilustração e desmesurado contentamento.

  13. ora bem, cerejas para todos, mas anda aqui uma coisa que me enerva: nadamos todos à conta de uma baixaria chamada PEC que regula a disponibilidade de euros, com acréscimo das faixas de pobreza e extremação de desigualdades. Eu concordo que a igualdade é apenas um referente, mas não posso concordar com a política de agravamento da pobreza. Eu não tenho dívidas senão estava feito.

    E os bancos, para continuarem ‘competitivos’ continuam com taxas de IRS muito baixas.

    Visto a seco: é aos grandes que o bolo continua a ir cada vez mais parar.

    Os custos em tensões sociais vão crescer.

  14. As críticas podem ser injustas sem serem mal-intencionadas. E por falar em maldade, quero dizer que é sem ela (a sério!) que acho curioso insistires no que deveria ser óbvio, que temos todas as liberdades e garantias.

    Estou fora do país e vou ouvindo que liberdade para criticar é coisa que não está tão garantida quanto deveria. E não falo apenas do disparate da DREN. Conheço pessoas na função pública que têm realmente medo de ser ouvidas em comentários desagradáveis. Embora admita que isto tem mais que ver com certas pessoinhas que querem ser mais papistas do que o Papa.

    Tenho esperança, quero ter esperança. Até porque quero regressar. Regressar para ter um salário digno, para um país em que o governo não incentive as assimetrias sociais e económicas, para um país em que a teimosia que dizes não existir não nos leve a OTA’s de infantis caprichos.

    E, já agora, regressar podendo criticar sem medos (provocaçãozinha ;-)

  15. Afirmação: “este rancho de instalados na megalomania escreve para os amigos, não para a comunidade”
    Pergunta: e para quem escreve Valupi, lui-même? É que muito gosta esta rapaziada de fazer elogios em circuito fechado. Venâncio venera Valupi, uma inteligência!!! João Pedro da Costa sai em defesa do primo, mesmo quando ninguém o ataca. Os outros têm orgasmos com a sua prosa, tão, tão politicamente incorrecta. A «pandilha» dos críticos mediáticos destila fel, Valupi, ser superior, usa da «liberdade do estilo». Quanto ao resto, o país vai bem, obrigado. Temos a OPA, a Maddie e não tarda os fogos vêm aí. A pedofilia segue os trâmites legais. Há gente um bocado autista, mas, quanto a isso, passar bem.

  16. Radagast
    Sob pena de ter compreendido mal a tua expressão “OTA’s” (e, se assim for, peço desde já desculpa), explica-me como é que o projecto de um aeroporto com a envergadura deste, que está na berra da berraria, pode ser visto como um capricho infantil quando a sua localização é a OTA e nos outros locais propostos não o é?

    Brigada do reumático
    Circuito fechado, aqui? Engraçado, quando cá cheguei não dei conta.
    É da competência de um jornalista ser isento, baseando a sua informação em factos que obtêm através de uma investigação fidedigna. Podem ser criativos na forma como nos apresentam uma notícia mas o seu objectivo primeiro é noticiar, dar a conhecer a actualidade politica, social, cultural, etc.
    Pode dar-se o caso de um blogue ter matéria plausível de ser notícia mas esse não é o seu objectivo. Os blogueiros são, acima de tudo, criativos que também podem usar como matéria-prima dos seus posts, notícias.
    Em resumo, jornalistas e blogueiros são seres que tencionam comunicar mas por vias e com objectivos diferentes.

    Da OPA, não sei mas a Maddie, infelizmente, não temos (e a mim não me dá gozo nenhum ler esse teu comentário). Fogos? Não me digas que tens uma solução que ainda não revelaste… ardo em curiosidade. A pedofilia segue os seus tramites mas não são legais e por isso dizes, e bem, “os seus”. E tens alguma sugestão para acabar com ela? Eu tenho!
    Adopta uma das muitas crianças que vivem em instituições que tem por fim a adopção.
    (e não me digas que é MUITO difícil, que eu já sei. Mas é possível, tenho a certeza!)

  17. Valupi,

    Ando com esta entalada.

    Não te impressiona que o «Público» dê microfone tanto a um colunista do regime, como Vital Moreira, de monótono louvor socrático, como a um crítico do mesmo regime do nível de Pacheco Pereira, que tu e eu altamente prezamos?

    Compreendo a tua indignação: o pensamento é pobre, e os pensadores não andam neste mundo. Constatado, e objurgado, isso, pedem-se estas anotações à margem.

  18. os empresários e os consumidores afirmam-se mais confiantes. O crescimento da economia é reconhecido por todos os institutos nacionais e internacionais. As reformas do Estado prosseguem. A promoção de um Portugal mais tecnológico e qualificado avança. A terraplanagem da endémica cultura de conformismo, irresponsabilidade e corrupção está apenas a começar.

    … LOL ?
    Ora veja lá bem se não leu isso nos jornais, também…

  19. Capricho infantil pelo não admitir discussões quando tantos estudos parecem fazê-las merecer.

    E aparecem reacções como as do deputado Ricardo Rodrigues:
    “O que preocupa a oposição é que o Governo vai realizar obra e vai construir o novo aeroporto da Ota”

    Como disse noutros sítios parecem que andam a brincar aos legos com os amigos:

    é bueda grande e mais tarde vão dizer que fomos nós que o fizemos.

    toma, toma
    toma, toma

  20. py,

    Tens razão quanto à PEC e suas consequências nos grupos mais frágeis. Que propões em alternativa?
    __

    Radagast,

    Eu não insisto no óbvio, são os críticos que têm insistido no absurdo e mentiroso, isso de que estamos a perder liberdades e garantias.

    Mas a tua curiosa observação permite-me fazer uma verdadeira insistência: a de que somos nós que nos anulamos, nos reduzimos a uma papa politicamente nojenta ao abdicarmos do poder que a Lei nos confere.

    Não sei que pessoas são essas de que falas, as tais que se acabrunham face às chefias, mas esse tipo de gente sempre existiu, não é fruta da época.

    Para voltares para um País melhor, tens vantagem em contribuir para ele. No caso, e também face à ausência de alternativas, creio que o Governo trabalha com essa meta. E trabalha com competência. Só que não vai acontecer por magia a alteração daquilo que tem décadas (séculos?) de atraso e defeito.

    Será que temos o Governo perfeito? Será que se faz mal em ser crítico e apontar aspectos negativos? Nada disso. Apenas realço o dever de responsabilidade, onde importa conseguir distinguir entre o bom e o melhor, entre o mau e o pior. Não ter qualquer alternativa, e ainda tentar boicotar a acção dos que se propõem agir, eis um mal com o qual é cobarde pactuar.
    __

    brigada,

    Quase me comoveste, com a importância que me/nos atribuis. E concordo contigo quanto a este ambiente de balneário, com palmadinhas nas costas a incomodar melindres alheios; mas recordo-te que o problema é só teu.

    Importava também que registasses esta singela observação: não disseste nada de nadinha.
    __

    sininho,

    Bem “dezido”.
    __

    Fernando,

    O “Público” faz bem em representar a pluralidade política, condição para ser um jornal de referência. Mas, e de facto, Vital Moreira é uma chatice. Será que o socratismo não tem nenhum tribuno de verbo poderoso?…

    O que me faz falar é a urgência em dotarmos a oposição de olhares atentos ao que mais importa. A actual oposição, partidária e mediática, é confrangedoramente incapaz de um discurso inteligente.
    __

    zlipax,

    Não são os jornais que falham, são os que escrevem artigos de opinião. Quanto ao resto, são dados objectivos da actividade do Governo e do estado do País.

  21. bem, ontem apanhei muito Sol e hoja vou ter mesmo de anadar por aqui a ronronar num mar de cerejas.

    Entretanto já comprei um brinquedo e fiz uma dívida, mas é sem juros.

    Portanto: esta porra da taxa de juro sobe, todos os endividados pagam, ou seja sai-lhes da conta e vai parar ao banco.

    Depois, os depósitos em euros rendem mais. O que é que isto quer dizer: que a China e o japão vão comprar euros?

    Então estão a puxar pelo euro e dá para pôr muitos mais euros em circulação sem gerar inflacção, dir-se-ia.

    Mas se o dinheiro chega aos mais necessitados, claro que compram coisas, e portanto aumenta a procura e pode subir os preços, a não ser que também aumente a oferta e fica no mesmo equilibrio dinâmico.

    Hum.

  22. Radagast

    A localização de um aeroporto na OTA não surge deste governo.

    Admito que a informação técnica que nos chega parece indicar vários problemas no domínio da engenharia para a localização da OTA. Eu não acredito na OTA por uma questão política mas por uma questão de estratégia de desenvolvimento mais equilibrada.
    Repara, se nós avançarmos com o aeroporto para Sul, e sobretudo para a margem sul do Tejo estamos a desequilibrar o país. Temos um aeroporto internacional em Faro, outro no Porto e nenhum a servir a zona centro do país.
    A OTA ficará a 1 hora, se tanto, de Lisboa (e de outras cidades do centro do país – Santarém, Leiria, Coimbra, por exemplo) e já temos vias rodoviárias que estabelecem o acesso da capital até lá, sem passar pelo seu centro ou pelo tráfego caótico que se faz sentir a qualquer hora do dia mas sobretudo às horas de ponta. Falta a criação de transportes públicos adequados como faltam para o actual aeroporto. É mais fácil construir essas infra-estruturas para o exterior da cidade do que no seu interior.
    O aeroporto da Portela poderia continuar a existir por comodidade dos lisboetas mas, com o tempo, tornar-se-á um cancro de poluição sem a comodidade.

    Construir mais uma ponte sobre o Tejo é algo que vai acontecer, até porque ela é necessária ao TGV e ao tráfego já existente, mas sobrecarregá-la com o fluxo para um aeroporto não parece ser inteligente. Mais tarde será necessário uma terceira ponte para responder às necessidades. Ou seja, não custa logo, custa depois.

    Nós temos excelentes engenheiros que podem responder sabiamente às questões técnicas que são levantadas na OTA. A Ota porque tem estudos a serem desenvolvidos há mais tempo já está a mostrar os seus pontos mais fracos mas quando se desenvolverem os outros estudos relativos ás outras localizações também vamos conhecer os seus problemas (e as suas hipocrisias, se quiseres). Porque os há sempre.

    Tens alguma dúvida que qualquer aeroporto terá custos exorbitantes? Eu não tenho.
    Tens alguma dúvida que a Expo’98 teve custos Mega-estrondosos? Pois teve mas foram muito profícuos. Hoje temos a noção disso, na altura foi um chorrilho de críticas.

    Respondo à tua brincadeira?
    Toma, leva e distribui
    Toma, leva e distribui
    (pois são essas as funções de um aeroporto)

  23. Mas portanto Sininho é para ser em Rio Frio ou por aí, certo?

    Olha lá também andas com Plutão a brincar forte?

  24. o diabo da pegada ecológica e da balança externa é que não sei. Seja como fôr há que desanuviar e viajar Sócrates!, que miopia política, tem que se pôr uma maré de tugas a viajar pelo mundo, mas é com condições, senão dizemos mal do Quinto Império…

    Portanto faz favor de dar empregos às pessoas para viajar em boas condições, a cantar a alma lusa por esse mundo afora, senão mando-te com cicuta pá.

  25. Com cicOTA… (não era o que já tinhas escrito?)

    Plutão!? Aí já entramos no aero-especial… talvez ;)

    Toma lá umas cerejas 66666

  26. Chi, com número da Besta à mistura…

    Então zlipax se quiseres brincar comigo de MDL para Mozambique faz-mo saber. Há coincidências no ar que estão a fazer constelação e há que aproveitar enquanto existe a Portela. E além disso gosto de estar tropical entre Janeiro e Março.

  27. Sininho,

    É certo que a localização de um aeroporto na OTA não surge com este governo, mas é dele a decisão de avançar conhecendo relatórios que antes não se conheciam, ou se ignoravam.

    Para uma capital europeia, ter um aeroporto a 1h de distância é bastante, ainda por cima num país de média dimensão. O Heathrow está a 40m, o Charles de Gaulle e o Fiumicino a 30m e o de Frankfurt (não é a capital mas é o centro financeiro) a 10m (!).
    Poderá ser um bom aeroporto para servir o centro do país mas talvez não tanto para servir a capital.

    Os acessos vão ser consideravelmente difíceis e dispendiosos.
    Há ligações rodoviárias razoáveis, é certo, mas não deveria ser essa a prioridade. A ferroviária (essa sim prioritária) vai ser bastante complicada, até para articular com o TGV. Não sei se será menos complexo do que comunicar com a Margem Sul.

    O aeroporto da Portela ainda não está esgotado e há estudos que revelam a possibilidade de o alargar de forma efectiva (mesmo sem contar com a possível anexação do Figo Maduro). Parece que são ignorados.

    Mas o próprio aeroporto da Ota tem que se lhe diga em termos impacto positivo futuro. Afinal parece que não se podem construir as pistas de que anteriormente se tinha falado, e que 20 anos depois de construído pode chegar ao seu limite (se assim é mais vale alargar o da Portela).

    Eu até nem tenho nada contra as mega-obras. Têm-se revelado boas para o país.
    São disso exemplo o CCB, a Expo e até o Euro2004 (embora o campeonato pudesse ter sido feito com 6 estádios e o slb e o scp pudessem partilhar um único estádio – heresia vindo de um lampião)

    Porém, com o investimento que se vai fazer na OTA, em dinheiro puro e duro e em futuro para o país (e para Lisboa, pois às vezes parece que nem estamos a falar do aeroporto que vai servir a capital), as coisas deveriam ser mais ponderadas do que parecem estar a ser. O desperdício feito com os estádios de Leiria e de Aveiro é coisa pouca quando comparado com a potencial derrapagem da OTA.

    É o Rio Frio melhor opção? Não sei. As críticas à OTA fazem-se ouvir mais alto. Tenho a certeza que o inverso se verificaria caso a decisão para avançar fosse a oposta. Mas que se conhecem muito mais inconvenientes do que quando inicialmente se decidiu pela OTA é verdade. E sabemos que vários estudos (nomeadamente os da empresa que gere os aeroportos de Paris) foram descartados aparentemente porque não se gostava do que neles se dizia.

    De engenharia percebo pouco, apenas preciso ser convencido, como cidadão relativamente atento, de que a OTA tem menos inconvenientes do que as outras soluções.

    Valupi,

    «somos nós que nos anulamos, nos reduzimos a uma papa politicamente nojenta ao abdicarmos do poder que a Lei nos confere»
    Pode ser, mas nem todos têm a mesma disponibilidade para se defenderem legalmente da última coisa de que se deveriam ter de defender.

    Acredito que o governo trabalha com competência.
    Apenas não gosto de alguns tiques. Que existem e não é de agora.
    Também acredito que essa não é a essência deste governo.

  28. (puf, estou a deitar sol por todos os poros,de ontem, não sei se me vá carregar de diamantes, para ajudar à fulgência)

  29. aproveito para me declarar ko por hoje, a menos de um caldo verde e alperces (para variar das cerejas). Noutro dia li que o fruto proibido seria presumivelmente o alperce, Prunus armeniaca, concluíram lá uns paleo-botânicos e cá para mim faz muito mais sentido, o ácido da maçã sempre me irritou. Boas,

  30. JP [assim se designa também o PM cá da zona, Jan-Peter de sua graça],

    Há aí insinuação? Ou só insinuas…?

  31. Radagast

    Sobre um ponto nós estamos indubitavelmente de acordo: seria uma heresia o SCP e o SLB partilharem o mesmo estádio (lagarto, lagarto!).

    O CCB deu jeitinho, o Euro 2004 incrementou o turismo a nível nacional (e foi um estimulo para nossa equipa :-)) mas a Expo’98 foi uma verdadeira lufada de ar fresco para Lisboa e Portugal. Tive a sorte de acompanhar este último projecto de perto, de fio a pavio. De admirar, por exemplo, a planta de solos contaminados da zona ou de fotografar a imunda Beirolas (antiga lixeira) que me valeu um banho de desinfectante no final de sessão.
    Quem acreditava que a Expo poderia converter aquela zona industrial da cidade num bairro chic, com casino e tudo mais? Na recta final, havia mesmo quem ‘gritasse’ que não ia estar pronta a tempo, que ia ser uma catástrofe urbana, como foi a Expo’92 em Sevilha.
    Além destes projectos, cito dois outros que foram criticados e que agora são acarinhados: Casa da Música e Serralves.

    Vamos ao Aeroporto.

    Heathrow a 40m? Vê lá bem http://www.heathrowairport.com/portal/page/LHR%5ETo+and+from+our+Airport%5ETo+and+from+London/3b48677bdf092010VgnVCM100000147e120a____/448c6a4c7f1b0010VgnVCM200000357e120a____/
    Charles-de-Gaulle a 30m? Sim, se partires da Porte de la Chapelle, sem trânsito. E, claro, após 32 anos de existência desse aeroporto temos meios de transporte que asseguram um acesso mais rápido.
    (Não verifiquei os outros :-()

    Uma hora de distância, entre Lisboa e Ota, é o tempo-referência actual (sem os mais diversos meios de transporte que serão construídos para o efeito) e não o tempo estimado para 2015 (data prevista de entrada em funcionamento do futuro aeroporto). Quero com isto dizer que não me convences que os Lisboetas possam ficar prejudicados com a distância, em tempo, a esta localização.
    Estima-se que o aeroporto da Portela, se vier a ser ampliado, estará saturado em 2020.

    Mantenho a minha posição no que respeita a necessidade de ter um aeroporto que responda às exigências da zona centro do país, não me parecendo sensato construir um 4º aeroporto internacional.

    Mantenho a minha posição em relação à travessia do Tejo ou seja, não acredito na proliferação de pontes pseudo-económicas (já o disse num comentário, mas aqui fica para ti: a Ponte Vasco da Gama já teve que ser reparada em 15 dos seus pilares, ao sabor das marés, noite ou dia, com mergulhadores e pessoal especializado…).

    Podemos espalhar geograficamente os custos do investimento ou concentrá-los num local. Podemos fingir que custa menos mas o resultado será, no final, idêntico. Temos que dar andamento à obra se queremos ter o apoio de Bruxelas (e aqui falo com base no que li sem ter confirmado as consequências deste projecto ser desviado para outro local).

    Cones de aterragem, pistas, ventos… aqui sim podemos concentrar energias. Se a Ota não responder eficazmente a estes requisitos então é necessário repensar a sua localização. Mas! tendo em conta as outras premissas que já referi.

    Não existem projectos de mudança, pequenos ou grandes, que não suscitem criticas. Ainda bem!
    Não existem projectos perfeitos. Ainda mal!

    Radagast, não hesites em voltar com ou sem aeroporto. Estamos sempre a queixarmo-nos das nossas maleitas mas isto é um paraíso.

  32. Sininho,
    já viste? O puto Ronaldo deve ter comido um pêssego ou então um alperção.

    Já que percebes tanto de urbanismo, uma vez li um artigo que dizia que os PDM’s previam casa para 30 milhões. Havia quem dissesse que Portugal estava a ser estruturado para ser uma grande plataforma intercontinental para o novo milénio.

    Então e isto da subida persistente das taxas de juro?

  33. Sininho,

    Bem visto.

    Talvez fosse bom que tivessemos dados seguros para saber uma coisa: as pistas que se podem construir na OTA dão-lhe uma vida útil mais larga do que a da Portela com os alargamentos aí possíveis?

    É que a ser verdade o estudo que diz que a OTA não pode exceder os 35 milhões passageiros/ano mais vale investir na Portela.

    Mas voltarei; e como vivo pela linha a OTA nem fica muito mal. É que o deserto fica mais longe. :-)

  34. Py Ky Py

    Só percebo um bocadinho mas gostava de perceber muito mais. Portugal pode ser o que quisermos. Nós, somos donos deste país!

    As taxas sobem para depois descerem. Nada de novo. Porque não sair à rua para festejar, no dia em que as taxas de juro descerem?

    (Agora vou ver o Peter Pan com os meus filhotes e, se não chover, ainda vou Zooar)

  35. E eu então vou bazar. Voa bem, com as tuas asas a deixar pózinho dourado.

    Já agora para os putos: o pêssego é Prunus persica, é primo do alperce, vieram os dois lá daquelas bandas do Paraíso e depois do Trono do Pavão.

    São do mesmo género e da família das Rosaceae, têm uma corola rosácea, com 5 pétalas separadas, e o cálice com 5 sépalas também.

  36. Sininho, estava hoje a refocilar, quando franzi o sobrolho. Eu tinha-me prometido não cair à primeira em mais nenhum canto encantatório de uma musa, mesmo que seja a Dama Eowin, e afinal lá caí.

    Então as taxas de juro é assim? Como se fosse por acaso? Temos de discutir isso num dia, para mim não existe acaso a não ser como véu de ignorância, no sentido do Rawls.

  37. Radagast

    Lisboa não pode crescer mais para Poente, que o Atlântico não deixa (o malandro). Pode crescer para Norte, Sul e Nascente, a saber que para Sul tem o Tejo a fazer ‘fronteira’. Para lá do Tejo temos outras cidades.
    Fica então Nascente e Norte. Esse é o percurso natural do desenvolvimento urbano de Lisboa.

    Um aeroporto no meio de Lisboa daqui a 20 anos? Sim para a elite, pequenos aviões, helicópteros. Não mais do que isso, é a minha convicção.

    Penso estares recordado, nos terrenos da Expo estava a Petrogal. Por sinal, estava a dois passos do aeroporto da Portela. Sabes para onde foi? Para Aveiras, tendo construído em 1996, um oleoduto entre Sines e Aveiras. Dá uma espreitada neste site http://www.clc.pt/
    Sabes qual a distância entre Aveiras e a Ota? Vá, mais uma espreitada http://www.viamichelin.fr/viamichelin/fra/dyn/controller/ItiWGPerformPage?reinit=1&strStartCityCountry=669&strStartAddress=&strStartMerged=Aveiras&strDestCityCountry=669&strDestAddress=&strDestMerged=Ota&image2.x=14&image2.y=15# (depois de linkares tens que escolher Aveiras de Cima)
    Repara na limpeza das estradas. Nem um camião para abastecer este mega aeroporto ;-)

    Isto é divertido. Por acaso não sei porque é que o governo não se dá ao trabalho de explicar estas coisas tão simples mas tão importantes.

    Conheço alguns engenheiros que vão esfregar as mãos de contentes por terem a oportunidade de partir a cabecinha a encontrar a solução para um Aeroporto com qualidade, na Ota. É que, para além dos que dizem ser difícil, também os há que são engenhocos e futuristas.

    35 milhões de movimento anual deve corresponder ao triplo do que temos actualmente. E não acredito que não possa crescer.

    E termino esta epopeia da Ota afirmando que os cones de aterragem e os ventos não podem ser um problema, mesmo que exista um microclima Oteiro.
    Temos que pensar, analisar, descobrir a melhor solução. Mas a solução existe, caso contrário como fariam países que têm um lousy clima dégueulasse?

    Py

    Não é como se fosse por acaso mas tu que lidas com a natureza sabes que tudo funciona por ciclos. Nós somos parte dela. O que fazemos também. Somos as células racionais da Terra.

  38. Sininho isso dos ciclos não (des)culpa tudo. Mas temos tempo.

    Que somos os neurónios de Gaia vá, a rarionalidade dominante é uma mistificação.

    (eu acho que Gaia anda à procura de namorad@, agora, se encontra, ainda sai disparada da órbita, vai de noiv@, azul e branca, com umas coisas douradas)

  39. racionalidade

    Pessoal:

    Como vêm está tudo preparado para arder bem:

    http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1296181

    É que é preciso revitalizar o mercado do Carbono e bué de emissões de CO2 animam…

    Além de outras coisas…

    Ora eu dantes só conseguia fazer chuva ficando triste, mas fiquei farto e acho injusto. Portanto vou variar.

    Quetzalcoatl vem cá dar umas beijocas tropicais ao Dragão, que ele anda com saudades e ainda arde bem, e traz música…

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