Os cérebros, os ratos e a rata

Há várias formas de cobardia. E uma das piores, para o meu palato, é a da violência para com as mulheres. Entretanto, como ontem me lembraram, e nem sequer tinha ainda jantado apesar do já de si vanguardista adiantado da hora, há senhoras que legitimam o preceito de se recomendar ao homem para bater na sua mulher assim que entre em casa — mesmo que ele não saiba porquê, ela lá saberá. Ou assim pensam que pensam algumas delas, que nunca se sabe bem no que as mulheres pensam realmente ou se realmente pensam. É disto que nos fala um artigo que tem a elegância de se deixar ler em 3 minutos e 33 segundos. Acabada a leitura, é difícil lidar com a ilusão colectiva que defende estarmos em 2008. O desconchavo de, afinal, a maior violência sobre as mulheres ainda vir da ciência — continuando a não haver suficiente investigação do corpo feminino, o que leva a piores terapias cardíacas, oncológicas, neurológicas, sexuais, psicológicas, e podes continuar a somar disciplinas médicas enquanto eu acabo de escrever o resto — é um TAC à imbecilidade dos machos. Mas por mais que soubéssemos quão imbecis os machos conseguem ser, atinge-se um novo máximo com isto de se pretender conhecer o cérebro feminino sem o estudo da rata.

45 thoughts on “Os cérebros, os ratos e a rata”

  1. «…nunca se sabe bem no que as mulheres pensam realmente ou se REALMENTE PENSAM.»
    Com esta, estragaste tudo, Valupi. Se, para ti, «uma das piores formas de cobardia é a da violência sobre as mulheres», olha que não parece nada. Depois das palavras que escreves (porque as pensas), não há dúvida de que nos defendes mal. A agressão pode vir de diversas maneiras. Uma delas, a que acabas de expressar. E olha que dói saber que nos tens em tão pouca conta…

  2. …isto para não falar na utilização da ‘rata’, mesmo no contexto, mais de gosto discutível que propriamente eficaz, a convidar ao desanque das Evas. Vejo-te de pormenor em pormenor a deslizar no splish splash do humor feminino, vertiginosamente.
    Espero que venhas prevenido com bóia para amortecer o embate do sim-senhor na indignação geral do mulherio.

  3. Mais do que «gosto discutível» eu diria duvidoso. Num post destinado a «defender» as mulheres, segundo parece, o vocábulo «rata» é sempre pejorativo e reles. Aqui, aparece acintosamente. É indiscutível que se torna provocatório. E feio. Deselegante. Sempre se disse (quem? toda a gente) que o Valupi não gostava de mulheres no verdadeiro sentido (sexual) da palavra. Ora aqui está a prova. Provadíssima!

  4. Maria, mas de que te queixas? Queres convencer-me de que és capaz de pensar? Não será tarefa fácil.
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    Rui, sei que me desejas o melhor, mas também erras no teu optimismo. Não só o mulherio tem melhor gasto para o seu tempo, como as matérias de gosto discutível já tiveram os seus dias.
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    Filipa, isso de não gostar “de mulheres no verdadeiro sentido (sexual) da palavra” parece-me uma grande chatice. Obrigado por me chamares a atenção para o problema.

  5. Valupi, em verdade lhe digo que eu, um abnegado estudioso do corpo feminino (pergunte a quem quiser), que eu, dizia eu, estou em completo desacordo com o que escreve.

    Na verdade, o artigo lê-se em dois minutos e o meu caro induz o leitor menos atento que a coisa precisa de mais tempo para se digerir. Parece não tomar em consideração a existência de leitores com mais andamento, com mais mundo, capazes de intuir a essência do artigo em menos tempo que aquele que o meu caro necessita. E é nisto, nos pormenores, que tudo se joga…

    (a sério? alegue o adiantado da hora, que havia bar aberto, e tal, e escreva um post bonito e, sem se esquecer que há quem leia o arigo em dois minutos, faça deste post uma ode às mulheres…)

  6. Comendador, diz-me como lês um artigo, dir-te-ei como amas uma mulher. Também no amor, é verdade que o apressado come cru. Ao abdicares de 1 minuto e 33 segundos de contacto visual com o corpo do texto, perdendo a fruição dos perfumes e sabores respectivos, estás a revelar uma impaciência contrária aos altos desígnios da leitura: penetração profunda no âmago da mensagem, de modo a se atingir um estado de transformação hermenêutica que muitos já equipararam ao êxtase místico.

    É que tens razão, é nos pormenores que se joga. “Festina lente”, como ensinam os sábios.

  7. Se lhe chamasses estudo da passarinha ainda me propunha a um mestrado na coisa, pois tenho o imaginário (relicário?) preenchido pelas imagens belíssimas que qualquer ornitólogo dedicado colecciona e não encaixa de todo uma alusão roedora.
    Diz-me como escreves um artigo e dir-te-ei se és homem para saber usar a língua mesmo depois de tirares os óculos.

  8. Quando comentei pela primeira vez, o linque remetia-nos para o post anterior.
    Fui enganado.
    Mas mantenho a preferência por imagens bonitas e aladas em detrimento das imagens ameaçadoras que me evocam dentadas.

  9. sharky,
    ‘Festina lente’ não tem a ver com usar lentes nas festinhas, fizeste confusão com essa coisa dos óculos e da língua. Tens que ler mais, é o que é. Mas se precisas mesmo dos oculos deves parar com as brincadeiras enquanto lês. Ou uma coisa ou outra, caramba!

  10. Valupi, diz-me o meu saber (empírico, bem o sei) que nos amores e nas leituras não é boa prática demorar mais que o essencial em cada etapa. Demorar tempo demais, mais do que aquele que é realmente necessário, faz-me lembrar aquele rapaz que saiu dos Police e nunca mais foi o que era.

    O post é um bom post, associa informação e opinião, tem tudo para resultar numa ideia bem estruturada. A questão é que os pormenores, aqueles pequenos nadas que podem fazer de um bom post um post excelente, neste caso acabam por descambar em tortuosos caminhos e deixar o fiel leitor do Aspirina, aquele que não é genial ao ponto de ler todas as entrelinhas, aquele que nem sabe o que é a hermanêutica, na escuridão da dúvida sobre o seu pensamento.

    E, já se sabe, sendo ambos génios, excepto eu, sabemos que as meninas não vão gostar do que escreveu. E escrever coisas que as meninas gostam faz melhor à vida sexual do que ser um feliz possuidor de Lamborghini Diablo…

  11. Vamos lá ver se conseguimos dar razão ao Valupi…

    Como é que o teu palato sente a violência para com as mulheres?
    Sim, mesmo sem teres jantado (cheiinho de fome, que estavas) não engoliste a porrada sugerida. Boa!

    3m33s. Diga lá outra vez. Desta vez com elegância. Não tussa. Não se engasgue!

    Estamos em 2008 para uns, mas para outros não. A cada religião o seu calendário… És um cristo! (ou devo escrever Cristo!?)

    Pois é, quando é que as mulheres começam a investir na carreira científica com vista à sua estabilidade emocional?
    Valupi, há mistérios que as ratas não dissolvem. Mas ajudam. Mais não seja na reprodução.

  12. Caro Valupi, os “imbecis” já perceberam que a “rata” precisa de corda, à semelhança de um relógio suisso.

  13. shark, o estudo da passarinha é importante, e até muito importante, mas não oferece as vantagens do estudo da rata. Somos mamíferos, é a razão.
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    Comendador, os postes excelentes deixaram de poder ser adquiridos por este blogue. Temos falta de recursos humanos e de recursos financeiros. De modo que nos vemos obrigados a recorrer a um tipo de postes mais baratos, logo de qualidade manifestamente inferior e com várias deficiências no fabrico. Peço desculpa ao tal leitor fiel do Aspirina, esperando que ele nos esteja agora a ler, e deixo-lhe palavras de esperança para 2010, altura em que conseguiremos começar a sair da crise.

    Quanto ao desgosto das meninas face ao que escrevi, agradeço o cuidado. Mas confesso que não estou nada interessado em agradar a meninas.
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    stevie wonder, a hermenêutica é a telepatia.
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    JRV, e qual é a parte estranha, na tua avisada opinião?
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    z, também tu?
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    sininho, o tema da reprodução não é o que ocupa o autor do artigo e respectivos cientistas citados. Como saberás, uma rata não serve só para a reprodução.
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    adelaide, não posso concordar mais. Se pudesse, concordava mais um bocadinho.

  14. No meio deste arrazoado todo uma coisa fica patente, a falta de confiança nos neurónios masculinos e até na sua própria masculinidade.
    É que ao se referirem à mulher da forma como o fazem demostram apenas a pequenez o seu cerebro, incapaz de entender algo tão simples como a capacidade, a inteligência, a força de vontade, a tenacidade, e o seu poder, inclusivé o poder de sedução. Aliás nem sequer conseguem perceber que é a mulher quem dita as leis na relação a dois deixando que o macho pense que é ele e isto por duas razões, primeiro: porque um macho com orgulho ferido nem para a cama serve, segundo porque a mulher gosta e até lhe dá um certo gozo ver até onde vai a estupidez masculina.
    Bater, força bruta que não precisa usar o cérebro, qual brutamontes do tempo da pedra lascada, é ai que vivem sem evolução os homens que assim penssam ou que assim ajem, mesmo que se vistam ao mais puro estilo actual.
    Quanto aos que se dizem “defensores” da violência fisica porque a verbal está implicita no seu discurso, aqueles que acreditam, coitados, que as mulheres podem ser assim sem mais nem menos objecto de estudo, procurem primeiro o segredo da vida, depois, descobrirão por fim todos os segredos do corpo feminino.
    Já agora porque será que há mais mulheres que homens e que morrem mais homens que mulheres? O dito sexo “fraco” demonstra afinal ser muito forte!

  15. Ressalvo: (Quanto aos que se dizem “defensores” da violência contra as mulheres, violência fisica porque a verbal……………………………)

  16. O melhor é começar a dissecar a “rata”, já! Quem se oferece?
    Ou preferem encristarem-se no jogo de palavras do copy-writer de serviço?

  17. Valupi, não se menospreze. Escreve-se bem aqui no Aspirina e você é o estandarte desse bem-escrever. Agora este post é menos feliz, isso é. Mas, para ilustrar o meu altruísmo, deixo-lhe aqui o post que você deveria escrever:

    “Caros leitores e, principalmente, caras leitoras. A noite ía longa, tépida, convidativa a um gin Gordon’s, tónico (substituir, se assim o entender, por Old Bushmills ou por James Marti’s 35 anos, menos que isto não). Lembrei-me de um artigo publicado numa revista científica, que me levou exactamente três minutos e trinta e trinta e três segundos a ler. Era em inglês, o artigo. Bem sei que há quem tenha capacidade para ler o artigo em menos tempo, mas eu saboreei-o, e não aconselho a que o leiam em menos tempo.

    Quis partilhá-lo aqui convosco e tomei a liberdade de o interpretar, de vos presentear com a minha opinião. Comecei bem, estou consciente. Mas, não sei se já vos tinha falado do gin tónico, Gordons, fresquinho. Já? E tentei fazer jogo de palavras, questionei se as mulheres pensam e tentei fazer jogos de palavras (normalmente sou bom nisto, mas, desta vez, não sei se já vos falei no gin, já? pois…) e fui logo escolher as ratas, a despropósito, reconheço, mas a noite ía tão longa, o gin estava mesmo fresco, esta parte não sei se já vos tinha dito.

    Felizmente, o Comendador Antunes de Burnay, esse farol do bom gosto, esse baluarte do saber estar, sempre atento, iluminou-me o caminho e disse-me, com aquele sabedoria que só ele tem, que o post resultou mauzote.

    E, abnegadamente, aqui me penitencio, o que eu queria dizer era … (aqui é a sua parte)”

    Um abraço amigo deste sempre seu admirador.

    CAB

  18. anónimo/a mas pouco, estás bem intencionada. Nada mau.
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    adelaide, dizes bem: temos de dissecar a rata.
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    Comendador, os teus elogios são justos, pecando apenas, e talvez, pelo seu comedimento. Ter eu feito referência ao período de crise, e à menor valia dos postes, não configura uma atitude de menosprezo. Trata-se de lucidez, tão-só.

    Ora, tu afirmas que o poste é menos feliz e mauzote. São declarações que recebem o meu apoio, mas apenas no aspecto formal. Constato, no exercício que tiveste a generosidade de nos oferecer, teres evitado tocar na rata. Isso é suspeito, especialmente quando se reclamam atributos de “bom gosto”. Mas pior: sem tocares na rata não entrarás no assunto, nem sequer lhe sentirás o cheiro.
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    Rui, tens de ajudar os teus leitores. Que coisa piorou e qual a parte do muito?

  19. Valupi disse: «… Somos mamíferos…»

    O Ser Humano não é nenhum Extraterrestre: tal como acontece com muitos outros animais mamíferos, duma maneira geral, as fêmeas humanas são ‘particularmente sensíveis’ para com os machos mais fortes…

    Nas Sociedades Tradicionalmente Poligâmicas apenas os machos mais fortes é que possuem filhos.
    No entanto, para conseguirem SOBREVIVER, muitas sociedades tiveram necessidade de mobilizar/motivar os machos mais fracos no sentido de eles se interessarem/lutarem pela preservação da sua Identidade.
    De facto, analisando o Tabú-Sexo (nas Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas) chegamos à conclusão de que o verdadeiro objectivo do Tabú-Sexo era proceder à integração social dos machos sexualmente mais fracos; Ver http://tabusexo.blogspot.com/.

    Com o fim do Tabú-Sexo a percentagem de machos sem filhos aumentou imenso…
    As Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas têm de Assumir a sua História! Isto é, estas sociedades não podem continuar a tratar os machos sexualmente mais fracos como sendo o CAIXOTE DO LIXO da sociedade! Isto é, os machos ( dotados de Boa Saúde ) rejeitados pelas fêmeas devem possuir o LEGÍTIMO Direito de ter acesso a Úteros Artificiais.

    Ass: Mais um que faz parte da imensa colecção de homens rejeitados pelas fêmeas

  20. Ontem, a ler A Queda de Roma, fiquei a saber que o bigode (sem barba) é um símbolo Godo. Tem lá o imperador Teodorico, creio, numa moeda com bigodão, e o autor diz lá isso, ou seja: que antes dos godos só barbas inteiras ou népias.

  21. z,
    não li A Queda de Roma, é certo, mas não posso concordar contigo: conheço imensos magros só com bigodes, sem barba inteira. (E o próprio Teodorico era magrito, mais para o enfezado que outra coisa.. )
    É sempre preciso muito cuidado com essas edições que vêm de oferta com o 24Horas de Domingo. As traduções, sabes…
    É preciso muito cuidado.

  22. upi,
    depois de leres os problemas daquele senhor quarentão rejeitado que levanta a voz nalgumas palavras e quer um útero artificial para fins não explicitados, ainda tens uma pergunta?

  23. Eu não gosto de dissecar, tenho pouca vocação para a biologia. Mas na óptica da observação participante sou gajo para me debruçar sobre o problema, desde que o objecto de estudo possa ter asas.

  24. isabel, nada como a tarimba científica para se perder o medo da rata.
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    um quarentao, larga o vinho.
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    Rui, não estava à espera que delegasses em senhores rejeitados a tua representação. Mas ’tá bem, se preferes assim, tu lá saberás o que te convém.
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    adelaide, acertas.
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    shark, continuas a querer boicotar a investigação. Temos pena, mas é sem penas.

  25. tem sim, primeiro o Teodorico e depois o Teodato (534 aD). O bigode é símbolo godo, ostrogodo, dos visigodos não sei

  26. Tanta gente a falar de “ratas” e não vejo coisa nenhuma!
    E, vcs mulheres, querem ser tratadas como pessoas pensantes, mas o cerebro masculino acaba sempre por ver uma “rata”…
    Depois, há as boas e as menos boas, … “ratas” claro.

    Isto não tem jeito nenhum!

    Quem não gosta de uma boa queca, …ou queca, que atire a primeira pedra….

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