O Presidente perdeu o juízo

«Independente do julgamento que possa ter feito em relação ao orçamento para 2012, imagine o que seria, Portugal, tendo negociado com instituições internacionais um acordo de assistência financeira, se não tivéssemos orçamento, quando o orçamento é a peça central da política económica e financeira do país e essa é a razão por que talvez nunca nenhum Presidente da República pediu fiscalização preventiva», acrescentou.

Locatário do Palácio de Belém

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Não há duas interpretações possíveis para estas palavras, apenas esta: o indivíduo que é pago pelo Estado para exercer o cargo de Presidente da República está a invocar um acordo de empréstimo com entidades estrangeiras em ordem a justificar a sua demissão voluntária para respeitar e fazer respeitar a Constituição. Ainda por cima, o indivíduo, e quem o apoia, tudo fez para que Portugal fosse obrigado a recorrer a esse empréstimo, e nas piores condições negociais. Era o três em um: queda de Sócrates, subida da direita ao poder e licença ao abrigo da Troika para uma experiência de reengenharia social nascida da mais irresponsável ignorância.

Isto é muito, muito e muito grave. Mesmo assim, tem apenas uma ínfima parte da gravidade que as sucessivas sondagens vão mostrando: o eleitorado não entende, sequer percebe, que foi vítima de uma colossal golpada que começou a ser aplicada a 9 de Março de 2011 a partir da tribuna da Assembleia da República.

16 thoughts on “O Presidente perdeu o juízo”

  1. O gravidade do que foi afirmado pelo homem que hoje é presidente da república ficrá mais clara se imaginarmos, por exemplo, uma situação limite em que, não uma, mas uma dúzia de alíneas do OE violem a Constituição de forma flagrante, para dar cumprimento ao acordo com a Troika.
    E depois repare-se nesta enormidade que Cavaco atira para cima de quem negociou o memorando e o assinou, o PS, PSD e CDS: estes partidos do governo trairam a República ao assinar um pacto que viola a sua Lei Fundamental!
    Sabendo nós que o memorando nunca teve nem podia ter efeitos suspensivos da Constituição e sabendo também que o corte dos subsidios não consta expressamente do que está acordado no memorando, porque invoca, este miserável presidente, o pacto internacional para justificar a sua traição ao juramento presidencial?
    Este presidente devia resigar, mas como o país foi entregue aos bichos naquela famigerada data de 9 de Março 2011, agora já vale tudo, até a desobediência civil declarada, do Presidente da República.

  2. Tenho ouvido comentadores comparar esta discriminação chumbada pelo TC com aquela outra da taxa em sede do IRS, que não penalizou a todos por igual, fazendo a tal disciminação positiva e taxando acima de um determinado patamar de rendimento. Estas cavalgaduras não percebem a diferença entre fazer esta discriminação positiva em que todos são tratados segundo um critério de pobreza e de riqueza, traduzido em ” TODOS os que ganham menos de “x” e TODOS os que ganham mais de “x”, e a desigualdade flagrante e aberrante deste corte “para alguns”, em que um qualquer Catroga pode receber alegremente os dois subsidios de 40 ou 70 mil cada, e aos desgraçados pensionistas e funcionários públicos são confiscados os míseros 601 euros de cada subsídio!!!
    Não foi só o presidente que perdeu o juizo

  3. Pois é, o Silva é um bubão. O nosso cônsul em Larache, no distante ano de 1821, pensava que esses sintomas indicando a presença de peste eram causados por vermes que viviam na imundíce. São os vermes que aprisionam e asfixiam o interesse público, são os licenciados a trabalhar nas limpezas no civilizado Luxemburgo, são as reformas ao cubo, é o Macário, é o Relvas, é o Borges das privatizações, é o Lima dos milhões, é o Crespo, é a “famelga” Menezes….é o bicho! É o bicho! Vô-te dêvorar!
    Restam-me os meus amigos magrebinos, a margem sul do mediterrâneo, as tardes nos arquivos, Béjaia, a baía de Argel, o riso luminoso das minhas netas, o ronronar do Bolacha no meu colo. A vida está perigosa, vou afivelar a dentadura, papar os corn flakes e voltar para a caminha. Sim, porque hoje é sábado e espera-me uma visita a um lar ( de baixa gama) que é um local que gostaria que os acima citados conhecessem. É UM MARAVILHOSO ESPAÇO PARA REFLECTIR, ACREDITEM!

  4. Confiança perdida:
    Quando se derruba algo – governos, direcções de clubes, edifícios e outros semelhantes – é porque se tem a certeza que se vai construir melhor. Se assim não for é deixar estar como está. Foi o que fizeram com o Governo do PS. A oposição só via o derrube do governo. Agora que estava em minoria tinha-se que derrubá-lo. Custasse o que custasse. E hoje verificamos que o custo foi enorme. Passos Coelho e Paulo Portas estavam ávidos pelo poder. Tudo o que fosse governo à que desacreditá-lo. Era no Serviço Nacional de Saúde, na Educação, Administração Interna, Segurança Social, Finanças um sem número de ministérios. Forçosamente tinha que ser derrubado. Não lhe dar mais oportunidades com um novo PEC. Essa espécie de Presidente da República e Oposição viram no chumbo do PEC a sua tábua de salvação. O pote ali tão perto porque não lhe deitar a mão.
    Fazia lembrar a rábula de Ali Bábá e os quarenta ladrões só que aqui eram quatro – os Verdes não contavam – e assim a distribuição era melhor. Passos Coelho e a espécie de Presidente esfregavam as mãos porque iam conseguir o que nenhum social-democrata conseguiu incluindo Sá Carneiro: um presidente, um governo, uma maioria.
    Passos Coelho via a hipótese de deixar de ser um escriturário do lixo e tornar-se num primeiro-ministro coisa que tinha jurado quando andava pela jota que ainda ia dar que falar. Houve um que desejava mostrar à família que era primeiro-ministro. Foi sol de pouca dura. Fugiu depressa.
    Passos Coelho está a dar que falar e de que maneira. Tudo o que prometeu em campanha eleitoral – de certeza está a cumprir com o prometido aos amigos – não cumpriu com nada. Dizia que Sócrates era aldrabão mas ainda não apareceu na história da democracia, aldrabão maior. Também não tem jeito para fazer ou decidir nada. Em tudo que põe mãos o efeito desejado sai ao contrário. É um Eduardo sem mãos de tesoura.
    Os outros dez ministros não sabem que ministérios ocupam. Paulo Macedo em lugar de estar na saúde devia ocupar o da administração interna. Tem apanhado mais infractores que Miguel Macedo. A da Justiça mais parece uma espalha brasas. Marinho e Pinto diz que é uma barata tonta mas eu acho o cognome de espalha brasas mais apropriado. Aonde vai ou se mete só faz faísca. O da Defesa parece um segurança da espécie de Presidente: anda sempre atrás dele. A da Agricultura deve ainda estar em Fátima porque não perdeu a fé de vir a ser uma boa ministra: fisicamente é. O das Finanças se fosse padre, ninguém ia assistir a uma missa celebrada por si porque nunca a acabava. O da Segurança Social deixou a lambreta e agora está a cortar nos subsídios para pagar o carro novo. O dos Negócios Estrangeiros é o mais esperto. Antes do País rebentar anda a percorrer o mundo para ver onde vai pedir asilo. O dos Assuntos Para Lamentar anda a preparar o que vai dizer à filha para ela ter orgulho nele. Este é dos que semeia vento e colhe tempestades. Deixei para último o da Economia. É o bobo da côrte. Acentuei com o acento circunflexo – embora com erro – para não confundir com corte porque não faço esse juízo dele. Não sou como Gaspar que lhe perguntou quais das três palavras que não percebeu: “não há dinheiro”.
    Com um naipe assim, para não dizer outra coisa, o que esperavam os portugueses. Vida fácil! Não se aperceberam que Passos Coelho tinha de pagar os juros aos amigos. Quem se vê a ser nomeado para lugares de relevo? Tanto pregou que não era sua intenção só dar emprego aos militantes do PSD e é ver as nomeações no Diário da República. Dizia que devíamos ter confiança. Sabe lá ele o que é a confiança.
    Era uma vez… o Fogo, a Água e a Confiança.
    Entraram numa floresta escura e o Fogo disse:
    – Se eu me perder, procurem o fumo, pois onde há fumo há fogo.
    A Água disse:
    – Se eu me perder, procurem a humidade, porque onde há humidade há água.
    Então a Confiança disse:
    – Se eu me perder, não me procurem, pois uma vez perdida, não me encontrarão mais.

  5. Meus Caros Amigos
    Vejamos. O roubo de 14% sobre os salários da função pública e pensões teve, ao tempo, a oposição dos visados (entre outros) e, muito provavelmente, a incompreensão dos outros.
    Porém, o governo persistiu na sua e assaltou-nos mesmo. Foi um roubo e não um furto, pois a vítima não pôde defender-se e o bem foi-lhe subtraído pela força.
    O presidente diz agora que a alteração de uma simples virgula motivada pela fiscalização preventiva, implicaria a não publicação do orçamento e o desprestígio do país perante as “instâncias internacionais”. Assim, coitado, ficou sem saída que não fosse a publicação, até porque a fiscalização seria um processo lento (mas não devia ser) e os prejuízos adivinham-se. Restava a magistratura de influência, levando o governo a não tomar a tal atitude “iníqua” (palavra dele) e que, pelos vistos não funcionou.
    Daqui concluímos que o governo actuou de má-fé (podia ter sido mais rápido na publicação do orçamento), fez chantagem com o presidente (ameaça com o desprestígio internacional e o tempo necessário para a fiscalização e produção de novo orçamento) ele teve promulgar o orçamento. Coitado, que pena tenho dele!…
    Agora lamenta-se!
    Por seu turno, o tribunal (numa manobra de conivência?), demorou 6 meses a analisar uma lei desta importância e publicou o seu parecer depois de ela já ter tido efeito. Porém, de acordo com a Constituição, não é viável a inversão do processo, nem sequer a rectificação a meio do processo de aplicação do OE. Não sabia que a Constituição tinha destes alçapões que permitem dar o dito pelo não dito e dar e não dar razão, ao mesmo tempo. Mas já sei que se a revirem vai ficar pior. Não há dívidas que vivemos numa ditadura exercida clandestinamente pelos “becas” e os “togas”, tudo gente que lê pelos mesmos livros, cobrindo-se e apoiando-se mutuamente.
    Conclusão: 2012 já era. Para o ano e seguintes, Deus dará (ou não). Havia até muita gente que mercê, dos comentários dos opinion-macaqueres cá do sítio, já se tinha habituado à ideia de que “era para sempre”. O fatalismo e conformação dos portugueses!
    Entretanto, há quem diga que o diploma legal que institui esta forma de receber salários (poderia haver outras, como 12 prestações mensais, de um dado valor, acrescidas de 1/12 desse valor) diz claramente que estas prestações salariais não são sequer penhoráveis, portanto retirá-las, a título de imposto (mesmo extraordinário), é outra ilegalidade que, pelos vistos, o tribunal não viu(?).
    Como sabem há um princípio é velho: “Ou há moral, ou comem todos”. O problema do tribunal foi verificar se havia moral e, como não havia, comem todos. Assim é que é equitativo: nivela-se por baixo e em vez de dar a quem tem direito tira-se a quem não se devia tirar. E para isto levaram 6 meses. Qualquer aluno dos que compram os diplomas via isto…
    E agora José? O 1º ministro já disse. Vai fomentar a divisão entre “públicos” e “privados” e entre estes e os pensionistas, obrigando ou roubando igualmente os “privados”. Assim, vai ganhar, pondo-nos à bulha uns com os outros… Quem é que lhe terá soprado esta dica? Dividindo, reina-se melhor, mas convém não abusar, digo eu.
    Mas o problema crucial é sabermos se esta “manobra” vai resolver o problema que ele diz que tem. Como estamos a ver não vai.
    E depois? Depois vai ser pior ou estavam à espera de outra coisa?
    Por mim, acho que estamos cercados e não temos por onde sair. Reparem na actuação viciosa do tribunal! Na acção verdadeiramente farizaica do presidente! A do governo nem merece adjectivos.
    Olhem, um ab, para todas, mas, por mim não vejo motivos para festejar.

  6. Só não percebe quem não quer ou quem é muito estúpido e muito atrasado – de facto os eleitores do senhor Cavaco e do senhor Passos inscrevem-se facilmente nesta categoria de pessoas!

  7. Uma confissão que deveria obrigar à demissão por quebra do juramento solene feito no acto de posse, segurando a Constituição da Republica. Para a defesa da Constituição e dos portugueses o Presidente da República não obriga o governo a retirar as inconstitucionalidades do Orçamento mas, pelo contrário decide promulgá-las???!!!
    Estranha é toda esta trama em volta do TC para que a decisão fosse tomada depois de retirado o subsídio de férias.

    Concordo com o comentário do Fernando e dou outro exemplo: subverter o princípio de salário igual para trabalho igual, baixando o salário dos homens para que fique igual ao das mulheres.
    E tudo isto é feito com a défice a subir, a dívida a aumentar, a economia a degradar-se e a esmagadora maioria dos portugueses a empobrecer.

  8. Se não fosse a golpada na assembleia da republica a 9 de março, a esta hora não estavamos a falar do marido da senhora maria!!!

  9. Edgar,

    O Cavaco fez uma coisa de certo modo semelhante quando era primeiro-ministro. Com o argumento de que não se devia discriminar o sexo feminino, aumentou a idade da reforma das mulheres dos 62 para os 65 anos, para ficar igual à dos homens.

    Quer maior manifestação de hipocrisia?

  10. Sim, Senhores, tudo muito certo.

    Mas que fazer com tanta certeza?

    Deixar as coisas como estão e (para) continuar os lamentos mais ou menos comprometidos, ou começar a partir a loiça, eis a questão.

    E a questão, tal como eu a vejo, é a de que, em Portugal, com início em 2005, foi montado e leado a cabo um golpe de estado visando o derrube do Primeiro Ministro eleito e do seu Governo. Porque foi assim (porque esse é, entre nós, o destino natural de qualquer poder modernizador, ser “destruído por troças por insídias por venenos e por outras maneiras que sabemos”) daria para encher vários tratados, de história, de sociologia e de psiquiatria política. Mas, sobretudo, de economia política.

    Para o efeito, para derrubar o melhor Primeiro Ministro da democracia, valeu tudo e mais um par de botas (ou um par de bostas, um crápula e um imbecil).

    E assim chegámos aqui, entregues à mais desgraçada das sortes, contra o pobre ganho de umas tristes eleições, mas, também, o que é pior, a colocação desta pandilha no cargo de liquidatários do País, organizando e executando, à comissão, os mais extravagantes negócios, enriquecendo para além de qualquer cálculo, por conta do empobrecimento sem remédio do Povo.

    Neste quadro, é urgente:

    1. Denunciar consistentemente o caos político, social e económico instalado, sem ceder à tentação da hipervaloração da anedota;

    2. Obrigar, pela provocação sistemática (análise rigorosa do passado próximo) à definição clara dos campos;

    3. Definir (e trabalhar para) como objectivo central e imediato o derrube do Governo, a resignação do Presidente da República e a realização de eleições.

    4. Acreditar que talvez ainda seja possível dar a volta a esta palhaçada.

  11. Carlos Fonseca, obrigado, já nem me lembrava dessa.

    Francisco Araújo, do “Dinheiro Vivo” do JN (http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO051992.html) retirei duas afirmações:
    Plano da troika piora desigualdade, ameaça impostos e faz subir juros” e “Ponto Final – “Cresce o consenso de que a austeridade é um ‘remédio’ que pode intoxicar o ‘doente’ e deitar tudo a perder na economia”.
    De salientar também a declaração do economista-chefe do Banco Mundial: – “estas políticas são potencialmente destrutivas”
    Ao contrário do que vem afirmando o Governo, perante os resultados e as perspectivas a curto e médio prazo, parece hoje evidente que Portugal caminha rapidamente para um buraco ainda maior, com hipoteca do futuro. Nestas condições, a primeira medida indispensável é renegociar a dívida e parar imediatamente com a alienação de mais património.
    O serviço da dívida é incomportável e à medida que o governo continua cegamente neste caminho, acelerando o passo, mais incomportável ficará.
    Se eu fosse credor de alguém que aceitasse estas condições leoninas para obter novos empréstimos com a promessa de regularizar a situação colocaria logo duas hipóteses: ou é louco e incompetente ou está a enganar-me e não vai pagar.
    Por tudo isto, não deixo de pensar que esta história da troika, do resgate, do memorando e dos partidos que o assinaram está muito mal contada.

  12. Eu li e gostei. Passei aos comentários e tb estava a gostar até chegar a um atoleimado que afirmou que Sócrates foi o melhor PM da democracia.

    Aí embatuquei.

  13. Oh “Tortulho no estômago” por acaso contando comigo já somos dois a dizer que Sócrates foi o melhor PM. Já agora, incomodava muito se pedisse que dissesses qual foi na tua , espero que ainda não alucinada, opinião? (pelo tortulho no caso do festim ter sido com cogumelos). O Vasco, o Azevedo, o Mota Pinto, o Cavaco, O Balsemão, o Barroso, o Santana ou subindo um patamar, o Soares ou o Guterres? Vá lá desabafe, partilhe.

  14. Eu não sou tolo nem atoleimado, mas não me importo que me tenham e me digam como tal. Não queria é que a expressão da minha opinião, acredito que inabitual (a expressão, não a opinião) fosse pretexto para nos zangarmos uns com os outros.

    Embora valha a pena zangarmo-nos todos, mas não comigo.

    Nem com o Eduardo J.

    Já somo dois!

    Quem dá mais?

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