O Papa não alinha em paneleirices

Ao arrepio do berreiro que imediatamente se levantou, as declarações de Bento XVI onde se reafirma a posição da Igreja contra o casamento homossexual – aliás, contra os actos homossexuais, o que é ainda mais radical – são lógicas. Estranho seria que a Igreja não definisse com esta clareza o território que ocupa. E, quando muito, devíamos era aplaudir – todos, heteros e homos – o desempoeiramento papal de aproveitar a quadra natalícia para deixar os moralistas anti-católicos à beira da síncope politicamente correcta.

Deus, segundo os católicos, não gosta de homossexuais sexualmente satisfeitos. Que têm os não-católicos a ver com isso? Se os não-católicos não admitem aos católicos que se metam nas suas vidas, porque caralho andam sempre a tentar meter-se nas vidas dos católicos? É que já farta de tanto complexo de inferioridade perante uma Igreja que está reduzida a ser museu folclórico e garante dos feriados religiosos que nenhum ateu quer perder.

80 thoughts on “O Papa não alinha em paneleirices”

  1. Afinal Jesus não era gay? Tenho algumas dúvidas sobre isso.

    A tua conversa não convence, mas a foto é baril!

    O papa tem todo o direito de alienar os católicos homossexuais, que devem ser aí uns 5-10 % da seita, pelo menos, como em todo o lado (no clero católico a estatística parece que sobe bastante). Se calhar há católicos a mais no mundo, ele quer-se desfazer duns tantos. Para o islão não vão, já é consolador. Aquilo parece que ainda é pior do que no catolicismo.

    O pior é que a fé católica se acha a verdade em pessoa, revelada ou não. E quando alguém se acha possuidor da verdade verdadinha, quer impingi-la ao mundo inteiro, sócios e não sócios do clube. O islão militante faz o mesmo. Quem está de fora, não gosta e reage. Vão mas é chatear a avozinha deles que é católica ou muçulmana. E com razão!

  2. “quando alguém se acha possuidor da verdade verdadinha, quer impingi-la ao mundo inteiro, sócios e não sócios do clube.”

    Jornalistas?

    “O islão militante faz o mesmo.”

    O Jornalismo é uma religião! Bem me parecia!

  3. Valupi,

    Ha aqui (como noutros casos) uma coisa que tu manifestamente tens dificuldade em perceber. A Igreja, como qualquer outra pessoa singular ou colectiva, pode ser responsabilizada pelas suas palavras, na medida exacta em que essas palavras podem atingir bens juridicamente protegidos, como por exemplo o direito ao respeito e à dignidade. Não chega dizer que ela apenas se dirige aos seus membros e que ninguém é obrigado a ser membro da Igreja. Exemplo : a Igreja pode ser responsabilizada por insultar uma pessoa, mesmo que essa pessoa não seja catolica. Podemos debater a questão de saber se a posição que referes constitui ou não um atentado à dignidade dos homosexuais (catolicos e não catolicos), mas é uma falacia defender-se que a Igreja pode dizer o que quer porque so fala para os seus membros. A Igreja vive no mundo (e as suas palavras têm de resto influência no mundo).

    Isso não é assim tão complicado…

    Pega no teu texto e substitui a palavra “homosexuais” pela palavra “pretos” e ja vais entender melhor.

  4. Jesus amava João, está escrito na Biblia, e ja fiz suficientes encontros para saber do amor que não ousa dizer o nome (Wilde).

    Que o Papa diga isso não me surpreende, desde sempre a mitologia judaica-cristã vem do crescei e multiplicai-vos do Genesis acompanhada do comando que Deus dá a Moisés para fazer o recenseamento das famílias e dos homens válidos para a guerra, nos Numeros, acompanhada das maldições do Levitico e Deuteronomio, Levitico 20:13 para quem quiser iniciar a busca.

    Isto digo eu, que sou pagão, amigo de cristo, não sou baptizado nem tive catequese e andei a estudar isto em adulto para perceber a que raio de mundo tinha eu vindo parar, e porquê.

    Visto a seco trata-se de um conjunto de dispositivos ideológicos, metaprogramas para aumentar ao máximo a canalização da pulsao sexual masculina para a reprodução visando a dominação e expansão do território.

    Ou seja: leite de macho para a buceta, já.

    Já os gregos orientavam a pulsão sexual de uma forma muito mais equilibrada para controlar a demografia e a ecologia, viviam a bissexualidade, até doseavam a coisa por idades e por fases dominantes.

    E os persas, e os gauleses, e os romanos.

    E os Asmat na Papua.

    Já insuportável é que a ciência tenha ocultado sistematicamente dados de comportamento homo,ou melhor: bi, na Natureza, pretendendo fazer passar que é contranatura uma mentira insuportável que ainda me vai ter que fazer escrever sobre isso.

    Deixo-te a Besta oh Papa:

    http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/6066606.stm

    http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/6066606.stm

  5. Valupi: ainda bem que puseste isto da moderação

    é substituir ‘já fiz suficientes tropas’ por ‘já fiz suficientes encontros’,

  6. Valupi, Ora nem mais! com excepção dom museu folclórico!

    Eu sou agnóstico mas incomodam-me os moralistas que tentam dizer que os crentes numa fé ou religião não podem pensar, ou mesmo reger-se, de certa forma! Ou seja, têm que pensar e agir exactamente como eles!

    Para dar credibilidade a sua tese defendem que o papa fala para o mundo inteiro. Não não fala, pelo menos para mim não fala, assim como não fala qualquer outro líder religioso.

    Vá lá, deixai as religiões em paz, pelo menos aquelas que não nos impõem regras e costumes, ou nos aplicam “guerras”.

    A igreja católica já fez, de facto, muita coisa desprezível, hoje limita-se a mandar uns bitaites! A não ser que se queira confundir a a árvore com a floresta. Mas nesse caso ninguém se safava, políticos, jornalistas, médicos,…., em suma, cidadãos comuns!

  7. João Viegas, tentar confundir pretos e homossexuais e mero acto de hipocrisia!

    podia substituir homossexuais por pernetas, manetas, ou cegos, ou ………

  8. O mais incrível é o racismo da paneleiragem. Eu se fosse preto processava quem insulta assim a dignidade das pessoas ‘de cor’. Cromofóbicos é o que são estas criaturinhas transgénicas.

  9. o problema é que o papa não fala apenas para os católicos, fala para o mundo todo, e eu respondo-lhe,

    sim claro, ser homo era crime até 1982, depois era doença, perversão, e o caralho,

    o problema é a mentira, ora desde a Escolástica que se sabe, senão antes, que só a verdade se basta a si própria, a hipocrisia e a dissimulação revelam-se, na pedofilia praticada nos seminários e sei lá onde mais, 500 anos depois poede desculpa e agora elogia Galileu

    quando vai elogiar da Vinci, Miguel Angelo, Shakespeare, D. Henrique, Van Gogh, Pessoa, César, Turing, Yourcenar, e sei lá que mais?

    daqui a uns aninhos? vá mas é para o cesto da gávea em vez de andar a falar das florestas

    o resto cada um é que sabe de si e vão para onde
    quiserem

  10. olha papa: e como agora andas keynesiano não esqueças o Keynes,

    e o que mais me irrita é que te tenho de chamar como se foras meu pai, o tanas ouviste?, o meu pai um gajo porreiro e continua comigo no meu coração,

  11. Penso que é uma atitude de grande hipocrisia.
    A homossexualidade é na realidade uma constatação no clero. A Igreja e a sociedade já pagaram bastante por isso. Não percebo quais as vantagens que a igreja tira ao levantar estas questões, atirando mesmo a primeira pedra, quando toda a gente sabe da sua implicação directa pela piores razões (pedófilia).
    A intolerância da igreja contradiz-se, totalmente, na essência da sua mensagem.
    Depois admiram-se do absentismo dos seus fiéis, que não se revêm nestas atitudes.
    Há tanta matéria em que a igreja se deveria ocupar, para cumprir os seus verdadeiros desígnios. em que os seus apoiantes mais críticos tanto aspiram, mas por este caminho cada vez mais se desacreditam.

  12. A homossexualidade sempre existiu! Já na Roma antiga eram vulgares as orgias de caixão à cova, onde os seus convivas se faziam acompanhar de rapazinhos! Por isso não me venham agora com pruridos! O melhor que temos a fazer é aceitarmos esta diferença, por muito que nos custe! Por mim estão todos à vontade! Os homossexuais que façam bom proveito! Desde que não estejam aos beijos na boca ao pé de mim, tudo bem!… Não sei porquê, mas faz-me impressão! Fui educada com valores da velha guarda, onde os homens para serem considerados verdadeiros homens tinham que ser duros, machos, fortes que nem penedos! Que querem agora? Que inverta completamente a formação que me foi dada, assim, sem mais nem menos! Paciência, são consequências das ditaduras dos estereótipos! Quanto ao casamento entre os ditos cujos! Francamente! Para quê? Já o acho um acessório perfeitamente dispensável entre os heterossexuais quanto mais entre dois homens! E depois do casamento o que viria a seguir? Já agora, intervenções cirúrgicas para ficarem uma espécie de mulheres e implantes de silicone, pagas pela Segurança Social!Quanto ao Papa, melhor fora estar calado! No seio da igreja e usando o nome de Deus têm sido cometidos os actos mais desprezáveis! Basta a imposição do celibato para dar azo a desvios, além de ser anti-natura! Embora eu esteja convencida que eles, padres, neste domínio pelo menos antigamente, amanharam-se sempre muito bem!

  13. A ICAR e o seu representante máximo pretende que os seus fieis actuem, em qualquer circunstância da sua vida, como católicos. Por exemplo, um político que seja católico, no desenvolvimento da sua acção política, não deixa o seu catolicismo fora de portas como se este fosse um chapéu ou um outro acessório qualquer. Desta forma, a ICAR, através da militância dos seus membros, influência o poder político, ou seja, obtém o verdadeiro poder. O que pode lixar a vida àqueles que, na sociedade, não comungam dos mesmos princípios e valores.

    Há qualquer coisa de denominador comum nos posts do Val que me leva a acreditar que o rapaz tem uma estratégia muito peculiar para o seu proselitismo católico, junto dos fieis e “infieis” do AspirinaB. Estará para breve a “salvação” do Z e NiK?

  14. tudo bem Milu, não quero impôr nada a ninguém, nem quero convencer ninguém, só me faltava essa – quero que as pessoas possam ser livres e tanto quanto possível felizes, em vez de terem de encharcar-se em alcool para ganhar coragem, ou irem por caminhos de violência, sei lá que mais, à conta da panela de pressão com que vivem.

    Em Roma, na Grécia, etc., a sexualidade dominante era bi. Mas não falo mais disso.

    Quanto ao casamento gay defendi aqui no Aspirina por uma questão de igualdade de direitos, mas realmente eu fujo só de pensar nisso, essas mimetizações hetero deixam-me um bocado agoniado, paciência.

    E o papa pode falar à vontade para os católicos, e estes podem dar-lhe a razão que quiserem, são livres, só que eu não reconheço ao papa mais autoridade espiritual para mandar no meu mundo do que eu no dele. Exactamente, não reconheço. E como ele entra pelo meu mundo adentro, a dar cabo da cabeça de alguns amigos meus, eu entro no dele, e de uzi semântica com cargas nukleares.

    Mas não vou falar mais disto, queimou-se ao invocar as florestas, que ignorância, cretino.

    Bem, vou passear e tratar de coisas que já se faz tarde.

  15. Se o Papa falasse apenas para os católicos, quem era eu para me meter nisso. O problema é que o papismo tem implicações legais e já nem falo sequer em tempos passados nem nos partidos políticos que assumem posições de fé. Falo no resto, na campanha que fazem para impor a todos os países onde pensam ter alguma força práticas da doutrina cristã.

    Z, tu podes não lhe reconhecer autoridade mas ele trata de a impor a ti e aos outros, ao condicionar a opinião pública e desde logo os legisladores. Sempre foi assim e só com uns valentes safanões é possível circunscrever ao reino dos deuses o que é apenas de Deus.

    Mas embora consigam dar cabo da vida de muita gente (já não digo felicidade, a ICAR é alérgica a tal palavra) a verdade também é que é a religião mais desautorizada que conheço. É assim com a pílula, o preservativo, a gravidez medicamente assistida, é assim com a legislação que regula a IVG e os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. A que pensávamos beatíssima Espanha e os beatíssimos Estados Unidos vão abrindo brechas nas muralhas, apesar das suas igrejas.

    Não sei se o casamento entre homossexuais vale a pena ou não, cada qual que decida por si, a lei só tem que colocar todos os seus cidadãos nas mesmas circunstâncias. O que depois cada um faz com isso, casar, amancebar, amigar, juntar os trapinhos ou curtir apenas é do foro privado, não carecendo de ratificação social.
    Quero lá saber o que cada um resolve fazer da sua vida, já me basta o trabalho que a minha me dá sem ter que acumular com as dos outros, para as quais manifestamente não tenho tempo nem interesse. Além de isso ser o exercício máximo da estupidez humana.

  16. valupi, em tempos protestaste contra aqueles que defendiam não devermos meter-nos no que respeita às práticas islâmicas, por se tratar de questões de direitos humanos que ultrapassam os limites do religioso. disseste que em tratando-se dos direitos das mulheres, da liberdade, etc, qualquer um tinha o direito de se meter no assunto, se não erro. aqui é exactamente o mesmo. a igreja mantém influência e embora tenha obras valorosas, o facto de capitalizar em fé aquilo que oferece é só por si já perverso. a questão de que falas é política. se a igreja procura ter influência política, qualquer um tem tanto ou mais direito de se insurgir contra a igreja como a igreja de se insurgir contra as práticas homossexuais (ou o sexo em geral, enfim…). não é verdade que a igreja esteja reduzida a um grupo folclórico; a partir do momento em que uma instituição tem influência social todos têm o direito de “se meterem” na eventual influência negativa que a instituição tenha. colocas a coisa com propriedade comutativa, mas tá mal: é a igreja que faz parte da sociedade e não a sociedade que faz parte da igreja.

  17. “Although the pope didn’t specifically talk about same-sex marriage, the meaning was clear enough to prompt some unusual headlines about rain forests and homosexuals”.

    Tal como neste querido blogue.

    O Valupi fala do lado de cá como se estivesse do lado de lá. A leitura desse pequeno parágrafo do seu link teria tirado muita tesão anal e genital, e da indiferença, aos comentadores que não sabem o que é que hão-de fazer com tanta liberdade. Mas fiquei impressionadíssimo com a estupidez do comentário do Viegas. Agora quer silenciar a Igreja com a ritual inserção à martelada duma queijada de hóstias com fermento pela boca do papa abaixo. Estou em dizer que está aqui, está a concorrrer a prefeito da futura polícia do pensamento. É onde acabam todos estes representantes genuinos de modernismos de calcinha.

    E depois havia tantos homos na Grécia,na Pérsia e pelo cu-rso acima do rio Nilo, não havia? E quem é nos garante isso – uma fernanda universitária que anda a papaguear histórias escritas por quintas-colunas pseudo-judaicas em mosteiros católicos da Idade Média?

    Poupem-me a isto. Conversas destas só nos preparam para o advento da cesariana para extracção do cagalhão invertido, porque contra-indicado o uso de fórcipes.

    E Viva a Santa Madre Igreja!

  18. Chico Estaca,

    O meu comentario não tem nada, mas mesmo nada, a ver com policia do pensamento. A palavra da Igreja so se discute neste caso porque, e apenas na medida em que, faz mais do que expressar uma opinião ou um pensamento.

    Foi apenas o que quis sublinhar.

    Quanto ao seu comentario, não tem nada a ver com pensamento “tout court”

  19. Soube de fonte segura (e venho aqui afirmá-lo por ser de eventual relevância para o presente debate) que o Papa tem, no máximo, um colhão. Essa mesma fonte (insisto no rigor da sua informação, embora desta feita tenha pouco ou nenhum interesse para o supracitado debate) jura a pés juntos que o nosso primeiro Sócrates tem mais de três ou quatro. Como era costume o meu pai dizer nestas ocasiões surpreendentes em que a realidade deixa a ficção boqueaberta:”Foda-se!”

  20. queria sublinhar a parte dos feriados. quanto ao resto, concordo no essencial. mas já que comento: esse medo de que a espécie desapareça se sujeita à homossexualidade não será um exagero? não haverá sempre um hetero para garantir a reprodução? ou será isso um risco mesmo real, que nos levará a ver no futuro padres e freiras sacrificando-se ao acto sexual para que a obra do senhor não sucumba?

  21. O pecado é, em grande parte e na maioria das religiões, tudo o que livremente se possa fazer com o corpo, tudo o que tenha a ver com a satisfação de necessidades fisiológicas, com a luxúria, com a gula, enfim, com a boa vida.
    No caso da ICAR, por exemplo, não é de espantar que a mãe de Cristo seja virgem. Mas, a partir do momento em que os escritos se iniciam pela mão de alguém que sobe a um monte e fala com um arbusto a arder, qualquer coisa seria de esperar. Na realidade, as diferenças entre a maioria dos escritos religiosos e o Dragon Ball são nulas.
    O Cristo que, segundo esses mesmo escritos, nasceu por esta altura há 2008 anos, morreu para nos salvar dos nossos pecados. Depois ressuscitou, após uma vida – e uma morte – em que fez vinho da água e multiplicou pães a partir de pedras, caminhou sobre as águas, curou cegos e paralíticos, ressuscitou mortos, enfim, fez trinta por uma linha após ter nascido de uma virgem. É por isso que não consigo compreender quais as diferenças entre as religiões, dado que cada uma delas, à sua maneira, possui os seus super-heróis. E é por isso que não compreendo como se pode dizer que bispos da IURD ou cientologistas, ou Kryons, são charlatães. E mais difícil ainda é compreender porque é que cada um dos professantes de cada uma das religiões a proclama como a única verdadeira.

    Esse mesmo Cristo cuja data de nascimento se comemora agora em grande parte do mundo, apregoou a frugalidade, a abstinência, entre muitas outras coisas, segundo os tais escritos. Militantes da verdade escondida em códices poeirentos reclamam descobertas de textos apócrifos de tempos a tempos, cuja principal dissidência do status quo religioso tem a ver, regularmente, com a actividade sexual de Cristo.
    A ICAR, ao longo do tempo, soube manipular com habilidade a figura de Cristo, dotando-a de uma aparência ambígua, assexuada. Nada de musculatura, nada de curvas corporais, que a morfologia cristã não admite cá dessas coisas. E tudo isso tem deixado, nos últimos tempos, dúvidas e imaginações acerca do que era, na realidade, Cristo: se um ser assexuado e penitente, se um ser sexualmente activo e bebedor de copos, como qualquer militante político da época em que não tinha sido inventado o colesterol e o ginásio.
    E não faltam livros, filmes, ensaios em torno do assunto. “Je vous salut Marie”, “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, “A última tentação de Cristo”, “O código Da Vinci”, entre tantos outros, são arremessos de pedras à verdade instituída, de qualidades diversas, mas sempre com a mesma motivação: a imagem humana de Cristo e a sua relação física, emocional e activista com a realidade que o rodeava na altura.
    Nessas obras, podemos encontrar a visão de Cristo como um homem que foi político, umas vezes de moto próprio, outras sem saber muito bem porquê; encontrámo-lo como um homem que desejou e teve mulher, Madalena na maioria dos casos; vemo-lo como doutrinador e prossecutor de uma prole, uma dinastia; e vemo-lo, por muito que custe a muitos, como alguém que teve uma relação, declarada e consumada ou não, com Judas Escariote.

    Mas convenhamos que, todas estas imaginações – que o são tanto como o são os escritos convencionais acerca do tema – não trazem grande mal ao mundo. Se ele existiu e foi como foi, qual o problema da sua atitude carnal? Era filho de Deus? E era homem? E então? Não o somos todos?

    (a little spam… sorry.)

  22. Milu,
    Achei pertinente a tua alusão à desvalorização do casamento por parte de casais do mesmo sexo. Quer se valorize a opção do casamento ou não, qualquer hetero tem sempre essa hipótese. Agora, penso eu que a questão que se coloca aqui é o facto dos homossexuais não terem essa hipótese de escolha, quer esteja incluído nos seus planos o casamento ou não. Depois, o que viria a seguir não seria implantes de silicone nenhuns, até porque isso revela homofobia da tua parte, mas sim apenas os mesmos direitos, que é de facto a única coisa que eles pedem. Quanto a esses mesmos serem pagos pela segurança social, não sei o que é mais desprezivel se fazerem isso para pagar implantes, ou se andarmos a vida inteira a pagar para pessoas estarem em casa sem fazer nada, a receber ordenados e fazerem grandes vidas,enquanto nós, seres comuns trabalhamos. Portanto, quer seja para homos a fazer implantes ou para heteros pagarem implantes de silicone (e há quem o faça com essas mesmas pensões!), não vejo onde reside a diferença. Creio que o que os homossexuais querem é só mesmo a igualdade.

  23. igualdade ou seja: não-discriminação, porque ela existiu e existe, despedem-se pessoas por exemplo,

    com que então florestas tropicais, logo eu que sou gamado, que te caia um coco em cima da cabeça oh papa, ficas logo a conhecer a teoria das cordas, e não, não estou a ser tão mauzinho quanto tu, porque senão encomendava-te um jaca,

  24. Nik, qualquer religião, para o ser, tem de permanecer no etnocentrismo respectivo. Se pusesse em causa a verdade da mensagem, transformar-se-ia numa filosofia.
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    joão viegas, mostra lá onde e como o discurso do Papa atingiu bens jurídicos.

    Como é óbvio, a Igreja, ou qualquer uma das suas instituições e representantes, está na intendência das jurisdições civis (salvo excepções que não interessam para esta questão). Estranho é que não te pronuncies sobre o que de facto foi dito e venhas falar de generalidades e abstracções.

    A tua sugestão de trocar “homossexuais” por “pretos”, no meu texto, é um hino ao absurdo.
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    Z, mas não ignoras que também há uma ideologia gay que pretende instituir a matriz bissexual como critério de normalidade. Isso não passa de projecção identitária.

    Quanto ao Incal, realmente…
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    Ibn, folgo em ver que estás a recuperar o juízo.
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    jv, são duas questões diferentes, a da doutrina e a dos crimes/práticas de indivíduos representantes da doutrina.
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    Milu, não é por existirem 2, ou 2000, advogados corruptos que vamos acabar com a advocacia. O Papa deve falar, obviamente. Quanto a muitos padres terem tirado a barriga de misérias ao longo dos séculos no que à sexualidade diz respeito, claro que sim. E sempre houve tolerância para com essas histórias.
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    adelaide, só é crente quem quer, a Igreja não obriga ninguém a sê-lo. Quanto à minha estratégia de proselitismo católico, concordo contigo: é mesmo, mesmo, muito peculiar.
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    M, o papismo tem implicações legais em sociedades seculares? Venham elas que isto de aprender não deve ter fim.

    Mas é como dizes: o Ocidente, incluindo as tão católicas Espanha e Itália, não quer saber para nada da moral da Igreja.
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    susana, há uma questão doutrinária e outra política. A doutrinária é apenas efectiva para os crentes, e é aquela que está aqui neste episódio em causa. A política diz respeito às instituições do Estado secular, onde se legisla e regula. Por aí, não creio que a Igreja tenha qualquer poder. Viu-se com o referendo do aborto.

    Se conheces algum caso em que a Igreja tenha ofendido os direitos humanos, avisa que eu faço coro contigo no protesto e indignação. Não vale é equiparar ao que se passa em Estados teocráticos onde o Corão é texto que inspira, regula e condiciona o direito civil.
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    CHICO, bem visto. E foi por isso que trouxe esse texto. No entanto, as temáticas, e suas implicações, são óbvias.
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    Sidónio, larga o vinho.
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    Ana, não tenhas a menor dúvida: qualquer pessoa ordenada (em condições fisiológicas para tal, claro) se entregaria à procriação caso fosse essa a vontade do Senhor. Quanto ao medo de que a espécie desapareça, estranha psicose será estando nós a caminho dos 7 mil milhões de humanos. E os homossexuais também procriam, olé.
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    Carlos José Teixeira, tens muita graça, ó pá. No entanto, é já consensual, na comunidade científica, que Jesus foi um judeu normal, talvez até algo excêntrico nisso de ter assumido uma atitude rebelde. Portanto, fodeu, comeu, bebeu e cagou como qualquer outro glorioso filho de Deus. Isso, de resto, só aumenta a importância do que se diz que disse e fez.

  25. Valupi,

    O direito de casar é um bem juridicamente protegido (e mesmo se não estou em erro um direito fundamental). As criticas à Igreja seriam perfeitamente legitimas se ela viesse defender que os pretos não devem poder casar… De certeza que, nessa eventualidade, não te afirmarias chocado com as criticas e não virias dizer “Deus, segundo os católicos, não gosta de pretos sexualmente satisfeitos. Que têm os não-católicos a ver com isso ?”…

    A minha intenção não era entrar na questão de fundo (sera que é legitimo a Igreja defender que os homosexuais não devem poder casar, e a questão divide-se em duas, pois ha casamento civil e casamento catolico).

    Apenas quis sublinhar que a tua critica às reacções suscitadas pelo discurso do papa parte duma premissa errada, que consiste em afirmares que o assunto so diz respeito à Igreja (e aos seus membros) e que ninguém tem nada a ver com isso. Não é assim. A partir do momento em que o que se discute é negar o acesso ao casamento a um determinado grupo de pessoas, a questão diz-nos respeito a todos.

    Outra coisa é defenderes que o casamento é uma instituição que implica um contrato entre pessoas de sexo oposto (que é a teoria de quem se opõe ao casamento homosexual). Esta teoria é dificil de conciliar com o principio de igualdade mas isso é outra discussão…

  26. M, o papismo tem implicações legais em sociedades seculares? Venham elas que isto de aprender não deve ter fim.

    Com esta tua metodologia de resposta, adquiriste o hábito de ter que pegar em qq coisita mesmo que treslendo.

    Repara no meu comentário:

    “… mas ele trata de a impor a ti e aos outros, ao condicionar a opinião pública e desde logo os legisladores”.
    (2º parágrafo, linha 1 e 2)

    O que se viu no último referendo ao aborto foi apenas um espisódio no meio de muitos, e nos quais conseguiram levar a deles avante. Como no 1º referendo ao aborto.

  27. Um bom Natal ateu para vocês.

    Iesu, personalidade ahistórica e compósita, misto de Mitra e profetas judeus do Apocalipse, teria nascido, segundo a lenda, num estábulo, aquecido pelo bafo dum burro e duma vaca. É bonita a história de um deus humano nascer assim, num ambiente hostil, persecutório, agasalhado pela solidariedade de seres irracionais. Onde nasceria hoje Iesu, se a lenda fosse de agora? Numa roulotte de desempregados ou ciganos aquecida a Camping Gaz? Na caixa de cartão duma mulher sem lar abrigada na arcada do Terreiro do Paço? Se tivesse sorte, seria deixado num cesto à porta do Refúgio Aboim Ascensão. Vocês que gastam tanto dinheiro mal gasto nesta época, apesar da chamada crise: dêem só 20 presentes, em lugar dos 30 de costume, e ofereçam a diferença a quem faz alguma coisa pelos Iesus que vão nascendo. E façam-no anonimamente, evitando aquela cena degradante do “Olha para mim a fazer o bem!”

    Lindos meninos!

  28. Ztshe
    Assumo humildemente, porque disso tenho noção, que sou vítima de algum preconceito em relação à homossexualidade! No entanto, devo dizer que cada vez mais, estou na disposição de envidar esforços para me tornar mais receptiva à diferença! Até porque penso que, essa atitude, é importante para me sentir melhor neste mundo. Se quero liberdade e tolerância tenho que a oferecer aos outros, há que ser coerente! O que me intriga é o casamento. Não entendo a necessidade de um simples rabisco num papel, uma assinaturazita, portanto! O que é que isso vai trazer de novo a uma relação, seja ela de que tipo for. Se o problema são os direitos jurídicos, heranças e afins, estes podem ser salvaguardados de outras formas! Quando revelo dar pouco ou mesmo nenhum valor ao casamento transmito, tão só a minha opinião. Esta minha postura tem a ver com a minha experiência de vida! Aprendi cedo a fazer frente à vida e aos problemas que ela nos traz, tornei-me autónoma e uso de um extremoso pragmatismo! Se não quero ter amargos de boca o melhor é evitar as oportunidades susceptíveis de os criar. Uma das poucas coisas que na vida me preocupam é a necessidade de garantir a minha subsistência, cumprir com os compromissos por mim assumidos. Isso sim é uma necessidade imperiosa e já me dá que fazer! Tudo o resto é folclore!

  29. Valupi
    O Papa pode falar à vontade mas, não devia! Não concordo que o faça da forma como o fez! Eu que sou heterossexual, portanto, não deveria sentir-me atingida, a verdade é que não posso deixar de dizer que me senti incomodada, indignada mesmo! Estabelecer um paralelo de comparação dos problemas inerentes à homossexualidade aos das florestas é uma ignomínia! Que sabemos nós ao certo sobre a homossexualidade? Sabe-se que, em verdade, a homossexualidade tem sido considerada um tema incómodo e, por isso mesmo, arredado como objecto de estudos profundos com vista a esclarecer de onde, como, quando e quais as causas que a determinam! No fundo parece haver um certo receio em descobrir a verdade! Ela pode não ser do agrado de todos! Nós aqui, no blog, formamos como que uma pequena comunidade que cultiva um interesse comum, a troca de opiniões, sejam elas acertadas ou não, disso não advirá nenhum prejuízo ao mundo e a ninguém, somos, portanto, inteiramente livres para opinar! No entanto, o poder que o estatuto de Papa tem perante o mundo, confere às suas opiniões e afirmações uma vital importância, o que pode dar azo a que nem sempre sejam inofensivas e inocentes, porque passíveis de influenciar todas as pessoas incapazes de pensarem pela sua cabeça, logo, de formarem opiniões próprias! O que ele disse não passou de mais uma tentativa de legitimar a criação de novas frentes que se imponham aos homossexuais! Vamos ver se um dia ele ou outro Papa não tenha que, mais uma vez, pedir perdão à humanidade!

  30. Sempre que se discute da justiça ou injustiça de considerar a homossexualidade normal, aceitável, chovem opiniões, com argumentos e mais argumentos. Mas ainda não vi ninguém preocupado em estudar cientificamente a origem do comportamento homossexual. Será que é uma ideia generalizada, no actual século XXI (!) ser o homem constituído por um bocado de Deus chamado “Alma” impregnando um corpo de animal parecido com um macaco?
    Parece que sim! Hoje, ainda poucos homens se aperceberam que o Homem é somente mais um animal, que, pelas mesmas razões que a girafa tem um pescoço grande, tem ele próprio um cérebro grande. Por razões de sobrevivência. A partir daí talvez não seja muito difícil entender a razão que levou a Evolução deste animal a abandonar os mecanismos reguladores do impulso sexual (como o cio) e a substitui-los por outros mecanismos mais complexos, também para servir a necessidade de sobrevivência. Quanto mais sofisticados são esses mecanismos maior é a probabilidade de surgirem falhas, enganos. Se um homem deseja resolver sua libido com outro homem é porque o seu corpo lhe disse que aquele era um bom parceiro para procriar. Não é grave, desde que ambos aceitem que essa forma de “resolver” a libido não conduz ao objectivo a que a libido se destina. O pior é que muitas vezes não aceitam… e fazem figuras tristes que envolvem adopção e outras palermices do género.

  31. … e agora vem este Manolo com discurso de racionalidade darwinista.

    Vamos lá então. Milu dedico a ti, que pareces sinceramente empenhada em perceber melhor os outros para ajudar a uma sociedade mais harmoniosa, neste sentido maior, o que eu faço aqui é dedicado sobretudo aos rapazes, há uns tantos que se suicidam por coisas destas, outros ficam alcoolicos e sei lá que mais, tal é a pressão dentro da cabeça entre o desejo e o pecado.

    Finalmente o enunciado da Igreja é para manter o controlo, se fazem actos homo é pecado e têm que vir confessar, o controlo dos padres através do mecanismo da confissão, para saber coisas, quem é quem, o que faz, e etc.

    Como se um padre tivésse a possibilidade de perdoar em nome de Deus mais do que qualquer outro homem, acho isso obsceno também. Felizmente o Lutero tratou desse assunto.

    Em relação ao argumento darwinista ele cai por vários lados. O que diz a Teoria da Evolução em síntese? Diz que as espécies evoluem por mutações genéticas ao acaso e que são seleccionadas naturalmente as mutações favoráveis e eliminadas as outras, deletérias, porque as primeiras aumentam a vantagem adaptativa enquanto as segundas a diminuem. E como se mede a vantagem adaptativa? Através da permanência da espécie desde o registro fóssil, outros acrescentam a sua dominação, o que em qualquer caso se faz pela reprodução sustentada ou crescente.

    Mas atenção: considerar que a reprodução em número crescente é a medida do sucesso já é um desvio, ligado ao tal conceito de dominação, já não de sobrevivência, embora lhe seja imputável no sentido de que a dominação é a melhor garantia da sobrevivência, o que é um erro como se está a ver nos dias de hoje.

    A melhor garantia da sobrevivência é a simbiose, onde todas as partes contribuem para a articulação do todo, que já agora seja harmonioso, bonito e misterioso. Olha aquele cão chileno que foi buscar o seu semelhante moribundo só para aquele não morrer sózinho no meio dos carros e depois bazou que não queria ficar na foto, belo herói.

    Como alguém aqui lembrava há dias os bosquímanos viviam integrados, não matavam a floresta que lhes dá os dons, passe o pleonasmo, não se voltam contra a mão que os sustém.

    Depois há casos interessantes como a Ilha da Páscoa.

    Faz parte da regulação ecológica da reprodução e homossexualidade, muitas vezes junto com a hetero formando a bissexualidade, permite divergir a pulsão masculina que é constante para todo o lado. Vocês mulheres têm ciclos de desejo, nós homens é sempre, enfim. Não te esqueças que seimion, sinal, é a origem de sémen, semente, e somos nós machos que regamos isto tudo. Vocês, mulheres são receptáculo, khôra>, nós somos vectores.

    Para aqueles que acham que é um desperdício, não, não é. Os guerreiros sempre tiveram de ser uns para os outros porque precisavam de se dar testosterona uns aos outros qb também. E afecto, mas deixemos de lado, sabes não havia anti-depressivos, em várias culturas que marcantes, os rapazes deviam crescer junto a homens mais velhos, considerados virtuosos para lhes aprender as virtudes. Isto que era um caminho para a virtude, que vem de virtus, que por sua vez vem de vir, é a raiz da palavra vector, e que também está ligado ao virens, verde, foi completamente diabolizado pela igreja, para fazer valer as suas instituições, o seu poder.

    E isto tudo completamente à revelia de Jesus cá no meu ver. Faz-me nojo.

    A igreja quer os casais católicos a terem muitos filhos para os baptizar a todos e ficam com a salvação deles na mão. Não com o meu consentimento. A salvação está ao alcance de qualquer um, ou não, mas é todos por igual em directo com Deus.

    A tal ecologia do homem de que fala o papa arrasta da sua própria natureza as múltiplas formas de sexualidade, vê a notícia que eu deixei da exposição de Oslo lá em cima.

    500 anos depois anda a elogiar o Galileu, e o Bruno já agora? O G. sim, queimado vivo pelas suas heresias de ousar interrogar Deus.

    o Rato Zinger (obrigado Grunho!) mostrou melhor a cara de hiena

  32. Valupi: não quero impôr norma nenhuma, sejam todos livres, estou só a dizer que de tudo o que li, na Grécia Antiga, na Pérsia, em Roma e nos Celtas até ao século VI o comportamento bi parece ser o dominante, está muito falado por Posidonio o caso dos celtas, tens César, tens Alexandre, etc., tinham amantes homens e mulheres, o fogo sagrado de Mitra não se chama assim por acaso,

  33. bem, faltou um tag e há gralhas mas que se lixe,

    só mais uma coisa: essa história da sobrevivência do mais apto é uma treta, para já é sobreviver o quê? Mais uns aninhos? Ou deixar tantos filhos como o Neves? Olhe que isso não é garantia de nada, não há garantias gratuitas para si digo-lhe eu. O Malthus depois de uma grande dor-de-cabeça aos trinta e tais lá teve três filhos e nenhum lhe deixou netos. E conheço casos de famílias que chegaram aos mais que sete e nada, mas você também conhece a maldição de Aviz, ou Aviz-Habsburgo, não?

    quando muito é a sobrevivência dos mais sortudos, e mais corajosos parece que também ajuda

    aliás está mal traduzido: o survival of the fittest spenceriano foi depois adoptado por Darwin é verdade, mas quer dizer o mais adaptado, ajustado, ao ambiente, ao contexto, e isso envolve uma multiplicidade de valências e não aquelas básicas do quanto mais melhor que depois dá para o torto.

    em 1866 lá veio o fundador do termo ecologia, Haeckel, um darwinista confesso dizer que portanto, já agora, como os germânicos eram muito organizados verficava-se que tinham um lugar superior na civilização, porque tinham introduzido a ordem e a organização no sucesso reprodutivo, donde eram naturalmente os maiores …, darwinismo social.

    olha os mais ‘aptos’ tradicionais a caírem: Mad&Off, até os irmãos Lehman que era dos maiores bancos e sobrevivente por cima da depressão de 1929-1933 fez flop, tretas,

    (isto dá um jeitão porque eu andava farto de coçar-me a pensar quem eram agora os romanos, a única terapia segura neste país de Asterix, portanto agora são os banqueiros)

  34. Hoje, 25 de Dezembro, é dia de Paz e Amor, entre justos, infelizes, contentes, enganados e, se democraticamente bem espremidinho, até de fulanos descoroçoados por resultados de futebol. Cortesia aqui do Chico, um presente de NATAL para ateus e não ateus das várias denominações e paladares, que, sublinho sem a menor aragem de ironia, têm tanto direito como o resto:

    http://atheism.about.com/od/newschristmaswars/ig/War-on-Christmas-Propaganda/Beware-Dangers-Christmas.htm

    Isto é o que acontece quando se googla “Christmas 2008 Peace and war”. Primeiro hit de mais de meio milhão. Quem quizer que fique com uma ideia muito engraçada por quem é que a Internet dos cybernautas e alegria anda a torcer, que eu nisso já não quero ter responsabilidade nenhuma.

  35. obrigado pelo aviso Chico eu já não ligo,

    entretanto M, não quero é deixar algo por esclarecer: os filósofos gregos e nas palavras de Platão antes de mais Socrates eram muito disciplinados no uso dos seus poderes afrodisíacos. Socrates tinha feito a escolha de ser absolutamente amado por muitos rapazes belos e isso implicava a renúncia sexual propriamente dita,

    deixo aqui uma citação do Foucault:

    « Vimos que o comportamento sexual é constituído como domínio de prática moral, no pensamento grego, sob a forma de aphrodisia de actos de prazer que se referem a um campo agonístico de forças difíceis de serem dominadas;(…); e essa estratégia tende como que para o seu ponto de perfeição e para o seu termo, a um exacto domínio de si onde o sujeito é mais forte do que ele mesmo até no exercício do poder que exerce sobre os outros.»

  36. joão viegas, a Igreja não tem poder para obrigar ou impedir os Estados soberanos de legislarem sobre o casamento, e não precisas que to expliquem. Assim, não faz qualquer sentido a referência à dimensão jurídica a propósito deste discurso do Papa.

    Claro que todos podem falar sobre as temáticas da Igreja, tal como a Igreja se pronuncia sobre todas as temáticas da vida social. A liberdade de expressão existe para isso mesmo, para que qualquer cidadão comunique sem limites de ordem política. Mas, então, que se saiba do que se está a falar, se o objectivo for o de salvaguardar a inteligência do discurso. Neste assunto do casamento homossexual, é estulto esperar que a Igreja renegue a razão de ser do que defende: a “verdade” revelada e dogmática. Em nenhum passo da Bíblia, ou da História da Igreja, se propõe como legítima a união sacramental de dois seres humanos do mesmo sexo – e a razão é simples de entender: essa união é absurda, mesmo maligna, à luz da antropologia semita e judaica. Aliás, em nenhum lugar do Mundo pré-secular se instituiu esse modelo do casamento homossexual. Não se trata dum mero acaso da História.

    Estar a barafustar contra a posição do Igreja na questão do casamento homossexual é igual a protestar contra a afirmação da virgindade de Maria, a ordenação de sacerdotes estar vedada às mulheres, a sua apologia da vida humana mesmo no ecossistema intra-uterino, e um sem-número de concepções que decorrem dos pressupostos e derivados teológicos. Enfim, o que já farta é o facto de se continuar a protestar com a Igreja pelo facto de esta ser uma entidade religiosa. A Igreja não é uma ONG, partido político ou agremiação de bairro.
    __

    M, a defesa de uma qualquer posição política só indirectamente pode ser descrita como tendo “implicações legais”. Foi esse esclarecimento que te pedi; e com razão, como se atesta pela tua resposta.

    O 1º referendo não foi ganho pela Igreja, antes foi perdido pela demissão dos cidadãos-banhistas. Todos sabiam que já então a maioria queria o aborto livre. Seja como for, a Igreja tem tanto direito a tentar levar as suas avante como tu e eu.
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    Ateu, muito obrigado e feliz Natal para ti. Folgo em ver que estás completamente rendido ao mais puro espírito cristão.
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    Milu, o Papa, e a Igreja, não têm poder algum. Achas que alguém está impedido de fazer seja o que for por causa da doutrina e moral católica? Claro que não. O Papa tem é de respeitar e cumprir a sua função: ser Papa. Por isso, transmite as ideias da religião de que é o chefe. Isto é precisamente aquilo que ele deve fazer.

    Ainda estás numa atitude de subserviência cultural face à Igreja, fruto da nossa história nacional como país dito católico. Embora a tua prática diária como pessoa sem religião já em nada se considere limitada pela Igreja, ainda permanece essa memória ancestral de uma autoridade que continua a fazer difusas ameaças de condenações eternas. Quando te livrares desses receios, deixarás de te irritar com as evidências: as religiões partem de pressupostos radicalmente diversos daqueles que moldam as actuais sociedades seculares. Assim, não esperes da Igreja uma concepção científica, teologicamente neutra, da homossexualidade, porque tal nunca virá a acontecer.
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    Z, muito obrigado e Feliz Natal para ti, todos os dias.

    Quanto ao comportamento bi ser dominante, isso é uma questão que não pode ser aferida pelos relatos avulsos de algumas figuras da elite grega ou romana ou por certos documentos etnográficos. Até em certas tribos que praticaram formas ritualizadas de iniciação onde um homem deposita esperma na boca de outro (por exemplo), isso não confirma necessariamente a tese da matriz bi como referente “natural” , seja no entendimento da correspondência à “natureza”, seja no de ser o mais comum. E não o é, em lado algum.

    Mas o assunto é fascinante, claro.
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    Manolo Heredia, para um ser humano o que há de mais natural é a cultura. Assim, a sexualidade humana não está sujeita a uma finalidade “natural”, sendo também utilizada como veículo de sensações, afectos, sentimentos e até de ideias artísticas e experiências místicas. A capacidade de procriar não nos limita o potencial de experiência possibilitado pelos órgãos sexuais e respectivas energias. O sexo é mais uma das formas de expressão da interioridade, do que nos dá originalidade como pessoas, o que faz da homossexualidade não um desvio ou erro, mas um outro modo de se ser humano.
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    CHICO, muito obrigado pelo presente de NATAL. Não te esqueças é de que contamos com os teu presentes o ano inteiro, e não só agora em que até parece mal não dar nada a ninguém.

  37. Valupi,

    Pesistes no mesmo erro : um clube privado (por exemplo uma discoteca) que exclui negros, por serem negros, comete uma discriminação proibida por lei. O que se aponta à Igreja neste caso é da mesma indole. Ha uma complicação porque o casamento é ao mesmo tempo uma instituição civil e um sacramento (para os catolicos), mas o respeito do principio da igualdade (reclamado pelos que protestam) faz sentido num caso (questão de politica legislativa na qual a Igreja pode obviamente ser censurada por procurar influenciar as coisas no sentido errado), como no outro (se a Igreja excluisse os negros do casamento catolico, estaria obviamente a cometer um ilicito).

    O resto dos teus comentarios situa-se num plano diferente, que consiste em dizer que a instituição casamento, que é o resultado da tradição, da historia, etc, implica uma união entre pessoas de sexo oposto, pelo que não ha que aplicar o principio reclamado pelos criticos (argumento que se pode apresentar assim : não ha desigualdade pois os homosexuais podem casar-se, desde que o façam com pessoas do sexo oposto…). Mas o que os criticos contrapoem a este argumento é que a instituição deve evoluir com a sociedade. Por exemplo, a idade minima evoluiu. Portanto não ha razão para se excluir a sua aplicação a casais que apresentam exactamente as mesmas caracteristicas do que os casais heterosexuais que podem celebrar casamento.

    A discussão é legitima. Agora não é estulticia nenhuma exigir da Igreja, como de todos, que o faça respeitando os valores de igualdade que estão na base do nosso ordenamento juridico (e do cristianismo), inclusive na medida em que esse respeito implica em termos de limites à liberdade de expressão.

    Tu insistes em recusar a analogia, mas ela é legitima e bem expressiva : se o papa viesse hoje defender que os negros não devem poder casar, ou que so devem poder fazê-lo aqueles que não são completamente selvagens, pois são os unicos providos de alma, tu com certeza acharias os protestos completamente legitimos…

  38. também para ti amogo, muitas felicidades todos os dias, e obrigado por manteres este symposium onde todos aprendemos.

    não negoceio valores em que acredito, nem por bens nem por afectos, mas posso mudar quando assim me convencem da razão, aconteceu aqui no Aspirina, tornei-me javardo ibérico (facção endovélico) à conta dos argumentos bem fundados do Nik, secundados por aquela tirada do Nemésio enunciada pelo JCFrancisco.

    e também não é por andar à batatada noutra coisa qualquer que confundo planos

    sobre a homo não falo mais, teria de entrar num domínio que já constituia devassa da privacidade de quem em mim confiou sem palavras, não se trataria de nomes mas de traços de comportamento que mesmo assim configuram tipos. Peixe é tipo de Cristo discutem os exegetas da Biblia, fica assim.

    Hoje acabei a Republica VI, VII e portanto a última tarefa é convencer os filósofos a governar. Ora acontece que ‘eles’ não querem, mas eu estou ali a estudar a lição, fica a proporção platónica no ar:

    o Bem está para a Verdade assim como o Sol para a Luz

    Acabo assim, com o nosso presidente-escritor, homo obrigado a renunciar, um bom homem, viveu os últimos anos num quarto 13 dum hotel da Argélia, gostava de tê-lo conhecido, foi bom o Sampaio ter ido lá homenagear, último ou quase gesto de Estado do seu mandato. Dead can dance.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Teixeira_Gomes

  39. (Valupi, saíste amogo em cima que não sei o que quer dizer, deve ser amigo com o, mas olha vai ver a página de entrada do Sol online: o trono papal e macacos me mordam se não está lá um ovo de sombra mesmo escarrapachado por debaixo do brazão! Portanto, se bem me lembro ficas o metabarão e eu o homem_cão, não?)

  40. Vakupi, gostei da parte sobre a Igreja. Pergunto a mim próprio por que razão tantas pessoas se escandalizam com os ditames de uma instituição à qual não estão vinculados. Deve ser porque julgam mais seguro conduzir as suas vidas segundo práticas aprovadas por essa instituição, não vá o Diabo tecê-las!

    Z, você só deve ter lido a contra-capa dos livros do evolucionismo. À boa maneira dos detractores de Darwin, diz umas frases certas e a seguir tira conclusões que são a negação dessas verdades! Só lhe faltava dizer que os códigos comportamentais de sobrevivência inscritos no ADN se referem à sobrevivência da Raça!
    A principal arma para a sobrevivência é, foi, e será sempre o egoísmo do indivíduo. É o indivíduo que tem que sobreviver. E sobreviver não é a finalidade última, é um meio para atingir a idade adulta, a idade para procriar. Há 2000 anos a esperança de vida do homem médio era de 30 anos. Há 1.000.000 de anos não chegaria aos 20.
    Também nunca deve ter ouvido falar dos memes (as boas ideias). Da forma como a cultura se propagou no tempo, mesmo muitos milhares de anos antes do aparecimento da escrita. Da forma como o conjunto desses memes pode condicionar o comportamento do indivíduo, contrariando até os ditames do ADN.

    O argumento que já no tempo dos Gregos e dos Romanos a bissexualidade era natural, é uma falácia. O que havia era senhores com escravos para todo o serviço. Quando as mulheres não estavam para os ajustes, ou estavam longe, dava muito jeito ter à mão uma ordenança, normalmente muito jovem, que os masturbava das mais diversas forma. Tinham peles lisas e macias, como as das mulheres jovens. Ainda por cima sem o perigo de engravidarem.

    O perigo de estudar cientificamente a origem da homossexualidade é, efectivamente, o de virmos a confirmar que 70% dos homossexuais derem nisso por decisão racional, do tipo “provei e gostei, e como é mais fácil, aderi”. Grande parte são recrutados com ardilosas manhas do Loby Gay, ainda muito jovens, como os Romanos.
    Sejam homossexuais á vossa vontade, mas não atirem poeira para os olhos dos incautos! Não é um comportamento Natural.

  41. Heredia, infelizmente para si não só estudei Malthus e Darwin como estudei Genética e Sociobiologia e não teria qualquer medo de discutir consigo perante o palco do mundo.

    Mas não vale a pena creio, a sua e a minha posição estão suficientemente explanadas acima.

    A redução darwinista e apenas isso, uma redução, tem a sua validade enquanto redução e não mais. Difusão de semes e memes é o que faço.

    Quanto ao natural leia isso se tiver coragem e souber inglês, à terceira é de vez:

    http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/6066606.stm

  42. mas portanto para lhe responder à letra no seu código: a homo e a bisexualidade são naturais sim, fazem parte, ajudam ao equilíbrio, dentro da variedade de equilíbrios que faz uma variedade semântica da Natureza, ou por outras palavras a homo e a biissexualidade não foram eliminadas pela selecção natural, como se comprova abundantemente, e até parecem amplificadas nesta fase.

    de um ponto de vista darwinista estrito a homossexualidade era coisa para estar fossilizada há milénios,

    como todas as estratégias adaptativas têm base genética, seja porque estão programadas como operão, ou apenas porque não contrariam, permitem, fica provado que a Natureza utiliza essa estratégia adaptativa para compensar outras em nome de um bem maior, o equilíbrio do conjunto,

    ou seja há realmente três sexos {m,f}, {m,m}, {f,f} e não dois

  43. Z, obrigado pelos links, não sou dos que se inscrevem em clubes disto ou daquilo, gosto de pensar pela minha cabeça e, se for caso disso, não tenho qualquer problema em mudar de opinião.
    No entanto nada do que eu disse me parece estar cabalmente rebatido pelos seus textos posteriores (veremos se consigo assimilar as ideias dos links).
    Não me parece que seja previsível, à luz das ideias evolucionistas, a extinção da homossexualidade, isso só seria previsível se a homossexualidade diminuísse a capacidade de procriação dos homossexuais, o que não acontece. A grande maioria dos homossexuais têm filhos, porque são férteis e porque os seus percursos de vida assim o determinaram.
    Há meses o Diário de Notícias dizia que todos os anos, só em Portugal, nasciam 20 crianças sem o sexo definido, fisiologicamente. É de prever um 200 outros tenham características congénitas dessa indefinição mas sem evidência macroscópica. Nesse aspecto é natural que haja homossexuais, os verdadeiros.
    Nos macacos, nossos tetra-avós, ela é já bem clara, sobretudo como meio de dominação / submissão.
    No homem o que está em causa é o aumento anormal das pessoas que tomam essa opção influenciados pela propaganda e acomodados pelo facilitismo pois, à partida, é muito mais fácil compreender o corpo do outro entre pessoas do mesmo sexo do que entre pessoas de sexos diferentes, já sem falar dos aspectos de sensibilidade associados ao género. Tem que concordar que essa propaganda não é de todo inocente!
    Felizmente a pedofilia foi criminalizada – dantes era considerada atentado ao pudor – e essas práticas foram responsáveis durante muitos anos pelo aumento das fileiras dos homossexuais. Nas cidades de província não era nenhuma vergonha “ir aos paneleiros ganhar umas coroas”-
    Divulgação maciça do “orgulho gay”, da necessidade de legalizar o casamento homossexual, da normalidade da adopção de crianças por homos para aplacar a frustração da infertilidade da relação, só criam um clima propício à decisão de se tornarem homossexuais os jovem na puberdade, que passam a considerar essa uma decisão normal. Quando em muitos casos não é normal.

  44. Z , eu acho que naqueles tempos passavam a vida em guerras e claro , mulheres nos campos de batalha não havia , o que somado ao facto do medo dar tesão…Topas? O que vem à rede é peixe. No caso do Socras e outros filósofos , pode ser que todos eles fossem como o Foucault e apenas aproveitassem o dom da palavra para satisfazer a líbido , enrolando os putos.

  45. Boa noite. Eu só vim cá dizer que à noite não funciono bem, ou seja tinha de tomar um café para responder de jeito, e só em caso de guerra é que tomo café à noite. Portanto amanhã de manhã venho cá. Deixo só dito que acho muito bem que as pessoas pensem pela sua cabeça, aliás a minha vida é essa aposta, e que não estou cá para convencer ninguém, mas estou para defender uma posição, sim. Amanhã explicito.

  46. joão viegas, entendo por que razão te agarras ao exemplo dos pretos: é por ele ser absurdo. Isso permite-te adiar o confronto com a realidade: ninguém está a impedir pretos de casar. Sendo assim, ocupa antes o teu esforço intelectual com a presente discussão: o discurso do Papa e a posição da Igreja quanto ao casamento homossexual.

    A Igreja tem tanto direito de se recusar a sacramentar a união matrimonial homossexual como tem de não ordenar sacerdotes do sexo feminino, ou como tem de instituir os votos de obediência, pobreza e castidade aos que pretendem ser ordenados adentro da Igreja Católica, para só dar dois exemplos básicos. Isto é óbvio. Porque a Igreja usufrui de um estatuto jurídico diverso do dos organismos civis.

    Começa a ser alarmante não entender que pedir à Igreja para se reger por normas de “igualdade” secular é o mesmo que pedir à Igreja para deixar de acreditar em Deus segundo a sua tradição e vontade. Isso é imbecil, esperar que a Igreja deixe de ser uma instituição religiosa – portanto, não democrática, não secular, não civil – é imbecil.

    Quanto ao que dizes que eu digo sobre o casamento, estás a delirar. Eu não defendi nenhuma concepção sobre o matrimónio. E, se for pelo civil, não tenho qualquer objecção a que duas pessoas do mesmo sexo celebrem esse contrato. Aliás, até podem ser mais do que duas. Os contratos poderão ser feitos à medida da imaginação dos contratualizantes, pouco me importa.
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    Z, “amogo” fica muito bem.

    Já agora, Platão (salvo erro, nas “Leis”) não abona a homossexualidade.
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    Manolo Heredia, o peso da Igreja ainda é grande no inconsciente colectivo porque Portugal esteve cultural, intelectual e civicamente a definhar no Estado Novo. A democracia veio dar um enorme abanão, mais tem sido lento o acordar para a liberdade interior.
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    Z e Manolo, a questão relativa à “iniciação” homossexual é muito importante. É sabido que em muitos casos está ligada a actos de violência física (violação) e de violência afectiva (carências e transferências manipuladas). Isso explica grande parte da homossexualidade na Igreja, por exemplo. A Igreja é um vastíssimo e decisivo campo de investigação da sexualidade, assim eles estivessem prontos para se atinarem melhor com o Espírito Santo e aceitassem ser objecto de estudos.

    A questão genética também é fascinante, pois há uma crescente antecipação de existir origem genética para a homossexualidade (ou, se calhar, para certos tipos de homossexualidade, embora outros possam ser de origem ambiental, como se sabe das prisões, exércitos e outras situações de ausência de mulheres ou de homens). À pergunta relativa à transmissão de um legado genético que aparenta não favorecer a reprodução, a resposta terá de remeter para as forças sociais que desde a mais remota antiguidade faziam do casamento uma unidade económica, não romântica. Era normal um homem estar casado, porque era normal um homem ter uma empregada/escrava e uma reprodutora. E seria normal uma mulher casar e engravidar, sendo irrelevante a sua inclinação sexual. Por aí, não há qualquer surpresa. E também se sabe que, na actualidade, há homossexuais que querem ser pais biológicos, tanto homens como mulheres.

    Enfim, muito para descobrir nesta área que é também um palco de disputas ideológicas.

  47. ah, Valupi, vinha aqui a rosnar porque me tinham cumido a kpk, mas afinal és tu, 55 no I Ching é o número da grande abundância, para ti está bem, a menos de uma coisa lá em cima do bigodes, mas eu vou lá morder.

    Heredia: se viu o link da esposição de Oslo, só pode concluir uma coisa: a selecção natural favoreceu a manutenção de comportamentos homossexuais, mais correntemente bissexuais, para a sobrevivência equilibrada das espécies. Assim se comprova, ponto final.

    a sobrevivência não é só reprodução, mas sustentação, e pelo contrário uma reprodução excessiva tem como contraponto pragas, doenças e no caso dos homens, guerra, para repôr equilíbrios demográficos ou, mais abrangente, pegada ecológica, no sentido mais geral do equilíbrio do bioma.

    além disso não há darwinismo e luta pela sobrevivência que sustente o caso do cão chileno que vai buscar o seu semelhante moribundo no meio dos carros, ou a história de uma cadela que conheci que nunca teve filhos e fez leite para amamentar um gatinho e outras histórias assim,

    o darwinismo baseia-se num único eixo a struggle for existence, é o próprio Darwin que diz que o que fez foi aplicar o programa de Malthus à Natureza.

    Não nego a existência desse eixo, mas acrescento-lhe um outro a que chamei biofilia, depois descobri que outros já o tinham dito, um amor entre o que é vivo.

    mas não é preciso isto para dizer o que está dito acima: na lógica estrita da selecção natural darwinista conclui-se que esta preservou os comportamentos homo nas espécies ao invés de eliminá-los,

    não subscrevo a tese que existem genes homossexuais, desconheço, essa seria uma determinação forte demais que não tenho base para afirmar, mas pode-se afirmar que existem genes que permitem, não contrariam, a homossexualidade, isso é óbvio, portanto esses não foram seleccionados negativamente

    portanto é deixar de ver as coisas a branco e preto e ver o arco-íris todo,

    é normal que haja um recrudescimento da homossexualidade nos tempos que correm, há um excesso de pegada ecológica como está por demais comprovado nesta crise toda que por aqui vivemos, há duas maneiras de mexer nisso, baixando a população ou baixando a taxa de consumo per capita, ou ainda uma terceira: positiva, aumentando a capacidade de sustentação de uma maneira inteligente, e dando atenção às outras duas variáveis, felizmente como diz o Valupi temos todos oportunidade de deixar de ser consumistas agora, embora isso tenha implicações na economia real que também são chatas: desemprego.

    o consumismo aliás vive da descompensação afectiva de todos nós, incluindo dos miúdos, foi uma jogada diabólica do capitalismo: induzir mecanismos de repressão da afectividade para pôr o pessoal todo a encher-se de coisas

    sou completamente contra o abuso sexual de menores, aliás nem percebo como se gosta disso, infelizmente quase todos os dias vem no Correio da Manhã histórias de abuso sexual dentro das famílias tradicionais: o pai, um tio, um avô, normalmente com alcool à mistura. Esta eu deixo para você explicar.

  48. mf, só falas de rapazes, eu não tenho nada a ver com isso, esses eu amo-os à distância, luto para que eles tenham um skatepark, parto pedra para eles, e eles depois passam por mim na rua e fazem cavalinhos, e eu só peço que não se espalhem, felizmente não acontece.

    já o Heredia também só fala do predador maligno, existem sim, basta ir ao Museu da Cidade de Lisboa e ver o retrato do intendente Pina Manique, e outros, agora tomarem só esses como se fossem os únicos, não.

    ms: pelos vistos não te diz nada a história do amigo, era assim que Aquiles e Patroclo se amavam, e Alexandre e Hefestion também.

    aqui sim tenho de dar razão ao Heredia, há um qualquer efeito mimético narcísico que facilita o encontro e a fusão,

    entre guerreiros havia muito sexo, Posidónio refere numa carta para Cesar que aparentemente os gauleses preferiam fazer sexo entre homens do que com as mulheres, César por sua vez era dito esposo de todos os homens de Roma. E não era só por isso que dizes, era porque precisavam de dar-se uns aos outros testosterona.

    o Batalhão Sagrado de Tebas era uma pequeno exército de 150 casais de amantes homo, erastes, era famoso porque derrotou exercitos muito superiores – quando um dos amantes perdia o outro não podia voltar a combater até arranjar outro comparsa. Depois foi esmagado pelo exército de Alexandre no seu périplo pela Grécia: para se instituir capitão-geral deu cabo de Tebas, foi terrível, só que com isso as outras cidades-Estado da Grécia renderam-se e pronto, cederam os exércitos. Os sobreviventes do BS integraram em lugar de honra o exército de Alexandre.

  49. M, e tudo isto por tua causa. Não esqueças que eu lego a minha luta aos rapazes, tá? Os tais com quem não estou, de 25 anos para baixo, que às vezes sabe-se lá como estarão descompensados dentro das cabecitas deles.

    Deves estar mordidinha a perguntar porque é que eu não gosto de mulheres, claro que gosto e sabes isso, e andei com umas tantas, mas fazem um cerco tal que às tantas não aguento e bazo, e elas ficam lixadas e vingam-se. Então resolvi fazer uma birra até isto ir ao sítio, se é que vai.

    As mulheres fazem isso mas não é por mal, é a sua natureza básica muito territorial, a khôra transposta para a buceta, mas enfim, acima disso, espera-se, há a inteligência e o amor pelos filhos.

  50. Valupi: fiquei contente de ver que não tens objecção ao casamento civil de mais que dois, porque realmente se o sexo é uma unidade relacional o que eu escrevi acima foram os três sexos de base 2, ora quando passamos para base 3 fica: {m,m,m}, {f,m,m}, {f,f,m}, {f,f,f}, os quatro sexos triangulares (na linguagem de conjuntos a ordem é irrelevante).

  51. e portanto, para finalizar: as diferentes orientações sexuais, ainda por cima com alguma mutabilidade no tempo, contribuem para regular diferentes pontos de equilíbrio do compromisso reprodução*sustentação, e como tal devem ser vistas como complementares nesse processo.

    O abuso sexual de crianças e jovens deve ser criminalizado, como está

    no resto há que viver de acordo com o artº 13º da Constituição da Republica Portuguesa e apenas isso

  52. Pois por acaso tenho os ombros larguitos, Z.

    Sou muito mais terra-a-terra e gostei de ler o teu relato ecológico, a bird’s eye, desde as antiguidades.
    Estudei cultura clássica mas tudo muito discreto, o que dizia respeito ao sexo era metaforizado. O máximo que se concedia era que os que se dirigiam aos Mistérios para iniciação passavam por uma ponte do alto da qual ‘proferiam muitos palavrões’ para as águas e assim chegavam ao templo limpinhos e aliviados. O que faziam lá dentro consta que não se sabe ao certo. E se se diz que não se sabe, é porque é assim, mas dá para adivinhar.
    E o Pátroclo também não merecia comentários, passava-se pela leitura como se se estivesse a descrever uma voltita na ágora antes do jantar.

    E continuando com o terra-a-terra, admiram-me as discussões intermináveis que a homossexualidade origina para tentar denegar o que existe, está lá. Se existe e está lá, seja de deus ou da natureza, é tão filha das deidades como a heterossexualidade.
    Confesso não ser fácil ‘entender’ o que é gostar de pessoas iguais, penso que só mesmo os bissexuais terão a aptidão de comparar (os homossexuais não ‘entenderão’ o que é gostar de gente diferente), mas os juízos morais é que eram escusados. Moralizar sobre o que é, o não mutável, é inútil. E absurdo.

    Ponho aquela catrefada de palavras entre aspas porque não sei expressar bem a diferença entre o saber/raciocínio e o saber/sentimento, já que para entender o mundo e os outros a inteligência emocional é indispensável.
    Olha, acho que estou como o Camões, pertenço à era pré-psicólogos na utilização das palavras, mas tu que és habilidoso preenches as lacunas.

    Acho mesmo que gostas de mulheres, isso é visível no modo como falas delas e com elas, o que não implica necessariamente que não as coloques no mesmo patamar que os rapazinhos abaixo de 25 anos.
    Só não concordo contigo que o cerco seja exclusivo delas. A natureza ‘natural’ tem sido muito polida pela vidinha e não sei o que é genes e o que é construção. As estatísticas dizem-nos que a percentagem de adultérios está ela por ela e que são as primeiras a porem-se a andar quando se sentem abafadas.

    E já agora, para compensar um pouco essas cabecitas descompensadas (não vás por aí, descompensados andamos todos, por um motivo ou outro):

    http://dotsub.com/view/5f6dfce7-2e36-43da-b9c8-8aaee0d3c942

  53. Obrigado M. Não, não foi exercício de manipulação, foi sobretudo para ti que escrevi isso tudo, imagino-te pessoa justa, que não se importa de ter uma dor de cabeça para entender melhor os outros e contribuir alguma coisa para a integração, a inclusão, mantendo a distância crítica pois claro.

    Não por mim, a minha vida está feita, o barco segue no mar e logo se vê, mas por esses mais jovens, mais frágeis, sei lá.

    homofobia medo do mesmo, medo de si no outro, medo do outro em si, e fobia mais propriamente é medo que paralisa,

    não que eu ache que quem discorda seja necessariamente homofóbico, isso é estigmatizar a crítica e torna-se desonestidade intelectual, mas que aqueles que o são possam também aliviar isso é o meu voto, para seu próprio bem também

    american beauty

    Por coincidência tinha acabado de vos escrever isso e fui ver as notícias online, Correio da Manhã, Douglas Barcellos morto por aqui em Carcavelos, corpo encontrado quarta-feira, tinha vindo participar numas filmagens sobre Cristo:

    http://www.imdb.com/media/rm4122249728/nm1707718

    importas-te que lhe dediquemos o nosso diálogo?

  54. olha uma coisa engraçada: estou a começar a escrever uma digressão curta sobre a inversão do tempo, não é o andar para trás, é a inversão multiplicativa, e parece que dá uma coisa bonita, mas então a sacar um livrinho sobre o tempo ali na minha estante saiu-me uma colectânea de cartas de Fernão Mendes Pinto e outros documentos, tem uns portulanos magnificos e foi por isso que comprei, no milénio passado,

    ainda vamos conversar sobre as índias

    eu estava à caça dos diamantes de Bornéu agora me lembro

  55. E portanto Ratzinger convoco sobre ti o fogo sagrado e amanha-te lá com os teus,
    o que disseste leva ao contrário
    como só podia ser

  56. (é curioso, na primeira notícia que li desse Douglas falavam que ele tinha cá vindo representar em não-sei-quê de Cristo, mas agora já não é essa história, tanto faz, fica na mesma)

  57. Não sabia quem era o Douglas, fui ler umas tantas notícias e vejo que a polícia anda muito misteriosa, nem a causa da morte avança e mantém a curiosidade jornalística em banho-maria. Mas podemos dedicar-lhe estas palavras, claro, um rapazinho tão bonito e acabar assim ingloriamente em Portugal.
    O Mistério da Estrada de Carcavelos.

    Não sei se sou justa, acho é que mais um caso de pouca tolerância gástrica a moralidades beatas, como se mil milhões e meio de almas tivessem que prestar contas da sua vida a meia dúzia de controladores.

    Ainda a propósito do que dizes atrás, penso que a maior ou menor abertura em relação a práticas sexuais não reprodutivas (e não só a homossexualidade) tinham a ver com as necessidades dos tempos. Em épocas de grande mortalidade e de carência de braços para o trabalho e para a defesa, é natural que o desperdício de genes fosse mal aceite. Depois as igrejas, ao aproveitarem para manter as populações de rédea curta nos templos e nos confessionários, transformaram a natureza em pecado.

    O mesmo se passa com a instituição do casamento, que já fez muita falta ao longo dos tempos. O Engels fala de segurança na transmissão dos bens, mais tarde a não dispersão da propriedade obriga a contratos fechados onde o amor não tinha qualquer papel (e ainda não tem em muitas partes do mundo, é um luxo extra se vier com o dote). Hoje as sociedades ocidentais podem dar-se à magnanimidade de apadrinhar o amor, a estrutura social que sustentava a imprescindibilidade do casamento já não existe.
    O Ratzinger é que precisa que o negócio continue.

    Explica lá isso da inversão multiplicativa, não me lembro de a minha matemática ter ido tão longe.

  58. tens toda a razão, deve-se ver os estímulos ou a contrariedade em relação ao casamento e à reprodução no contexto da variedade dos equilíbrios das formações económicas e sociais,

    até às lutas liberais cá em Portugal vigorava o morgadio, um fideicomisso sucessivo, para evitar a fragmentação da propriedade, e os outros filhos iam para a tropa ou para os conventos,

    o que me irrita é que somos herdeiros forçados do AT legado de uma civilização traumatizada, desde que os sumérios fizeram a irrigação e provocaram a salinização dos campos que aquilo lá no MO começou a dar para o torto,

    não vou querer erradicar o AT que é cultura e muito interessante, mas vou desconstruí-lo sempre que achar por bem,

    só que é muito melhor cá para a minha sensibilidade flexibilizar as sexualidades não reprodutivas (embora aí ainda haja uns mecanismos ínvios da Natureza de que a ciência não fala, e tem a ver com aquele espermatozóide negro que ia no filme do Woody Allen) do que fazer sacrifícios humanos como as civilizações meso-americanas ou os fenícios, para cortar as gerações reprodutoras, ou entre nós, a guerra

    rapaz bonito sim, gato, gatão mesmo, pelo que li passou a noite a correr de bar em bar à procura do amigo que não encontrou, depois consigo imaginar umas coisas, tristeza,

    nem de propósito: seta certeira em mim e no que pensava e escrevia por aqui,

    tive que deixar o inverso multiplicativo do tempo de lado, porque não tinha tempo de reamatar antes do fim do ano e quero deixar uns votos no ar: causticas, chama-se assim, mas depois volto lá e conto-te, apetece-me deixar-vos (o vos é muito lato) um cheiro de eternidade fundamentada, embora difusa

  59. cheira-me que se o rapaz (eu sei que é homem, mas apetece-me chamar-lhe assim) tivesse visto o teu vídeo, ou tivesse encontrado o amigo, a história não teria aquele final. Fizémos bem em dedicar-lhe isto, fica em paz rapaz.

  60. Sim, também me parece que a história anda por aí. Ou então já é tresler, mas o enredo parece da série B.

    As notícias que li na net eram desencontradas, tinha mulher, não tinha mulher, tinha filha, não tinha filha. Isto não quer dizer nada, só enredava mais a vida de todos, mas veio um irmão e afirmou que o rapazinho era solteiro e ‘vivia como solteiro’.

    Estamos esclarecidos, mas na mesma com pena de quem vai tão novo e de morte violenta. O que quer dizer evitável.

    A atitude da polícia/média é que me parece incomum. Isto não é propriamente o caso Maddie, mas dava umas boas horas de televisão a baixos custos.

  61. Sim, adoro história. Ainda me passou pela cabeça inscrever-me, até porque tinha equivalência a umas coisas que já tinha feito, mas desisti porque não era compatível com o meu trabalho.

    Se é que era isso que me perguntavas…
    E gosto de cruzar a história com a história da(s) língua(s).

  62. dispenso a história mediática do Souza, agora vêm as hienas necrófilas lamber-se, haja respeito pela privacidade dos mortos, se se concluiu que não foi assassínio fechem o caso.

    Gostava de o ter conhecido sim, gostaria que nos tivéssemos rido disto tudo, li que ele tomava banho nos sítios mais insólitos porque se sentia impuro. Ele era Peixes e Peixe é tipo de Cristo,

    devia estar com a cabeça em brasa sem nenhum lugar de descanso,

    descansa em paz agora, num espaço-tempo estranho estou contigo,

    rato zinger vais levar com o Incal.

    —–

    caço diamantes históricos, são muito bons marcadores dos poderes, eu só caço aonde eles estavam aonde, como índices, mas é só nas horas vagas, às vezes tenho muitas

  63. O rato reza por ele. Só não reza pelos actos dele, ou coisa assim.

    Esta doutrina da ICAR há-de ser sempre para mim um mistério.

  64. Z , tu falas dos antigos como se fossem quase deuses. não eram , eram iguais a ti , com as mesmas fraquezas e fortalezas. não faço juízos de valor. há coisas que simplesmente não me interessam , aquelas que não me dizem respeito. mas não posso ignorar que toda a gente quer passar a melhor imagem de si própria e quer encontrrar justificações em tudo para se validar. é errado , ninguém precisa da validação de outrém para existir. digo eu , pessoa que pertence a um sexo que vota há para aí uns 100 anos e que luta todos os dias para que lhe seja reconhecida a identidade como igual em direitos á masculina. relativa , a vossa luta , mais ainda tendo en conta a percentagem de intelectuais homo ( o socras , de certeza) no computo geral e que puxarão a brasa à sua sardinha.
    Eu acho que as pessoas são como são por alguma razão. se o leonardo não sofresse por ser “diferente” , a sua obra não seria “diferente”.
    Não sei se há vantagens em termos biológicos na homosexualidade , sei que há pessoas homo que trouxeram grandes vantagens ao mundo. e se não fossem homo? não sei , mas se calhar o caminho percorrido não chegaria aos resultados onde chegou. o sofrimento faz crescer.

  65. MF, estive três dias a pensar, intermitentemente, no que te responder.

    Afinal o Douglas já estava morto, não havia nada a fazer, ficou o amigo que não conheci em vida, já que não consigo melhor (mas olha que se me descobrisse um dia num abraço a outro igual, ou seja: ele, já não me admirava, ficava só contente, porque isto das coincidências tem muito que se lhe diga).

    Reconheço o terra-a-terra da escola do sofrimento como motôr mas não posso fazer o elogio, há muita gente destroçada, não posso congratular-me com isso, pelo contrário. A vida também é festa. E também é contemplação. A medida da comparticipação das três, e se calhar podíamos arranjar mais, é outro triângulo (aprendi esta brincadeira dos triângulos com o Peirce), onde sinceramente proponho que se trabalhe com gosto, algo em festa, coopetitiva, onde a cooperação tenha um peso maior que a competição é preciso não esquecer, continuamos com o eucaliptal como imagem dominante, o que feito da floresta mediterrânica, dos carvalhos, das oliveiras? As minhas forças não dão para estender esta proposta para lá da Iberia linkada com a América Latina e alguma Africa, mais que isso baralho-me não consigo aferir o peso das componentes.

    burroso, my dear friend, j’espère que tu n’as pas oublié o:

    braganza pharmakon, non?

    swallowtail catastrophe

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