No país dos loureiros – X

O caso BPN, independentemente dos resultados que as autoridades venham a apurar, e das respectivas consequências, permite retirar já duas lições da maior utilidade para qualquer português:

1ª – Caso te vejas à frente de Grupo detentor dum banco e com negócios nos sectores da agro-indústria, tecnologias de informação, cerâmica, cimentos, seguros e saúde, não faças reuniões com mais de duas pessoas. Estás a perceber? Mais de duas pessoas, por exemplo 9 ou 3, é demais. Evita. Reuniões com duas pessoas são aquelas que implicam a presença de outra pessoa para além de ti, mas é só. Estás a perceber? Se percebes isto, estás pronto para contratar ex-ministros do PSD.

2ª – Caso sejas ex-ministro do PSD, e tenhas de tratar de algum assunto no Banco de Portugal, não digas nada no local de trabalho, pede ajuda a um outro ex-ministro do PSD, e vai lá sozinho. Depois, pede para falar com o vice-governador a sós. Se for preciso, conta o episódio 7 anos mais tarde. Mas só se for mesmo preciso, não há qualquer necessidade de andar a chatear as pessoas com este tipo de assuntos.

11 thoughts on “No país dos loureiros – X”

  1. Oliveira e Costa pediu ao Loureiro para ir indagar junto dos seus amigos do BP porque é que andavam em cima do banco, a meter o nariz… onde eram chamados. O Beleza, há muito conhecedor das avarias do BPN (como qualquer português atento), baldou-se ao pedido de encontro do Loureiro, não o recebeu e encaminhou-o para o António Marta, que não é amigo do Loureiro e até é socialista. O Marta mandou-o para o caralho, coisa que fez muito expeditamente e bem. “Andamos em cima do BPN porque as operações do vosso banco não são nada transparentes nem auguram nada de bom.”

    Agora, na minha visão, o Loureiro mente descaradamente, porque como bem dizes, nunca há testemunhas do que se conversa, como na mafia. Diz que disse o contrário do que foi lá dizer, e aproveita para se vingar do Marta, que o mandou para o caralho.

  2. portanto isto andou tudo no cesto da gávea sem ninguém me dizer nada, é o que é.

    por mim basta olhar bem para as caras, embora concorde que isso não possa fazer prova jurídica, por exemplo aquele sanches é tenebroso, e o loureiro também

    que saudades que eu tenho dum Silva Lopes, por exemplo

    o que vale é que agora com a blogosfera e a internet le chasseur devient sa proie, já dizia o Giordano Bruno antes de ser queimado e o René Thom actualizou

  3. E não só as caras. Viste os olhos, cabisbaixos, a fugirem para debaixo da mesa? E a fala trapalhona, para as palavras caberem na frase.

    Quem viu este menino inchado, a falar de cátedra, reclinado no trono. Nem parecia o mesmo que se confessava em público.

    E já agora, porque não voltar à vaca fria? As vacas frias guardam muitos segredos e talvez o oráculo queira revelar porque é que afinal o Oliveira e Costa assinou um perdão fiscal de centenas de milhares contos a uns industriais de Aveiro, quando era secretário de estado dos Assuntos Fiscais.

  4. não vi não, M, gosto de me poupar a essas coisas, sabendo que há gente mais que suficiente que vê, e depois contam. Bastam-me as fotos online e dos jornais, para ver as fuças e o olhar, quando calha comprar.

    Bem, realmente isto começou com a falência do sr. Comissário, depois sr. Expo, Cardoso e Cunha, porventura, e é uma inevitabilidade genérica: de uma maneira ou de outra tem sempre que se cair da posição em que está, numa lógica de reciclagem e inovação, ora quando se está alto cai-se de alto

  5. Olha que não sei bem se irá cair de onde está. Como diziam ontem os ‘eixistas do mal’, vai-se a ver e o Oliveira e Costa é o Bibi do BPN. Primeiro preciso de entender porque carga d’água o PS não quer que vá explicar-se ao Parlamento. Há quem diga que é para o deixar arder em lume brando, há quem diga que é para não incendiar outros.

    Mas olha que há os que caem desafiadores até ao fim, como a Felgueiras e aquele dos futebóis que fugiu para Londres. Este não. Ou está muito aflito, ou adoptou a estratégia da humildade. Ou da aranha, como dizia o outro.

    Continuas com a ‘Peregrinaçam’? Lembro-me sempre de ti e da tua escrita suave quando folheio a adaptação pelo Aquilino. Foi uma bela ideia da Sá da Costa. “A… contada às crianças e lembradas ao povo”. Preocupações muito à República.

  6. sabes imenso disto – pois eu também acho que é parecido com o Casa Pia, aí foi a direita que atacou a esquerda, numa cunha tutelada pelo portas, agora é ao contrário e ainda bem, duas facetas normais em política: sexo e dinheiro.

    Tou quase, quase no fim da Peregrinaçam, só leio duas páginas por dia, quando acabar digo alguma coisa,

    agora tenho que ir passear que já esquentei os neurónios em ingliú e preciso de fotossintetizar

  7. no caso do Oliveira e Costa trata-se de dar um tiro no pato que seguia nessa altura na frente da formação – a partir daí o bando de patos muda de rumo e escolhe
    por senso comum outro lider.
    nada de anormal nas formações sociais (ou em gangs de aves de rapina)
    e o que é que a policia terá a ver com assuntos que se passam lá tão alto? népia
    aos “resultados que as autoridades venham a apurar” se dirá nada; apenas que voaram

  8. Com tantos ‘loureiros’ não acha que a previsão do NIC que países da Europa podem cair nas mão do crime organizado, num futuro breve, começa a fazer sentido?

    O crime organizado pode tomar muitas formas e ‘modus operandi’ diferentes…

    Na Itália alteram-se leis para proteger os governantes, cá, nem isso é preciso.

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