Isto da democracia não nos dá bons exemplos, avisa a SEDES

O País sofre diariamente os maus exemplos que chegam de cima e nenhuma sociedade pode resistir por muito tempo ao impacto negativo dos comportamentos desviantes da ética da verdade e da responsabilidade. A pedagogia do bom governo não é apenas um factor de credibilidade das instituições democráticas, mas uma bitola permanente para o comportamento dos cidadãos. O exemplo é sempre um factor superior do funcionamento das sociedades democráticas mais avançadas e não pode ser menosprezado.

Panfleto anti-socrático da SEDES

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A SEDES entrou na campanha para ajudar o PSD e apresenta a mixórdia de clichés catastrofistas que os seus autores vêm repetindo desde 2008. Se a narrativa não surpreende, o discurso tem interesse pelo que revela do estado decadente a que chegou a direita portuguesa. Obviamente, a SEDES não pode – em público – convocar Hitler para atacar Sócrates, mas já pode trazer a Primeira República para falar do risco de uma tirania. E de quem será a culpa por essa terrível e iminente ameaça? De Sócrates e do PS, olha o raio da pergunta, os tais que diariamente – e não será hora a hora? – dão maus exemplos ao povo. Exemplos desviantes da ética da verdade e da responsabilidade, especificam os signatários do alto do seu facciosismo ressabiado.

Tal é a sua aversão ao presente que até a data tem um ano de atraso:

24 thoughts on “Isto da democracia não nos dá bons exemplos, avisa a SEDES”

  1. Olhar para os subscritores do documento e lembramos o que andaram a fazer no governo e os tachos a que continuam agarrados só pode ser sintomático do ponto a que a falta de vergonha chegou neste pobre País.

  2. Sem crise internacional, só por incapacidade ou incompetencia, a seguir ao governo de tres sumidades como ministros das finanças – Medina Carreira com Soares, Cavaco com Sá Carneiro e João Salgueiro, com Balsemão – Portugal chegou à bancarrota no ano da graça de 1983!
    Agora subscrevem essa vergonha. Que topete! E não se pode denuncá-los?

  3. Lembro-me da Sedes nos tempos em que ela se aliava à esquerda para contestar a ditadura. Representava então, se bem me lembro, a direita da água benta, dita bem pensante e progressista. Até me parece que nesses tempos o Loucã, se por lá não andou, andou lá perto! Agora assume-se como aquilo que na verdade sempre foi: Direita e Católica. Só falta aparecer por aí o cardeal a dar-lhe a benção! Benza-a Deus e não a lamba o gato!

  4. é o discurso do fim do mundo, aliás onde quer que esse medina carreira entre é só esperar um pouco para surgir em nós um desanimo , uma falta de esperança, uma vontade de voltar ao inorgânico e espalhar-mo-nos pela natureza, a mão quase inerte procura o comando, e em agonia, conseguimos mudar de canal , é um horror de pesadelo em pleno dia.

    se o ps ganhar podemos ter a certeza de que muitos mais panfletos irão aparecer com o novo fim dos tempos, ainda pior .

    esta gente ainda não conseguiu meter na cabeça o que é uma democracia de sufrágio universal, esperemos que aprendam depressa

  5. Pensei que fossem começar o dia com uma justíssima crítica ao programa do PSD: a de falta de originalidade no que respeita à intenção de privatizar as Águas de Portugal, uma ideia que o PM demissionário (na altura Ministro do Ambiente) já teria antecipado com o então CEO das AdP, Mário Lino.

  6. há dias! pensei que isso tinha sido uma ideia do d. afonso henriques que não resistiu às manifs dos mouros.

  7. anonimo, isso nem pensar, se se candidatassem , teriam de responder pelo que fizeram enquanto governantes. Assim, mandam postas de pescada e ninguém os incomoda.

  8. Li o documento da SEDES com atenção e sem preconceitos, até porque só soube quem eram os seus Autores quando cheguei ao final. A minha opinião sincera, ANTES de saber quem são os Autores deste Manifesto (a depois de saber prefiro guardar para mim, pelo menos neste comentário), é a de que me parece um texto demasiado estreito, para quem se arroga defender o “desenvolvimento económico E social”, com uma linguagem muito virada para o mundo empresarial, como se a centralina da Nação fossem as suas Empresas. Enfim, apenas mais um textozinho pejado de lugares-comuns, relativamente pacífico e consensual, com essa limitação do excessivo estreitamento temático – nomeadamente com aquela citação parola de uma Associação Empresarial -, ou seja, sem uma visão elevada, abrangente e global das verdadeiras causas dos nossos actuais problemas. Ler e deitar fora, nada mais. Até a referência ao “exemplo do alto” não me soa a crítica a ninguém em particular, antes podendo ser dirigida a quem a nossa sensibilidade entender – uns dirão que visa Sócrates, eu poderei muito naturalmente ler que visa a classe política e intelectual de um modo geral, desde Cavaco a Vasco Graça Moura (que também está “lá em cima”), passando por Dias Loureiro, Souto Moura, ou Alberto J. Jardim. Nada de especial. Antes de saber quem eram os Autores, apenas me perguntei? Para que raio serve, afinal, uma treta de antanho com este patusco nome de SEDES?

  9. a sedes é o centro de emprego da chulice topo de gama, empresários falidos especializados em negociatas e gestores que ninguém quer, todos especializados em investimento privado com dinheiro público.

  10. Mira Amaral, Mira Amaral?
    Não estou a ver quem seja…
    Será um que está no Guiness por ser o maior cuspidor de gafanhotos da Europa?
    Um que tem uma reforma de 18.000 euros mensais (sim, dezoito mil) por ter estado cerca de um ano à frente da CGD?
    O outro, o Campos e Cunha, é um que também tem uma reforma deste estilo, do Banco de Portugal?

    Já estou a ver quem são.
    A lata desta sacanagem!!!

  11. oh joão dias. pára lá de replicar as atoardas do público. achas mesmo que se o socras quisesse privatizar as águas já não o teria feito, após 6 anos como pm? por favor, deixa-te de merdices…

  12. Não, não é verdade, confesso que me irritei ao ver aquela seita junta a destilar veneno e disse que o Mira Amaral estava no Guiness. Cospe muitos gafanhotos, mas, que eu saiba, não está no Guiness.
    Peço desculpa ao Val, ao Mário e aos leitores do blog. Julguei que a coisa passava, mas há sempre alguém atento.

    Quanto à reforma de 18.000 euros mensais (sim, dezoito mil) o assunto já foi, há bastante tempo, objeto de explicações públicas do próprio: que se aplicou o regime de pensões que vigorava na altura no Banco de Portugal, que não via qualquer anormalidade, dado o seu currículo, o ter estudado muito, o ter muita experiência, o ter elaborado muitos estudos durante a sua vida, etc, etc, etc..

    18.000 euros mensais (sim, dezoito mil) de reforma…por cerca de um ano à frente da CGD.

    Ponham já esse gajo à frente do país. Com os estudos que ele tem e os que elaborou, a experiência e sobretudo a falta de vergonha na cara, resolve-nos os problemas todos.
    Fosca-se!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  13. Penélope, para termos uma discussão (intelectualmente) séria o tema não pode ser um “moving target”. Recapitulando (isto já parece a história da TSU, mas vamos lá): Passos propôs a privatização das AdP; Sócrates reagiu qualificando a proposta de “irresponsável”; veio a lume notícia de que Sócrates, na altura Ministro do Ambiente, teria discutido com Mário Lino, na altura CEO das AdP, a hipótese de privatizar as AdP; Sócrates desmente a notícia; são publicados documentos que demonstram que o desmentido de Sócrates, vá lá, “não era verdadeiro”. Dito isto, eu próprio me interrogo porque é que o próprio Sócrates optou por desmentir em vez de dizer, simplesmente, que a hipótese tinha sido ponderada. Ah sim, espera, há uma razão: é que nesse caso não se percebia muito bem porque é que tinha estado a criticar Passos Coelho.

  14. Caro João Dias,
    a não ser que o acordo ortográfico também tenha alterado o significado de privatizar. Parece-me que está a fazer (ou estão a fazer) uma grande confusão entre privatizações totais e as chamadas entradas de capital.
    Quando se fala em privatizar, grosso modo, fala-se em tornar privado o que era público, ou seja abandonar a governação da coisa privatizada. Não acredito que as privatizações de que tanto se fala não sejam isso exatamente, pois não vejo qual o interesse de vender pequenas fatias da REN, da CPMercadorias, da RTP, AdP, TAP, ou as participações que tem noutras empresas que dão lucro ou fazem parte do que se convencionou chamar de empresas estratégicas, casos da EDP, GALP, UCS, etc..
    Transformar em privatização a participação minoritária no capital social de uma qualquer empresa/grupo ou um cruzamento de participações não tem a ver com esta discussão, a não ser que apenas queiramos ser palavrosos e entrar em silogismos onde as premisssas, logo à partida, já estão viciadas.

  15. Caro Teófilo,
    Fica-lhe muito bem vir em defesa da dama, mas aconselho a (re)ler os documentos disponibilizados pelo Público. Desde logo verá que essa noção sui generis de privatização não existe (fala-se no documento em privatização parcial). Se a mesma era total ou parcial não é o que está em causa, até porque nenhum dos partidos quereria uma privatização total desde logo pela necessidade de assegurar as obrigações de serviço público (se duvida, convido-o a consultar o programa do PSD, p. 76). Agora convido-o a reler o meu post anterior, se quiser acrescentando a seguir a privatização a opção “total/parcial.” Se depois de aceites estes convites ainda não mudar de opinião, “tant pis”. Pelo menos tentei (singular).

  16. Quanto aos documentos do Público, são o que são e não o que se pretende que sejam. Tiveram o seu lugar no tempo próprio e as razões que a eles levaram não são do conhecimentos de todos nós, simples votantes.
    Consultando o programa do psd quanto a privatizações (pilar 3 eixo 6):
    Pag 3
    – Reestruturar o Sector Empresarial do Estado e Acelerar as Privatizações.
    Pag 20
    – A segurança das pessoas e do País diz respeito a funções do Estado que não são delegáveis nem privatizáveis, embora possam ser realizadas em cooperação com outros Estados.
    Pag 28
    – Redução do nível de despesa com subsídios, transferências e indemnizações compensatórias do Sector Empresarial do Estado, através de uma mais eficiente gestão das empresas deficitárias e de privatizações (ver Pilar 3);
    Pag 30
    – Os objectivos de redução da DPCP estão articulados com os implícitos nos programas de reestruturação caracterizados no Pilar 3 (Estado Eficiente e Eficaz)- SPA, SEE e PPPCs, Privatizações e Nova Política de Investimento Público e no Pilar 4 (Desenvolvimento Humano e Modelo Social).
    Pag 31
    – Aceleração das privatizações e da venda de activos não nucleares das Administrações Públicas e do SEE;
    Pag 33
    – No SEE, proceder à respectiva reestruturação económica e financeira, incluindo privatizações, como desenvolvido no Pilar 3;
    Pag 36
    – Reestruturação do SPA, SEE e privatizações (Pilar 3);
    Pag 43
    3. Fomento da eficiência e competitividade nos mercados energéticos:
    Privatização das participações do Estado nas grandes empresas do sector, acautelando sempre as obrigações de serviço público;
    Pag 59
    Eficiência e Monitorização dos Activos Estratégicos
    Proceder à reestruturação dos sectores do transporte aéreo e aeroportuário nacionais, à luz dos compromissos do Estado Português na alienação da TAP e da privatização da ANA, que suporte a operação de um hub no aeroporto de Lisboa, à luz do qual se deverá analisar o projecto de construção do Novo Aeroporto de Lisboa;
    Pag 67
    6. Reestruturar o Sector Empresarial do Estado e impulsionar as Privatizações
    Pag 68
    Neste âmbito, cada ministério, no final do terceiro mês do novo Governo, deverá identificar um conjunto de organismos sobre sua tutela, que deverá fundir, extinguir, manter, transferir para outra entidade do Estado ou privatizar/concessionar ao sector privado. Esta definição deverá ser acompanhada por um calendário de implementação, bem como de uma estimativa dos ganhos a obter. A redução do número de organismos deverá ser de pelo menos 15% em termos cumulativos para todo o governo;
    Pag 74/75
    Em 2009, o Sector Empresarial do Estado (SEE) exigiu um esforço financeiro directo do Estado superior a mil milhões de euros através de indemnizações compensatórias, subsídios e dotações de capital. Finalmente, o Estado dispõe ainda de participações em várias empresas. Para gerir essas participações, dispõe de uma holding, a Parpública, organizada em sub-holdings, nomeadamente a Capitalpor (100%), a Parcaixa (49%), a AdP (72%), a ANA (68,6%), a TAP (100%) e a Sagestamo (100% – participações imobiliárias). A Parpública detém ainda participações na EDP (9%), na Galp (7%) e na REN (3,9%).
    Nestas circunstâncias, são objectivos do PSD:

    Libertar a parte possível e adequada desta actividade económica para o sector privado, através de programas de privatização, de empreendedorismo interno e de externalização de actividades, de forma a criar maior dinamismo económico e emprego sustentável;

    Com um programa alargado de privatizações, espera-se que o Estado venha a arrecadar, durante a próxima legislatura (2011-2015), um valor estimado de 3% do PIB.
    Pag 76

    Em segundo lugar, reestruturar a dívida financeira histórica. O plano assentará em três pilares: redução da dívida através da alienação de activos não essenciais, privatização de participadas e assumpção pelo Estado dos aumentos de capital social necessários para a obtenção de rácios exigidos pela banca ao sector privado;

    O modelo de privatização da TAP será definido dentro dos parâmetros seguintes:
    o Manutenção da imagem de “companhia bandeira”
    o Manutenção das suas principais operações baseadas no aeroporto de Lisboa

    3. Serviços de Utilidade Pública
    As acções principais previstas são as seguintes. No caso dos CTT, conceber e implementar o modelo de liberalização do sector e privatização total ou parcial em sintonia com as directivas europeias para o sector. No caso das Águas de Portugal, prevê-se uma revisão do seu modelo societário (actualmente participado pelo Estado e por várias autarquias ao nível das empresas regionais da holding) estudando-se uma eventual concentração de sociedades, com vista a obter ganhos de eficiência e a definição de um programa de alienações parciais.

    Quanto à Caixa Geral de Depósitos (CGD), uma instituição que desempenha um papel importante no sistema financeiro e na economia, a proposta do PSD é a seguinte:

    Pag 77
    Reforço imediato da autonomia da gestão da CGD em relação ao poder político, alterando o regime de governance através da criação de um Conselho de Administração com membros não executivos de elevada competência e de reconhecida independência, e de uma Comissão Executiva (CE) assumida por gestores profissionais. Competiria ao Conselho de Administração (CA), em articulação com o accionista Estado, definir as grandes linhas estratégicas e controle da evolução económica e financeira da instituição.
     Dentro do objectivo estratégico de focalização nas suas actividades de intermediação financeira, a CGD deverá vender as suas participações no sector dos seguros e da saúde e alienar a sua carteira de participações financeiras em empresas cotadas, num valor total estimado de 1,3 mil milhões de euros. Os fundos provenientes destes desinvestimentos deverão ser alocados ao reforço dos rácios de capital da CGD para aumentar a sua capacidade de financiamento às empresas.

    Durante o período de vigência do MoU, não haverá abertura parcial do seu capital social a pequenos accionistas privados pois tal prejudicaria o alinhamento da sua política de crédito em função das prioridades estratégicas para a política económica, na medida em que poderia provocar conflito de interesses mais imediato do accionista privado.

    Nenhum accionista a título individual deverá deter uma participação de capital votante superior a um nível a fixar, numa óptica de dispersão accionista.
    Pag 78

    No entender do PSD, a RTP deve concentrar-se, logo que possível, num novo modelo de gestão exclusivamente orientado para o serviço público com vista a reduzir o actual nível de financiamento público, nomeadamente as indemnizações compensatórias. Nesse sentido, ir-se-á proceder, em momento oportuno, à alienação ao sector privado de um dos canais públicos comerciais actuais.

    Eu sei que é muito paleio, para um blog, mas as privatizações estão lá no programa em diversas páginas e não só na 76.
    Se começar pela segurança, em que o que diz se pode aplicar que podemos entregar a segurança a uma joint-ventire entre estado (pelos vistos a NATO não é suficiente), passando pela diminuição/cessação dos apoios do Estado ao SEE, ao centralismo democrático que fixa em Lisboa a central de operações da TAP (continente/internacional/carga) esvaziando assim os retantes aeroportos (Faro e Francisco Sá Carneiro) e dando os Açores e a Madeira (deficitários) aos cofres do estado, vender os CTT que dão lucro pondo em risco a mobilidade e custos da correspondência entre regiões, escavacar a CGD em nome de um hipotético apoio às PME’s retirando-lhe entretanto setores onde vai buscar parte do seus lucros, vedar o acesso à dispersão de capital da CGD em favor de grandes grupos económicos (deve ser conselho do Dias Loureiro ou do Oliveira e Costa), alienar parcialmente as AdP (não diz em quanto cobrindo tudo com um manto opaco em que todos os valores cabem e são negociáveis), é este o programa que me recomenda para curar o País!
    Felizmente, tenho tempo e conheço bem demais as figuras que andam dentro desse PSD que se diz democrático e limpo de boys e girls, que em tempo foram apelidados de santanetes e rabanetes e noutros mais recuados em rebanho.
    Não comungo desse tipo de classificações, pois como acho de mau gosto as classificações que qualquer charlatãozito que conseguiu a licenciatura à custa da biqueira dos sapatos e perora em qualquer lado com odientos discursos, não gostaria de me sentir conspurcado com tão nefasta companhia.
    Infelizmente, ou talvez felizmente, conheço bem demais os meandros políticos para duvidar de programas de intenções, promessas, memorandos e coisas afins.
    Sou mais pragmático, prefiro ladrão que me guie do que santo que me abandone.

  17. Caro João Dias,
    claro que é desconversar. Quando fala na pag 76 como se lá estivesse contido o Santo Graal que faria o milagre eu dei-lhe a receita toda, mas razão tem o Marco Alberto Alves, pois estou a perder o meu tempo e a gastar cera.

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