Ironia das ironias

Passos e Relvas chegaram ao poder juntos, como dupla. Fazendo fé em Helena Roseta, esta dupla terá até uma dinâmica de casal, exibindo o seu amor com obscenidade para melindre de terceiros. Juntos foram castigados por Ferreira Leite e Pacheco Pereira e juntos se coordenaram com Cavaco para a farsa do período em que Passos ganha o PSD até às eleições presidenciais e para a tanga da viabilização do Orçamento para 2011 e subsequente chumbo do PEC 4.

A campanha eleitoral que o duo invulgar desenhou consistiu num chorrilho de mentiras que prometiam a salvação para o dia seguinte à mistura com uma enxurrada de ofensas cuja lógica era a de levar ao paroxismo a diabolização de Sócrates e de quem estivesse ao seu lado. Ferreira Leite pediu que o expulsassem da política mesmo que perdesse as eleições de modo a poder ficar descansada, Catroga comparou o então primeiro-ministro e secretário-geral do PS a Hitler, Morais Sarmento comparou-o a Saddam, Luís Arnaut ao Drácula e Relvas avisou os seus filhos, e parentes em geral, para a vantagem em passarem a negar qualquer tipo de relação sanguínea com aquele monstro. Isto foi dito, foi filmado, apareceu escrito e ninguém se perturbou. Tratava-se de Sócrates e do PS, o ódio unia ranhosos e imbecis na mesma falange.

Neste momento, aqueles que exploraram – e continuarão a explorar – todas as oportunidades para fazerem ataques de carácter aos seus adversários são coordenados politicamente pelo maior desastre moral de que há memória na governação das últimas décadas em Portugal. Confirma-se uma lei com milhares de anos, abundantemente exposta nos textos sapienciais: os tartufos são os piores. E surge a questão que explica a anomia de Cavaco e Seguro, essa plena consciência de que a queda de Relvas será, no curto prazo, a queda do Governo – posto que Passos branqueia qualquer escândalo de Relvas, assim se disponibilizando para ser igualmente responsabilizado pelo deboche, e posto que Passos não parece ter cabeça nem pulso para ficar a solo no leme do Titanic laranja.

Ironia das ironias: os políticos que cavalgam o populismo da “verdade” e da “transparência” são a caução mais forte para um Governo dirigido pela escória de um partido de escroques.

10 thoughts on “Ironia das ironias”

  1. já viram por aí o barreto a comentar? ou a mena mónica? ou os assanhados da bloga de outrora, agora com um tachito governamental?
    estamos entegues aos reles. o cavacão ainda não se demitiu e o passos revela-se um cabrãozinho. ah, e parem de dizer que o relvas fez 3 anos num só pois as cadeiras que fez nem para um (1!) semestre davam…

  2. Bem dito, bom resumo…resta tentar perceber a cegueira das pessoas !! há dias em que tenho mais esperanças do que outros…de que o pessoal começa a perceber o que se passou !!

  3. Preferia que Relvas,fosse um homem serio. por tudo que se está a constatar:Caso das secretas,pressoes e chantagens no publico e tudo que se viu em campanha eleitoral, dá para confirmar que infelizmente para ele e para o pais o homem não é mesmo serio.Para bem de uns e mal dos outros,ficamos a saber que podemos fazer disciplinas na faculdade sem ir a exames,desde que apresentemos provas de vida… (tipo segurança social para continuarmos a receber o subsidio) .O caso de relvas,nada tem a ver com o de socrates.este já era eng.tecnico antes de ir para a faculdade.Dizem os homens “serios” deste pais que Socrates prestou provas alguma(s) ao domingo.Pergunto: prestou ou não prestou? e qual a razão para ser a um domingo?o professor pode explicar.Como sei que um familiar de um meu amigo, com mais 3 ou 4 colegas fizeram alguns exames de mestrado com o acordo dos professores por impedimentos profissionais (confirmados) pergunto novamente onde está o pecado que pelos vistos nem é original? o lamentavel é que quando a” bomba de carnaval” rebentou, os pulhas como o cerejo do publico, e henrique monteiro do expresso, por exp.já sabiam que há cerca de 3 anos até de exames podemos ser dispensados por força do tratado de Bolonha.Não adianta estar a dizer mais nada,porque o que era preciso para a direita e para PC e BE era correr com socrates, tendo em vista uma nova politica para portugal.ela ai está com todo o seu esplendor…

  4. Antigamente dizia-se, perante a completa ausência de justiça dos homens, que a justiça divina seria feita na outra vida. Para mal dos pecadores da nossa era, cada vez menos se espera pela justiça no além túmulo. E não estou a pensar só em Sadam ou Cadafi. Muitos, como o Bush ou o Barroso da inventona das armas químicas iraquianas que levaram à morte e destruiçâo a um nível de horror impensável no século XXI por iniciativa e responsabilidade ocidental, ainda vão escapando à tangente. Mas há-de pesar sobre eles o juízo implacável da História. (Barroso teria passado despercebido, nâo fosse ter sido catapultado ao cargo que desempenha, por ter feito o frete infame na “cimeira da guerra”). Mas a justiça dos homens, aqui e agora, vai apanhando os criminosos ” na hora”, como nunca antes tinha acontecido. Isto dá alento.
    Pensando no caso nacional, que o Valupi tão bem resumiu, tenho esperança de que muitos relvas, à esquerda e, sobretudo, à direita, vejam a máscara cair.
    Quem diria que este mesmo Relvas que, numa tirada de vergonhosa antologia, apelava aos familiares de Sócrates para que o renegassem como aberraçâo humana, venha a revelar-se como uma das maiores fraudes e vergonhas da política portuguesa. Relvas é o exemplo acabado do cavaquismo triunfante desta primeira década do século XXI. Este exacto incompetente e pacóvio PM é a cereja em cima do bolo do cavaquismo inculto e parolo que acabou por dominar todas as estruturas do Estado. O BPN é dano colateral normalissimo da ascensão cavaquista.
    Talvez o preço a pagar seja um retrocesso civilizacional de muitos anos. E cada mês que consente esta loucura é um ano garantido, ou mais, desse retrocesso.

  5. Pois…verdade e transparência mas só para os outros. Eu diria que esta gente, estes maloios, esta cambada, é a seita da «verdade suprema» tal como houve uma no Japão.

  6. Embora a memória possa ser curta, acontece que o actual orçamento (aprovado com a abstenção do PS) não torna bons os PECs e os orçamentos de JSócrates, nem a actual legislação laboral (aprovada com a abstenção do PS) torna boa a anterior, nem este mau governo torna bom o anterior. Uma malfeitoria não passa a ser boa se aparece uma pior logo a seguir.
    Por muito que lhe custe, é esta a realidade dos factos.
    Além disso, deve concordar que a chamada “abstenção violenta” de AJSeguro cheira mais a cumplicidade do que a oposição.

  7. Edgar,eu já descobri,mesmo antes de Abril de 74 que o problema dos comunistas é o Ps. era bom que não se pusesse em bicos de pés!A sociedade que defendem para portugal foi rejeitada por todos aqueles que a viveram. o vosso adversario devia ser a direita e o BE , no campeonato das propostas demagogicas. veja as propostas de ontem: o Pcp nacionalizar os bancos o bloco não pagar.Este pais em muitos anos nem sempre foi bem governado, ( não há comparação com o antes de Abril)mas sempre houve e haverá eleiçoes.em angola,cuba e coreia é que são sempre os mesmos..tudo regimes democraticos e da simpatia do pcp.Para concluir: A direita tem ido para o poder na maioria das vezes, por moçoes de censura a governos do Ps com o voto prestimoso e reverente do seu pcp. Tudo que se tem feito,mal ou bem neste pais,tem sido até agora num quadro democratico.O que os amigos do jeronimo levam a cabo é sempre num quadro de ditadura .amigo edgar,por este caminho o povo não quer ir.ditadura já a vivemos ,e mesmo sendo uns anjinhos comparados com os social fascistas sovieticos,ditaduras não queremos mais .

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