inConstâncio

Esteve bem quando se zangou contra quem acusa a supervisão do Banco de Portugal de ter falhado. A sua razão nem carece de demonstração, basta conhecer a superficialidade e irresponsabilidade das acusações.

Esteve péssimo, segundo o critério do interesse público e valores correlativos, ao deixar António Marta só contra Dias Loureiro. É claro que a versão de Dias Loureiro não tem ponta por onde se lhe pegue, mas a falta de coragem é sempre nefanda. Pura e simplesmente, não se acredita que o encontro com Dias Loureiro não tivesse sido relatado ao pormenor a Vítor Constâncio. O Governador está a fazer diplomacia, sacrificando a credibilidade.

12 thoughts on “inConstâncio”

  1. Ora aí tens. O gajo parece mesmo a caricatura dum diplomata medroso e merdoso. Acredito na sua honestidade, mas não terá ele sido enredado em teias de cumplicidade por pura pusilanimidade e incapacidade para a acção? Não estará a ser chantageado por alguém? Isto assim não pode continuar.

    O gajo tem que demitir-se. Chega de descolhoados balofos apavorados com a possível acusação de socialista perseguidor da “iniciativa privada”! Há um momento em que até o gajo mais prudente tem que afiar a naifa e cortar. Constâncio não o fez. Ele está a descredibilizar o governo e, mais grave, o país.

    FORA! FORA! FORA COM O CONSTÂNCIO!

  2. (pelo que eu percebi quando o veículo passa do perímetro é que fazem supervisão)

    e continuo a dizer que aquele batôn não ficava nada bem

  3. «O Governador está a fazer diplomacia, sacrificando a credibilidade», concordo. Para mim assim é porque pisa chão escaldante, um autêntico inferno de suspeições, daí os cui-ui-ui-dados. O mais interessante é que assim mostra que é finíssima a sola que lhe separa o delicado pézinho do braseiro que pisa.

  4. do CM de hoje, estão lá estes todos:

    AMIGOS NÃO ACREDITAM NA QUEDA DO BANCO

    Apesar dos tempos difíceis, ninguém parece duvidar de que o líder da instituição vai ultrapassar o mau momento. Assis Ferreira, presidente da Estoril Sol, espera que o Governo tome “medidas adequadas a garantir a tranquilidade e segurança dos investidores”. José Miguel Júdice, presidente da Assembleia Geral do BPP, define João Rendeiro como “um homem lutador, combatente, muito inteligente e com uma postura muito forte na vida”. E tem a certeza de que o amigo “há-de ultrapassar a situação”. Fontão de Carvalho, ex-vereador da Câmara de Lisboa, aposta que o banqueiro “vai dar a volta” às dificuldade. Álvaro Barreto, Dias Pinheiro e João Cravinho integram o Conselho Consultivo do BPP, mas não estiveram na apresentação.

  5. «O Governador, o ladrão, a primeira-líder e o Presidente dela»: uma caricatura da política portuguesa actual, que irremediavelmente se afunda numa indigência moral intolerável, que só pode prenunciar uma qualquer e incontrolável ruptura.

    Há cem anos a podridão era muito semelhante e o resultado foi a República!

    Hoje, desgraçadamente, nem direito a isso temos, esperança e ideais: que irá pois fazer disto a geração perplexa, que tem agora entre quinze e trinta anos?…

  6. Pelo que conheço do funcionamento do BdP e do António Marta, nada me leva a não aceitar a explicação do Vítor Constâncio.

    Quem não é da banca, ou por lá nunca andou, não entende a firmeza com que muitos assuntos são tratados e o recato que sempre é utilizado.

    Se o Governador do BdP, aceitasse uma denúncia de um administrador dum banco, sem o suporte de uma única prova documental, não estaria a ser leviano?

    Comunicar de imediato à PGR?! Para quê? Para no dia seguinte sair a notícia no primeiro pasquim e a partir daí destruirem-se as provas de imediato? Para os depositantes irem a correr levantarem os fundos que lá não estavam? Para os prevaricadores começarem de imediato a tratarem de se esconderem?

    Quem não sabe é como quem não vê.

    Actuou bem, recolheu provas e fez a denúncia. Que é que há a apontar? Quem é que anda a correr atrás do lugar?

  7. A supervisão é algo difícil….. é um processo extremamente complexo.. Para além disso, sabemos que a supervisão ao BPN foi feita de forma desregular, isto é, foi mais exigente para o BPN do que para outros.. O banco de portugal exigiu ao BPN um rácio superior ao mínimo legal… Nenhum banco foi seguído tão de perto como o BPN, com inspecções periódicas e critérios mais exigentes…

    A entidade de supervisão falhou no sentido de não ter conseguído detectar exactamente a falcatrua, apenas nesse sentido (e já é o bastante ..) eles no fundo sabiam que algo estava errado mas nao sabiam exactamente o quê.. daí os constantes apertos ao longos dos anos ao BPN.

    Mas, se o Vítor Constâncio deve ou não ser demitido, eu acredito que não… pois quem falhou foi o sistema não o presidente.. É como um antivírus, se nos entra um vírus no pc a culpa é do sistema não do antivírus em si..
    Nesta analogia, o antivírus seria a autoridade de supervisão bancária e o vírus é a falcatrua do BPN.. Então, antes de mais, quando um vírus entra no pc é porque conseguiu quebrar o sistema.. tal como no BPN, eles conseguíram quebrar o sistema.
    Não me acredito, que tenha sido um simples golpe de sorte.. Não, o que penso que se passou de facto, é que se tratam de pessoas extremamente conhecedoras quer do sistema de supervisão quer do sistema bancário..
    Sabiam perfeitamente, como haveriam de fazer as transferências, sem que o sistema desse pela ilegalidade.
    Voltando à analogia, quando o sistema do antivirus é quebrado, faz-se um update e ele (normalmente) corrige a falha do sistema. Na realidade, esse simples update é algo mais dificil e trabalhoso de se fazer..

    Daí a eu ser da opinião da não demissão de Vítor Constâncio, pelo menos por esta razão.. o BdP fez o que pôde para desmascarar o BPN ..
    Agora, se me perguntarem em relação ao Dias loureiro, aí sim, mesmo sabendo que o PR não tem qualquer poder para o demitir.. Existiam entidades que pressionaram o BdP para não exigir tanto do BPN.. uma dessas entidades ao que parece era Dias Loureiro..

    Mas isto sao sempre questões muito dificeis de se ajuizarem pois são processos relativamente complexos, nalguns aspectos quase falaciosos ..

  8. Constâncio terá razão quanto à supervisão. É, como todos reconhecem, assunto demasiado técnico. Os exemplos internacionais são elucidativos, e faz sentido admitir a enormidade das oportunidades para grandes fraudes, haja que tipo de supervisão que houver. O facto de as fraudes não acontecerem mais também estará relacionado com o seu risco, ficando os intervenientes para sempre queimados.

  9. também não percebo porquê tantos pruridos, em Portugal somos capazes de pôr o irmão na rua, mas quando se trata de poderosos somos sempre muito compreensivos. Respeitinho? Medo? O facto é que está lá um gajo há milénios, a ganhar várias vezes mais que o presidente do Fed para garantir a idoneidade do sistema em nome de um conceito de supervisão. Garantiu? Não.

    quando é assim, por razões da própria confiabilidade e regeneração do sistema muda-se o titular, que aliás devia de sua iniciativa renunciar ao cargo depois de deixar os dossiês devidamente grafados.

    não haverá outros competentes para o cargo? Eu conheço muito mal o meio, não posso encomendar ao Silva Lopes que volte a ser, mas o tipo de tribunal de contas, que também já foi ministro das finanças, parece ter perfil adequado, por exemplo.

    quando não fica a sensação de que há uma qualquer perenidade no cargo que só se pode justificar pelo que não é dito, pelo que fica por dizer

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