Feios, porcos e maus cidadãos

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Trabalho frente a frente com um grafiteiro, dos seus vinte e tantos anos. Excelente pessoa. Tirando isso, é um cabrão da pior espécie. Porque emporcalha a cidade. Sonho com o dia em que os grafiteiros sejam levados para o Campo Pequeno em camiões, imaculados camiões, de um COPCON cuja missão fosse a de impor a ditadura do belo. Lá, seriam obrigados a ouvir a obra completa de Claudio Monteverdi, as vezes necessárias até se arrependerem e assinarem papéis variados ou desmaiarem exaustos, ficando com mazelas incuráveis a servir de exemplo.

Qualquer grafiti é uma violação do nosso direito a viver a cidade em liberdade. É uma fealdade que se pode apagar. E deve.

29 thoughts on “Feios, porcos e maus cidadãos”

  1. O problema é que aí esse gajo só ‘caga’ o que é dos vizinhos. O proprietário é que paga. Agora aqueles, como você lhe chama ‘cabrões’ que sujam os comboios que são pagos com o dinheiro de todos nós, não deviam ir para o Campo Pequeno, devia era levar com as bisnagas dos sprays pelo … acima para ver se gostavam.

  2. Qualquer grafiti, não. Esses da foto, por exemplo, nem sequer são grafitis, são tags (que são uma verdadeira praga). Prometo voltar aqui com mais tempo.

  3. Claro que há, meco. Mas essa não é a questão. De resto, eu não gostaria que o Picasso usasse as paredes do meu quarto para o que lhe desse na telha.

  4. Viva Valupi!

    Brothers in arms. Com esta já ficam 2 ódios de estimação e uma simpatia mais católica em comum

    “:O)))

    Verdade, até já fiz planos para quando for velhinha me dedicar a delinquência senil a caçar “grafitadores e cavalgaduras do asfalto.

    O método mais eficaz é grafitar os gajos e os defensores desta merda da cabeça aos pés.
    Ao menos em Inglaterra vingo-me. Basta telefonar para uma linha aberta e vem logo a polícia mais os retocadores para apagarem a porcaria.

    O meu ultimato em matéria de eleições municipais é este. Enquanto não aparecer um Rudy Giuliani a tratar destas merdas, bem pode esperar sentados que não há voto para ninguém.

  5. Àh, é verdade, no meu clá familiar até existe uma teoria muito gira para distinguir as famosas tags dos não menos famosos grafitis. Chega-se lá e grafita-se por cima, com outras tags e grafitis. Depois é só esperar que os gajos esclareçam onde está o azar de uma obra de arte em espaço alheio ser grafitada por palimpsesto.

  6. Em espaço alheio ou público, a questão é mesmo essa. Se for no caderninho deles ou nos popós e interior da casa, é lá com os gajos e papás que também gostam muito de ajudar à festa.

    Numa reunião de condomínio no centro de Lisboa, assistiu-se a um fenómeno muito esclarecedor. Depois de se ter debatido o problema dessa sujeira no prédio e no muro em frente, quando todos foram para casa, ouviu-se uns passinhos a descer e a porta da rua a ser aberta. Eram os filhos do representante-mor dos cuidados prediais, que iam de lata na mão para a tarefa nocturna.

  7. Meco, porque e que o Picasso iria comecar pelas paredes do quarto e nao pelas da sala? Estas a viver num quarto alugado e nao podes utilizar a sala? E porque e que o Picasso se iria meter a grafitar as paredes de um quarto alugado?

  8. Os tagueiros/grafiteiros deviam ser castigados com penas verdadeiramente exemplares. Por exemplo, serem condenados a limpar a merda que fazem. Ouvi que na Holanda, pelo menos em certas cidades, fazem isso. Os gajos são levados sob prisão para os sítios que cagaram e ali ficam a trabalhar até a merda desaparecer completamente. Enquanto não desaparecer, ficam sob prisão. As multas são para os pais pagarem, não resolvem. Tem que doer a eles.

    O grande problema é que andaram a ensinar duas gerações, desde os infantários e escolas primárias, a cagar as paredes, sob o pretexto de expressão artística dos jovens. O segundo problema é que não há hoje coragem para enfrentar a questão. Nem governo, nem AR, nem autarquias. Tudo uns cobardolas. Seria necessário criar um movimento de cidadãos para a preservação da imagem da cidade que, depois, pressionasse os pusilânimes no poder.

    Detesto o Ábertojoão, como lhe chamam os seus súbditos, mas lá que a Madeira é o sítio mais grafitti free de Portugal, isso é. O Funchal NÂO tem paredes cagadas. Não seria possível conseguir isso no continente sem ter de instaurar um fascismo bananeiro e carnavaleiro? Deixo aqui esta modesta proposta.

  9. Folgo em saber isso, zazie. Porque podemos vir a ser sócios-fundadores do primeiro clube anti-grafitis português, dai partindo para apagar outras nódoas públicas.

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    Meco, é óbvio que tu não conheces o Picasso. Aposto que também nunca falaste com o Kandinsky, outro grafiteiro taralhouco.

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    Tárique, já trabalhei e ainda trabalho. Mas agora, apenas poluo o online.

  10. Bimeco, conheco o Pablo mas nao sabia que o chavalo tinha andado para ai a grafitizar quartos, mas de certeza que nao te grafitizou o teu, o gaijo nao curtia muito mecos. Claro que falei com o Kandisky, costumavamos cruzarnos numa brasserie junto ao Seine, o gaijo ficava fodidissimo quando eu lhe dizia que ele ao pe do espanhol era um meco.

  11. Valupi, a tua solução é muito Laranja mecânica :P

    No caso das paredes pintadas e de pedra já existe tinta incolor anti-grafiti. O problema é que é preciso quem lave a parede no dia seguinte…e no dia seguinte… e no dia seguinte… e no dia seguinte… e…
    Também nunca percebi as paredes escritas das casas de banho públicas.

    Eu, oferecia as paredes da minha sala ao Picasso, o quarto dos crianços ao Kandinsky e o meu pátio à Susana :)
    E também não me importava nada de ter um tapete do Pollock.

    Sapkaj, a Madeira “SÓ” não tem as paredes cagadas.

  12. Acertas, sininho. Só que o Kubrick não teve a ousadia de escolher Monteverdi, talvez por recear ver o seu filme proibido. Também te informo que o problema com os tapetes do Pollock é o de se sujarem muito ao fim de poucos dias de utilização. Já tive de mandar 3 ou 4 para o lixo por causa disso, não rendem.

  13. Valupi,não me lembro o que é que ele escolheu como música de fundo para a sua terapia mas se ele fizesse agora uma Laranja, est já seria cyber-electrónica e, provavelmente, até se atreveria a escolher Monteverdi.

    Isso dos tapetes do Pollock não renderem… que pena! Já te lembraste de não arrastar tanto os pés?
    Se não conseguires experimenta um tapete do Rothko. Dura mais, de certeza. Ou então Klein. É ton sur ton.

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