É que nem uma puta de uma entrevista lhe conseguem fazer, foda-se

A entrevista a Sócrates vale mais pelo que ele não disse. E ficaram ideias e questões decisivas por discutir devido à exclusiva responsabilidade dos jornalistas. Entre elas: quais os recursos económicos nacionais à espera de iniciativa privada para gerarem riqueza, quais as vantagens de estarmos na Comunidade Europeia e como esta pode ser aproveitada pelos cidadãos no dia-a-dia, quais as metas e objectivos do investimento na ciência e na tecnologia, quais as oportunidades culturais e económicas relativas à CPLP. A ocasião perdida de introduzir racionalidade pedagógica na sociedade não radica em algo acidental, nem conjuntural. É estrutural, é o resultado estéril de um complexo processo que ultrapassa a própria entrevista: Judite de Sousa e José Alberto Carvalho não passam de multiplicadores da banalidade, sequer dominando tecnicamente as matérias em questionário — o que levou Sócrates a exibir pasmo ou compaixão paternalista perante a pobreza e distorção de algumas perguntas e afirmações da dupla. Jornalistas em posições cimeiras da hierarquia da RTP, estação que tem peculiar responsabilidade na área da informação, deviam ser exemplos de cultura política. Mas a cultura política só de adquire quando aos dados jurídicos, económicos e sociológicos se junta a reflexão filosófica. Azarinho para a qualidade do debate político, pois Portugal é um arneiro anti-intelectual, onde se tropeça todos os dias em alimárias que se ufanam no desprezo do pensamento e daqueles que pensam. Por isso, professores, empresários, políticos e artistas são, por igual, profundamente incultos. Como poderiam os jornalistas escapar? Não podem, nem querem.


O momento mais importante da conversa foi o da facécia com o PCP. O Primeiro-ministro — atente-se nisto: dando uma entrevista — fez propaganda a favor de um partido da oposição, e chegou ao requinte de ler a sua mais recente e poderosa proposta. Não se trata de uma proposta qualquer, não é irrelevância que desperte bocejos a 80% da população, nem é sofisticada abstracção que escape ao entendimento de um analfabruto. Pelo contrário, são promessas a que não se pode ficar indiferente: aumento extraordinário dos salários, aumento extraordinário das pensões, congelamento dos preços dos bens essenciais, congelamento dos preços dos combustíveis, limitação dos spreads da Caixa Geral de Depósitos, redução do horário de trabalho para 35 horas. Se a luta contra a avaliação dos professores chamou 100 mil, e se a luta contra a revisão do Código Laboral reuniu 200 mil, então seria de esperar ver 8 milhões nas ruas, tantos quantos os destinatários directos das promessas do PCP. Só que nem nos cafés de Beja, entre dois bagaços e muita manilha, se perde um segundo com a banha da cobra comunista. Convencer pessoas a não trabalhar, a troco de um passeio à Capital para agitar bandeiras e tirar fotografias, ainda é um pouco diferente de convencer essas mesmas pessoas a saltarem para o abismo de punho erguido.

O resto, é o costume. Sócrates, até em registo de baixo tónus emocional, vence e convence. As reacções à entrevista, por parte da oposição e publicistas, nivelam-se pela ausência de argumentação. O psicologismo, prova exuberante de falência reflexiva e infecta má-fé, permanece como última linha de defesa. Agora, o problema é o de Sócrates não fazer auto-crítica, como se o homem tivesse de pedir perdão por estar na política e se comportar como um político. O que significa que a direita continua com medo, não tem ninguém que a pense e represente; e que a esquerda esgota-se na simulação de poder governar, situação em que entraria em pânico e implodiria. Desfrutamos da sorte de termos um PS responsável e centrípeto, imune ao folclore Alegre — mas não chega.

28 thoughts on “É que nem uma puta de uma entrevista lhe conseguem fazer, foda-se”

  1. Ser um jornalista isento e imparcial é pelo menos tão importante como ser culto, inteligente e fazer o pesado trabalho de casa para uma entrevista de uma hora com o primeiro ministro, em prime time e na estação pública. Um jornalista não deve ser um deputado da oposição, tipo Louçã ou Portas, a interpelar o governo com os tiques de que a sua (deles) plateia gosta, nem deve ser um franco-atirador, tipo comentador do Aspirina, a fazer uma rábula de que não tem que prestar contas a ninguém (e ainda bem…) Deve, sim, ser a voz de todos nós a interrogar o governo. Logo, a fazer as perguntas de que Sócrates gosta, mais as perguntas de que ele não gosta, mais as perguntas de que ele não sabe se gosta, porque não estava à espera delas.

    Na RTP, paga por todos, esse dever é a dobrar: nas perguntas ao governo tem de ser dada voz a todos os portugueses. Não aos dez milhões, mas a uma amostra representativa. Com uma condição suplementar: um entrevistador na RTP deve fazer as perguntas que os descontentes com Sócrates fariam, mas sem ser um entrevistador anti-Sócrates. E fazer as perguntas que um apoiante do governo ou um indiferente faria, mas com simétrica condição. E fazer ainda, por sua conta e risco – se for um grande profissional – as perguntas necessárias e urgentes que ninguém faz nem faria.

    A Judite e o José, cada um por si, não procuram esse equilíbrio nem buscam essa excelência. Por isso os puseram juntos: um puxa prá oposição, o outro puxa pró governo. Mas dois maus, não fazem um bom, nem meio. É a repetição, a três, das interpelações parlamentares. Bem, com menos chicana e mais informação…

  2. às vezes finjes que és um tipo “básico” e ignorante, Valupi…

    não fica bem, mesmo que seja para defender a honra do teu presidente do conselho.

    sabes tão bem como eu que esta entrevista foi “negociada”, tal como tinha sido a da SIC. ou seja, prenderam os braços, as pernas, e sobretudo a língua aos dois jornalistas. e falas tu em equilibrios…

  3. luís eme: “esta entrevista foi “negociada”, tal como tinha sido a da SIC”

    Dê mais pormenores, LM. Eu também sou muito básico, mas gosto de filmes de série B.

    luís eme: “prenderam os braços, as pernas, e sobretudo a língua aos dois jornalistas”

    Se não eles tinham esbracejado, esperneado e dado com a língua nos dentes? Ou quê?

  4. Elementar, Nik! Só entrei para uma palmada de apoio: Um jornalista não deve ser um deputado da oposição. Alguns dos nossos, mesmo quando investidos em cargos de responsabilidade da TV pública, não percebem que fazer as perguntas difíceis que esclareçam não é o mesmo que falar em cima do entrevistado, atropelarem-se a eles próprios na ânsia de mostrar serviço? Medo de perder o combate e serem acusados de frouxos? Mas qual combate?! Até o ar esgazeado e agreste da Judite denunciava estar ali para demonstrar que era capaz de abater o freguês! Será que não aprendeu com o triste exemplo da Maria João Avilez, paradigma do terrorismo entrevistador para com os inimigos e da lamechice para os amigos? Sigo para bingo.

  5. senhores,
    não levem a mal, peço-vos, mas a quantidade de disparates que se dizem habitualmente sempre que se fala de televsão, na óptica do utilizador, é algo de verdadeiramente arrepiante. Com a natural excepção do futebol, não vejo outra arte em que exista tanto cfrítico abalizado pronto a saltar do sofá e a mostrar como é que se filma, como se entrevista, como se relata, descreve, sintetiza ou apresenta. E há mais, e pior: aquilo que os ‘críticos especializados conseguem ‘ver’ no écran, para lá do que as imagens mostram, muito para lá do que de facto acontece, o que lêem sem qualquer dúvida (qual quê!) na alma dos jornalistas, entrevistadores, locutores e quejandos, nunca deixa de me surpreender. Pela negativa, está visto. Isto para não falar do conhecimento profundo que alguns, com a superioridade quem gosta e entende de filmes da série B, revelam possuir dos meandros de bastidores, malta do olho vivo, que topa à distância os truques dos toscos dos jornalistas, que começaram nisto ontem à tarde, os palermas… Gosto sempre de ouvir este tipo de crítica abalizada e especializada, altamente esclarecedora, que ensina coisa nenhuma e nos conduz a lado nenhum pela vacuidade do que fica dito. Mas que entretém à brava. E dá cá um sainete, bate cá uma pala de entendido que fachavôri…

    (Eh pá, viste a gaja, quando levantou a sobrancelha esquerda? Eh pá, aquilo vê-se logo… e o gajo, e o gajo? Reparaste quando ele levantou a mão direita, tu viste, viste? Aquilo só não vê quem não que, pa. Só não vê quem não quer.)

    É que nem uma puta de uma entrevista conseguem fazer, foda-se…

  6. cuidado com a manela ferrugenta, hem? Ela vai amplificar a crise até onde conseguir para fazer passar a mensagem que só ela, muito amiga do presidente, muito bem relacionada com os bancos, etc., é que vai conseguir arranjar o tal ‘empréstimo ‘salvador’, que terror! Lá vai ela vender-nos a todos por tuta e meia. Só espero que os meus compatriotas não caiam nessa asneira terrível, mil vezes o Socrates pois claro

    mas também não percebo porque é que se vai fazer o tgv para o Porto, acho que para Madrid já chegava

  7. Nik, curiosa a tua observação de veres na dupla um equilíbrio Governo-oposição. Não foi isso que vi, pareceram-me os dois igualmente “opositores”. Aconteceu foi que o José Alberto cedo levou na cabeça e ficou amuado, ao ponto da Judite o ter tentado ajudar no momento. Enfim, a mediocridade a que temos direito.

    Quanto à RTP 1, precisava de uma filosofia que a transformasse mais em BBC, e precisaria de uma parceria estreita com a Universidade, indo lá buscar inteligência e quadros. A actual opção de remeter para a RTP 2 o que é mais intelectual, quando o que estaria em causa seria tornar o intelectual cada vez mais popular, é a grande traição à missão de serviço público.
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    luis eme, já tens aqui três marmanjões, pelo menos, assim a atirar para o menos básico (Nik, rvn e o escriba), interessados em que te expliques melhor. Por mim, digo-te que tudo na política é negociado. A política são negócios, e o melhor ambiente para os negócios é a democracia. As tiranias, ao querer abdicar das negociações, criam sociedades infelizes e violentas. Agora, o que não disseste deixa-me muito interessado:

    – Que foi, então, negociado?
    – Que ficou por perguntar e que teve de ser perguntado?
    – Se tu sabes que houve negociação, quantos mais sabem e qual a importância de todos saberem e ninguém se importar?

    Não creio que venhas a ter sucesso nas respostas. Porque o teu ponto de partida parece-me ingénuo, para mais aparecendo disfarçado de explicação cínica. O que se passa é que o elenco das questões postas a Sócrates foi, ipsis verbis, a recolha daquelas que se encontravam nas posições e opiniões da oposição. Espero, cheio de curiosidade, que nos digas qual a parte deste relambório, que andava pelos jornais e televisão nos dias anteriores – que se chegou a constituir como a mensagem principal da Manela na sua entrevista -, a ter sido negociada.
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    Ocasional, sempre bem.
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    rvn, partilho da tua crítica aos críticos dos profissionais da comunicação social, em especial da TV, como detalhas. Mas que tem isso a ver com o meu humildezinho texto? Pergunto, porque rematas com a citação do título, e até lá não consegui perceber.
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    z, pois é, a Manela tem características que não dão para chegar lá, como se está a ver.

  8. rvn, não leve a mal, mas o seu desabafo sobre os treinadores de bancada da televisão é uma típica reacção corporativa. O tal SOFÁ, tão vilipendiado pelos profissionais de futebol como pelos de televisão, é um lugar de eleição para observar o trabalho feito sobre a relva ou à frente e atrás das câmaras. Há quem adormeça no sofá, mas também há quem não lhe escape nada.

    Não gosta dos reparos leigos do utilizador, esse leigo intrometido? Mas a televisão é feita para ele, que está assim na posição ideal para apreciar o trabalho dos fabricantes e lhes fazer reparos, mesmo com eventuais “disparates” pelo meio.

    Hoje, muitos utilizadores gastam mais tempo a ver informação televisiva, e mais variada, do que os jornalistas, técnicos e burocratas responsáveis pela produção desses conteúdos. A CNN, a BBC, a Sky, os canais da TV5, a TVE, a RAI, além dos vários canais portugueses, são-lhes todos bem conhecidos. No seu sofá, os utilizadores sabem hoje comparar e discernir níveis de qualidade e isenção do jornalismo e da informação televisiva à escala nacional e internacional.

  9. eu não tenho de explicar coisas que vocês sabem, tão bem ou melhor que eu. Valupi, tu é que não te deves armar em ingénuo, porque és tudo menos isso.

    claro que na politica tudo é negociado, não é um mundo para inocentes, é mais para chico-espertos (tal como algum jornalismo).

    vocês sabem tão bem como eu, que quem está no governo está sempre em vantagem, porque a maior parte das vezes não tem interesse em falar, sabe que o “silêncio vale ouro”. quem está na oposição, pelo contrário, para fazer passar a sua mensagem, tem de falar, pelo que tem menos poder negocial nas entrevistas ou no quer que seja.

    ou seja, o teu amigo Sócrates (aliás os acessores… ele não se mete nestas coisas), escolhe os temas que quer que sejam desenvolvidos na entrevista. e é normal que o entrevistador não ache muita piada a isso e às vezes parece mais agressivo, porque não é livre de perguntar o que quer…

  10. Como assim, se a entrevista é em directo?

    Expliquem-me lá. Judite de Sousa, há 29 anos rosto da televisão do Estado, Comendadora da Ordem de Mérito (presidência Sampaio), mulher do presid. da Câmara de Sintra, seria expulsa da RTP se perguntasse alguma coisa fora do tal contexto supostamente “negociado”?

    Como assim, se ela sempre fez o que lhe apeteceu, como entrevistadora de políticos, e nunca lhe aconteceu nada? A melhor coisa que podia suceder, para passar imediatamente a mártir da liberdade e ficar a meio passo de próxima directora de informação da RTP, era ser proibida de fazer certas perguntas ao Sócrates.

    Ora vão passear…

  11. mas olha que o passos coelho tem uns lábios finos, uma linha crudelíssima. Mas uma coisa de cada vez, agora é evitar a ferrugem bancária

  12. luis eme, não tens de explicar coisas que nós sabemos, nem mesmo explicar coisas que nós não sabemos. De acordo. Mas eu pedi-te para explicares coisas que tu sabes. Essas, estou certo, podes explicar com grande facilidade. E vou continuar à espera, pois pareces-me saber coisas que importa conhecer.
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    Nik, em Portugal a palavra “negócio” ainda é alvo de anátema. Obviamente, se a entrevista tem tempo limitado, faz sentido acordar nos temas propostos. Porém, até isso pode não ter acontecido. Mas mesmo que tenha acontecido, não decorre daí que os jornalistas se tenham sentido desautorizados, limitados e/ou amedrontados. Na verdade, nada parece ter acontecido nesse sentido, e a ter acontecido seria um escândalo que acabaria com Sócrates.

    Portanto, está a valer a percepção de nada se ter passado que ofendesse ou diminuísse a liberdade dos jornalistas.

  13. upi,
    justifca-se a tua confusão, erro meu: se era para ser uma gracinha (e era), no embalo do dito entre parêntesis, então deveria ter sido incluído também no parêntesis e não posto fora dele, a semear confusao. Mil perdões.

    nik,
    não era nada pessoal, muito menos consigo em particular, nem sequer aquilo que o Nik disse foi particularmente grave, quando comparado a outras análses de uns pormenores fantásticos que esses ‘críticos especialistas’ viram mas que … não existem. Diz-me o meu caro que a minha reacção lhe parece corporativista: não é disparate por aí além mas também não corresponde totalmente à realidade, creia. A ‘coorporação’ a que se refere nem por isso fez por mim, enquanto profissional, fosse o que fosse que justificasse aqui uma qualquer defesa inflamada da minha parte de um classe que pouco existe enquanto tal. Agora, enquanto jornalista, profissional de televisão, que já esteve no mesmo lugar e em situações semelhantes, que já foi alvo de juízos semelhantes, feitos por profissionais do sofá menos caridosos que o Nik, não posso deixar de saltar em defesa desta verdade: a maior parte das críticas que são feitas aos apresentadores/jonalistas/entrevistadores de televisão são feitas sem a mais pequena noção do que implica a TV e de quais as técnicas a usar ou não, as regras explícitas e implícitas e, sobretudo, das razões que condicionam as atitudes que tem quem é visto. Falam por falar, os que assim falam, porque acham que sim e que pois. E que também, claro. E então acham coisas.

    Quanto às negociações que precedem (ou não) uma grande entrevista a um político e/ou governante, sobretudo se no activo, deixo-vos uma pequena história. Em 1992, 93, creio, o Presidente da República é entrevistado em directo no 24Horas da RTP1. Estava o presidente em Guimarães, no decurso de uma ‘presidência aberta’ e os entrevistadores eram dois, um lá e outro em Lisboa, pivot do jornal. Foi o diabo para conseguir um exclusivo com o homem. O que estava em Guimarães, ao lado do presidente, teve direito a fazer as perguntas que quis e lhe apeteceu e obteve respostas a todas. O que estava em Lisboa, pivot do jornal e responsável pela emissão, supostamente o principal entrevistador, teve direito a meter duas perguntas, tendo obtido um rosnar malcriado como resposta à primeira. À segunda pergunta, o presidente virou-se para o monitor que estava no chão à sua frente e, de dedo em riste, disse: «O senhor não está a respeitar as regras combinadas antes desta entrevista e eu não falo mais consigo e não lhe respondo a mais nenhuma pergunta.» A entrevista durou 35 minutos e estávamos aqui no minuto 4 ou 5. E não falou e não respondeu.

    A historieta acabou aqui. Vamos às informações técnicas a ver se a coisa faz sentido enquanto resposta para este contexto aqui do Aspirina.
    A entrevistadora em Guimarães chamava-se Margarida Pinto Correia, por pura coincidência a ex-mandatária para a juventude de Mário Soares, e todas as suas perguntas foram sobre ‘o que sentiu quando chegou a esta linda cidade’, ou ‘as crianças, o sorriso das crianças’, entre outros temas candentes. O presidente era o próprio Mário Soares. As duas perguntas feitas pelo entrevistador de Lisboa eram sobre uma importante atitude política tomada pelo governo da altura e pediam um comentário do presidente, importante para o país ouvir. Deixo-vos entretidos a adivinhar quem seria o jornalista que ficou pendurado, a falar sozinho 30 minutos em drecto, embora o mais importante da história não seja isso, claro, mas sim a constatação de que, às vezes, (a maior parte das vezes, em televisão), ‘there’s more than meets the eye’. Muito, muito mais.

    cumprimentos

  14. nik,
    com a história deixei passar o essencial da sua resposta. «No seu sofá, os utilizadores sabem hoje comparar e discernir níveis de qualidade e isenção do jornalismo e da informação televisiva à escala nacional e internacional.» OK,certo, deve ser por isso que as audiêncas privilegiam e mantêm no ar tudo quanto é lixo teleisivo, enquanto oferecem níveis rasteiros às produções de qualidade. Discernimento é a palavra.

  15. Esperemos pela reacção chinfrim do famoso Boca del Caballo, nikaka ou aka nik.

    Mas à frente, senhores especta-audientes que este dia de sol e céu azul não merece ser desperdiçado com insultos anónimos sem fundamento. Já lá dizia Jesus: perdoai-lhes Senhor, esta malta não se descalça para ir ao petróleo nem pela lei das duras tábuas.

    Portugal é assim, diz Valupim, e eu concordo porque certos animais inteligentes como o porco e o pombo e o chimpa, não esquecer o chimpa, não foram incluídos: “professores, empresários, políticos e artistas são, por igual, profundamente incultos”. Por que não os jornalistas? Ia-se esquecendo mas ainda bem que se lembrou desses cobardolas de merda. Essa foi de valente. Para quê massa na mão se a intenção não for a natural de se cozer pão? Da minha parte Paz e um Abraço.

    Mas a minha tia que leu a coisa Valupi diz: se isso é assim das pessoas in-cultas que diga então o senhor Leão porque que razão perder tanto tempo com academismos (não sabia que ela conhecia esta palabra, espanhlola dum raio) para distrair as ovelhas críticas desorientadas? Atrevida esta minha tia, mas é minha tia não posso negá-lo está no sangue e a família primeiro.

    Estou cansado com isto tudo de ter que pensar. Um dia desta semana vou a Sintra, ver a Pena, fico no Hotel das Ostras duas noites como habitualmente. Espero ter tempo de ver um dos presidentes de câmara mais admirados na periferia alargada da cidade dos alfacetas. Diz que a fulana que lhe serve de mulher enrola os ditongos com os lábios em bico e entrevista lagartixas socialistas que falam em “choques petrolíferos”. O que é isto de CP? Jargonada? Barbarismos gálicos de 98 octonas para caírem no goto dos populares?

    Estou cansado, muito cansado…

  16. rvn, eu não estava a falar dos papa-lixo, V. sabe bem, mas gosta de confundir. Eu estava a falar expressamente dos utilizadores da informação televisiva e dos canais de notícias. Também não estava a falar de produção de qualidade. Estava a falar expressamente de informação tout court.

    Qualquer político e qualquer pessoa, incluindo Mário Soares, tem o direito de se negar a responder a um jornalista. Se acha que isso é censura ou alguma cabala “negociada” nos bastidores, então é porque deve andar distraído.

    sub-tanso, hoje não há esmola. Tira o chapéu mal cheiroso da frente.

  17. nik,
    não, por acaso no caso específico do Dr. Soares acho mesmo que é apenas má-educação, genuino feitio merdoso. Isso e uma alma de vocação ditadora num corpo que nasceu democrata por mera circunstância, para suprema ironia.
    Isn’t life a bitch?

  18. rvn, já ouvi chamar muita coisa feia ao Soares, alguma dela até com razão, mas mal educado ou ditador é a primeira vez.

  19. SUBSTANTIA, estás cansado de descansar, só se for isso. De resto, estás em forma para o futebol de praia. E sabe tão bem dar umas cacholadas a seguir, quer se ganhe ou perca.

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