É isso mesmo, converjam

Comunicado do PCP

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PCP e BE saíram da tão esperançosa reunião em pior estado do que aquele em que entraram. É que embora o encontro seja de aplaudir, por várias e boas razões, o seu resultado é um anticlímax. Os dois partidos não têm nada para dizer um ao outro, por isso a reunião demorou apenas uma hora estando presentes sete pessoas. Dá menos de 10 minutos de faladura a cada uma. E o PCP jamais se comprometeria com um BE que não voltará a ficar à sua frente em votos ou deputados, arriscando-se até a um enorme trambolhão na sua importância parlamentar. Serviu o encontro para suscitar nalguns militantes e simpatizantes sinceros apelos à unidade, inclusive na ala extremista do PS que vem de ensaiar essa frente populista Alegre com os resultados que, pelos vistos, não lhes servem de lição.

Confrangedor, até triste, foi assistir às declarações de Louçã e Jerónimo no final. Discursos absolutamente vazios e, no caso de Jerónimo, maníaco. A repetição do vocábulo patriótico supera agora em relevo táctico qualquer outro valor do missal comunista. É a consumação do fechamento defensivo que apareceu como resposta às deserções de muitos quadros de referência nos anos 90. O PCP assume o conservadorismo de raiz senhorial, exaltando a terra e os nativos, na certeza de que tal posicionamento permite escapar ao confronto com os problemas dos outros; esses outros ditos modernos, mas que não passam de vendidos, de traidores, vivendo na cidade e na confusão, em pecado ideológico.

Quanto a Louçã, foi forçado a este número de indisfarçável submissão por ter feito merda atrás de merda desde que se convenceu que ia partir o PS ao meio. Em vez disso, o que o BE conseguiu alcançar foi a reeleição de Cavaco por Alegre ter boicotado uma solução vencedora dentro do PS. Seguiu-se a desastrada moção de censura, de imediato penalizada nas sondagens, e o nosso Anacleto viu o chão que pisava a aquecer para temperaturas que começavam a derreter-lhe as solas. Irá aprender alguma coisa com os seus erros? Impossível, mais facilmente abandonava a política. O seu grau de fanatismo já não é deste mundo.

Entretanto, e sem saber se é uma noção de esquerda ou de direita, tenho a certeza de que assassinar a língua pátria não é patriótico.

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