Do passismo ao passadismo

Caso Miguel Beleza esteja doente, medicado ou sob a influência de algum acontecimento traumático, as minhas antecipadas desculpas ao próprio e sua família. Mas caso a sua intervenção pública seja prova suficiente para afastar essas suspeitas, e até eventual informação em contrário, então o que podemos ouvir abaixo é a mais espectacular manifestação de desespero dos cúmplices deste Governo que se conhece à data. Beleza dispara numa fuga em frente onde mistura os laços pessoais com Vítor Gaspar com a crise de 1383-85 numa salgalhada trôpega e delirante. Perfeitamente clara fica a mensagem de que a oligarquia está disposta a deixar que Portugal bata no fundo, sendo esse o preço a pagar para que a economia se regenere – custe o que custar. E ainda termina a falar contra o TGV e a louvar Deus pela existência do Governo do casal Passos-Relvas.

Este homem, neste estado, caso estivesse no Titanic teria sido dos primeiros a juntar-se à orquestra com o seu cavaquinho. E passaria o tempo restante até o navio afundar a pedir às mulheres e crianças para não entrarem nos botes salva-vidas e ficarem no convés a dançar.

Miguel Beleza, Fórum TSF, 18 de Março

24 thoughts on “Do passismo ao passadismo”

  1. Val

    O que eu concluo das palavras deste grande economista, mas que, também, tem direito a se sentir “drogado” no bom sentido, pois devia estar sobre efeito de medicação, é o seguinte;

    Remédios para tornarmos num país mais competitivo:

    1. Ajustamento que está a ser feito pelo Governo;
    1.1- Desalavancar a nossa economia, reduzindo o endividamento financeiro;
    1.2- Reduzir a dependência do tecido económico ao Estado;
    1.3- Criar um Estado Social sustentável ao que os contribuintes estão dispostos a pagar;
    1.4- Criar condições para que os jovens possam ter acesso ao primeiro-emprego.

    2.Incentivos corretos:
    2.1-Impostos baixos (IRC)
    2.2-Investimentos públicos corretos que potenciem o crescimento da riqueza nacional.
    2.3-Despesas públicas baixas, para que seja possível baixar os impostos aos agentes económicos, de modo a criar mais disponibilidades financeiras ao consumo e investimento, sendo estas, a verdadeira fonte geradora de emprego e riqueza.

    E que de futuro, não falte juízo aos governantes, para nunca mais voltarmos a esta choldra criada pelos Governos socialistas.

    Conclusão: Graças a Deus que temos os Zandinga das Finanças!

  2. Ora VAL, não me digas que acreditas na boa-fé destes tipos? O estado descontrolado era apenas resultado do microfone ao pé. Se estivesse no Titanic era mais aquele que de arma em punho e um molho de notas na outra, tentava por todos os meios arranjar lugar nos botes destinados ás mulheres e crianças. Mesmo tendo sido por seu conselho e para não gastar dinheiro que faltavam botes para todos!

  3. Xico dos cereais, não precisas de dizer mais nada…

    “1. Ajustamento que está a ser feito pelo Governo;”

    Só com este ponto ficamos a saber que tu também deves estar drogado, no bom sentido claro.

  4. Val,
    se o homem não estava com um grãozinho na asa, é de uma desfaçatez piramidal.

    O homem começa por não lhe reponder ao que lhe perguntam e desata a fazer uma desbragada defesa ao amigo ministro.

    A seguir entende que as empresas não devem pagar impostos pois as empresas não existem (!), não se sabendo ao certo como é que tributaria os seus rendimentos, se seria com o tal imposto sobre o volume de negócios – de quem, das empresas que não existem – fazendo no entretanto uma profissão de fé que parece mais um delírio de extremista. Vamos conseguir!

    Depois entaramelado afirma que o PIB vai crescer, baseado em quê? Não se sabe.

    A páginas tantas cai em si, e até diz ao jornalista que não está a brincar, pois compreendeu que quem o estava a ouvir deveria estar incrédulo com o seu discurso.

    Depois fala no desemprego juvenil (!) – será o desemprego dos jovens entre os 14 e os 16 anos – fala dos não tão jovens que nunca trabalharam, esquecendo pelos vistos todos os outros, desde os de longa duração, aos de + de 45 anos, etc.

    Dá para o peditório do salário mínimo, dando a ideia que melhor é seguir o conselho do Borges, e finaliza agradecendo a um deus desconhecido a trabalho que o governo está a levar a cabo.

    Note-se que este índio, sem ofensa aos índios, é professor de economia e tido como uma das sapiências nacionais, sobre o tema.

    Se este anda por aí a ensinar depois admirem-se da qualidade dos alunos.

  5. O que esta crise veio mostrar-nos foi que afinal os “grandes” economistas portugueses não passam de charlatões. Quase todos os que são comentadores já tiveram responsabilidades em vários governos e hoje sabem tudo, e ontem nada sabiam.
    Com honrosas excepções, onde incluo Ferreira do Amaral o resto, não passam de oportunistas sem nenhumas qualificações.
    Os casos mais presentes são os ministros das finanças e da economia.

  6. Qual incompetência qual quê?! Estes meninos sabem muito bem o que estão a fazer! Isto das previsões é um embuste! Eles sabem muito bem que isto vai ser sempre pior do que dizem mas querem ir dando as más notícias aos poucos. É como o sapo que se mete na panela, a água vai fervendo lentamente e o animal nem se apercebe que está a cozer! Estes senhores são pura e simplesmente darwinistas sociais! Eu estou bem, os meus estão bem e o que interessa é o poder! Os outros são para esmagar! Para esmagar, para empobrecer, para pôr na miséria, para serem obedientes aos seres superiores que se consideram ser estes Gaspares e Belezas e Borges e Passos e todos esses sociopatas que se julgam acima da “canalha”! O que os autoritarismos fazem é isto, deixar à solta os déspotas, os reaccionários, os psicopatas! Todas as tragédias sociais ocorrem não porque haja gente louca ou incompetente, mas porque a violência dos homens fica sem rédea. E estes são homens violentos, não tenham dúvidas, homens capazes de tudo para manterem o poder e o privilégio de classe.

  7. jpferra

    Por onde tens andado meu amigo. Ficas esclarecido com pouco. Deve-se à tua inteligência, ou à eloquência das minhas palavras?
    Só um reparo! Se alguns têm direito à indignação, porque é que outros, não têm direito a se sentir drogados, no bom sentido? Tens alguma coisa contra?
    Se lesses um post que eu escrevi, em que falei num debate entre o Constâncio e o Cesar das Neves, saberias que até o Vitinho achava que Portugal teria de fazer um ajustamento. Este debate foi em 2002.
    Mas fiquei sem saber que politicas alternativas tu tens para o país. Fico à espera de noticias!

    Abraço,

  8. Sousa Mendes

    “Se estivesse no Titanic era mais aquele que de arma em punho e um molho de notas na outra, tentava por todos os meios arranjar lugar nos botes destinados ás mulheres e crianças”.

    Não vejas os outros à tua imagem e semelhança!

  9. Val, eu estou convencido que o Beleza tinha tomado dois ou três bagaços para matar o bicho logo de manhã. Azar dele, que lhe “ligaram” para botar faladura. Adorei a parte sobre o TGV, sublime.

    Francisco Rodrigues,

    1. És um nabo
    1.1 A choldra socialista acabou de atacar no Chipre
    1.2 Por favor, vai lá dizer aos gajos como se faz para saírem do buraco criado pelos socialistas portugueses. De caminho podes parar em Madrid, fazer escala em Dublin, lanchar em Roma, e apanhar o ferry em Atenas.

    2. És um otário
    2.1 César das Neves

  10. Mas afinal quando é começam a ler a porra dos posts do rodrigues, vulgo Ignatz

    Não estudes não as minhas sebentas e depois não digas que reprovaste.

  11. não é o ignatz, não sabes reconhecer um fã?
    Pronto, reconheço que até os mais iluminados podem errar, mas custa-me.

  12. Aquaporina

    Vê lá se és sério nas tuas observações de merda. Os socialistas, nos últimos 15 anos, ocuparam 13 anos a governação. A culpa desta situação é de quem oh tontinho?
    Eu não sei quem tem a culpa nos outros países, mas em Portugal, país onde eu nasci e os meus filhos, também, é que me interessa. Quero lá saber dos outros.
    Eu conto é comigo, contigo e com os outros dez milhões de portugueses para resolvermos os nossos problemas. Se estás à espera que a Europa venha acudir o pessoal, arranja uma cadeira e espera sentado. Cresci a ouvir que a nossa relação natural era com o Atlântico, por isso nunca esperei grande coisa desta Europa. Hoje que tenho 45 anos e já vi muito, leio Salazar com outros olhos. Não branqueio o regime, mas a forma como ele via a Europa e os europeus à 80 e 70 anos atrás, mantem-se atual.
    O Zandinga das Finanças é o melhor da minha geração que tomou conta dos negócios do Estado. É com o ele que eu conto para nos tirar do pântano em que nos encontramos desde 2001. Pedem a demissão dele porque falha nas previsões, porque virou astrólogo. Pois acham que se deve pôr alguém com mais experiência. No entanto, as outras gerações tiveram a sua oportunidade para resolver e nada fizeram. Agora cabe à minha geração resolver os problemas do país, doa a quem doer, custe o que custar, mas sempre com a certeza que não podemos falhar.

  13. A minha parca análise é inegável: já vamos no 5 país da zona Euro a necessitar de ser intervencionado. Tu é que não és sério ao apagar isso tudo da tua análise, esquecendo por completo a maior crise internacional dos últimos anos.

    E o “Zandinga das Finanças” ser o melhor da tua geração não é surpresa nenhuma, tendo em conta a amostra.

  14. “Os socialistas, nos últimos 15 anos, ocuparam 13 anos a governação. ”

    O que deveria ser um sinal para o facto de que o PSD não faz trabalho de jeito, uma vez que há décadas que não conseguem levar uma legislatura até ao fim…
    Quanto aos falhanços…divida a 124% do PIB e a subir. Se isto não é falhar não sei o que é. Já nem falo de todos os outros indicadores da economia, para não abusar de inteligencias débeis…

  15. Ao Francisquinho Rodrigues!
    Não te chamo Chico porque os Chicos são gajos com tomates e não lhes cometo essa ofensa, tu és mais do tipo Frascisquinho! O Beleza e tu não passam de bétinhos de m….. que apenas falam a coberto de protecção mas que se cagam todos nas alturas em que é preciso ser Homem. Eu estou como o António Lobo Antunes, quando andei lá onde se distinguem a olho nú os Homens dos bétinhos cagados, nunca vi nenhum Beleza, nenhum Amaral e assim … como tu entendes. Esses, iam todos para a Marinha, certamente porque os turras tinham marinha e ali é que era. E cobardolas disfarçados de valentões, lá onde estive, não havia lugar para isso. Assim, quando quiseres tirar a limpo a minha coragem, a tua e a o Beleza, estou ás tuas ordens. Sabes, isto da net dá para muitos disfarces mas não dá tomates!
    P.S: Espero que não apareças com tomates emprestados por dois seguranças do teu patrão Relvas.

  16. Para interpretar esta crise, a única ideia que é preciso ter em mente é que no Ocidente há um enorme excesso de títulos e activos financeiros que não estão cobertos por bens reais. Por isso, o colapso financeiro progride de forma, digamos que, imparável. Mas, de facto, é imparável por inadequação interpretativa do real das nossas elites.

    Vejamos então porquê. Ludwig von Mises,

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Ludwig_von_Mises
    (também Friedrich Hayek: http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Hayek )

    fundador da escola austríaca de economia, enunciou uma crítica da teoria marxista do valor de uma mercadoria acusando-a de pretender tornar objectivo algo que devia ser subjectivo. Para von Mises, uma economia organizada em termos de valores materiais seria desumanizada, seria monstruosa; para uma economia que funcionasse para satisfazer as vontades e desejos de cada ser humano, o único valor de uma mercadoria que faria sentido seria o valor subjectivo.

    Ora, se o propósito humanista de von Misses era louvável — reconhecer o carácter basilar das liberdades do indivíduo é importante — já a execução, posta em termos de um ultra-liberalismo económico, foi pavorosa e levou à ruína do Ocidente. Convenhamos que não é genial enterrarmos a cabeça e esquecermos aquilo que são os valores reais, fisicamente definíveis, dos bens ou serviços produzidos; esses valores reais são como a leis física da conservação da energia: são RESTRIÇÕES MATERIAIS àquilo que uma economia PODE REALIZAR. Ignorando isso os fluxos económicos entram no caos, multiplicam-se os erros nas decisões de investimento, etc. E, pior ainda, cai-se na ilusão de pensar, erroneamente, que títulos financeiros e outras MERCADORIAS VIRTUAIS — que só têm existência abstracta — têm valor subjectivo comensurável com bens e serviços reais. Por isso se criou uma gigantesca pirâmide invertida de “valores” em que o vértice (a base) é a produção real propriamente dita. E estamos, neste momento, a assistir ao colapso dessa pirâmide.

    O dinheiro é a principal mercadoria virtual. A sua utilidade deriva do facto de podermos, numa transacção, trocar um produto real por um virtual; a mercadoria virtual (neste caso, o dinheiro) é depois um direito adquirido sobre produção real futura. Só que há um senão: devido às constantes flutuações do mercado, um produtor fica de facto sem maneira de saber o que vale exactamente a mercadoria virtual (dinheiro) que recebeu por troca com um valor real. Estas ideias viram o conceito de economia de mercado às avessas; por isso (e apesar de serem inteiramente elementares) não são fáceis de absorver…

    As flutuações do mercado são, de facto, causa e consequência da teoria do valor subjectivo; é como com o ovo e a galinha: nenhum dos dois tem precedência causal. Além disso, quanto mais abstracta for a mercadoria mais sujeita estará a flutuações causadas pela subjectividade do valor.

  17. Ignatz

    Onde tens andado? Já sei, a ler o trabalho do Cesar da Neves. Deu-te agora para te instruíres. ehehhehe
    Este Sousa Mendes vai ver o “turra” que lhe irá aparecer pela frente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.