Como é que foi mesmo que chegámos aqui?

“Mais do que nunca, nós precisamos de manter um espírito de unidade e de abertura ao compromisso. É fundamental que haja um consenso na área política e um consenso na área social para que Portugal consiga vencer os problemas que tem à sua frente com custos que não sejam demasiado elevados”, defendeu o Presidente da República, que falava aos jornalistas à margem de uma deslocação ao concelho de Sintra.

“Eu espero bem que os países nossos parceiros na União Europeia, mas também o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu, a Comissão, entendam que é da maior importância ajudar um país que está a fazer um esforço imenso para cumprir os compromissos que assumiu, honrar a sua palavra, que não quer a redução da sua dívida externa, porque isso seria de facto dramático para Portugal, e quer honrar os compromissos que assumiu no passado para com os credores”, afirmou.

3 de Novembro

«Considero da maior importância que a propósito do Orçamento do Estado ocorra na Assembleia da República um diálogo frutuoso, construtivo, que permita alcançar entendimentos de modo a melhorar a proposta apresentada pelo Governo», considerou.

Cavaco Silva adiantou ainda que esta premissa é importante para «criar um ambiente social menos negativo e para que possamos ultrapassar todos os problemas que temos, em particular o desiquilíbrio nas contas públicas, mas também o excesso de endividamento externo sem custos insuportáveis para alguma parte da nossa população».

6 de Novembro

__

Cavaco está nas suas sete quintas. Domina agora a cena sem qualquer rival, até pode aparecer como o líder da oposição que junta os aflitos da direita e da esquerda, o grande pastor do Povo agitando o cajado contra os lobos. E das ovelhas que vão sendo devoradas em quantidades crescentes acena que muita culpa terão, que são ovelhas tresmalhadas. Como é que chegámos aqui? Portugal foi obrigado a pedir um empréstimo de emergência sob condições economicamente radicais e altamente penalizadoras da qualidade de vida da população porque toda a oposição e o Presidente da República consideraram que um Governo com apenas 3 meses de execução do seu Orçamento não devia continuar a executá-lo nem a adaptá-lo aos acontecimentos externos. Esse Orçamento tinha sido acordado com o PSD, que o tornou ainda mais austero, e obteve a promulgação de Belém. Estávamos nas vésperas das eleições presidenciais aquando da sua negociação e o plano era só um: garantida a reeleição de Cavaco, Sócrates seria derrubado na primeira oportunidade. Política da terra queimada, o frágil País perdido na tempestade económica e financeira internacional que se fodesse.

Mas este aqui onde estamos é exactamente o lugar que a direita oligárquica apontava como o nosso destino desejavelmente fatal. Desde 2008 que os cavaquistas clamavam pela vinda do FMI para fazer a desinfecção ao Estado, infestado como estava por seres que insistiam em distribuir os recursos pelo maior número de cidadãos e em continuar a requalificar a economia através de investimentos em sectores de futuro garantido e da simplificação de regras para os empreendedores. Ao mesmo tempo, sugeriam que o Parlamento devia ser substituído pela Casa Civil – só Cavaco, e um Governo de sua iniciativa, poderia conduzir a Grei de volta aos bons costumes da gente séria. Estes vectores, através de uma comunicação social que a direita dominava sem restrições nem contraditório, foram levados ao seu extremo de promoção de um estado permanente de alarme social em que as principais instituições da República eram atacadas na sua própria legitimidade. Sugeria-se a toda a hora que o Governo eram composto por bandidos envolvidos nos crimes de corrupção mais sórdidos e mais tontos. Difamavam-se os agentes de Justiça sempre que as suas decisões não iam no sentido de criminalizar governantes e socialistas. Manipulavam-se a ignorância e angústias de largas fatias da população já alienadas da cidadania e onde a iliteracia política e económica é causa de devastação moral. Tudo isto culminou nas escutas de Aveiro e nas escutas de Belém, umas e outras ao serviço de iguais propósitos e protagonistas.

O Presidente da República deu posse, em 2009, a um Governo que era constituído pelos mesmos que se tinha esforçado por afastar do poder, inclusive durante o período da campanha eleitoral. Mais do que isso, esse Presidente dizia e mandava dizer que aquelas pessoas escondiam a verdade aos portugueses e que elas estavam a levar o País na direcção do abismo. Para culminar, a posse foi dada a um Governo minoritário, o qual não teria força para continuar as reformas ou para proteger o débil crescimento e estava ainda sujeito a cair a qualquer momento, o que só agravaria a já dificílima situação nacional. Então, como pôde o Presidente da República ser cúmplice de tamanho atentado contra a Pátria? Alguém se lembra de qualquer iniciativa presidencial para permitir a formação de um Governo com suporte parlamentar para lidar com os desafios que no final de 2009 eram tremendos e que estavam prestes, com a crise da Grécia e da Irlanda, a se tornarem monstruosos? Alguém se lembra de ouvir do Presidente da República um aviso, solene ou a entrar num automóvel, para não nos entregarmos na mão de tão ruim gente? Não só Cavaco deu aval à pior solução governativa para o interesse nacional como se aproveitou dela para continuar a desgastar Sócrates e o PS com o estrito fito de chegar às vésperas das eleições presidenciais e poder cuspir o que a vitória do PSD em Junho se encarregou de provar ser mais uma das suas extraordinárias pulhices:

“Não sei se há alguém em Portugal que goste deste Orçamento”. A frase é de Cavaco Silva, para o qual “não vale a pena virmos insultar os banqueiros internacionais, o FMI, que não nos ligam nada. Porque somos nós que precisamos de pedir emprestado a eles e são eles que decidem”.

23 de Outubro de 2010

23 thoughts on “Como é que foi mesmo que chegámos aqui?”

  1. Chegámos aqui como consequência de 15 anos de politicas socialistas. Chegamos aqui porque tentaram convencer os Portugueses que isto era um paraíso, onde tudo era possível, onde havia dinheiro para tudo e todos. A vaca secou… e agora descobrimos que afinal somos pobres e o dinheiro é um bem escasso.

  2. Foram dez anos em governo cavaquista a criar monstros de corrupção. São dez anos em presidencia cavaquista com os ditos monstros a fazer da justiça o que muito bem entendem. Ele há coincidências!
    É feitio dos gajos, diz o silêncio dos “bons”.
    E Portugal que se foda.

  3. A nossa pobreza é a de espírito por alinharmos com quem nos quer empurrar para a pobreza. Ó Anónimo, vá aos nossos indicadores pré-crise e pergunte-se como é que conseguimos chegar lá…
    A pobreza é de quem apoia trastes hipócritas como este e lhe entrega o poder durante 20 anos.

  4. …Quando a cabeça não tem juizo!

    Pagar e não bufar, e não desculpar ninguem, do 1º ao ultimo desde o dia 26 de Abril de 1974.

    Culpa de banqueiros e bancários, foi tudo “à ganança”!

  5. Chegamos aqui porque alguém aumentou a divída pública no seu consulado em mais de 300%, destruiu o pouco que havia em pé nas pescas, na indústria e na agricultura, distribui dinheiro por gente que comprava Ferraris ou fazia empreendimentos que íam por água abaixo, faraónicamente fez a Expo 98 que não deu lucro, edificou o CCB que não dá lucro também, patrocinou Cardoso e Cunha que hoje é insolvente, Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Duarte Lima e quejandos eram amigos do peito, o mano e o secretário de estado da amiga Beleza que deram escandalos na saúde, os buracos da antiga JAE, o ouro perdido pelo Tavares Moreira, a criação do 12º ano, o betão em Portugal, o País das rotundas, os jipes na agricultura, o fim do arrendamento, o crédito bonificado para consumo, os aumentos brutais da função pública, o desmembramento do ensino técnico e por aí fora.

  6. oh terminação! as tripes do cravinho comparadas com as ganzas do cavaco são brincadeiras de criança e o pantano não tem nada a ver com obras públicas. és burro e não sabes do que falas.

  7. Parece-me que andam por aqui dois “anónimos” que muito se distinguem um do outro e não só pela primeira letra. Um escreve-a com A maiúsculo, provavelmente porque a sua cretinice e idiotia também são maiúsculas. Outro, este que me antecede e que usa um “a” minúsculo é do melhor que por aqui vejo em ironia e capacidade de síntese. Donde se prova que a inteligências minúsculas é frequente corresponderem letras maiúsculas, tal como a letras minúsculas podem corresponder, como é o caso, inteligências maiúsculas!

  8. anonimo, burro és tu que não percebeste que eu não estava a associar o pantano ás obras publicas,mas que deixou um bruto défice e baixa de crescimento isso deixou.E quanto ao0 tamanho dos desmandos do cravinho ou de outro, a tua palavra simplesmente não me dá garantias nenhumas. Portanto vai lá dar sopa ao seguro

  9. Ó CÍCERO eu li bem??
    Dizes tu que…”Donde se prova que a inteligências minúsculas é frequente corresponderem letras maiúsculas,”.
    Li, não li??

  10. ah ah , esse CÌCERO é o máximo. nome em letra maiuscula , inteligência minorca? aos gritos deve ser microscópica.

  11. O LIVRITO DO ZÉZITO

    Cansado do seu ócio parisiense, o Zézito decidiu escrever um livro: um romance.

    Inspirado pelos “Cem Anos de Solidão” de García Márquez, que não leu, mas ouviu falar, conta a história de uma família – uma família portuguesa, com certeza.

    Tal como os Buendía, a família Pinto de Sousa vive também muitas aventuras.

    O enredo gira em torno de umas CENTENAS DE MILHÕES DE EUROS, depositados em OFFSHORES.

    Como lá foram parar? De onde vieram? É este mistério que o livro tenta desvendar.

    O nosso autor conta-nos também outras peripécias:

    – pardieiros hediondos na Guarda, assinados por um bicharel sanitário;
    – aprovações misteriosamente céleres na Câmara da Covilhã;
    – uma gasolineira trambiqueira, com 4 sócios de sucesso;
    – uma licenciatura milagrosa, a um domingo;
    – a ascensão de um vigarista de província, a mega-trafulha nacional;
    – uma urbanização no Vale da Rosa, vítima de campanhas negras;
    – um centro comercial em Alcochete, vítima das mesmas campanhas (negras);
    – uma empresa chamada Mecaso, de uma mãezinha extremosa;
    – casas de luxo compradas a offshores, a pronto, por obra e graça do Espírito Santo;
    – um aterro na Cova da Beira, com mais campanhas negras;
    – adjudicações directas (e caras) de computadores medíocres, para propaganda barata;
    – obras ruinosas, com derrapagens monumentais;
    – ex-ministros fugitivos após quedas de pontes, completamente alheios a tais obras;
    – redes de boys com tachos chorudos;
    – jornalistas incómodos afastados misteriosamente;
    – almoços com futebolistas, pagos de forma também misteriosa;
    – escutas embaraçosas abafadas, por figuras absolutamente insuspeitas;
    – a maior rede MAFIOSA de Portugal, paga por banqueiros e sucateiros;
    – mais 100 MIL MILHÕES de dívida pública, em apenas 6 ANOS;
    – a FUGA do principal responsável, sem ser responsabilizado por NADA disto.

    Este livro promete ser um best-seller.

    Aguarda-se ansiosamente a edição em Inglês Técnico.

  12. Caro Carlos Sousa,
    não pretendi ser exaustivo e por isso não falei também das UCP’s com excursões semanais para abate de alguns novilhos a degustar de borla pelos excursionistas, de algumas privatizações da treta, do compadrio e arranjinhos entre “boys” de coloração idêntica, da limpeza que o Garcia dos Santos fez na JAE e que o Cravinho, esse famoso lutador anticorrupção rapidamente deixou cair, nas ppp inauguradas pela laranjada (que pelos vistos eram boas e as que se seguiram côr-de-rosa pelos vistos são más), nas tretas que muitos gostam de enfiar pelos ouvidos dentro para acalmarem os espíritos, como aquela famosa do utilizador-pagador que serve para as SCUT’s e para o SNS, mas já não presta para os transportes públicos das grandes cidades nem para o custo da água, da eletricidade ou do gás… enfim meu caro, há tanto a dizer que poderia estar para aqui a escrever durante horas sem nunca exaurir o assunto.

  13. oh terminação! disfarças mal, cavaco não é zé nem manuel e o verdadeiro zé manel andava mais preocupado com a parceria das lages.

  14. Nem todas as ppp’s são más, do mesmo modo que nem tudo que luz é ouro. As ppp’s são boas quando bem feitas, quando os investimentos são de qualidade e a sua gestão é boa, quando o investidor privado é honesto e quando o negociador público não é burro.
    Se um estado, uma região, uma autarquia, não tem fundos e arranja um ou um grupo de financiadores que estejam dispostos a avançar com o capital para a realização de uma obra com interesse para a maioria da comunidade e se estabelece uma relação comercial honesta onde é que está o mal?
    O problema de muita gente é generalizar, e geralmente generaliza quando as coisas não lhe dizem respeito.
    O alfacinha, na sua grande maioria, borrifa-se para a autoestrada que passe junto a Vimioso se não tiver de ir lá, do mesmo modo que o tripeiro se borrifará ou o saloio; nem todos os políticos serão corruptos do mesmo modo que nem todos os corruptos sãp políticos.
    Ver as coisas a preto e branco geralmente dá origem a grandes erros de apreciação.
    O que não faltam são teorias falsas como a do “utilizador-pagador”, “as malfeitoria que é fazer dívidas que a geração seguinte terá de pagar”, “a seriedade e virtude dos políticos de extrema-direita e extrema-esquerda e o desregramento dos que estão no meio”, “as gorduras do estado”, ” a beatitude e eficiência da gestão privada em detrimento da pública”, etc.
    As mentiras propaladas até à exaustão a coberto de lugares comuns facilmente aceites são vias que levam ao afastamento do grande público da coisa pública o que só interessa aos que querem que o estado sirva para se governarem em vez de governar o país.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.