Cantar a tesão – II

De Florbela Espanca disse Pessoa ser sua alma gémea. O que poderá assinalar um Pessoa por descobrir, mesmo que esteja à vista de todos, nas alfombras dos caminhos selvagens e escuros onde se beija a unidade.

PASSEIO NO CAMPO

Meu amor! Meu amante! Meu amigo!
Colhe a hora que passa, hora divina,
Bebe-a dentro de mim, bebe-a comigo!
Sinto-me alegre e forte! Sou menina!

Eu tenho, Amor, a cinta esbelta e fina…
Pele doirada de alabastro antigo…
Frágeis mãos de madona florentina…
– Vamos correr e rir por entre o trigo! –

Há rendas de gramíneas pelos montes…
Papoilas rubras nos trigais maduros…
Água azulada a cintilar nas fontes…

E à volta, Amor… tornemos, nas alfombras
Dos caminhos selvagens e escuros,
Num astro só as nossas duas sombras…

6 thoughts on “Cantar a tesão – II”

  1. Pedindo antecipadas desculpas pela “invasão” e alguma usurpação de espaço, gostaríamos de deixar o convite para uma visita a este Espaço que irá agitar as águas da Passividade Portuguesa…

  2. Valupi,

    Eras pessoa para te chamares Espanca?
    Fiquei banzo com o teu gosto pela Florbela, mas pensando melhor, faz todo o sentido. São as máscaras do (teu) destino.

  3. Comendador, boníssima sugestão.
    __

    Grilo, gosto que penses melhor. Quando se pensa melhor, a vida começa a fazer sentido. E quando a vida faz sentido, até dá para trocar de máscara – e entrar no baile com alegria.

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