Candidatável, diz o mestre da malabarice

Não vejo nada de errado na ida de Maria Luís para onde lhe der na real gana, seja para trabalhar ou contemplar as nuvens que passam. Nem sequer me parece errado que acumule o serviço aos bifes com o cargo de deputada, tudo isto se passando a poucas semanas de ter deixado o Governo. As penalizações políticas para o PSD, e para a direita em geral, irão engrossar nesse cenário, pelo que à esquerda há ganhos saborosos com a sua decisão. Também não vejo nada de errado em se pagar mais, pagar bem, até pagar muito, aos políticos com funções de representação pública. Nada de errado com os seus privilégios, direitos, comodidades e segurança, incluindo a luxúria de deixá-los viajar de avião em 1ª classe ou terem o ar condicionado ligado nos gabinetes. Finalmente, dizer-se que a ética são as leis de um Estado de direito – famigerada sentença de Maria de Belém – afigura-se-me não só correcto como até exemplar quando o comparamos com a prática de violar o Estado de direito.

O que me vexa ao ponto de quase me derrotar é a complacência para com Maria Luís ministra, para com as suas mentiras, hipocrisias e deturpações enquanto governante, chegando-se ao ponto de se ver nelas os atributos ideais para lhe entregar o PSD de bandeja. Ela deu provas de poder ser uma imitação de Passos, era e é a lógica do argumento, naquilo em que Passos representa a baixa política e a decadência da direita portuguesa. Logo, estava pronta para tomar conta do partido.

Se querem falar de ética, falem disto, não do moralismo corrente.

20 thoughts on “Candidatável, diz o mestre da malabarice”

  1. Não, Valupi.

    Dos casos que ontem passaram nas televisões (vi a SIC N, apenas) eu pensei exactamente que estavam a meter tudo no mesmo saco. Até tu o fazes, e ainda assim assino por baixo o teu segundo parágrafo se o bem percebi, porque acho que devem ser separadas as coisas. Ou seja, aí vai: a opção por uma rendosa carreira no sector privado deve ter uma leitura política, claro, que assim de repente poderá simbolizar o estertor da PàF e seria o fim da sua carreira ministerial da senhora (o PSD de Passos Coelho parece estar morto mas não sabe); mas já é inaceitável que uma ex-ministra das Finanças aceite ficar como deputada à espera de dias melhores e que, até lá, entregue os papéis para uma licença sem vencimento no funcionalismo público e que, a somar à renda dos abutres, fique a receber uma parte do seu pilim mensal por via do OE para fazer nada ou quase nada em favor da res publica (feitas as contas, é isto que interessa).

    Apesar da tronguice que vem de longe (desde logo com a denúncia de “infidelidade” enquanto funcionária pública, ao tempo de José Sócrates) nem me parece que seja esse o padrão da turminha. Assim de memória, e com a ajuda da wiki-wiki:

    – Jorge Coelho, ex-ministro do PS acumulou com o cargo de deputado?
    «Em Novembro de 2006 renunciou ao mandato de deputado e abandonou todos os cargos partidários para se dedicar à sua actividade profissional.»

    – Joaquim Ferreira do Amaral, idem do PSD?
    «É membro não-executivo do Conselho de Administração da Lusoponte, desde 2008», não portanto.

    – Luís Amado, …?
    «A 22 de Março de 2012, foi admitido como presidente do conselho de administração do Banif», idem.

    – José Sócrates, não.

    Sobre outros casos, tu ou outros aspirinos eventualmente dirão.

  2. Eric, percebi que estás contra a acumulação do cargo privado com o público, mas baseias-te em quê para fundamentares essa posição? Na tua magnífica pessoa ou nalgum princípio ou quadro moral/cívico passível de ser conhecido, analisado e discutido?

  3. Val, entre milhentas razões, só o Espírito Santo tem o dom da ubiquidade. É um enxovalho para a democracia ver a função de representante eleito do povo como um mero part-time. E é um enxovalho ainda maior permitir que seja ocupada por quem é assalariado de entidades que podem ser directa e especificamente afectadas por decisões tomadas no parlamento. Nenhuma empresa aceitaria ter os seus executivos a trabalhar a meias para si própria e para a concorrência. É uma situação anedótica.

  4. Um assunto conex(j)o

    http://economia.elpais.com/economia/2016/03/05/actualidad/1457206593_251066.html

    Embora seja até certo ponto partidário da livre circulação de pessoas bens e capitais (era fixe termos por uns dias Paris ou Roma em vez de Lisboa ou Porto, e os polacos em vez da Biedronka levarem com uma sunny Évora com licor de medronho e pezinhos de coentrada em vez de Varsóvia) não penso que a Maria Luís possa com toda a ligeireza ocupar duas cadeiras conflituantes. Apesar da Lei.
    A actualização do ordenado dos politicos é urgentíssimo mas como se pode agora falar disso quando por motivos eleiçoeiros se apoiaram candidatos a dizer o contrario?

  5. Lucas, muito bem! Os nossos representantes fazem do cargo de deputados uma anedota e os democratas autênticos, os mais-ou-menos e os outros todos, incluindo Valupi, aplaudem de pé. Depois queixam-se de tudo e de todos.

  6. “Não vejo nada de errado na ida de Maria Luís para onde lhe der na real gana, seja para trabalhar ou contemplar as nuvens que passam.”

    o sócras foi preso por menos indícios e zero provas para não se candidatar a belém, enquanto o caso marilú tem material para afastar a direita dos próximos governos e parece que não passa nada. é censurável, mas é legal. legal o caralho, ponham lá só metade dos alexes & rórós a investigar os relvas, marilús, sérgios monteiros, núncios, portas e passos, vão descobrir que o alentejo é pequeno para engavetar os tóinos borges que receberam comissões da venda de portugal ao desbarato em nome da neo liberalice.

  7. Tal e qual ignatz !
    Pelos vistos o RoTex e o CAlex agora esqueceram a “corrupção” e substituíram por “tráfico de influências”.
    Registe-se que o RoTex classifica de “tráfico de influências” a actividade de um cidadão que não é funcionário público nem ocupa qualquer cargo no Estado português e se dedica a facilitar a vida de empresas portuguesas no estrangeiro em negócios com outros Estados que não Portugal. É de fazer cair o queixo.
    Mas não admira porque esta vergonhosa imputação sai do mesmo crânio do qual antes saiu a imputação de “acto ilícito” para um Governo legítimo que se dedica a legislar conforme mandam as regras do regime democrático.
    E o Manholas publica !!!!!!
    O Manholas vai encarregar-se de limpar a honra de Sócrates, tal antes fez com a calúnia da homossexualidade, demonstrando à exaustão a sua imensa virilidade quando agora lhe atribui paletes de namoradas, todas do sexo feminino.
    E o 1º episódio já veio ontem na 1ª página: “Rasguei os papéis da Dívida” !!!!!!!!!

  8. Alguém me ajude a perceber ,como se eu fosse um bébé ou mesmo com desenhos e tudo. Têm sido notícia vários casos onde a acusação ou entre as acusações aparece com muita frequência a de “tráfico de influencias”. Eu pensava ( se calhar ainda penso) que o dito trafico só o era quando fossem afetadas situações que envolvessem áreas do Estado ou similares (e logo podem indiciar corrupção quer passiva quer ativa) . Agora se envolvessem situações entre particulares não vejo onde possa estar o problema, assim numa primeira mirada…
    É que fico com a sensação de estar a ser criado um tipo der crime ” em que é tudo tráfico e pode ser considerado nas mais ridículas situações….
    Ou será que agora também estão ( eles) a inventar crimes para garantirem continuação de emprego ????
    A sério, alguém me pode explicar quias são as balizas ? É que nos jornais vem tudo muito mal explicado, confuso ou também não saberão o que é !

  9. F Soares

    Obviamente que entre particulares não há tráfico de influências. Mais, um cidadão português tentar ajudar empresas portuguesas a arranjarem contratos em países estrangeiros devia dar direito não a inquérito-crime mas CONDECORAÇÃO do Estado português (desde que não atribuída por Sua Demência).
    Isto é o desnorte completo de um Procurador completamente atolado na merda, com um Manholas a aparar …

    E com isto ficamos a saber que a tese acusatória agora já admite que o dinheiro afinal é de Carlos Santos Silva. Reparem nas “subtilezas” de “comunicação”do Correio Manholas …

  10. Lucas Galuxo, se é um enxovalho, então haverá uma penalização política correspondente. E isso é bom para quem não for do PSD. Se não houver, então talvez o enxovalho se esgote no moralismo de ocasião.

    A questão mais importante não é, na minha opinião, relativa ao que achamos correcto, mas sim ao que é legal neste contexto em que um cidadão assume o risco de causar uma polémica cuja dimensão não ultrapassa o seu estatuto de deputado. Quem não gosta de Passos devia estar a aplaudir o que se está a passar, pois ele está a enterrar-se com ela no mesmo buraco com alto risco eleitoral.
    __

    Joe Strummer, a minha relação com o Sporting do Bronco de Carvalho e seu treinador que já conseguiu perder tudo o que havia para perder (posto que acaba de perder a liderança do campeonato e não resta mais nada para ganhar se a época terminar assim) é a mesma de muito Republicano que irá votar Hillary caso Trump seja o candidato do partido.

  11. Val, não acredito que durante os 90 e tal minutos não pusesses essa racionalidade em suspenso. Era a esse período onde a paixão e a libação impera, que me referia. Isso já soa a rescaldo.
    A comparação e interessante, o problema é, as pessoas seguem os vencedores e estão fartas do status quo, querem algo de diferente. Outro problema é que a conta só vem no fim.

  12. Val, haverá uma penalização política corresponde se houver denúncia e manifestação do repugnância com o avacalhamento para as instituições que esta situação representa. Se a legenda é deixa andar, além do regozijo pessoal ainda sobram votos.
    O impedimento físico de alguém poder estar em dois lugares ao mesmo tempo é apenas um dos aspectos. Acho muito diferente o caso de alguém que, após funções governativas, assume funções em empresas que criam empregos e exportações e o de quem, após ter permitido e promovido, entre outras coisas, uma trituradora fiscal com penhoras automáticas instantâneas, que levou o desespero a milhares de portugueses, desvalorizando muitos milhões de euros o imobiliário nacional, ir trabalhar para quem mais beneficiou da predação que a volatilidade nos activos essa atitude provocou.

  13. Joe Strummer, és um homem de pouca fé, está visto.
    __

    Lucas Galuxo, mas a denúncia e as manifestações de repugnância estão garantidas caso ela se mantenha no Parlamento. É só no caso de ceder à pressão moral ou moralista (cada um que escolha a sua), abandonando um dos lugares, que o assunto ficará esquecido rapidamente.

  14. Alguns comentadores como o ex diretor da TSF, acham que os políticos são mal
    pagos e, até se deu ao luxo de fazer referência ao salário médio nacional mas,
    sem dizer que, andará um pouco abaixo dos mil euros ora, se um deputado ga-
    nha mais de 3 vezes esse valor fora os subsídios, refeições, etc. etc. não se po-
    de considerar que seja mal pago! Posto isto, é mais do que evidente que o caso
    da Marilú dos tóxicos, apesar de fazer os descontos sobre o “gancho” no País,
    mostra uma grosseira amoralidade se, não renunciar de imediato à função de
    deputada à A.R. onde pode ter acesso a informação para lá da que, já tem sobre
    o objecto de negócio da empresa que descobriu toda a sua valia e experiência!
    Não esquecer que, com a desregulação das Leis laborais o anterior governo de
    que fazia parte, conseguiu baixar os vencimentos não só no sector público co-
    mo no privado que, digam os licenciados que concorrem a funções de topo, lu-
    gares de 3/4 mil euros hoje são oferecidos 1,5/2 mil euros! Até porque, quem
    ganha 2 mil euros é um rico … e sente-o na pele pela extorção fiscal !!!

  15. Val, perante este concreto defendes o indefensável em nome não se percebe de quê. Lendo os diversos comentários do teu post, embora a destempo, lembrei-me que deverias gritar, chamar ou sussurrar pelo nome daquela moça (daquela magnífica pessoa, lá está) que exporta garrafas de água para as tabancas da Guiné. Chama-se Inês Rodrigues, está no P. online e as suas garrafas tal como alguns leitores do Aspirina B neste caso iluminam mesmo.

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