Bento sem fé

Antes do jogo com a Fiorentina, Paulo Bento disse que o Sporting não precisava de milagres para vencer os italianos. Chegou ao ponto de falar de Fátima, só para dizer que não tinha lá ido. Isto é de uma estultícia que devia merecer processo disciplinar interno. Porque toda a gente sabe que o futebol transcende a cognição humana, é o resultado de forças sobrenaturais. Se não o fosse, Queiroz e o seu caderninho já estavam no Tussauds e os 3-6 não teriam vindo embaciar os 7-1.

Um italiano agride Liedson. Agressão que justifica vermelho. Vukcevic corre para a escaramuça. O italiano não é expulso. Vukcevic leva amarelo. Vukcevic marca golo. Vukcevic tira a camisola. Vukcevic é expulso. Vukcevic não vai jogar a 2ª mão. Bento, faxavor, chega aqui. Acaso esta sequência não é um milagre ao contrário? Hã?

E o golo do Veloso, aquele efeito marado na bola? Só possível por causa de Vukcevic, como é fácil de correlacionar. Aliás, tudo no Sporting se resume ao Vukcevic. E quando, um dia, Bento perceber que a equipa deve ser organizada à volta de Vukcevic, de forma a que ele passe a maior parte do tempo com a bola nos pés junto da baliza adversária, um milagre terá acontecido. Bento voltará a ter fé, nós voltaremos a ter Sporting.

6 thoughts on “Bento sem fé”

  1. No futebol a fé tem que ser toda metida nos árbitros. Mas um treinador saber treinar seniores e estes dispensarem criancices ajuda muita.
    Estes malandrecos, disfarçadamente, até tinham futebol para dar 3 ou 4 à Fiorentina e agora vão mesmo para Itália rezar.
    Assim até dói.

  2. Não sei o que me faz mais confusão, se o facto de um jogador precisar de tirar a camisola para comemorar um golo, se tal acto ser motivo para amarelo, ou ainda, se um jogador que mesmo sabendo que vai ver amarelo ainda assim tira a camisola (depois admiram-se das mulheres não ligarem muito ao futebol). Adiante.
    A juntar à proibição de se despirem, a FIFA já avisou que, no próximo Mundial, não vai permitir manifestações de fé. Estou curiosa para ver qual a punição que os árbitros vão dar a um jogador que, para descarregar a adrenalina, levante as mãos para o céu. E deus o livre de lhe dar para se benzer. Com os rituais que os jogadores têm antes de entrarem em campo, é provável que alguns jogos nem se cheguem a realizar: os jogadores são expulsos ainda antes dos jogos começarem. Vamos assistir (se deus quiser) a meio mundo a comemorar os tão esperados golos fantásticos, mas os jogadores que os irão marcar vão ter de assobiar para o lado e fingir que não se passou nada.
    O que vale é que há sempre forma de dar a volta. Puxem pela imaginação, inspirem-se, por exemplo, nas marcas de cerveja que inventaram as versões sem álcool, deixando-nos na dúvida se com tal invenção estão mais preocupadas com a sobriedade dos consumidores, ou com a possibilidade de poderem fazer publicidade a qualquer hora.

  3. Vulkcevic e a camisola:
    Ontem após o cartão amarelo e a respectiva expulsão, gerou-se a indignação sobre o assunto. Diz a maioria dos aficionados. É injusto? Digo não. Vejamos a realidade.
    1) Esta regra já existia, ou foi criada antes do jogo? Existia. Talvez antes de Vulkcevic ser jogador.
    2) Se fosse ao contrário as mesmas pessoas não aplaudiam a decisão do árbitro? Sim. Os defeitos que vemos nos outros, nos nossos são virtudes.
    3) Alguém compreende qual a manifestação em despir a camisola? Eu não vejo. Se os jogadores sentem tanto em envergá-la, não a deviam despir como manifestação ao golo. Pelo contrário…viu-se o resultado.
    4) Se esta regra for abolida, os jogadores não arranjam outra forma de se manifestar? Entendo que sim. Os jogadores gostam de ser exclusivos e passavam a exibir outras, como pontapear e arrancar a bandeirola de canto, fazer que engraxam as chuteiras, etc, etc.
    5) Para quando uma sensibilização por parte dos agentes desportivos, para situações como estas não se repetirem? Sinceramente não vejo. Quando são os treinadores e directores a virem em defesa destas situações, em lugar de os punir. Vejam o prejuízo causado ao Sporting, e aos colegas da equipa que tiveram de suportar um maior desgaste.
    O futebol é uma indústria que movimenta milhões de euros, há interesses inconfessáveis. Se não se tomarem medidas não sei onde se vai parar. Devia de ser uma festa, uma maneira de confraternização entre gentes. Há vários anos na minha terra, findo os jogos, os adeptos de uma e outra equipa, iam para as tascas, confraternizar, fosse o resultado que fosse. Esta tradição acabou assim como as tascas. Hoje espera-se o final do jogo para as claques se gladiar.
    Por isto e por outras coisas, vejo o futebol a definhar.

  4. Eu estava lá e vi o fiscal de linha a agitar a bandeira vigorosamente por ser uma falta grave mas o árbitro fugiu, o trambolho, o burro, o monte de esterco. Ficou por mostrar um segundo amarelo (logo vermelho) a um italiano. Aquilo foi cirúrgico porque nós no mundo da UEFA não somos ninguém. Não nos passam cartão. Quando fui enviado especial a Bolonha em 1998 fui tratada como um cão; os italianos não nos deixavam fazer perguntas e faziam perguntas sobre o campeonato italiano em vez de ser sobre o jogo acabado há minutos. São feios, porcos e maus. Os árbitros da UEFA são uns palhaços, até o triste célebre Kyros Vassaras (destruiu a carreira do Miguel Garcia) foi recuperado… Não se esqueçam do animal que levou o Barcelona ao colo no jogo com o Chelsea. Os árbitros são sempre influentes e às vezes são decisivos – foi o caso.

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