Ares sorridentes

O antigo líder social-democrata defendeu, sem apontar nomes, que “muitos ex-governantes com ares sorridentes no Parlamento deviam estar a ser julgados”, já que “não chega a responsabilização política” para situações como a “gestão danosa de orçamentos”.

De acordo com Marques Mendes, ex-membros do Governo de Sócrates deviam ter “vergonha” pelo “caminho de ligeireza e irresponsabilidade” que, a seu ver, levou o País à recessão.

Fonte

__

Existe um lado de companheirismo, solidariedade, respeito, simpatia e empatia entre a generalidade dos políticos. Aquilo que os leva a dizer amiúde que são amigos deste e daquele adversário, com vero ou simulado sentimento. É uma atitude frequente entre deputados e políticos de muitos Carnavais, com maturidade e memórias mais do que suficientes para exibirem uma permanente bonomia ao participarem nos rituais, trabalhos e jogos da política. É algo absolutamente natural, até inevitável entre pessoas que partilham as mesmas responsabilidades no mesmo meio. No reverso da medalha, existem as marcas dos antagonismos, dos conflitos, dos combates. Há dores, invejas, desilusões, rancores, vinganças à espera de oportunidade. Há o variegado psiquismo, o díspar carácter, a individualizar as relações e suas metamorfoses ao longo do tempo e dos eventos. Esta dimensão da actividade política é aquela que anima as crónicas jornalísticas, fornecendo inesgotável material para comentários, análises, boatos, piadas.

Por baixo desta superfície ainda regida pelos códigos da civilidade, e onde reina uma teatralidade que se alimenta da retórica e da hipocrisia utilitária, encontramos a política no seu estado mais puro: a procura dos recursos necessários à sobrevivência, a ambição pelo aumento da riqueza para si e para os seus, a luta pelo poder supremo. No panorama político português, a extrema-esquerda tem aqui as raízes da sua ideologia maniqueísta, o PS os pilares da sua radical defesa da liberdade e o PSD e CDS as sementes da sua pulsão caluniosa e conspiradora. Esta matrizes, constituindo um tríptico de repetição universal ao longo da História, reflectem arquitecturas económicas, sociais e antropológicas que estruturam as sociedades modernas.

Deparar com Marques Mendes, que anda na política desde os anos 70 e é uma das figuras de referência do PSD e do Cavaquismo, a promover a perseguição criminal para adversários políticos alegando que o exercício governativo é punível mesmo não havendo qualquer ilícito, tanto pode dar para um grito de espanto como para um bocejo de tédio. Ingénuos reagirão com saudável asco e cínicos com doentia indiferença. Mas assistir à passividade do PS perante a insistência no tema da criminalização de Sócrates e de quem esteve ao seu lado, num silêncio que raia a cumplicidade, está a ser uma experiência inaudita. É que se o PS abdica de defender o Estado de direito sem a mínima reserva ou hesitação, se não faz frente a quem ousa acirrar ódios irracionais incompatíveis com o regime democrático, não existirá mais ninguém a nível partidário para o fazer, como se comprovou repetidamente nos últimos 3 ou 4 anos.

O que aconteceu em Aveiro – onde a partir da escolha de um alvo da intimidade de Sócrates se conseguiu escutar um primeiro-ministro sem autorização judicial própria – e as consequências dessa operação que desembocaram na tentativa de criminalizar o chefe de Governo e secretário-geral do PS num ano triplamente eleitoral, foram o que de mais próximo tivemos de um golpe de Estado depois do 25 de Novembro. Para cúmulo, as elites da direita – com o alto patrocínio de Belém e o serviço incansável de uma legião de jornalistas – ainda tentaram enlamear o Procurador-Geral da República e o Presidente do Supremo na raiva com que procuravam assassinar politicamente Sócrates e o PS.

Não sei se o silêncio de António José Seguro resulta de não ter reparado nestas pulhices, posto que por essa altura andava muito entretido a preparar o desastre Alegre e a anunciar que com ele a corrupção iria desaparecer. Pelo menos, do Largo do Rato. É só assinar o papelinho.

29 thoughts on “Ares sorridentes”

  1. É o tempo da “idade média” lusa, tão real quanto anacrónico. Marques Mendes do cavaquismo é um dos seus ícones.

  2. Alguém um dia definiu Cavaco como um político eximio. Na verdade, não é qualquer “marques mendes” que se distancia do abismo para onde atirou o país e ainda consegue o elogio de todos os quadrantes ao desviar descaradamente o rabo da seringa, quando ataca o governo que apadrinhou.

  3. Caro Val, a sabedoria popular diz-nos que “homem pequenino ou velhaco ou dançarino”! Que me conste, Marques Mendes nunca foi conhecido como grande dançarino, pelo que a teoria popular funciona perfeitamente.

  4. Ganda nóia! – o pequeno aprendiz de diabo não se cansa de tentar surpreender mas quem é que acredita no pobre??? A comarca do Vouga??? Os «jornalistas» de Belém???

  5. Favor não dramatizar, Valupi, antes patois insinuante de assembleia que não anda assim muito mal paga, logo pouco interessada em espantar a caça, que ressurgimento de guilhotinas, mesmo com o bacalhau caro e a participação dos mesmos encobertos iluministas de sempre na confusão eterna de não se saber quem é quem ou quem cometeu o quê.

    Até o universitário Vidal do Cinco Dias vai redescobrindo com muito carinho e desvelo as maravilhas fanadas do Robespierre do Supremo Ser e Arquitecto. Inquieto, tremo quando procuro uma resposta no aspecto celeste. Ou vem por aí borrasca política com participação dos nossos fuzileiros, a exemplo do que acontece nos USA, ou então é a Easy Jet que anda a largar perfumes metálicos para nos dar Outubros com temperaturas de Agostos encobertos.

    Vibro com isto, felizmente há paracetamol.

  6. Val, acabo de ouvir as magnificas respostas que FERRO RODRIGUES deu hoje à Antena 1, na habitual entrevista das 6as. feiras. Como não sei fazer 0 “link” para a introduzir aqui, sugiro – se com tal concordar – que o faça, pois mesmo quanto à questão da “postura” do novo SG , F.R. considera que é preciso dar-lhe mais um tempo de “exercicio” para podermos ter matéria suficiente para análise.
    Ora, eu que nem votei em A.S., acho que os ataques da “direita” contra o PS, sobretudo contra Sócrates, são tão vergonhosos, provocadores e incendiários que a resposta adequada tem de cerrar fileiras com um minimo denominador comum – para já – de apoio à actual “estrutura oficial” do PS… E só espero que o futuro não me traga mais uma desilusão…!

  7. oh metanos! o que é que querias dizer nessas 10 linhas? só percebi que o teu vibrador trabalha a paracetamol e que easy jet voa para outubro a preços de agosto.

  8. O que é vergonhoso é como está o país, e como diz Campos e Cunha em 2005 já íamos para uma divida publica de 67% do PIB e o que se fez? Uma politica de esbanjamento onde só se falavam de novas auto estradas, aeroportos, TGV, grandes empresas que investiam milhões (já agora onde é que elas andam). Tenham dó dos Portugueses e não tentem mandar areia para cima dos olhos das pessoas.

  9. Oh! Souza ou és estúpido ou chegaste agora a Portugal. Diz lá oh calhordas quais foram os TGVs que foram construídos? (Para além daqueles 5 TGVs que a Manela Ferreira Leite assinou em Espanha e se comprometeu com o governo espanhol.)
    Que novas auto-estradas foram feitas? Para além das de Cavaco, Ferreira do Amaral que gastaram à labúrdia em Pontes Vasco da Gama, em vias do Infante, auto-estrada sem custos para o utilizador, para além evidentemente da compra de 2 submarinos que faziam uma falta terrível para passeios no Tejo, e da construção do Centro Cultural de Belém que era necessário para albergar famílias sem teto.
    Deves ser uma grande abécula oh Soiza!

  10. Ó Peidolas,

    Vejo que andas a ganhar ares de Ludovina militante, a propor formas de combate, a querer acordar o SG do partido da dormência e da inércia socialista na oposição. Tarefa dura, trabalho baldado, mais baldado ainda quando os teus camaradas souberem das nabices que andas por aqui a largar nas caixas do Asp.. Infelizmente não te posso ajudar porque tenho entre mãos um contrato para re-organizar os ficheiros electrónicos do PSD. Amigos, amigos ….

    E não sabes fazer links? Olha, pega numa argola e pendura-a no buraco de brinco da orelha onde normalmente encostas o telefone. Problema resolvido.

  11. Desculpem lá a linguagem o mau-feitio, mas a paciência para pulhas é um recurso esgotável: afinal o que é que esse grande cabrão do Marques Mendes quer? E por que é que nenhum jornaleiro começa por investigar as canalhices que ele fez aqui na Assembleia Municipal de Oeiras, quando ganhava salário também na Universidade Atlântica, participada da C. M. O., portanto ilegalmente? Não investigam isto porquê?

  12. Essa amostra de gente, esse advogadozeco de Fafe que nunca conseguiu uma presidência de câmara, que como dirigente da oposição em 2005-2007 simplesmente não existiu (apagado por Sócrates) e que na vida empresarial nunca passou de um medianíssimo gestor, beneficiando embora dos múltiplos incentivos da política de energias alternativas do governo socialista (política que nunca elogiou), esse dez réis de gente sempre muito empertigado e em bicos de pés, esse mini-Acácio ridículo cujo único triunfo político foi o de ter chegado à presidência do seu partido no rescaldo da catástrofe Santana para rapidamente ser de lá enxotado por outra nulidade como ele, esse piolhito da tribuna parlamentar, esse zero – pretende agora perseguir judicialmente e criminalizar quem o venceu, quem o apagou da história e quem ele julga que fez dele o nada que já era antes. Mete dó.

  13. Oh ….Portuga!!

    Ainda bem que as tuas scuts, e do teu cravinho não contam. Mas eu digo te algumas a A25 (Guterres), A23 (Scut de Guterres), Auto Estrada Litoral Norte (assinada pelo teu primo Guterres em 2001)…………….. Mas o teu primo Sócrates também fez Auto-estradas ou pelo dizia que ia gastar balúrdios nelas, em 2009 prometeu a ligação pinhal interior, que ligaria Coimbra a tomar, e que se inseria num lote abrangente de ligações rodoviárias que custariam ao todo cerca 3,79 mil milhões de euros, isto em 2009, altura de pujança económica do país. Mas fez ou prometeu mais como por exemplo Douro Litoral, Túnel do Marão, Auto-Estrada Transmontana, Douro Interior, Litoral Oeste, Auto-Estrada do Centro, Baixo Alentejo, Baixo Tejo. Se não sabes cala te, mas não venhas dizer alarvidades, se as estradas que os intragáveis ex governantes de direitas te dão voltas ao intestino, tudo bem, mas já devem estar pagas, contudo aquelas que tentaste omitir ainda vão ter de ser pagas pelos contribuintes portugueses. Só mais uma coisa, o Portas comprou 2 submarinos mas o teu governo patriótico liderado pelo sr eng Guterres queria comprar 5. Não te esqueças de ler mais, faz bem e evita que se digam tantos disparates.

  14. Sousa, vai com calma: sabes qual era o défice quando o Sócrates formou o primeiro governo? 7% (sem crises nenhumas externas – só incompetência interna).
    E sabes quanto era antes de ter inventado que havia uma crise internacional? 2,5%, o mais baixo de sempre, apesar de ter de combater contra tudo o que mexia neste país.

    (quanto ao Mendes, é melhor calar-se, senão ainda temos de prender o PR, logo à cabeça, pelos “crimes” cometidos nos anos de 80, já para não falar de episódios palacianos e financeiros mais recentes).

  15. O que dirão estes justiceiros daqui a um ano ou dois se os objectivos a que se propõe o actual Governo falharem?
    Seja como for, concordo absolutamente que o silêncio do PS perante estes ataques é inacreditável. Seguro deve estar convencido que se tivesse sido ele a governar nos últimos anos estaria a salvo dos pulhas. Graças aos seus lindos olhos, e ao tal papelinho assinado, fariam uma pausa nas pulhices e, por artes mágicas, passariam a ser pessoas decentes.

  16. …mas porque se haveria de dar trela a um ‘ilustre’ membro da mais bela quadrilha que o país conheceu e que dá pelo nome pomposo de ‘ppd/psd/cds’…???…bpn 5 mil milhões+madeira ‘colossais’ mil milhões+submarinos não sei quantos mil milhões…sem contar com um assassino que a troco de alguns milhões(que até destoam) matou uma velhinha…e os trocos do cavaco…algumas centenas de milhares em acções fantasmas coitadinho e só mais uma ‘coelha’ cheia de bons vizinhos…o gnomo só fala assim porque sabe que o desaparecimento da palavra ‘sócrates’ do blabla jorna é nefasta para a corja em que milita…o mais necessário à corja é manter o ódio de estimação vivo nos pasquins…portanto

  17. Oh Soiza vai bordamerda ou então vai discutir com os teus amigos pulhas que já nos roubaram em 2 meses o que Sócrates não nos retirou em 6 anos. Mas só para ver as tuas alarvices apenas um exemplo.
    Dizes tu, oh animal Soiza, que:
    “Só mais uma coisa, o Portas comprou 2 submarinos mas o teu governo patriótico liderado pelo sr eng Guterres queria comprar 5. Não te esqueças de ler mais, faz bem e evita que se digam tantos disparates.”

    Então vamos lá perceber a tua cabeçorra. O Portas comprou 2 submarinos. Quanto gastou? Uma pipa de massa.
    O Guterres queria comprar 5, 10, 20 100 submarinos, os que tu, minha besta, quiseres. Quanto gastou? Zero, percebes? Zero.
    Portanto, mais uma vez vai à merda com todas as letras. Vai encher chouriços para outro lado.

  18. portuga:só não comprou porque entretanto ele reconheceu o pantano em que se tinha metido e fugiu.~E se o ps tivesse gnho em 2002, seria ferro a comprar.

  19. Um pouco de história para os mais distraídos.
    As PPP foram criadas em 1972, é verdade, antes do 25 de Abril, por decisão de Marcelo Caetano sendo então ministro um senhor chamado Rui Alves da Silva Sanches.
    A elas foram abertos setores que então lhe estavam vedados, mais uma vez por obra da alteração da lei-quadro das privatizações quando corria o ano de 93.
    Que eu saiba, nenhum dos governos que lhe sucederam decidiu acabar com a dita Brisa nem com as parcerias em que esteve e está envolvida.
    No quadro das (re)privatizações aprovado no governo de Cavaco Silva, a Brisa foi uma das empresas reprivatizadas no tempo do Governo Guterres.
    A Lusoponte foi outra das parcerias criadas pelo governo de Cavaco, sendo seu ministro Ferreira do Amaral que transitou mais tarde para a administração daquela empresa.
    A auto-estrada A25 veio substituir o chamado itinerário da morte (IP5), construído no tempo do cavaquismo e que chegou a ser considerada a 3ª via mais mortal a nível mundial fruto de um mau projeto ceifando para cima de 400 vidas durante a sua existência (treze anos) e originando para cima de 3.000 acidentes.
    A A23 é uma via estruturante ligando o interior ao litoral centro e dando seguimento à ligação de Lisboa centro da Europa.
    Tavez não consigam explicar a construção do A6 nem de muitas outras, nem sequer o aumento das gorduras da JAE que era um centro fervilhante de apaniguados do poder e casa de arrumos de quem só queria ganhar sem fazer nada, talvez daí a alergia ao cheiro a cravinho.
    Quanto a promessas,m estamos conversados, quem nunca as fez que atire a primeira pedra.
    Mas como é de história que se fala, talvez seja importante lembrar quem é que foi crismado de ministro do betão, quem criou os famosos IP de triste memória dado os seus maus traçados, veja-se o exemplo da estrada do Marão que já vai na sua quarta variante em menos de 20 anos, estando agora parado o empreendimento que talvez a faria mais simples e menos perigosa.
    De vez em quando é preciso recordar, nem que o exercício seja muito penoso e não nos agrade.
    Que há excesso de autoestradas não haja dúvida, que a culpa é apenas de um é que não consigo engolir, pois muitaa gente quer uma à porta de casa se for possível, basta perguntar aos presidentes de câmara…

  20. Não, não esqueci. As SCUT são um bom exemplo de como uma boa política se pode transformar num desastre.
    Se tivessem sido feitas ordeiramente e controladamente as SCUT seriam uma mais valia no desenvolvimento do País, o erro foi pegar numa coisa que é boa em certas e determinadas circunstâncias apenas e generalizá-la. Aí residiu o erro.
    Depois disso vieram os fariseus clamar a teoria do utilizador-pagador como se o cidadão de Bragança ou da Guarda não pagasse com os seus impostos os prejuízos dos transportes públicos lisboetas ou portuenses, ou o utilizador que viaja de avião em executiva na TAP tenha de ser subsidiado pelos impostos do reformado do Alvito.
    Quem se preocupa nas grandes cidades que não haja estrada asfaltada para certas aldeias uma vez que nem sabe que as mesmas existem?
    As SCUT são necessárias em períodos de desenvolvimento económico, para captação de indústria e matérias para transformação ou escoamento de produtos.
    São úteis quando os percursos são sinuosos e de custo elevado e o movimento é dificultado pela difícil acessibilidade que arrasta consigo um menor desenvolvimento regional.
    De resto, não existindo pressupostos bastantes, são uma aberração e um disparate.
    O Cravinho disse o que eram e para o que serviam, será que alguém o ouviu?

  21. Oh er sabes muito pá mas andas a pé. Não vais descer ao meu nível sabes porquê? Porque quando eu vejo alguém tendenciosamente a dizer alarvidades não me calo.
    E tu acabas de dizer uma:

    “portuga:só não comprou porque entretanto ele reconheceu o pantano em que se tinha metido e fugiu.~E se o ps tivesse gnho em 2002, seria ferro a comprar.”

    Como podes afirmar que se… não sei quê ele compraria. Isso é o mesmo que dizer que se A não tivesse morrido comprava o estádio da Luz. Fazes afirmações que só estão na tua cabeça e depois queres que a gente discuta o que tu achas ou pensas ou julgas que seria. E mais tu até sabes que se não fosse ele seria o Ferro. Vê lá onde chega a tua idiotice. Não discutes o concreto mas o que está na tua cabeça. É assim que queres discutir? Então diz-me quem defendes e eu o arrazarei sem sequer saber neste momento quem é. Percebes?

  22. A política praticada em Portugal não se mostra capaz de desempenhos rectamente orientados no sentido ideal de um estado puro. Após o 25 de Abril, nunca mais se percebeu um estado imaculado e inteligente no seu exercício pelo bem objectivo dos cidadãos. Até agora. Com Passos Coelho, já não há alternativa a não ser o melhor possível, o mais moralizador, o mais realístico, o mais sóbrio, tendo em conta a urgência que impende sobre o nosso destino colectivo. Desde que o socratismo reduziu a política à extensa encenação de impossíveis a mera procura dos recursos necessários à prosperidade dos seus à custa do comprometimento geral, através da ambição, da avidez pelo aumento da riqueza para si e para os seus e sobretudo uma forma de luta suja pelo poder supremo como há muito não conhecíamos desde a revolução negra primorepublicana. Sob aquele torpe Primeiro-Ministro, o PS perverteu-se e transformou-se em braço robótico da radical defesa da impunidade dos seus, da corrupção dos seus, protegidos a montante e a jusante por uma malha bem montada de cumplicidades estrangulatórias da Verdade e da Justiça. Qualquer reacção a estes factos de luminosa transparência foi sendo convenientemente apodada de pulsão caluniosa e conspiradora, quando era o nosso último recurso contra a corja que alcançara o Poder e tinha a Justiça e a distribuição do dinheiro público na mão. Por isso agora que Marques Mendes se transformou num comentador brilhante lá, onde como político foi apenas baço e murcho, faz todo o sentido que conflua connosco na perseguição criminal de criminosos políticos: um exercício governativo lesivo [reiteradamente lesivo] dos interesses públicos deverá ser punível judicialmente. Perante isto, o PS, que tão bem conhece o percurso negro e daninho de Sócrates, silencia-se pois reconhece não haver escapatória à criminalização de Sócrates, ele que corporizou a derradeira aberração num Estado de direito, o insulto à inteligência geral, praga de gafanhotos, maleita moral que gafou Portugal irremediavelmente, como se percebe e sofre na pele. Criminalizar Sócrates já não é uma questão de ódios irracionais, mas de pura demanda de decência e restauração da memória num regime democrático apenas no formalismo das designações, mas não na experiência quotidiana. Que Sócrates não difere de um mafioso vulgar, basta considerar as escutas de Aveiro feitas ao probo Vara que denunciaram o Primeiro-Ministro paranóico e conspirador, num afã de Poder a fim de concretizar todos os negócios amiguistas cuja factura hoje nos enterra. Economia, mau carácter e moralidade entrecruzaram-se como poucas vezes na nossa história, conjura na nossa perdição. Blindado por leis próprias das tiranias africanas, muitas delas feitas à pressa e à medida, o então Primeiro-Ministro pôde escudar-se no álibi conveniente de terem sido essas escutas feitas sem autorização judicial própria, mas o que resulta sabido criminaliza em absoluto um chefe de Governo e secretário-geral do PS capaz da concepção de planos para decapitar uma linha editorial num canal privado de televisão, conspirando com sucesso contra o único serviço noticioso que denuncia com factos toda a podridão corrupta de um percurso político videirinho manifesto em formas de decidir danosamente contra os portugueses adormecidos, podridão e percurso que explicam extensamente o nosso estado de pré-bancarrota. Nesta história de chantagens e mentiras, saem mal o Procurador-Geral da República que não procura e o Presidente do Supremo, nulos e incapazes mesmo perante o caminho que nos trouxe aqui e deveria ter sido atalhado, porque hoje estamos a pagá-lo. Não é, pois de surpreender que António José Seguro odeie Sócrates e confie muitíssimo mais em Passos que em todos quantos pactuaram com as pulhices de Sócrates, dos amigos corruptos de Sócrates e dos assessores de Sócrates, pagos a peso de ouro num Estado Falido, e que ainda hoje fodem com a nossa paciência nos blogues sem vergonha na cara ao tentarem reabilitar a merda que fizeram a Portugal.

  23. oh palavrex! já vi essa conversa escarrapachada no poste ao lado e ainda não começaram as pinchagens para as próximas eleições ou será que o sni do relvax te paga à peça.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.