Antes do bem e do mal

Quem nunca ouviu Joel Costa não é bom chefe de família, nem patriota. O seu Questões de Moral, na Antena 2, é inqualificável e imprescindível. Eis um maduro que sabe de ciência certa da inutilidade de tentar mudar o mundo, da quimera dessa demanda; e que ainda assim, apesar de tudo e contra tudo, contra todos, especialmente contra todos, ousa pensar.

Num reino perfeito, os programas estariam disponíveis em ficheiros MP3 — exaustivamente disponíveis, listando os mais de 12 anos de serviço à inteligência e à cultura. E as escolas trocariam muitos dos professores-espantalhos pela audição do tonitruante e histrião Joel. E os meninos receberiam, finalmente, algumas lições para a vida. Uma vida amoral, como se quer.

8 thoughts on “Antes do bem e do mal”

  1. Lá estou eu outra vez a tirar o chapéu a Valupi, sina a minha.
    Hoje não é pelo discurso, que saiu assim-assim.
    É por trazer aqui as Questões de Moral, de que alguns andamos precisados.
    E já agora, sobre o Joel Costa, diga lá mestre Valupi (dê ao demo as vozes da vizinhança!):
    – o tipo é histrião, ou é um ‘ironista’ impenitente, para não dizer sarcástico, única arma eficaz diante da fortaleza?!
    – a ‘inutilidade de tentar mudar o mundo’: e zurzir este não significa querer outro diferente?

  2. Pois, se pudessemos replicar os Joel Costa deste país, seria uma benção…
    Até muitos graúdos e não só meninos aprenderiam as tais lições para a vida…

  3. podias ter sido cavalheiro e ter deixado a mãe passar à frente.
    e pronto, rendo-me: quero ser boa mãe de família. não sabia que isso era aquilo que me faltava. quando e a que horas dá?

  4. Chapeleiro (para variar do anónimo ‘Anonymous’),

    Um ‘ironista’ aceitará o apodo. Porque ele tem uma faceta histriónica que verte directamente do palco operático; palco que conhece tão bem (e que tão bem celebra na selecção musical do programa).

    Contudo, uma ressalva: nem só do perigoso riso se faz a resistência e a luta. Muitos lhe apontam o vazio, a ausência de resposta, de caminho. Que o mesmo é dizer que muitos não o compreendem, o que os leva a desistir passada a tesão do mijo. Só que a sua queixa dá que pensar, pois apenas com a desconstrução não se levanta o tabernáculo.

    Zurzir, sim, muito e implacavelmente. Todavia, também criar. E nisto vai tudo: para criar, há que arriscar. Temos de ser justos e reconhecer que, apesar do tanto, as “Questões de Moral” não arriscam. O que não é um mal, apenas o preço a pagar para a sementeira.

    O nosso imerecido Joel não me deve nada, é ao contrário. Nele vejo a consciência da inutilidade suprema, a ciência dos vencidos da vida – e, depois, rendo-me ao entusiasmo que é só o daqueles que entram na tragédia para nela ficarem, e nela descobrirem a alegria.

    Por tudo isto, por nunca ter feito concessões, é uma das raras fontes de lucidez em Portugal.

  5. susana

    Os programas mais recentes estão à disposição em vários formatos, basta entrares no link.

    Passa às segundas, meio-dia ou 23h, à vez.

  6. Na era do limiar da buçalidade lusitana, Joel Costa é um verdadeiro mestre da comunicação social. Pena que apenas uma pequeníssima parte da população assiste com alguma assiduidade a este programa, o que por outro lado justifica a sua não extinção da rádio(pelo menos depois do programa sobre a febre do Euro…bola). Espero que ao menos exista um clã de Joeis Costas por aí. O bom senso agradece.

    www. myspace.com\anormalmusic

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