A roubalheira nas sondagens

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Quadro gamado do Margens de Erro

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A única sondagem, de todas quantas foram feitas para as Europeias, que acertou na vitória do PSD tem uma particularidade curiosa: recolheu os dados entre os dias 27 e 30 de Maio. Quer dizer que é, das últimas a serem publicadas, a mais distante da votação, e, ainda mais interessante, aquela que não teve tempo de reflectir a mudança drástica ocorrida na campanha na noite de 28 de Maio. Foi aí que Vital tirou a roubalheira da cartola, levando o que restava do PSD a ir-se abaixo das canetas. De imediato surgiram a nu as manifestações da guerra civil em que vive aquele partido tão partido, com Passos Coelho a apostar a carreira numa roleta russa que o deixou num coma de prognóstico reservado. Rangel, que já tinha delineado uma campanha à defesa, apenas de reuniões com grupos reduzidos de militantes em ambientes cagões, continuou a ter de se pronunciar sobre declarações e acções equívocas de dirigentes sociais-democratas que corriam por fora. O sentimento era de descalabro aquando da entrada em cena de Cavaco com uma embrulhada explicação sobre o seu envolvimento no BPN, a qual deixou mais perguntas do que respostas. E de tal forma estava interiorizada a derrota que o cartaz escolhido para o day after diz Nunca baixamos os braços!


Por sua vez, a declaração de Cavaco interfere por si própria no ecossistema eleitoral, pois transmitiu uma imagem de fragilidade pessoal — que é só a última coisa que esperamos ver num Chefe de Estado. Os efeitos dessa percepção, fundada tanto no melindre objectivo da problemática como na linguagem não-verbal, podem ser dissolventes do laço participativo na eleição, pois introduzem estranheza e desconfiança generalizada, difusa, perversa. Acresce a este fenómeno o dos efeitos resultantes da notícia que indiciava Jorge Sampaio e João Soares no sarilho das atribuições ilegítimas, ou criminosas, de casas camarárias. E não se tratava de uma suspeita jornalística, antes era acusação com o selo de garantia (??) do Ministério Público. Em contexto eleitoral, e ocorrendo esta sucessão de torpes e vexantes escandaleiras na última semana, não será absurdo presumir uma reacção de afastamento, mesmo de repulsa, por parte de milhares e milhares de cidadãos. Especialmente, afastamento por parte do eleitorado da área tradicional do PS, os já menos motivados para ir votar — e aqueles que mais dúvidas terão em relação à honorabilidade de Sócrates, depois de uma operação gigantesca, como nunca se viu em Portugal, de destruição de carácter; os outros — os mandantes, agentes e apoiantes da campanha negra — não têm dúvidas nenhumas, ’tá claro, e não perderiam a ocasião para derrotar Sócrates por nada deste mundo. Ou do outro.

Pelo que, e ignorando a existência de eventuais falhas metodológicas e processuais das sondagens que erraram, a diferença entre a intenção de voto e o resultado da votação poderia ter recebido o contributo destas dinâmicas subterrâneas; as quais não poderiam ser detectadas pelas sondagens feitas durante a última semana, e que também não foram referidas na imprensa ou no comentário. E a verdade é a de que todos, partidos e jornalistas, foram apanhados de surpresa; e talvez o PSD ainda mais do que os outros, a avaliar pelo histerismo. De notar que o PSD ganha sem convencer, por derrocada do PS, não sendo igualmente absurda a possível transferência de última hora de alguns eleitores do PSD para o CDS, desgostados com o actual momento do partido e preferindo uma identificação isenta de contaminações com Cavaco, o BPN e a roubalheira.

Entretanto, o CDS quer derrubar o Governo a 3 meses das eleições e proibir a divulgação de sondagens durante a campanha eleitoral, não sendo possível perceber qual dos dois propósitos é o mais ridículo. O CDS descobriu nas sondagens o seu verdadeiro inimigo, a causa que irá mobilizar gentes e energias há muito desaparecidas do Caldas. Até pediu uma audiência ao Presidente da República para fazer queixinhas. E eu adorava assistir à conversa. Como é que ela começará? Falarão primeiro da chuva ou do sol? Do Benfica? Haverá pastéis de Belém e algum dos presentes confessará que vai furar a dieta porque uma vez não são vezes? E depois da mastigação baixará um silêncio incomodativo, interrompido pelo Presidente para proferir, sem qualquer convicção, Vamos lá a isso, então…? E que se segue? Que raio vai o CDS argumentar contra as sondagens? Defenderá que as amostras não são sociologicamente representativas, que os telefones são mais móveis que fixos, que os modelos matemáticos usados estão obsoletos? Ou, indignados, denunciarão os indivíduos por detrás dessas sondagens como sendo mariolas muito beras e a merecer tau-tau? Será que vão propor ao Presidente da República o seu alto patrocínio para a criação de um handicap de 5% obrigatoriamente adicionado aos resultados obtidos pelas empresas, dessa forma garantindo o acordo dos dirigentes do CDS se quiserem publicar sondagens? E Portas, no auge da exposição, largará um mimético, descontrolado e embaraçante “Isto é uma roubalheira, Senhor Presidente!“? Caraças, filmem essa cena, estamos a precisar muito de rir.

A última semana foi fértil em episódios de efeitos imprevisíveis. A introdução da roubalheira teve consequências que começaram por favorecer a campanha de Vital, dando-lhe a liderança da notoriedade e aparecendo ao ataque. Mas ao atingirem Cavaco em cheio, com mossa visível, as ondas criaram um ricochete que aumentou a confusão moral e a inércia cognitiva no eleitorado soft. E ver, logo de seguida, outro Presidente da República pintado como corrupto, Sampaio, a que se juntava o filho de mais um Presidente, Soares, pode ter aumentado ainda mais as já elevadíssimas condições para votos de protesto, votos brancos e abstenção. Os cabrões eram mesmo todos iguais, e nem os mais altos magistrados da Nação escapavam, era a evidência à disposição do cinismo de qualquer. Como curiosidade final, registe-se que o Ministério Público só corrigiu o erro que envolveu Sampaio e João Soares depois das eleições, no dia 8, privando a sociedade do urgente esclarecimento da falsa acusação em altura tão crítica da campanha.

Assim se vê como o mote da roubalheira é o que melhor permite descrever a peculiar situação que se vive em Portugal nesta altura do campeonato. Não precisamos de fazer uma sondagem para o saber.

18 thoughts on “A roubalheira nas sondagens”

  1. Bom-dia, Valupi… muito bom este olhar sobre o “estado da arte”… vou fazer link no A Nossa Candeia… Um abraço.

  2. Neste últimos sete anos, em Portugal, tem sido tão fácil um jornalista, um magistrado, um polícia investigador ou uma vulgarissima carta anónima destruir irremediavelmente o caracter de uma pessoa, como o simples gesto de cuspir para o ar. Com uma condição prévia: que a pessoa a destruir seja do partido alternativo da governação, o PS.
    Curiosamente, esta época maldita para as personalidades do PS coincide com o descalabro ou roubalheira do BPN, em que muito mais que um oliveira e costa encheu os bolsos com os tais 2 mil milhões desaparecidos. Leva-nos a pensar que a «gente maldita do PS» teve de ser afastada do poder a qualquer preço e atirada para a lama da pedofilia e do atoleiro da corrupção. E quem julgava que a guerra estava perdida para os caluniadores, com a maioria de Sócrates em 2005, enganaram-se. Aí está o Freeport II que se arrastará pelo tempo que for necessário aré que o linchamento se consume. Desde há dois dias que as TVs repetem, em todos os noticiários, o tiro certeiro SOCRATES/CORRUPTO, na presença do PGR, sem uma vez referirem que o atirador- inglês-autor já disse que mentiu. A mensagem maldita há-de ser repetida até que consiga o seu intento.
    E como o nosso presidente se atrapalhou um pouco por dizer em Novembro que não tinha nada com aqueles bpns e agora saber-se que ganhou ou perdeu , «lá», muito dinheiro, havia que, imediatamente, e bem a tempo de fazer mossa em acto eleitoral, meter no saco da vergonha um presidente, Sampaio/PS, e o filho de um presidente PS/Soares. E nem foi preciso a carta anónima. Agora é tudo, arrogantemente, às claras.
    Enquanto o adversário “principal” era um describilizado Santana Flopes, a coisa aguentou-se. Agora o adversário político principal é Cavaco Silva, que parece ter passado, num golpe de mágica, da cooperação estratégica para a oposição estratégica. E podemos ter a certeza: as pessoas acreditam bem mais em Cavaco que em Santana ou Ferreira Leite.
    Não acontecerá nada de grave em Portugal. Apenas mais uns «ps» na lama ou no exilio de Paris, como Ferro Rodrigues, ou na presidencia da Assembleia da República, como Jaime Gama. Avisadamente, António Vitorino, embrulhado na carta anónima da pedofilia com Sampaio e apontado como sucessor mais que provavel do infamado Ferro Rodrigues, afastou-se da frente de batalha e permaneceu reduzido a um prudentissimo e inócuo comentador de TV. E nem sonhe sequer candidatar-se a PR. A carta anónima foi cuidadosamente apensa ao processo para ser escarrapachada nos jornais, logo que se atreva a levantar a cabeça.
    Teoria da conspiração? Talvez. Mas o Valupi veio lembrar a vergonha de um despacho de um magistrado da nação que em véspera de eleição achincalha, de uma assentada, várias figuras de topo do PS.
    Como tem sido habitual, as figuras do PS atingidas ficam de tal modo atordoadas que nem se sabem defender. Um ex-presidente não podia limitar-se a enviar uma nota medrosa para a imprensa, perante tamanha pulhice. Teria de partir a louça toda e na hora. Mas os PS preferem ser conduzidos como cordeiros até ao altar da inquisição e aí serem sacrificados.
    Esta gente do PS que não se sente não pode ser filha de boa gente.
    E o povo vai votar, naturalmente, em Cavaco e Cª.
    Entretanto, pulverizado um PS de figuras de topo amorfas, PCP e BE aproveitarão os cacos. Se o PS desapareceu na França de «mon ami» Miterrant, porque não havia de acontecer o mesmo por cá? O conubio com a direita desvirtuou-o. A mesma direita faz questão de dizer: Temos gente corrupta? Olhem os vossos PR.s!
    E neste jogo ganha o maoir. O PS fica com a corrupção e a direita com a corrupção e o dinheiro. Ganha sempre por 2-1. E o povo vota nos vencedores.
    Pessimista, eu? Nem um pouco. Isto vai mudar. Está a mudar. Depois de Bush vai chegar Obama. E agora não vai ser com 30 anos de atraso, como antigamente. Os tempos são outros. A pulhice não vingará. Mas pode campear mais uns tempos. Até que o bom senso prevaleça e diga basta. Ou então que, simplesmete, esta geração velha e rasca, que é a minha, preencha todos os lugares disponiveis nos lares da terceira idade, dando lugar aos novos. Eu acredito nestes, como acredito nos meus filhos, que olham para os politicos que temos como olham para os padres que nos rezam a missa ao domingo.

  3. A geração rasca que fala deu aos ses filhos a possibilidade de votarem, de dizer sim e não alguns com a sua própria vida Ok Mário?
    as sondagens são sondagens não são uma ciência exacta até porque mesmo quando são feitas com todo o rigor tecnico têm que acreditar no que lhes respondem o que não quer dizer que o sondado esteja disposto a colaborar muitas das vezes omite a verdade e isto é assim em Portugal nos Usa ou na Conchichina depois a maneira como é tratata jornalisticamente é que é outra conversa.

  4. Sumiati,
    é verdade que demos aos nossos filhos a possibilidade de votar. E também é verdade que eles estão a alhear-se , talvez pensando que lhes demos um presente envenenado. Afinal, demo-nos a nós próprios como um triste exemplo. Mas eles, os nossos filhos, vão encontrar o caminho para superar «esta democracia», tal como nós superamos a ditadura. Acredite que não sei como vai ser, perante este espectáculo: um PS em conubio com a direita que nunca despegou de “salazar” e uma esquerda “mais à esquerda” que acima de tudo pretende sobreviver e por isso não teve o menor pejo em desinteressar-se, durante sete longos meses, dos ladrões do BPN, e cerrar fileiras com a direita no ataque ao Governador do BdP -mais um PS de topo-para levar a água ao seu moinho. É nesta “coisa” que a juventude há-de confiar?
    Teremos o nosso «obama». Porque, no resto do mundo, as coisas vão por arrasto. Ou não?

  5. Valupi, já deu para perceber que iniciaste um nova fase. Não comentas os comentários. quererá isso dizer alguma coisa? Eu acho que sim!

    É curioso, falares de sondagens, logo tu, que usava termos como “SIMPÁTICA” para a sondagem do vital que dava um quebra na votação de 10% e que na altura comentei.

    Depois vem a delirante tentativa de bode expiatório Sampaio. Tu que tanto defendes o estado de direito e que acredita na independência do MP, vires com essa conversa é sintomático do desespero da falta de argumentos.

    E não podia faltar o momento Professor Marcelo “E de tal forma estava interiorizada a derrota que o cartaz escolhido para o day after diz Nunca baixamos os braços!”

    Repensa, lá, melhor o significado do cartaz. Se te esforçares verás que consegues!

  6. O PS de José Sócrates perdeu as eleições europeias não por causa dos méritos que possa ter o candidato do PSD Paulo Rangel, de sabe-se lá o quê que tenha Manuela Ferreira Leite ou da falta de jeito do seu próprio candidato Vital Moreira. Nem as duvidas no caso Freeport justificam tamanha derrota.
    O PS perdeu porque foi surdo, prepotente, economicamente neoliberal e de uma maneira geral incompetente.
    O PS perdeu porque apoiou um governo que deliberou contra os interesses da generalidade das pessoas como nas reformas da Segurança Social, porque aprovou um código do trabalho nefasto para os trabalhadores a que nenhum governo de direita tinha chegado a tanto, porque incentivou a precariedade no trabalho sobretudo junto dos jovens, porque desprezou as grandes manifestações de rua, porque governou à direita quanto fora eleito por gente de esquerda que quis romper com o passado dos governos de Durão Barroso e Pedro Santana Lopes. O PS de Sócrates perdeu porque foi prepotente em relação aos mais fracos e desprotegidos que são a maioria e muito submisso perante os mais fortes. Perderam porque se preocuparam mais com os negócios do que com as pessoas. O PS perdeu porque pensava que apenas à custa do marketing do seu líder se perpetuava no poder e perdeu também graças aos seus ministros incompetentes. Ajudaram à queda, o ministro da Economia Manuel Pinho que abriu a boca vezes sem conta para dizer asneiras, quando a crise internacional ainda não estava sequer no seu auge teve o desplante de afirmar que, o pior já tinha passado e que recomeçara a recuperação económica, isto contra todas as expectativas e a realidade que se nos deparava. Ajudou o ministro Mário Lino das Obras Públicas com a grande trapalhada em relação ao novo aeroporto, ficou famosa a sua frase, em Alcochete “jamais” ou o “deserto” a sul do Tejo. Ajudou o ministro do Trabalho e da Segurança Social Vieira da Silva que muito passivamente sem qualquer tipo de acção não garantiu nem trabalho nem segurança social. E que dizer então em relação ao ministro da Justiça Alberto Costa senão que foi o ministro do caos? Não está isento de culpas também o ministro mais exposto do governo, o das Finanças, Teixeira dos Santos, que sempre procurou defender o indefensável, ginasticou conforme as conveniências em relação aos impostos castigando os contribuintes, manteve à frente da supervisão do Banco de Portugal o governador Vítor Constâncio com as suas “distracções” gravosas para a economia portuguesa em relação ao que se passou na banca e em concreto nos casos do BPN e BPP. Foi quase tudo muito mau. De que estava à espera esta gente na altura do julgamento?
    Que caminhos sobram a José Sócrates e ao seu partido a partir de agora? O primeiro-ministro está numa encruzilhada da qual muito dificilmente se desenvencilhará. A esquerda que ele tanto desiludiu jamais confiará na sua política e nas suas intenções, é um caminho que lhe está definitivamente vedado por muito que ele tente conquistar. Em relação ao centro direita para quem governou durante todo este tempo, as perspectivas não são também animadoras. Foi uma franja, incluindo nela a maioria da classe empresarial, que apoiou interesseiramente e estrategicamente Sócrates enquanto estiveram órfãos, desorganizados e perdidos relativamente à sua “máquina” política tradicional. Quando sentirem que têm a “casa” definitivamente arrumada jamais quererão saber de Sócrates líder de um partido que carrega sempre consigo a palavra que lhes foi sempre maldita, socialista. Sócrates entrou em agonia. Poderá eventualmente ainda salvar-se o Partido Socialista, far-lhe-á talvez bem passar de novo para o “banco dos suplentes”, esquecer Sócrates, renovar-se em termos de militância, reorganizar-se, virar à esquerda e levantar de novo a bandeira do socialismo e da justiça já que a direita e os defensores da exploração estarão sempre minimamente representados e protegidos. Ao Partido Socialista só lhe resta ser verdadeiramente de esquerda caso contrário entrará igualmente em agonia profunda.

  7. O Paulo Portas pediu a audiência ao Cavaco Silva foi para anunciar a boa nova que se entendeu com o Paulinho Rangel para governar o país. Finalmente temos fumo laranja azulado e acabou o pesadelo da ingovernabilidade. Pelo meio irá ainda convencer o Presidente que a recauchutagem a que foi sujeito durante o consulado Ribeiro e Castro, o deixou que nem um ferrari para a política. Ele um ferrari e o Rangel um boca de sapo. Vai ser sempre a abrir.

    A desculpa de que quer falar com o Presidente sobre as sondagens é só um pouco de vergonha disfarçada. Ele é assim, tímido e humilde. Não é que não haja muito para conversar sobre a regulamentação dos estudos de opinião e sondagens. Se eles quisessem, passavam a fazer as sondagens tão afinadinhas que nem era preciso termos a trabalheira de ir votar.

    Pelo sim pelo não, e caso se verifique um movimento de solidariedade espontâneo, até sou rapaz para contribuir com alguma coisa para uma grade de mines e uma tachada de caracóis. Não vá a audiência tornar-se um nadito enfadonha.

    PS. Ó Portas, afinal gastas ou não gastas a moção de censura? Despacha-te homem, olha que isso não acumula para a próxima legislatura. Isso não é como os pontos do cartão continente.

  8. a grande queda do ps (chega a ser de 10%) e o aumento do cds ( 3%, o que em 8% é muita fruta) são os de desvios marcantes das sondagens relativamente à votação (por outro lado poderíamos dizer que as sondagens acertaram relativamente à votação do psd). não sei se as conjecturas do post correspondem ou não à verdade.
    relativamente aos comentários, o do (da) “mau mau maria” exempliflica bem o bloquista treinador de bancada: nada está certo, tudo está mal, e posso criticar livremente com irresponsabilidade porque jamais me queimarei a fazer o que quer que seja. não interessa que a reforma da segurança social tenha evitado a sua iminente falência e tenha possibilitado não só o pagamento sustentado de subsídios de desemprego aos inúmeros desempregados como tenha ainda permitido aos inúmeros trabalhadores em lay-off frequentarem acções de formação. critico os impostos mas reclamo mais despesa. não interessa que o ministério público seja “o mais independente da europa” mas a culpa da sua ineficiência, reflectida nos inúmeros casos prescritos e a prescreverem, é deste governo.
    não há paciência para esta gente. vê-se que nunca geriram nem uma mercearia, ou então gerem aquelas associações dependentes de subsídios estatais. há muita gente que veio ao engano votar no bloco pois não sabem os retalhos ideológicos que estão por detrás (e eles escondem-no bem). por fim reclamam sempre a superioridade moral tendo como exemplo mor a ex-democracia albanesa. livra.

  9. Não são só as sondagens que pervertem e desvirtuam a Democracia: é todo o “circo” mediático à volta da política, que cansa, enoja, incomoda e desmotiva as pessoas de participar.

    Mas não sei se a solução é simplesmente “não publicar” (as sondagens, como toda a restante panóplia de “ruído” político, mais concretamente toda a “opinião interessada”). A Democracia terá de ser suficientemente sólida para resistir a tudo isto? Espero bem que sim.

    Grande e amargo texto do Mário. Gostaria de acreditar que está a ser demasiado pessimista…

    Quanto ao único facto verdadeiramente relevante destas europeias, a derrota estrondosa e inesperada de Sócrates e do P. S., não atribuo assim tanta influência às torpes maquinações dos seus inimigos (não disse adversários, disse mesmo INIMIGOS), embora também as condene veementemente.

    As coisas são talvez mais simples e resumem-se a isto: O P. S. parece de Esquerda visto da Direita e parece de Direita visto da Esquerda! Em tempo de vacas magras e de défice de esperança, a identificação afectiva assume especial relevância.

    Sim, há muita falta de definição de uma atitude verdadeiramente centrista (que é o actual e verdadeiro lugar do tradicional Centro-esquerda) e de uma clara e liminar recusa de acordos com os seus adversários políticos, em prol de uma tal de “governabilidade” do País!

    Eu, que acredito cada vez mais no P. S. e em José Sócrates (e na sua capacidade para aprender algo com esta derrota), penso que enquanto não puserem claramente a questão “ou nos querem a governar sózinhos, ou então mudamo-nos uma Legislatura para a Oposição, mas governar com quem nos combate, isso NUNCA!”, não conseguirão convencer um eleitorado demasiado massacrado com questões laterais, a crise, o desgaste da governação e, sobretudo, o facilitismo de quem, por exemplo, hoje diz não ao TGV a pensar que, mal chegue ao Governo, dirá logo sim…

    Quanto ao Ant.º Vitorino, continuo a pensar que seria a arma infalível para apear o Cavaco, mas mais importante do que tudo é mesmo o próximo Governo…

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