A doideira

Temos um seleccionador nacional de futebol que tentou esmurrar a cara de um jogador de uma selecção adversária, ainda no relvado. Nessa mesma noite, depois de se acalmar e poder pensar, foi a uma conferência de imprensa negar a realidade. No dia seguinte, foi a uma televisão negar a responsabilidade. Dias depois, conhecida a sanção da FIFA, anunciou que ia tentar negar a moralidade. Com o conluio do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e com o silêncio da tutela.

Temos um político acabado, desgraçado, gozado, que morre de inveja de um treinador de futebol. Esse político é chamado à televisão para dizer umas banalidades que ninguém — ninguém — tinha qualquer interesse em conhecer, muito menos em perder tempo a ouvir. Aconteceu-lhe a supina sorte de o invejado treinador ter aterrado em Portugal à hora da sua declaração. Logicamente, o canal dedicado às notícias dá a notícia que a audiência estava interessada em ver: as imagens e as palavras do treinador, fossem quais fossem, umas e outras. O canal era de notícias, e só de notícias. O canal tem como missão aquilo que fez: dar directos da actualidade, do que constitua a actualidade, sem discriminar, sem tomar partido, sem se substituir à actualidade. O canal gastou 1 minuto com o treinador e voltou ao político. O político tinha um percurso onde se misturava a política e o futebol de forma indiscernível e indescritível. O político devia a maior parte da sua popularidade e poder aos favores que o futebol lhe fizera e que ele retribuíra por cima e por debaixo da mesa. O político era também a ostensiva manifestação da venialidade e da vanidade. Acossado pela própria decadência, sem esperança de conseguir voltar à ribalta, farejou um brilharete: fazer de puta ofendida. Acertou em cheio no País. No dia seguinte, o dia mais imbecil da História de Portugal, era unânime o louvor àquilo que a hipocrisia de uns, a inanidade de outros e a cobardia de todos chamou de coragem. Porque Santana se tinha virado contra a televisão, esses malandros que insistiam em transmitir exactamente aquilo que as audiências queriam ver. O mestre da popularidade dava um golpe de populismo magistral. Criava um estudo de caso em manipulação, um automático clássico destinado a ser citado e investigado pelos anos afora em academias e institutos onde se estude a demagogia. O povo aplaudiu, ejaculou com a opção de Santana: em vez de ter continuado a falar do PSD, e de ter apenas puxado as orelhas aos seus amiguinhos televisivos mas continuando a rebolar-se no charco da sua irrelevância opinativa, resolveu acabar com aquela chatice e ofereceu uma peixeirada à audiência. Isso sim, é o que faz falta para animar a malta. Política não, muito obrigado. E prontos — com uma palhaçada, e mais uma vez à conta do futebol, Santana voltava ao circo da política. Entretanto, o povo, agora (e sempre, e para sempre) adepto de Santana, irá continuar a perseguir o Mourinho, e os milhões do Mourinho, e a soberba do Mourinho, para onde quer que ele vá. E ai do canal de televisão que não lhes der o Mourinho a peidar-se numa esquina de Setúbal, pois não irá recolher a sua numérica presença para mostrar aos anunciantes. Santana, por causa do Mourinho, é agora um Mourinho na pele de Santana: pode voltar a treinar várias equipas. Pode voltar para o parlamento, para a televisão, para o futebol, para o tal País que o aclama e se delira a seguir em frente, com palas nos olhos, à nora.

Temos um partido da oposição cujos militantes acham que Menezes é melhor que Mendes. Acontece que eles têm razão. Com Menezes, o PSD acaba mais depressa. É melhor para todos.

14 thoughts on “A doideira”

  1. A mim nao me espantou nada que os gajos cortassem o SL, porque o gajo levava altos bailes quando se metia naqueles programas de discutir futebol, toda a gente sabe que mesmo no futebol ha gajos muito mais interessantes do que o SL, como o PC e o Mourinho.
    O SL e’ um mal educado, nem quis saber se o nosso querido Mourinho chegou bem ou mal. Nao e’ amigo de ninguem, se fosse um gajo fixe nao desatinava.

  2. Tomas os teus desejos por realidades, Valupi. O Santana tem um público fixo de fanáticos que não vale a pena ignorar. O Menezes vem tirar o PSD do marasmo, queiras ou não. É assim, goste-se ou não.

  3. O Santonecas, como sempre, igual a si mesmo: As senhoras convidaram-no para ele ir à SIC notícias e ele foi, com sacrifício pessoal, coitadinho! Sempre que o oiço fico sem dúvida que há uma criança mimada que o habita em permanência e que continua a acreditar que um dia (um maravilhoso dia de sol) ele vai voltar a ser líder do PSD, ai vai, vai… se não for Presidente da Republica, ai, ai…

    Ora repara como este seu ultimo golpe se transforma: http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/129097

    Valupi, somos um país de pescadores, deve ser por isso que gostamos de peixeirada. Gostei: “… com palas nos olhos, à nora”… não estás a chamar a malta de burros, pois não?

    E o Mourinho? Ui, criança veloz! Ninguém o apanha, nem os media.

    Existem muitas vertentes da criança mimada. Aqui temos duas, mas há mais!

  4. contigo, valupi, só concordo num ponto, aliás brilhante ( la tournure de la phrase plus exactement)

    isto -» dá a notícia que a audiência estava interessada em ver

  5. Gostava que me explicassem o que é que este post faz, senão oferecer ao publico “uma peixeirada” nos mesmos moldes que aquela que critica e, parece-me a mim, por razões muito parecidas.

    A unica (mas fundamental) diferença é que a atitude de PSL estava certa, enquanto o conteudo do post esta errado.

    Hac re videre nostra mala non possumus ; alii simul delinquunt censores sumus…

  6. Ja desconfiava, não ha explicação porque a resposta à pergunta é : nada…

    Em contrapartida, esta certissimo o que dizes no post mais abaixo sobre apagar ou não apagar comentarios.

    Um abraço.

  7. joão, confundes a estrada da Beira com a beira da estrada. Não fui eu que abandonei uma entrevista na TV invocando um directo relativo a um treinador de futebol.

    Quanto a achares correcta a atitude do homem, e errado o conteúdo do post, so fucking what? Sinceramente, não entendo a tua questão – mais, acho que não tens questão nenhuma. Querias repetir que apoiavas o comportamento do Santana, e foi o que fizeste. Muito bem, não estás só: toda a gente gostou do espectáculo. Toda, ou quase…

    Quanto a teres apreciado a minha posição na questão dos comentários, isso revela que ainda há esperança para ti. Com o tempo, daqui a um mês, estarás a dizer mais mal do Santana do que tudo o que de mal eu disse ou pensei em dizer. É assim, as opiniões mudam.

    Abraço

  8. Valupi:
    alguém devia acabar contigo e não com o PSD (que fauna seria esta sem um PPD à BE) …
    Menezes é só para “alimentar o archote”.
    É Pedro Passos Coelho o homem do futuro … o futuro … ou seré que és como aquelas velhinhas que vão a Fátima rezar para que o Mundo não acabe …

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