A capitulação do jornalista ao capital

Nuno Ramos de Almeida costuma expressar com frequência a sua repulsa pelo período histórico onde calhou nascer. Terá chegado cedo ou tarde demais. Ou talvez a cegonha espacial se tenha enganado no planeta. O certo é que não gosta nada do que vê à sua volta. Está zangado e sabe bem de quem é a culpa: do capitalismo.

O capitalismo, explica usando um argumento geográfico-fatalista, está por todo o lado. Logo, quem precisa de trabalhar, como será infelizmente o seu caso, terá de se dirigir ao capitalismo e pedir uma remuneração. Em troca, o desgraçado compromete-se a aumentar ainda mais o poder do ogre imperialista. É isto ou a morte, esclarece ilibando no mesmo passo o António Figueira, vítima de igual tragédia.

Mas será realmente assim como ele diz? Vejamos alguns exemplos. Que o impede de trabalhar para o PCP, onde o seu talento de jornalista encontraria um ambiente ideologicamente perfeito ou, no mínimo, sofrível, desse modo evitando a actual servidão? Ou que o impede de viver de biscates e esmolas, precisamente por sofrer de uma doença incapacitante, o anticapitalismo? Ou que o impede de se dedicar a roubar aos ricos para dar aos pobres, de caminho ficando com uma pequenina parte para o pão e o tabaco?

Há algo de muito enigmático na sua rendição e apoio ao capitalismo. Começo a desconfiar que o Nuno pode até ter recebido envelopes castanhos com vales de compras para o Freeport só para boicotar a investigação da senhora Moura Guedes. Isso explicaria o fiasco da operação que estava quase a mandar Sócrates para o chilindró. É que coisas mais estranhas já terão acontecido, pelo menos a acreditar em certos jornalistas.

18 thoughts on “A capitulação do jornalista ao capital”

  1. sempre ouvi dizer
    q os extremos tocam-se…

    cá,

    alem disso, aliam-se…
    com muitas justificações…

    mas quem os viu
    na rua
    no parlamento
    unidos como os dedos duma mão
    gritando eventualmente
    pSD e pCP
    unidos na mesma luta!!!!…

    não pode estranhar este conubio…
    decorre dos personagens e sua estranha natureza

    e é,
    tristemente,
    de todos os tempos…

    abraço

  2. o valupi vai falar de elefantes , mas o que ele quer mesmo é falar de minhocas e vai daí começa : o elefante é um bicho grande , tem 4 patas e uma tromba , uma tromba que parece uma minhoca!!!!!! e patati chilindró , coitadinho do zézito…

    não percebo essa coisa do fiqueira : não é um senhor que escreve de coisas da vida , e muto bem , no 5 dias (esquerdolas) e no albergue espanhol ( direitolas ) ? penso que é claroi que ele faz o que quer. e faz muito bem.

  3. aparentemente todos os gajos que foram para o governo, de acordo com declarações entregues e com excepção para o paulo portas, ganham menos do que ganhavam, o que se traduz numa redução do imposto sobre rendimentos a arrecadar pelo estado e no enfraquecimento do poder de compra dos mesmos com reflexos na economia nacional. se formassem um governo sem-abrigo resolviam este problema, mais as gravatas e o ar condicionado da cristas.

  4. O Nuno Ramos de Almeida é, de facto, um sem carácter.
    Já fez o que o Val sugere.
    Esteve Director de uma Revista (bem interessante, por sinal…) que dava pelo nome de POLITIKA, propriedade do PCP, ligada à JCP.
    Editaram alguns números e, depois, foi implodida pela direcção do PCP.
    Foi trabalhador independente na ou para a Câmara de Lisboa, na “quota” do PCP no primeiro mandato do Sampaio em Lisboa, afecto a uma estrutura controlada pela “tropa” especial do PCP e que tinha o nome de “Festas da Cidade”.
    O NRA é, sobretudo um sorna, que gosta de fazer népia e ganhar a “narta” para se poder dedicar às insanidades do 5 Dias e da luta anti-imperialista, anti-globalização.
    Tenho ideia que terá “saído” do perimetro do PCP, sem nunca se ter desligado mentalmente.
    Muito amigo do Miguel Portas, terá (não tenho a certeza disto…) aderido, pela Politica XXI, ao Projecto do Bloco de Esquerda.
    Com ele, ou apoiado por ele, andou a “mourejar” em vários projectos capitalistas (O JÀ do tio Balsemão, a FOCUS, de quem estveve Director e foi corrido e a SIC e a TVI e etc).
    Agora está, parece, Editor Executivo no jornal i.-
    Nuno Ramos de Almeida é um embuste, amoral e convencido que herdou a inteligência do pai.
    Ficou-se mais pelo desenrascanço da mãe Tito Morais, jornalista na LUSA.
    Sim, por que este bestunto já assinou Nuno Tito…quando lhe dava jeito.

  5. É o que eu digo… Como já é habitual, quando o Valupetas procura atacar ou ridicularizar a perspectiva marxista da realidade percebe-se que o faz determinado pela sua personalidade obsessivo-compulsiva e pouco ou nada racional ou reflexiva, pois só nos consegue oferecer «ideias» (ou exemplos, ou perguntas) idiotas, patéticas e infantilóides, mas que revelam, logo à partida, a sua ignorância àcerca do que é e diz aquela perspectiva.
    Sim, porque as suas «perguntas» incorporam um dos preconceitos, ou ficções, que, precisamente, Marx mais combateu: a ideia de que há seres humanos à margem ou desligados da sociedade. Ou seja, a ideia do ser humano concebido como um ser atomizado e independente das relações sociais.
    Mais: as suas «perguntas» acabam por ser apenas um reflexo da ideologia ou cartilha liberal segundo a qual antes de existirem relações sociais já há «naturalmente» individuos feitos ou «livres», e nessa medida são «perguntas» retóricas que, «naturalmente», sugerem a adopção de posições individualistas (tipo São Francisco de Assis ou Zé do Telhado) como forma de os marxistas resolverem o «seu» problema social. Um reflexo ideológico de que o Valupetas nem deve ter qualquer consciência, pois o primarismo e a idiotice subjacente às suas «perguntas» são mais próprias de um papagaio que «fala» muito mas não sabe do que «fala»…

  6. Mas nada melhor do que um texto do próprio Marx, para o Valupetas perceber que não sabe do que fala, nem sabe o que pergunta…

    «Quanto mais se recua na história, mais o indivíduo – e, por conseguinte, também o indivíduo produtor – se apresenta num estado de dependência, membro de um conjunto mais vasto: este estado começa por se manifestar de forma totalmente natural na família, e na família ampliada até às dimensões da tribo; depois, nas diferentes formas de comunidades provenientes da oposição e da fusão das tribos. Só no século XVIII, na “sociedade burguesa”, as diferentes formas do conjunto social passaram a apresentar-se ao indivíduo como um simples meio de realizar os seus objectivos particulares, como uma necessidade exterior. Mas a época que dá origem a este ponto de vista, o do indivíduo isolado, é precisamente aquela em que as relações sociais (revestindo deste ponto de vista um carácter geral) atingiram o seu máximo desenvolvimento. O homem é, no sentido mais literal, um animal político, não só um animal sociável, mas um animal que só em sociedade pode isolar-se. A produção realizada à margem da sociedade pelo indivíduo isolado – facto excepcional que pode muito bem acontecer a um homem civilizado transportado por um acaso para um lugar deserto, mas levando consigo já, em potência, as forças próprias da sociedade – é uma coisa tão absurda como o seria o desenvolvimento da linguagem sem a presença de indivíduos vivendo e falando em conjunto. É inútil insistirmos nisto.»

    É inútil? Claro que é! Quando estão em causa tipos obcecados e pouco reflexivos (como o Valupetas), é inútil tentar mostrar-lhes a sua ignorância. Portanto, nem perco mais tempo…

  7. Obrigado ao Albergaria pelas achegas ao post, que dão pistas sobre o currículo do Almeida. Conheci o pai deste senhor, um apparatchik comuna que jogava muito bem à sueca, ciência que desenvolveu à perfeição nos doces ócios do exílio em Argel (suponho que o Alegre era mais dado à bisca). O rebento Almeida tem ar de ser apenas um pateta, um órfão do comunismo acolhido sob a vasta saia do cavaquismo, a caminho de um destino Zita Seabra ou quejandos. Do sectarismo soviético do pai herdou sobretudo a sanha anti-socialista, mercadoria muito valorada nas hostes laranja. A conversa enjoativa sobre o capitalismo é um mero alibi tapa-buracos, fica bem em qualquer lado, até numa sacristia.

  8. E gostei da citação do ds, conversa de embalar oitocentista que cai como ginjas depois de um bacalhau à Gomes de Sá num almoço de férias. Apreciei sobretudo o carácter démodé do recurso a tão insigne como arcaico pensador para dirimir um pleito de caixa de comentários. Execelente bacalhau à Gomes de Sá, aliás.

  9. Ó Júlio, se até o Valupetas já te disse (ou mostrou) que tu tens dificuldades em interpretar os textos dele, tu depois queres perceber um autor que o próprio Valupetas não percebe? Eh pá, fica-te pelas tuas almoçaradas de férias, porque está visto não tens capacidade intelectual para digerir o «autor arcaico» em causa….

  10. Esta é provavelmente a posta e linha de raciocínio mais imbecil que li na blogosfera. O que não dizer pouco…

    Foda-se, manda-te de uma ponte.

  11. A Luísa Tito de Morais nunca foi propriamente jornalista da Lusa. Limitava-se a traduzir os telex da AP. Era uma tradutora. Nunca terá feito uma notícia de motu proprio. E o pai de NRA não é o Pedro Ramos de Almeida que aceitou um convite de Marcelo Caetano para regressar a Portugal em 1968?

    É só para saber…

    GM

  12. é pá , tanta comadre à janela. até já falam das famílias. tenham um mínimo de pudor , porra. ou não tenham..dá sempre filmes xpto.

  13. Caro Gonçalo Moreno,
    É assim mesmo como diz.
    Uma nota interessante.
    Como se sabe, o Sindicato dos Jornalistas está nas mãos dos comunistas. A “jornalista” do AVANTE Anabela Fino, irmã do Carlos Fino, para abrilhantar o elenco, integra a Direcção do dito.
    Mas, também, pasme-se, o Nuno Ramos de Almeida, está Vogal da Direcção. Pasme-se ainda um pouco mais, Luísa Tito Morais é membro efectivo do Conselho Fiscal.
    Tudo em familia, politica e de sangue.
    O Pasolini, que se desconfortou com a citação das familias, deveria perceber, como dizia o poeta Guerra Carneiro, “isto anda tudo ligado…”

  14. Obrigado, José Albergaria! Esclarecedor! Agora tenho de investigar Pedro Ramos de Almeida. Sim, porque não é só o Nuno que gosta de investigar…

    O Carlos Fino foi PC, na altura da Faculdade, já não é.

    GM

  15. Ainda mais: a Rosária Rato é pró-PC, se não mesmo PC, o Fernando Valdez é mais PC do que os próprios PCs e Pimenta de França é sobretudo anti-Sócrates.

    GM

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