6 thoughts on “arrumar o tempo”

  1. susana, sabes o que isto me faz lembrar? Os cubos de gelos, mas também outra coisa. Algo mais remoto, talvez um jogo, eu não sei. E fazes bem em arrumar o tempo. Começa a vir o frio.

  2. Acho curioso como pode haver tanta poesia em exercícios 3D. Mas o tema também foi bem escolhido.
    Vejo uma janela composta por pequenas vidraças, por onde o tempo desfila e passa. Imaginei que daria um bom relógio de parede e até de pulso (quase intemporais sonhos de arrumar o tempo).
    Talvez o tempo apenas se desarrume, o que torna este exercício ainda mais interessante.
    Um dia, alguém pediu ao tempo para parar, ao que o tempo perguntou: mas durante quanto tempo?
    Durante muito tempo, sonhei em arrumar o tempo por estações e em casa. Teria assim quatro divisões, cada uma com o nome de uma estação do ano. E, para sempre, a ilusão de que cada vez que entrasse numa delas, estaria mesmo lá. Flores, folhas douradas a esvoaçar, neve branca e espessa, noites quentes com grilos… dentro dessa divisão, mesmo com outro cenário completamente diferente lá fora. Sonhei em ter dois tempos. Em ter o tempo arrumado.

  3. ter dois tempos consegue-se, eu ando a treinar, faz-se assim:

    w= x ‘mais’ iy, como um número complexo; o x é o tempo do relógio e do calendário, o y é o tempo do imaginário e está agarrado à unidade imaginária, raiz quadrada de -1, que não existe como número real.

    E então tem duas dimensões.

    Percorrer um caminho nesse tempo complexo é desenhar uma linha no plano complexo. Uma circunferência é o lugar geométrico da mesma profund_idade, o raio da circunferência, a distância à origem

  4. ana, agradeço o prazer.

    cláudia, parece que sim, que este outono aprimaverado está a terminar. atenção que ainda vem aí o verão de s. martinho.

    salomé, que ideia arquitectónica tão invulgar, quase original. sonhaste, pretérito? não deixes de o fazer.

    z, se a matemática é poética, porque não haveria de sê-lo um exercício 3d… :-)

  5. salomé, fiquei a pensar na primeira linha do teu comentário. na segunda frase, dizer que não há «escolha de um tema» depois desenvolvido. tema e construção surgem indissociáveis, vão crescendo em conjunto, não é uma ilustração.
    mas, sobretudo, a primeira frase. passe a evidência de me lisongeares, «tanta» será apenas alguma. o ponto de reflexão, no entanto, foi o «ser curioso». porque eu acho curioso e surpreendente que alguém considere a coisa poética. são brincadeiras, pequenos exercícios de descoberta em media que desconhecia, estas diversões que aqui ponho. talvez a poesia resulte da inadequação e da exploração (que se procura levar aos limites – possíveis, claro) da experiência; será?

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