a minha rua está salpicada de cocós de várias cores

Para não destoar e, de caminho, cumprir as quotas femininas do Aspirina, deixo aqui um um post feito à conta dos outros. Desta vez vou aproveitar-me de talento alheio que é prata da casa – da minha. A Catarina, numa série de eufemismos fumarentos, saúda a nova lei do tabaco e as melhorias genéricas que esta nova resolução trará por arrasto. Aplaudo uma delas, antevendo o fim da minhas gincanas diárias:
Suponho também que, se ainda não aumentaram, deverá estar para sair um aumento das coimas aplicadas aos donos dos cães que enchem as ruas todas de, literalmente, a merda deles. E que qualquer vizinho imediatamente chamará a polícia para multar o bicho (porque o cão não tem culpa).
Agradeço-te, mana. Ajudaste-me a despachar serviço. E logo com um tema de tão premente actualidade. A merda do costume. Perdão, dos costumes.

51 thoughts on “a minha rua está salpicada de cocós de várias cores”

  1. Muito bem (até porque me dou sempre ao trabalho de apanhar o cocó da minha cadela com um saquinho quando vou passear com ela).

    Já agora, atrevo-me a apontar mais uma lacuna à essa lei do tabaco: para quando mobiliário urbano (cinzeiros) para os malditos fumadores? As ruas não estão apenas salpicadas de cocó, mas de beatas nojentas.

  2. Pois! (não tinhas era lido o post!) :D

    Enquanto não for resolvido o problema do cocó do cão, não descanso. Ainda hoje andei a sacudir a sola de uma bota…acho que vou fazer uma petição.:DDD

  3. Para falar verdade, no meu bairro o maior problema nem são as bostas dos cães mas os cagalhões dos drogados.

    Mas como cagalhão de drogado faz parte de “problema social” aposto que os astrónomos dos observatórios de droga e mais o mano do engenheiro plesidente, agora içado a plesidente do IDT, também nunca pisaram nenhum…

    Cagalhão humano é bom, é ecológico. De passarinho ou de gato é que é uma ameaça para a saúde pública.

    Sim, porque se for de ratazana até é cool. Lá fora têm esquilinhos nos parques, nós temos temo-los cheios de ratazanas.

  4. Quanto à puta da lei do fumo é mesmo assim: uma anormalidade que me dá um certo gozo. É a vingança do chinês. Como se alguma vez um fumador, que por natureza é alguém que se marimba para o ar à volta, mesmo que haja ser humano sentado ao seu lado, alguma vez tivesse achado que os não fumadores também tinham problemas à custa deles.

    Claro que é anormal por vir do Estado e ser uma imbecilidade politicamente correcta da mania de durarmos muito e ser tudo muito higiénico e normalizado. Mas é um facto que há sempre um ditador dentro de cada um. É o “se eu mandasse, a ver se não proibia aqueles c*****s de fumarem”. Agora há quem o faça e ainda por cima legalmente.

    É um tanto reconfortante apercebermo-nos disto- que a democracia é o melhor lugar para germinarem ditadores de papel passado, a fazerem o trabalhinho por nós…

    “:OP

  5. Legalmente e por bem. Já me esquecia deste detalhe. Uma das grandes diferenças entre a prepotência não eleita e a eleita é que a primeira faz sempre tudo por nos desejar mal e a segunda por amor à humanidade.

  6. «Cagalhão humano é bom, é ecológico. De passarinho ou de gato é que é uma ameaça para a saúde pública. Sim, porque se for de ratazana até é cool. Lá fora têm esquilinhos nos parques, nós temos temo-los cheios de ratazanas.»

    Isto é genial.

  7. Ò JPC, juro que não pisei nenhuma bostinha de periquita mas acordei um pouco mais passada do que é vulgar
    “:OP
    Mas acho sempre muita piada da estas esquisitices citadinas. Quando vão para o campo aspiram cada bosta de vaca, que dava para alimentar turbinas de uma escola C S e a ver se não dizem que é bom, que é só saúde aquele arzinho do campo.

  8. Queria dizer de uma escola C S, que agora não se pode falar em santinhos por causa do laicismo da sacra ignorância.

    Mas no dia 3 vou dedicar um post a um de v-s. É o dia do peido e há santinho para ele…

  9. zazie,
    «juro que não pisei nenhuma bostinha de periquita mas acordei um pouco mais passada do que é vulgar»
    diz-me, mata esta minha angústia: é ainda possível?
    :-))))

  10. Assim como assim, a Lei já proíbe os canídeos de cagarem abundantemente em cafés, bares, discotecas e demais espaços fechados do domínio público. Ou não?

    Se não, pode-se sempre tentar disfarçar um cigarrito de cagalhoto fumegante, pá.

    Até já.

  11. susana,
    Se eu tivesse vergonha na cara estava quieto e não dizia o que vou escrever. Mas tenho tanta vergonha como juízo. Recuso-me a apanhar a caca do meu cão e acho que tal não devia ser exigido às pessoas. Mau cidadão? Talvez, neste contexto. Não acredito que não exista um sistema alternativo que não penalize os donos de animais ou os próprios, já que quantas vezes o egoísmo de cada dono não pesará na decisão de o levar à rua para ter que apanhar caca à mão. A questão é outra. Custa mais caro às autarquias do que comprar um chicote. E exige mais inteligência do que aquela que foi necessária para criar os hilariantes wc para cães, aborto normativo inventado por uma deficiência profunda em funções profissionais.
    Cagalhões no passeio são uma merda, passe a evidência, mas apenas mais castanha do que a merda que se acumula nas ruas e passeios, dias após dias, beatas e papéis e cuspo e restos de lixo mal embalado e garrafas e caixas e madeiras e tudo e mais alguma coisa que não é recolhido e limpo com a frequência mínima para a decência nacional. Não havendo merda propriamente dita, não se limpa tanto? É a merda dos cães que emporcalha mais? Não é, seguramente, embora seja de evitar e tenha ganho proporções inacreditáveis em certos locais urbanos.
    Não apanho a merda do meu cão. Tenho sorte, também: ele não caga nos passeios, é peculiar nas cagadas que faz, tal e qual o dono. Sempre que estou na cidade faço quilómetros para chegar a terra e relva, se for preciso. Mas recuso-me a apanhar bostas de quilos feitas por um mastodonte de quase setenta quilos que vive 24 horas por dia comigo, vai para onde vou, tem a decência de me evitar constrangimentos e a quem eu salvarei, tanto quanto possível, das asaes desta vida que moram em nós e das mesmas regras de normalidade que permitem os casaquinhos de lã no dorso dos pinchers e os tótós nos lulus.

  12. ó rvn… isso é altamente suspeito: partilhar a vida com um mastodonte de 70 quilos que caga que nem uma vaca…

    Tu não digas muitas vezes estas coisas em público. É que se não é a ASAE é a linha da denúncia que está à coca, por causa dos fetishismos virtuais. E olha que o gajo, se não sabe assinar de cruz, não te safa. Isto é preciso ter instrução para tudo, mesmo no caso de um mastodonte de jornalista televisivo.

  13. Na volta ainda metes o Paulo Querido em trabalhos. E esse já tem suspeitas que lhe cheguem. Quanto mais não fosse por aquela ideia perversa de cruzar um esquilo com uma tubarona.

  14. Na verdade, nem há-de ser à custa de uma grande vaca que este blogue ainda está aberto., e não sou eu.
    É cá com cada um. Pergunta ao Ferndinand como foi, só por causa de uma mochila.

  15. ó, isso não é nada. Por cá temos dinossauros fossilizados na Assembleia da República e a ver se há praga que os faça cair. O tanas, aguentam-se imunes a tudo.
    O que não mata, engorda.

  16. Ó rvn,

    pisar por pisar, a bosta dói mais um bocadinho que o lixo ou as beatas. Ou não? A menos que sejam daquelas beatas de igreja — essas fazem barulho que se fartam quando nos pomos em cima delas, isto é, quando são pisadas.

    Justificar as bostas com o lixo é, no mínimo, estúpido. Então já agora, atiremos o lixo doméstico pela janela. Assim como assim os passeios são uma pocilga. Justificar as nossas falhas e limitações com as dos outros é pura cagança.

    E isso de levar o auau a fertilizar a relva, claro que é porreiro, porque os putos que jogam à bola têm de aprender que o mundo é merda por toda a parte. Que limpem a merda da bola e das sapatilhas! Querem correr, brincar na terra? Sigam os cagalhotos, mas desviem-se! É que as nossas cidades têm imenso espaço para as crianças brincarem, portanto deixemos os donos dos cães depositarem a merda dos seus cãezinhos nos tapetes de erva, que é para as criancinhas aprenderem que brincar é no meio da estrada.

    Eu sempre achei piada aos tipos que passeiam o cão e se recusam a apanhar a bosta que lhes pertence. Se calhar, é pelo facto de em público terem de pegar em algo quente, de formato cilíndrico e revestido por um envólucro plástico que enjeitam a responsabilidade. “Eu não sou desses”, devem pensar os moçoilos.

    Há sempre vários prismas para pensar uma questão. Mas a razoabilidade e a inteligência mandam que se definam valores prioritários. A merda do cão não é uma prioridade. A repulsa do dono do cão não é uma prioridade. O bem-estar de todos é.

    E justificar as nossas falhas com as falhas dos outros é

    De facto, é falta de vergonha na cara. Ou pior. É plástico no sítio errado.

    Até já.

  17. renato,
    Tal como expliquei antes do meu caro ser atraído pelo vermelho da minha prosa, eu próprio entendo passível de ser considerada uma sem vergonhice social esta minha convicção. Quanto à minha práctica, em concreto, deixo-lhe campo livre a si para, no espaço entre a metáfora e a realidade que sempre tem a escrita, se encostar ao pior possível que o seu apetite desejar que seja o meu carácter.
    Sobra o problema dos au aus, tema sobre o qual emiti a opinião que evidentemente tresleu. Deixe lá, não devia ser nada importante. Foi bom o desabafo e isso compensa, por certo.
    Por defeito meu, seguramente, não aproveitei lá grande coisa das suas palavras, em termos construtivos. Excepto aquela parte do «pegar em algo quente, de formato cilíndrico e revestido por um envólucro plástico», que me abalou, confesso. Nunca até hoje tinha visto a coisa dessa maneira. Nunca o fiz, é certo, mas se algum dia chegar a minha hora de pegar em algo quente, de formato cilíndrico e revestido por um envólucro plástico, lembrar-me-ei que foi a conselho seu. E pensarei no tempo perdido, dando enfim valor às suas palavras.

  18. zazie,
    …e que às vezes encontro na minha cama ao acordar, sacaninha!! Mas juro-te: cinco casamentos depois, descobri o prazer de viver com um ser do mesmo sexo. E sem ter pegar em algo quente, de formato cilíndrico e revestido por um envólucro plástico, o que foi uma sorte para ambos, convenhamos. Não ia dar certo. Ele não lê e eu detesto pelo (para não falar do bafo no pescoço, como dizia o Villaret).

  19. «mas se algum dia chegar a minha hora de pegar em algo quente, de formato cilíndrico e revestido por um envólucro plástico, lembrar-me-ei que foi a conselho seu»

    ehehehe

    Este post ficou totalmente avacalhado. Agora só faltava um fundo musical com o cócó-mabo dos Irmãos Catita.

    “:O))))

  20. rvn, eu também não acredito que não haja um sistema alternativo. vamos pensar no assunto. enfim, as políticas do cocó de cão não nos convencem, estão todas mal. há-de haver uma alternativa, sim. não somos nós, que não somos ministros, quem terá que pensar nela, é claro. os ministros que se lembrem. mas, para já, estas estão mal, sim senhor. tudo contra a actual política do cagalhoto, já! para políticas melhores os gajos que se amanhem, já que contam com o dinheiro do contribuinte, esse gajo mal-amado. nós só não queremos é estas.

    hás-de um dia ter que limpar cocó mal-cheiroso de todos os recantos da tua casa porque uma das tuas crias espalhou o dito cujo, que seguia agarrado aos pés, por inauditas superfícies, e logo vês.
    pensei que andavas muito preocupado com a saúde pública… :p

    z, não é de todo surpreendente.

    renato c, palavra de honra que cheguei a pensar seguir os donos dos cães que deixavam o cagalhoto por aí e esvaziar as fraldas dos meus filhos no capacho de entrada deles. sou de utopias, já se vê.

    zazie, bem tentei fazer-te a vontade, mas essa música dos irmãos catita não está disponível no youtube. também procurei «cow mooing» e «cow pooing», mas o que encontrei não me encheu as medidas. em «cow shiting» encontrei um interessante film noir, com banda sonora a condizer. as vacas cagam bem e depressa, isso eu já sabia.

  21. nós, vulpes, pela graça de Deus, agora não nos importamos de ser vacas, porque somos promovidos a veículos de Shiva e sempre fomos gamados em tapetes voadores. Além de que nos assapamos no meio do trânsito e aquilo fica tudo passarinhos. E até damos leite, só que tem muita testosterona e faz peludos. Agora o rabo é que é uma pena, mas pronto deixa pra lá, não se olha para trás e já está. Talant de bien fere.

  22. No outro dia sonhei que um cão andava em Campo de Ourique a passear o dono. Vai daí o cão começa a cagar np passeio e o dono aproveita a ocasião para baixar as calças e começar a cagar ao lado do bicho. Isso mesmo: os dois a arrear o calhau gostosamente, ali no passeio, com gente a passar e a barafustar. Depois chegava um polícia barrigudo, fardado, baixava também ele as calças e arreava o calhau ao lado do cão e do dono do cão. Não sei se estão bem a ver a cena, acho que sim. Agradecia que me desvendassem o mistério deste sonho, se souberem.

  23. nik, bem diz a teoria psicanalítica actual que, na interpretação dos sonhos, o que importa é a hermenêutica do sonhador. assim, aguardamos que voltes.

    mas adianto uma observação: todos arreiam gostosamente o calhau. isto terá que significar alguma coisa. aconselho-te a reflectires sobre este ponto: a defecação sem dor.
    um fetiche com fardas pode também estar na calha.

  24. nik, susana,
    um fetiche com algo quente, de formato cilíndrico e revestido por um envólucro plástico, também pode não ser uma hipótese a descartar de rajada, se me permitem.
    perguntem ao renato.

  25. :) Confirmo.

    Aliás, atrevo-me a encomendar a todos os donos de auaus que, de uma vez por todas, peguem num saco plástico e vão à merda.

    Até já imaginei um slogan, que prima pela originalidade: “No chão, não. No merdão!”
    Gostam?

    Até já.

  26. rvn,

    obrigado.

    Para mim o carácter deve ser mal-passado, de preferência com uma pinta de sangue. Quanto aos conselhos (o Botto percebia disso…), fico satisfeito por lhe ter sido útil. Sempre que precisar, conte comigo para lhe dar trela.

    Boas caganeiras.

    Até já.

  27. e o cheiro a mijo? o cheiro a mijo é um problema de saúde pública que garanto incomoda fumadores e n fumadores. é proibido? é. as ruas continuam a cheirar a mijo que tresandam? continuam!

  28. QUAL DE VOCÊS FOI O ENGRAÇADINHO?
    Saí à rua hoje de manhã e estava uma poia mesmo à minha porta. Juro que é verdade. Não era cilíndrica e não sei se estava quente, mas como não tinha plástico borrei o meu sapatinho.
    Riam, almas danadas. Que as pulgas de mil camelos vos persigam até aos 80 são os meus votos.

  29. Hoje sonhei outra versão do cão que andava a passear o dono em Campo de Ourique. Às tantas o homem parava, baixava as calças e arreava gostosamente o calhau no alvo passeio de calcário. O cão, incomodado, ladrava, ladrava e puxava o dono pela trela. Vinham mais cães a ladrar, todos incomodados com o calhau do homem. Depois chegava correndo a quatro patas um polícia fardado e punha-se também a ladrar. Nisto chegava um carro da polícia com quatro cagalhões lá dentro e a sirene a fumegar. Não sei se devo continuar.

  30. Nik,
    Falei com um especialista sobre o seu problema. Ele é da minha opinião, confirmou sem hesitar. Deve passar a tomar um chá verde antes de se deitar (Gorreana é de longe o mais indicado) acompanhado com três rolos de papel hgiénico. Diz o homem e eu concordo: é tiro e queda. Acabarm-se os sonhos de merda.
    As melhoras.

  31. Cócó
    Jan 10th, 2008 at 18:51
    …e a zazie atraída pelo cheiro a merda. Costumes!

    É caso para perguntar o que atraiu a dona Cócó aqui. Na volta veio reinvindar a autoria dos cocós coloridos desta famosa problemática.

    Nada de novo. Eu sempre disse que o maior problema não eram as caganitas da espécie animal… v.s é que são uns animalofóbicos.

  32. isa, aí está uma culpa da qual a população feminina está praticamente isenta.

    rvn, não acredito em ti. estás apenas a tentar granjear a empatia do pessoal, substituindo a pedra no sapato por merda no sapato.

    nik, não tomes o chá, por favor. a tua actividade onírica está cada vez melhor.

    z, a conclusão dessa notícia tem toda a legitimidade. basta observarmos a maioria dos casamentos.

  33. susana,
    Granjear a tia do pessoal nunca me passou pela cabeça e empatá-la seria perda de tempo: o jovem, o velho e o burro tiraram-me esse impulso aos 15.

    (enganas-te, amiga, é mesmo verdade. disse foda-se 3 vezes e subi a escada para escrever o que viste, a pensar que a vida é um laço armado onde caio pela língua por sistema. believe it or not..)

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