“Vão a Ormuz buscar o petróleo”*. Obsceno

O estreito de Ormuz estava aberto há um par de meses. Agora está fechado. Antes o petróleo circulava e agora não circula. Falta flagrante de previsão/conhecimento/objectivo? Ou acção deliberada do americano laranja para obrigar os países a comprarem americano (e russo)? Não sabemos, as decisões erráticas parecem ser a norma, mas ambas as hipóteses são possíveis. Muita arrogância e vontade de abuso de força não faltam (não fosse o homem um abusador, desprovido de empatia, obcecado com a riqueza, além de um completo ignorante e Hegseth um belicoso, possivelmente fanático de videojogos).

Caramba, eu não sou dos que acham que antes dos ataques ao Irão estava tudo bem. Não estava. O Irão é, de facto, o grande financiador do terrorismo islâmico a nível internacional, os seus líderes são fanáticos perigosos e facínoras para com a própria população iraniana que deles discorda, em nome da religião poderão usar o nuclear para fins extremos e, actor determinante neste conflito, Israel não pode viver eternamente sob disparos de mísseis e sujeito a bombistas suicidas nem desistir de si próprio. E não, no que toca a Israel, está mais do que visto que nada se pacificaria se os israelitas decidissem fazer a sua vida dentro das fronteiras de 1967 e deixassem de controlar Gaza. Pelo menos não enquanto no Irão e em Gaza (e no Líbano) se gritar “morte a Israel” e se gastar o dinheiro todo a escavar túneis para atacar o vizinho. O objectivo é o extermínio, não é a convivência pacífica nem a aceitação de um estado de confissão não muçulmana, bem comportado, ali na zona.

Dito isto, uma vez começadas as hostilidades, bem planeadas ou mal planeadas, se Israel e os EUA não conseguirem instalar em Teerão um governo mais moderado que abdique do terrorismo, estabeleça relações civilizadas (como, enfim, os Estados do Golfo) com um Israel definitivamente contido no que toca à Cisjordânia (por negociações) e abra o estreito, a situação ficará mil vezes pior, não só para Israel, mas também para o resto do mundo, agora sem acesso ao petróleo ou com um acesso futuro muito mais caro. E a teocracia iraniana declarar-se-á vitoriosa. Só piora as coisas ouvir Trump dizer que quer ficar com o petróleo iraniano. Penso que nem os revoltados jovens que protestavam nas ruas do Irão aceitarão o declarado confisco.

Atoleiro, portanto. O Estado de Israel não ficará nada satisfeito se os americanos se retirarem, como já equacionam, agora que não sabem o que fazer e começam a disparar verbalmente para todos os lados contra o Ocidente e os países da NATO, que não foram nem tidos nem achados para esta operação.

Completamente nas mãos dos russos (é ver a bonomia com que o petroleiro russo é autorizado em Cuba), Trump pode até ter tido o aval de Putin para esta intervenção, uma vez que a Rússia está a beneficiar com o conflito. E não nos deve surpreender que os americanos se mostrem indiferentes à ajuda que os russos estão a dar ao Irão nesta guerra, nomeadamente na definição dos alvos. Americanos. Tudo encaixa. Manipulação mais escandalosa não há.

*https://www.bbc.com/news/live/c8jke9v9xv9t


 

18 thoughts on ““Vão a Ormuz buscar o petróleo”*. Obsceno”

  1. como é que o povo de cuba tem coragem de aceitar aquele petróleo putinista? eu nem conseguia voltar ligar as incubadoras no hospital se soubesse que era electricidade russa, com saudades da ex-união soviética.
    depois queixem-se

  2. A única solução viável para obter uma paz duradoura na Europa e no Médio Oriente, e devolver a prosperidade ao mundo, é a UE fazer as pazes com a Rússia. A progressão dos jogos do prego de Trump e Netaniahu, roubando recursos e território, matando a torto e a direito e relatando as façanhas em encenações mediáticas demoníacas, com o horrível silêncio da UE, destrói definitivamente a possibilidade desta vir a ter alguma autoridade moral ou autonomia estratégica e torna mais provável a guerra nuclear.
    Ao fazer as pazes com a Rússia, a UE isolaria o AIPAC que comanda a política nos EUA, Republicanos e Democratas, e em Israel. Promoveria a transição da Rússia, do Irão e da Ucrânia para regimes menos autoritários e menos sujeitos a corrupção, facilitaria a obtenção de uma solução territorial no leste da Ucrânia e devolveria algum sentido à existência da UE, agora transformada num mero desígnio militarista da sua burocracia russófoba não eleita.

  3. Postas de pescada queimada de gelo, a cheirar a fénico, com molho de alcaparras Valunelope, que alguns comem de bom gosto.

    Como escreveu JOSE, PREMIADO NOBEL <- renegado ou a renegar do ensino, do seu livro de ensaio sobre as vendas nos olhos- PORQUE O SISTEMA TEM MEDO DE QUEM PENSA.<

    SE PODES OLHAR VE, SE PODES VER REPARA.

  4. Lucas Galuxo: Como é que propões que se façam essas “pazes”? Reconhecer a Ucrânia como russa e não se fala mais nisso? O teu mundo é lindo. Sobretudo porque não és ucraniano.

  5. Penélope, a primeira coisa a fazer é pagar uma férias prolongadas a Kallas, Costa e Ursula numa ilhota do Pacìfico. Estou convencido que sujeitar quem manda na UE ao escrutínio eleitoral directo dos cidadãos europeus seria suficiente para resolver esse assunto (desde que não se consumisse uma parte do orçamento da UE na campanha deles). Depois era chamar os diplomatas à cabine de som. Pegar num telefone e pôr as pessoas a falar umas com as outras, como gente adulta, sem picardias, esgares, ressentimentos, sem se julgar num videojogo, com boa fé e concordando que nada é mais importante para qualquer ser humano do que estar vivo, até que a natureza o permita. E aceitando que podem existir boas razões dos dois lados. A Ucrânia e a UE têm direito a ter garantias de segurança. A Rússia também. O it’s not their business de Biden deu mau resultado.

  6. E cá temos mais um episódio de ‘O mundo segundo a propaganda israelo-americana’, pela mão da sempre fiável e facilmente impressionável Penélope.

    «[Os líderes do Irão] poderão usar o nuclear para fins extremos» – como Hiroshima e Nagasaki, quer dizer? Até hoje só um país usou bombas nucleares; é precisamente o país a quem as Penélopes confiam a paz do mundo e que decide quem pode ou não tê-las.

    «O objectivo é o extermínio» – o extermínio dos palestinos, que há décadas são tratados como párias na sua terra, e há três anos são chacinados perante a nobre ‘comunidade internacional’ para darem lugar a um resort de mamões? Não: o extermínio de Israel!

    «Se Israel e os EUA não conseguirem instalar em Teerão um governo mais moderado»… esta maneira de ver o mundo – onde se ‘instalam governos’ ao gosto da canalha que mais o chula – diz tudo: a capacidade crítica está ao nível da creche. A borboleta Penélope nem deve saber que os EUA já fizeram isso no Irão há 70 anos… com os resultados que se sabe.

  7. Os países árabes do Golfo, amigos dos maricanos, que tirem daí as devidas ilações.
    O seu aliado destruiu-lhes o modo de vida e agora pira-se!
    Deixa-os todos escavacados à mercê, não apenas do Irão, mas sobretudo da sede de terras e poder de Israel.
    Portugal que se mire no exemplo deles, para saber o que lhe vai acontecer.
    Cambada de covardes.

  8. Com os recursos de todo o mundo á ordem, com a mineração, as plantações de algodão, de açúcar, de café, de cacau, etc, a produzir em pleno com mao-de-obra gratuita e 200 milhões de mortos, assim se construiu a civilização moderna. Os ingredientes de hoje são o petróleo, o nuclear e a finança, há que lutar por eles, a civilização não pode parar.

  9. O que os americanos fizeram por açúcar é quase tão mau como o que fazem por oil. Divinal a praga de obesidade, e diabetes quem sabe se com o oil o karma também actua?
    Só no século 21 o EUA já fizeram um milhão de mortos, directos e indirectos.
    Suponho que a Penélope não tem alma, é um bot do sistema.

  10. Em guerras religiosas, não me meto, que se entendam lá no céu.
    Os custos?! são para toda a gente, portanto, vão bardamerda todos o beligerantes.

  11. O Jorge
    Lá no céu não, que se entendam mas é no Inferno. Se Satanas os deixar entrar, claro.
    Acho que alguns são tão maus que nem o Diabo os quer, porque tem medo da concorrência.

  12. Mas, Penélope, quanto ao atoleiro e no que toca à Europa: é ou não é do seu interesse que o regime teocrático de Teerão mude e deixe de financiar os movimentos terroristas que pululam não só pelo Médio Oriente, mas também em células na Europa? E que deixe também de apoiar o regime russo? Se é do seu interesse, não seria de uma suprema hipocrisia, como parecem querer muitos, cortar relações com Washington ou levantar-se em peso, indignada com o que está a acontecer, como se isso não fosse sinónimo de solidariedade com o regime de Teerão e como se o ataque fosse também uma declaração de guerra à Europa? E os milhões de iranianos que anseiam e morrem pela queda do regime? Não merecem solidariedade?

  13. Joaquim, os fins não justificam os meios. O que Israel tem vindo a fazer desde a morte de Yitzac Rabin é absolutamente intolerável. O regime iraniano terá todos os defeitos e mais alguns mas compare-se a serenidade desta mensagem do Presidente iraniano com as intervenções grotesco-demoníacas dos responsáveis israelitas e americanos
    https://twitter.com/drpezeshkian/status/2039418009052119190

  14. Lucas Galuxo, não fui correto no meu post. Depois do termo atoleiro, o texto é um excerto dum post anterior da Penélope.

  15. Joaquim O: Sim, é do interesse de praticamente todo o mundo que o Irão deixe de financiar o terrorismo e deixe de ser uma teocracia violenta e anacrónica. Esta operação, porém, não foi discutida nem acordada com mais ninguém a não ser o governo de Israel. Além disso, o objectivo dos EUA não ficou claro aos olhos dos europeus e, a sê-lo, como “ficar com o petróleo do Irão”, seria contra os seus interesses. Daí, reconheço que chamar hipócritas aos europeus foi algo exagerado neste caso. E sim, lamento que os anseios dos jovens iranianos sejam frustrados e que tenham que aguentar aquele regime mais uns tempos largos. Mas não será o Donald, um autocrata corrupto, ignorante e indiferente a tudo o que não seja espectáculo, glória e dinheiro, a ser sensível a essa questão, nem os bombardeios só porque se pode serão o método mais eficaz para alterar a situação no Irão . Oxalá fosse. Ou oxalá seja. Para já, nada indica isso.

  16. Penélope, concordo com este teu argumento. Daí discordar do teu argumento anterior. Não se trata duma questão de semântica. Ou de grau de adjetivação. Denunciar o ataque ilegal foi um imperativo de decência desde o início e nunca, nunca, nunca um sinal de apoio ao regime iraniano. Como era óbvio. Como afirmaste. Injustamente, portanto.

  17. Quem inaugurou o terrorismo naquela região foram os israelitas e a administração inglesa, que de lá fugiu com o rabo entre as pernas depois do ataque bombista ao Hotel Rei David que acabou com a maior parte do estado maior britânico na região,, foi a primeira vítima.
    Depois as eternas vítimas desataram a expulsar e matar gente na terra que lhes foi dada por Deus, pena que ninguém sabe onde para a escritura de doação,.
    Matanças que continuam até hoje, se vivesse na Cisjordânia ou em Gaza também andaria a escavar túneis se ainda não tivesse sido morto para me sacarem órgãos.
    E porque Israel e um estado assassino, um bando de assassinos messiânicos que muita gente os quer saku para fora.
    Ouviste as declarações psicopáticas dos seus dirigentes ou andas surda?
    E quando o Irão tinha um dirigente fantoche dos Estados Unidos e Israel, e um povo massacrado por uma policia treinada pela Mossad, a Savak, nem por isso deixou de haver resistência a esses assassinos lá plantados pelo Ocidente para sacar petróleo mais facilmente.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *