Processos transatlânticos

Já que a justiça brasileira parece acelerar, e com turbo, alguns processos portugueses, porque não enviar-lhes o processo BPN inteirinho para investigação? Ao abrigo da cooperação desinteressada entre países irmãos. Mas não nos importamos nada de pagar o serviço, pois não?

6 thoughts on “Processos transatlânticos”

  1. Para o PSD, o governo e o PR, as histórias do BPN e do Duarte Lima são extremamente embaraçosas. Aliás, o caso BPN relaciona-se directa ou indirectamente com todas as histórias do sr. Lima, incluindo a acusação de homicídio no Brasil. A morte de Rosalina Ribeiro, recorde-se, aconteceu um ano depois do estouro do banco e da sua nacionalização, que trouxeram à tona as histórias dos empréstimos sem garantias feitos ao Lima.
    O BPN – sobre o qual curiosamente ainda ninguém se lembrou de escrever um livro ou de fazer uma grande reportagem para a TV – foi obra de banqueiros laranja e burlões próximos do sr. Silva, que também auferiu proveitos financeiros vultuosos com a compra e venda amistosas de acções sem cotação na bolsa. O caso BPN, o maior crime financeiro do século, representa uma fatia considerável do buraco das contas públicas nos últimos anos (tanto ou mais do que a Madeira) e enlameia dezenas de figuras da política e da finança laranja. Sabe-se lá o que ainda está por vir à tona no lamaçal imenso do BPN.
    Quanto ao Lima, das duas, uma: ou o PSD, o governo e o PR se distanciam definitivamente do embaraçoso ex-vice-presidente do partido, não pondo obstáculos ao esclarecimento de todas as acusações e contribuindo para que se faça justiça, ou, temendo que as histórias do Lima possam revelar ainda mais merda, põem a máquina laranja a funcionar para abafar o que for possível. Quanto ao BPN, a sua venda por três patacos aos angolanos, com o providencial Mira na jogada, já serviu para tirar o banco das mãos do Estado, onde havia gente suspeita de não ser do PSD. Com a venda o governo fez um negócio ruinoso para o Zé pagante, mas pensando resolver esse delicado problema: o banco é agora privado e já não podemos meter lá o nariz. Esperemos que o ministério público tenha previamente reunido toda a documentação necessária para os 17 processos que estão em curso. Mas nunca se sabe.

  2. O colossal BPN: Certíssimo.
    Reportagens ou mesmo filmes.
    Este e outros temas da nossa história actual, como, por exemplo, o pós-25 de Abril e a quase tomada do poder pelos comunistas, ou o 25 de Novembro, podiam e deveriam ser tratados pelos nossos cineastas. Infelizmente, não são. Ou por darem trabalho, ou por poderem dar chatices, sabe-se lá. Pegar numa câmara e filmar correctamente ou até sofisticadamente já sabem. Bons actores não faltam. Falta a matéria de que são feitos os bons filmes – histórias bem contadas e que façam pensar.

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