Os mórmons, porque é domingo

Mitt Romney, o candidato republicano às próximas presidenciais americanas, é mórmon. Conhecendo relativamente pouco da seita, lembrando-me sim dos seus métodos de proselitismo, mais concretamente, o envio de jovens e bem parecidos evangelistas vestidos de fato cinzento pelo mundo fora, inclusive nas ruas da minha terra, em busca de aderentes, investiguei na net o que é exatamente ser mórmon. Descobri o seguinte sobre a cosmologia em que assentam a sua prática e que foi consignada no «Livro de Mórmon» (a sua verdadeira Bíblia), escrito nos anos 20 do século XIX por Joseph Smith Jr., após uma revelação, e que os distingue do cristianismo comum:

(tradução livre da Wikipedia) A vida na Terra é uma parte muito curta da nossa existência eterna. No princípio, todas as pessoas existiam num estado de independência em relação a Deus. Eram espíritos ou inteligências. Nesse estado, Deus, que também é espírito (mas amplamente «upgraded»), chegou junto delas e propôs-lhes um plano, de acordo com o qual poderiam progredir e ter o privilégio de o igualar. Livres de aceitar o plano, dois terços das pessoas aceitaram-no e um terço, liderado por Satanás, rejeitou-o. Quem o aceitou recebeu um corpo e veio à Terra perfeitamente consciente de que teria a experiência do pecado e do sofrimento e de que a forma como lidasse com as tentações e provações lhe conferiria posteriormente, presume-se que no regresso à existência extraterrestre, o estatuto de Deus. A expiação dos pecados da humanidade por Jesus Cristo merece especial ênfase, sendo o ponto central do referido plano, já que constitui o exemplo a seguir pelos humanos. Aparentemente, o mistério da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) não é mistério nenhum porque não há fusão. Cada um tem a sua função e estatuto. Deus vai comunicando com os humanos, para lhes lembrar o seu programa, como a Troika, por intermédio do Espírito Santo, através de visões, revelações e visitas de entes divinos.

No fundo, esta cosmovisão resolve o problema do Deus criador de tudo o que existe e que o torna responsável pela criação tanto do bem como do mal. Assume a distinção e o contrato desde o início dos tempos e identifica claramente os agentes do mal.

Bom, deixando de lado o interesse ficcional que me suscitam sempre estes tipos de explicações do mundo, porquê isto agora? Porque é domingo? De certa forma, sim. Domingo é dia de crónica do Alberto Gonçalves no DN. Começando por culpar a Maçonaria em geral pelos males do país e pelas trafulhices do Miguel Relvas em particular, o principal objeto das suas chispas de ódio desta vez não é Sócrates, é Barak Obama, de cuja mediocridade os seus apoiantes são o perfeito espelho, já que, ao que diz, gozam com a religião minoritária de Romney, ainda por cima sem humor. Obama, rotulado de perigoso, deve, por essas e por outras, abandonar a Casa Branca em Novembro. Mas tem razão, não deviam gozar, sobretudo se se intitulam de cristãos ou praticantes de outra qualquer religião. O ridículo e o absurdo apenas variam, pelo que é de facto inaceitável que uns gozem com os outros. Gonçalves revela-se aqui grande defensor das minorias, começando por nos induzir a pensar, enquanto lemos e arregalamos os olhos, porque conhecemos o escriba, que se está a refrir aos homossexuais. Engano, brincadeira com o leitor. Afinal referia-se aos mórmons, uma comunidade tão simpática. Sobretudo desde que aboliram a poligamia por terem sido proibidos de a praticar (o que deu lugar a cisões). Não percebo é em que aspeto Mitt Romney imita Jesus Cristo. Mas enfim. Fica-lhe bem, a Alberto Gonçalves, a defesa da liberdade religiosa, ainda que seja apenas um pretexto e uma maneira ínvia de esconjurar Obama. Por acaso não me lembro de o ver defender tão sentimentalmente os homossexuais nem sequer nenhuma religião, mas pode ser distração minha.

2 thoughts on “Os mórmons, porque é domingo”

  1. Dos mormons não falo.vejo-os na rua, gente simples,que por vezes penso que saõ da cia.quanto ao alberto gonçalves é um escriva reacionario que julga que tem piada,e que não resiste ao contraditorio num debate com qualquer politico mesmo que mediano.deixei de ler o DN, o que ele diz passa-me ao lado.

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