Não fadado para a função, no mínimo

Dizer que causa estranheza, ou mesmo vergonha, a reação de António José Seguro ao anúncio da concessão a privados da RTP/RDP é mentir. Por demasiadas vezes o líder do principal partido da oposição mostrou que reações frouxas, canhestras e inconsequentes são o seu forte, passe o paradoxo. Nenhum rasgo de brilhantismo, contundência, simples clareza ou clarividência é já de esperar daquela boca ao fim de mais de um ano de afabilidade, segundo o próprio, “responsável”.

Começar por dizer, em festa na Madeira, que, quando for poder, o PS renacionaliza a RTP, já de si uma patetice sem jeito, e só mais adiante apelar ao veto do Presidente Cavaco é de uma falta de talento e de preparação lamentável. Seguro anda a Leste e desconhece que há um Norte. Ninguém também parece querer mostrar-lho e o homem está tristemente entregue a si próprio. O conformismo de tais declarações é duplo: primeiro, dá a decisão por tomada e depois, por obra de algum espírito santo de orelha ou de um assomo de memória da lição mal estudada, apela ao veto (“Eu espero que essa proposta não passe no crivo do senhor Presidente da República.”), mas arranjando logo maneira de integrar novo conformismo ao ressalvar “Mas, se passar, quando o PS for governo voltará a existir um serviço público de televisão“. Homem, como? Cria um de raiz? Entra na guerra jurídica da anulação do contrato de concessão, previsivelmente bem blindado? Ah, talvez só preveja ser primeiro-ministro daqui a 20 anos.

O que nos leva a perguntar como seria um líder da oposição que tivesse estabelecido um pacto secreto com o atual primeiro-ministro de não oposição parecendo oposição. A resposta parece-me óbvia.

15 thoughts on “Não fadado para a função, no mínimo”

  1. Ele e o senhor presidente da república deviam ir com o pai natal ao circo e no caminho aparecer o lobo mau e comê-los.

  2. Nestas férias consegui rever um documentário chamado “The Secret of Oz” no youtube, li o último livro do brilhante Joseph Stiglitz, “The Price of Inequality” e mais umas coisas sobre a história norte-americana. Quando leio este post, pergunto-me se, perante a enormidade da dívida soberana do estado português aos mercados/banca internacional, é possível pedir seja o que for a políticos que acreditam ou que, pelo menos, se inserem neste sistema. Até agora temos vindo a não colocar em causa as instituições porque pressupomos que são democráticas e que o nosso sistema é democrático. Olhamos para o parlamento com respeito, porque é um parlamento eleito por sufrágio universal direto, logo democrático, logo venerável, logo o problema, concluimos nós, deve ser as pessoas que o ocupam. Acreditamos efetivamente que do ponto de vista formal pelo menos vivemos em democracia. Mas será democrático um sistema que, pese embora disponha de regras de funcionamento democráticas, não dispõe/prevê quaisquer meios para fazer face a poderes que escapam à sua tutela e têm uma capacidade para o coagir e condicionar, bem como à população em geral, tão ou mais superiores a qualquer ato normativo ou decisão de um órgão de soberania? O que se pode esperar e exigir de políticos que se movem num sistema completamente subvertido? Acho que antes de apontar o dedo aos outros, aos políticos, devemos perceber que esses já nada podem fazer por nós, pelo que temos de pensar em mudar de vida. Ter esperança nestes políticos e neste sistema é uma ilusão e uma péssima desculpa para nós próprios não agirmos, mas deve haver muita esperança em soluções diferentes e muito melhores. A crise é, de facto, uma oportunidade.

  3. O PS está moribundo e a gula de alguns levou-lhes o pouco que ainda tinham.
    Por este andar, aquilo ainda vai dar num novo partido do táxi se mantiverem esta espécie de ciclóstomo a alimentar-se do partido, com toda a corte de bajuladores e oportunistas que juntou ao seu redor.

  4. Pedro: Boa reflexão, mas querer viver num mundo sem condicionalismos externos é utopia. Há-os sempre. Fechar as fronteiras e proclamar a revolução não é solução, além de ser uma impossibilidade, pois já nem a guerra fria existe, com os dois blocos de interesses geoestratégicos, apoiantes de um ou de outro rumo. Estamos numa crise particularmente grave, condicionados pela moeda única, pelas incógnitas do seu abandono (que nehuma população quer, convém sublinhar), pelos dramas da permanência na zona, pela União Europeia, pela Alemanha, pelo poder das instituições financeiras, pela entrada da China e da Índia no comércio mundial e, claro pelo pedido de empréstimo, totalmente desejado por quem está agora no governo e altamente facilitado por quem os lá pôs (esses que agora entendem que o sistema está mal e querem sair dele).
    Para além de pensar que a solução tem de ser comum, penso também que há alguma margem de manobra dentro de cada país. A prová-lo estão as opções do atual governo, que, em muitas matérias, pouco tiveram a ver com o estrito Memorando, antes tendo como móbil o pagamento de favores e a distribuição do chamado pote. Outros poderiam fazer melhor e atentar aos interesses do país, segundo outro ponto de vista, mesmo sob o controlo da Troika. Onde estava escrita a obrigatioriedade de concessionar a RTP, por exemplo, ou o excesso de austeridade?
    Já agora queres agir como e com que políticos? Por mim, não desisto de exigir os melhores e de criticar os medíocres. Cá e lá fora.

  5. Pedro, a conversa antipolíticos e antipolítica conduz sempre a direito à conversa antidemocrática e, pouco depois, à conversa fascista ou comunista, becos sem saída, trágicos de consequências. Falas em “esperança em soluções diferentes e muito melhores”? Diferentes da democracia? Quais? Mesmo numa guerra, situação muitíssimo mais limitadora e condicionadora do que uma crise financeira, um regime democrático pode e DEVE continuar de pé. Especialmente numa guerra, direi. Mesmo sob as bombas, o parlamento britânico nunca parou, continuando os deputados a questionar o governo e a propor soluções alternativas durante todo o período de guerra, como antes dela. Sem democracia, não teria havido a autêntica unidade nacional que houve contra o inimigo comum nazi. É este modelo que nos pode servir de guia em tempos de catástrofe internacional. Não o grego, onde o eleitor reforçou os partidos fascistas e comunistas. Dito isto, verificar-se-á que a direita portuguesa fez exactamente o contrário do bom modelo desde 2008.

  6. não aprecio o estilo e a personalidade de josé seguro.foi calculista e não foi solidario com o governo do seu partido.A sua oposição ao governo, tem sido mais confrangedora do que a lamentavel governação de direita.cometeu logo um pecado, ao iniciar conversas a dois com um individuo que não tem nenhum problema em as negar! se lhe convier.isto tudo para dizer,que neste caso, acho que estamos a exagerar nas criticas.dizer: quando formos governo vamos voltar a ter a rtp publica, foi um forte aviso ao governo e ao comprador.Quem hoje, pode evitar esta vontade de natureza meramente politica do governo da direita? cavaco silva? a constituição (espero que sim) o parlamento com a maioria a votar contra. acho que a unica hipotese, é a possivel inconstitucionalidade da medida.é bom, não perdermos espirito critico mas não podemos” embarcar” nos recados de rui tavares e outros…. cujo unico objectivo é desgastar o maior partido da oposição tendo em vista o congresso das novas esquerdas.

  7. Maria Rita: Como é que vamos voltar a ter RTP pública? Gostaria de ver esta questão respondida. A luta é agora, antes, não é depois. E haveria tanta coisa a denunciar, começando pelos números e acabando na situação nos restantes países europeus, ou mesmo do resto do mundo, passando pelo Tribunal Constitucional! Seguro farta-se de perder oportunidades de fazer oposição e isto tem de dizer-se em prol de uma verdadeira democracia, em que os partidos na oposição fiscalizam e denunciam as medidas do governo.

  8. Penóple,primeiro faço a pergunta como impedir agora? agora respondo-lhe à sua questão: não podemos acabar com a concessão se por acaso for entregue ao privado? há indemnizaçoes a pagar? pague-se.Penople perante esta declaração de seguro, só um grande pulha pode avançar para a concessaõ. eu sei que me vai dizer que não faltam pulhas neste pais! é verdade! mas tinhámos coragem para os afrontar na devida altura.Os partidos só se poderão agarrar à constituição e o povo pelos vistos não está para grandes contestaçoes, o que é uma grande magoa, e até falta de respeito, para com quem tanto lutou por um pais livre e democratico.

  9. A única pessoa credível para conduzir o PS neste momento, é o Pedro Silva Pereira.

    Por aquilo que tenho visto, Seguro é um merdas, António Costa é outro, o Assis era mais ou menos, mas uma posicao que tomou ultimamente passou a merdas também.

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