Mas que brincadeira é esta?

Gaspar apresenta um orçamento devastador que põe os trabalhadores e pensionistas a pagar mais de 70% do buraco orçamental que ele próprio abriu, pouco se importando com o agravamento inevitável da recessão. As justificações para o que aconteceu ou está a acontecer são desconhecidas, pelo menos pela boca do próprio. Tudo é nebuloso e, para a maior parte das pessoas, totalmente inesperado e um autêntico choque.
Em Agosto, o indivíduo a que se chama Primeiro-Ministro anunciou que 2013 seria o ano da recuperação. Esse anúncio dispensa comentários na hora atual. O governo de que Gaspar faz parte tinha-se comprometido a aplicar medidas de ajustamento que fossem 2/3 do lado da despesa e 1/3 do da receita. Há mais de um ano que sabem que têm de estudar cortes na despesa; aliás já muito antes, ainda Passos Coelho era apenas presidente do PSD, o partido andava a pedir contributos de milhares de militantes e simpatizantes para reduções na despesa do Estado. Disseram que a participação na iniciativa foi intensa. Pois não só não fizeram nada nessa matéria neste ano e meio, como todos os contributos que eventualmente receberam parece terem ido para o lixo. No fundo, era show-off para mostrar ao povo (que depois neles votou) que o governo de Sócrates era incompetente a cortar nas despesas, que “havia limites para os sacrifícios”. Mas, apesar de não saberem nada de nada do que era governar, possivelmente nem o que são despesas do Estado, apresentaram-se a eleições como peritos nesta matéria. Em pouco tempo, quem ainda não sabia ficou a saber que a única coisa em que são peritos é mesmo na vigarice e no descaramento.

Agora, depois do anunciado massacre fiscal, lê-se nos jornais que Gaspar pede aos deputados do PSD e do CDS que apresentem medidas de corte nas despesas para «calibrar» o aumento de impostos. Isto depois de os membros dos Governo terem passado horas e horas em Conselho de Ministros com esse mesmo objetivo e de lá terem saído sem que a mais pequena alteração tenha sido introduzida no plano? Penso que a brincadeira já foi longe de mais. O que está a acontecer é muito grave. A ser aprovado este orçamento, o país enterra-se de vez e o Gaspar, principal responsável, acaba por sair, mas tranquilamente para um belo cargo num organismo europeu ou internacional. Depois de o país lhe ter pago principescamente e com que dor o que, pelos vistos, será a última tranche da sua dispendiosa educação…

Nenhuma crise é desejável, mas muitas são inevitáveis: acontecem quando a situação presente é ainda pior do que a incerteza do que pode vir. O Portas, se tem algum pingo de dignidade, devia abandonar o barco. E ainda antes da aprovação deste orçamento. É que tudo o que aconteça depois será irreversível. Sabemos que o seu objetivo político único na vida era fazer parte de um governo e que todas as demagogias e sujeiras foram válidas para lá chegar, tendo aí um grande ponto em comum com o seu parceiro de coligação. E que finalmente andava realizado. Mas a pouca credibilidade que lhe resta ao aliar-se a este bando de desmiolados depois de tudo o que tem acontecido, sendo certo que Gaspar e Passos o ignoraram olimpicamente, está a perder-se, pelo que não lhe resta outra saída que não seja a rutura. Esta brincadeira não é barata a nenhum título, mas Portas pagará menos se mostrar distanciamento de tamanhas incompetências. E o país, esse só pode perder muito menos.

7 thoughts on “Mas que brincadeira é esta?”

  1. totalíssimamente exactíssimamente. O Soares até já lhe mostrou o caminho: filho, para mostrares que tens um pingo de coerência nessa tola, demite-te, pá, se não vais queimadinho como os outros! (este é o tipo de linguagem que o Portas entende: “imagem queimada? NÃÃOOOO!”)
    Mas lá que deve estar em grande dilema, deve. Espero que não demore muito…

  2. @edie agora que o supranumerário Macedo diz vão haver mais medicos de familia vê aranjas um que te trate e toma a medicação. Mais e informando NÃO SOU DA TUA FAMILA. Ordinária!

  3. as alternativas do portas são ministério dos negócios estrangeiros ou fazer companhia ao isaltino na gomes freire, a coligação está garantida com os submarinos.

  4. ignatz,
    ah, pois, temos esse “pendente”. Mas ele também terá as suas moedas de troca para o negócio chantagista: “se me destapas daqui, destapo-te dali”. O que não deve faltar por aí sãos as verdades das zangas das comadres…

  5. tá tudo sob controlo do relvas e do cavaco, um controla os operacionais e o outro os chefes, a coisa mantém-se enquanto houver equilibrio de poderes. tá tudo caucionado com o bpn e o primeiro a roer a corda lixa-se, até ver é só rosnar e mostrar os dentes para impressionar a clientela do wrestling belém x s. bento.

  6. Gaspar abriu hoje o jogo, quando disse que só ia embora quando o mandassem. Na realidade ou está muito seguro ou estará a esmagar prepositadamente o Zé ,para que o mandem embora.

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