Macedo demitiu-se com dignidade. A sério?

Li por aí opiniões segundo as quais o ministro Miguel Macedo saiu do Governo com dignidade e com um discurso de demissão sucinto e exemplar. Ora, não passaram 24 horas do anúncio até se saber que este digno ministro, também considerado competente (mas sabemos da relatividade das coisas), se reunira há uns meses em Islantilla, Espanha, com António Figueiredo para conversarem sobre as escutas que a PJ lhe(s) andaria a fazer, procurando escapar em território estrangeiro à sua vigilância, e que os cabecilhas do esquema de corrupção eram seus sócios, amigos íntimos ou dependentes hierárquicos (factos conhecidos e não desmentidos). Claro que o facto de se ser amigo, ou, vá lá, até sócio, de pessoas eventualmente, e a dada altura, em circunstâncias propícias, pouco escrupulosas ou corruptas não significa de todo que se está igualmente envolvido nos alegados esquemas. No entanto, bastante chamuscado se apresenta, a meus olhos, Miguel Macedo neste caso e o receio de a chamusca se transformar em grave queimadela não lhe deixou alternativa senão abandonar a ribalta. A sua declarada intenção de “proteger” o Governo com este gesto pode até, muito bem, ser verdade. Ele lá saberá do que o quer proteger. Penso que Relvas invocou o mesmo. Possivelmente também Álvaro, embora com outra base. Esquecemos por vezes que Miguel Macedo não viu qualquer problema em fazer parte do bando liderado por Passos, Relvas e companhia. E que tudo indica  que ficaria, não fossem as faúlhas.

 

A permanente pose digna, reforçada pela voz grave e bonita, são instrumentos que naturalmente usou numa hora difícil. Pelos vistos, convenceu alguns. Não tem, aliás, o monopólio da boa sonoridade no Governo. Passos vive dela. E é com uma voz de bom timbre que nos recita os mais desastrados e vernáculos poemas. Fica aqui a sugestão, gente: quando saírem todos da frente, formem um coro a capella. Talvez nos divirtam a sério. Em contexto de responsabilidade, mal há um que se aproveite.

7 thoughts on “Macedo demitiu-se com dignidade. A sério?”

  1. Neste bando não há um que escape! São 3 anos a roubarem o povo, pensionistas, funcionários públicos e a destruirem tudo o que cheira a SOCIAL. A destruirem o que, apesar de insuficiente ainda, já tinha sido feito a favor do povo, e contra os grandes criminosos da finança, pelo anterior governo.
    Eram já demitidos e postos a ferro, numa qualquer penitenciária, mas quem os poderia demitir é pior do que eles. Nunca vi o meu país, assim tão assaltado a favor dos ricaços, tão sem vergonha – o ministro que agora se demitiu fazia parte deste processo, era um deles e continuará a sê-lo por outras paragens iníquas!!!

  2. Só se podem entender os elogios feitos a M. Macedo,
    pela sua demissão, como uma canelada aos incompe-
    tentes que ameaçam demitir-se e acabam por ficar, al-
    guns sentem-se “limpos” por pedirem desculpas aos
    portugueses! Muito antes do passeio a Espanha já o
    M. Macedo havia sacado uns milhares à conta de um
    subsídio de residência indevido, os problemas com as
    forças de segurança andam a marinar numa qualquer
    gaveta da sua secretário com as promessas de que, pa-
    ra o ano é que é! Será neste sentido que, se pode enten-
    der o elogio feito por José Sócrates, se não foi assim
    acho que cometeu um erro de avaliação da pessoa!!!

  3. O socratintas elogiou o Macedo ??? As rãs e batraquios que vocês engolem constantemente sem mastigar é digno mesmo de uma devoção e entrega apaixonada e digna. Que bom saber que aqui no Aspirina a tradição ainda é o que era ! Que descanso e consolo observar a vossa abnegação e coerência socrateira. Amen

  4. Sócrates comente e cometeu muitas vezes o erro do “politicamente correcto”. Sócrates não soube ou esqueceu a notícia ou acha normal num político “sacar uns milhares indevidos” por conta de uma declaração de falsa residência. Este descambar de Sócrates para o “politicamente correcto” retirou brilho à sua obra muito valiosa à frente do governo do país. Ninguém é perfeito. Por isso continuo grande admirador da sua obra e, sobretudo, da sua paixão pelo Estado Social. Se houvesse autenticidade na hierarquia católica portuguesa, esta saberia que o Estado Social é o embrião da comunidade de pessoas que se fartam de apregoar.., para sacritão ouvir.

  5. o sócras disse o que qualquer gajo responsável diria: sigam o exemplo do macedo e demitam-se. as responsabilidades apuram-se depois.

  6. Para os principiantes, eis o post reduzido à sua estrutura logica :

    Vocês sabem do que estou a falar
    Não vou dizer “a”
    Que se lixe, “a”, ja disse
    Esse zé nunca me enganou, ele e os fatelas que o rodeiam
    Nem com a voz melosa me enganam, cambada de fatelas, e ele é o mais fateloso de todos
    filhos da puta

    Boas

  7. Querido filho,

    Só agora entendo aquele homem aqui junto da porta. Agora sim, entendo aquele brilho e aqueles reflexos do sol nos seus óculos . Ainda assim, vás para onde fores nunca me esquecerei da tua da dignidade, Tão bem que estavas com a gravata e o fatinho azul.
    Lembra-te sempre que a tal coisa da dignidade começa nas companhias. Não a dos telefones onde trabalha a tua prima Rita, mas outras, aquelas, tipo, tecnoloures.
    Bem sabes que esta coisa das áreas sempre teve algumas companhias menos distintas.
    Não que seja snobe, agora esses homens da tecnoloures nunca me pareceram boa rés..
    Quanto ao fato azul acho-o o máximo! Veste-o de novo e vem para casa da tua mãe.

    P.s Um fato fica-te sempre bem. Podes ainda usa-lo na tomada do Costa do castelo.

    Qualquer semelhança entre este texto e a realidade é pura coincidência.

    Um Beijo

    Da tua mãe

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