Secretarias de Estado para todos, já!

Muito se tem dito e escrito sobre o último faux pas de Cavaco Silva: a ideia de sugerir ao Governo a criação de «uma Secretaria de Estado para fazer a lista de todas as empresas estrangeiras e, de vez em quando, falar com cada uma delas para indagar sobre problemas com que se defrontem». Ao contrário do que se escreveu no Aspirina, e sobretudo aqui, eu até concordo com a proposta cavaquista. E a medida, se querem que vos diga, só peca por defeito.
É que não são só as empresas estrangeiras que precisam de acompanhamento. Assim de repente, acho que se justifica a criação:

– de uma Secretaria de Estado para fazer a lista de todos os futebolistas estrangeiros e, de vez em quando, falar com cada um deles para indagar sobre problemas com que se defrontem [pensem no Liedson; lembrem-se do que aconteceu ao Pinilla]

– de uma Secretaria de Estado para fazer a lista de todas as raparigas estrangeiras que se despem em clubes nocturnos e, de vez em quando, falar com cada uma delas para indagar sobre problemas com que se defrontem [a renda em atraso da Irina; os imbróglios da Marilene, às voltas com a burocracia do SEF]

– de uma Secretaria de Estado para fazer a lista de todos os reformados estrangeiros que vivem no Algarve em resorts de luxo e, de vez em quando, falar com cada um deles para indagar sobre problemas com que se defrontem [a entorse no pulso de Bob, contraída numa cervejaria, a desmanchar lavagantes; a ruptura do stock de Chanel 5 em algumas lojas de Vilamoura]

São as que me ocorrem agora. Mas haverá decerto mais sectores profissionais a precisarem de atenção e desvelo governamental, tudo para que se mantenham por cá, tudo para que não se deslocalizem.

4 thoughts on “Secretarias de Estado para todos, já!”

  1. Finalmente alguém perspectiva a coisa da forma correcta.
    O problema das declarações de Cavaco não foi o de se infiltrar “na área governamental” – o candidato não terá o direito de dizer o que pensa da crise? Finalmente disse alguma coisa, alegremo-nos!
    O grave é que o economista predestinado abriu a boca… e disse uma vulgaridade.
    A montanha pariu um rato.

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