Manobras de concertação dilatória

Em lugar de consultar os partidos e nomear um novo primeiro-ministro, como a Constituição lhe impõe, Cavaco tem-se entretido a conversar com os parceiros sociais. Para a semana, o farsante, que diz estar preocupado com o Orçamento, vai passar dois dias à Madeira – coisa absolutamente prioritária neste momento. Um jornal diz que lá para o fim do mês haverá nomeação de primeiro-ministro. Antes do Natal talvez haja um governo a funcionar.

No quadro desta insólita concertação cavaquina, o presidente da Associação das Empresas Familiares (AEF) foi esta manhã a Belém dizer que a economia precisa de confiança e que é preciso conhecer rapidamente as orientações do novo Governo, “seja ele qual for”. Adiantou, porém, aos jornalistas que os “benefícios sociais” anunciados (pelo PS) são “preocupantes”. Sobre a esperada decisão de Cavaco relativamente à nomeação de um novo primeiro-ministro, o dirigente das empresas familiares disse que a decisão é da exclusiva responsabilidade do presidente e que não lhe fez recomendação num sentido nem noutro, mas acrescentou: “Explicámos as vantagens e as desvantagens de um cenário de continuação de um Governo de gestão ou da indigitação de um primeiro-ministro do PS com um Governo minoritário.” Não recomendaram nada, mas explicaram as vantagens e desvantagens. É giro.

Nunca tinha ouvido falar deste “parceiro social”, a AEF. Quando se fala em “empresas familiares” vêm à ideia os pequenos industriais, comerciantes ou agricultores portugueses que lutam por vezes com dificuldades para manter as suas empresas a laborar e pagar salários acima dos mínimos. Ora o presidente desta associação que supostamente os representa, de seu nome Peter Villax, é dono de um grupo multinacional da indústria farmacêutica que tem fábricas em três continentes e factura mais de 100 milhões, a Hovione. É uma boa empresa de hi-tech que exporta a sua produção e diz pagar bem aos seus mais de 500 trabalhadores (em três continentes). Mas qual será a dimensão ou a facturação média das empresas filiadas nessa Associação de Empresas Familiares? E onde é que Villax paga impostos? Não explicou nada disso, mas também não lhe perguntaram… (Este Villax é o mesmo que há tempos declarou que “os portugueses não gostam de trabalhar.”)

5 thoughts on “Manobras de concertação dilatória”

  1. Longe vai o tempo em que, não havia tempo para submeter os O.E.
    ao crivo do Tribunal Constitucional porque, no dia 1 de Janeiro de-
    via estar em vigor, por causa dos mercados e da UE !
    Hoje, apesar dos insistentes pedidos de Bruxelas para ter um “draft”
    do O.E. 2016, ao ainda presidente só falta perguntar ; qual é a pressa?
    Todos nós temos consciência que isto está tudo preso por arames, se
    tivesse sido outra a decisão da agência de rating canadiana, lá se
    fechava a “torneira” do BCE … e, o problema está no centro esquerda
    pois, em questão está um Governo do PS que dispõe de apoio dos
    restantes partidos da esquerda, com novas políticas respeitando os
    compromissos internacionais do País! Incoerentes é o que eles são!!!

  2. As organizações representativas dos trampolineiros nascem como cogumelos. A Associação de Empresas Familiares quer fazer passar a ideia que são representantes das pequenas empresas o que não é verdade; é apenas um estratagema para ajudar com ou sem votos os interesses do grande capital explorador.

  3. Os Madeirenses são mais felizes porque vêm a Lisboa sem pagar portagem.

    Fica mais caro e demora mais tempo ir do Porto a Lisboa.

    É uma tristeza, os parvinhos, burros, abrilistas termos que sustentar ilheus que tiveram o movimento FLAMA.

    Era mais um PALOP e ficava-nos mais barato.

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