Há limites para a estupidez

Prova-o bem o laranja Paulo Mota Pinto, que, apesar de estupidamente sustentar que um governo de esquerda está ferido de “ilegitimidade democrática”, não leva a sua estupidez aos cumes atingidos pelo seu correlegionário Passos Coelho, que se lembrou agora de propor uma revisão constitucional de afogadilho para permitir realizar novas eleições legislativas.

“A revisão constitucional não deve ser usada como arma na luta político-partidária quotidiana, nem deve ser feita a reboque de uma situação ou caso concretos”disse, e bem, o constitucionalista laranja Mota Pinto.

Acrescentou, e bem, que a proposta de Passos Coelho é “irrealista e, portanto, mero argumento na luta político-partidária”. Isto porque, segundo alegou, o apoio do PS seria sempre imprescindível para encetar essa revisão, o que agora não iria obviamente acontecer.  Ou seja, digo eu, a proposta não passa de uma estúpida provocação de Passos Coelho.

Declarou por fim Mota Pinto, e muito bem, que a proibição de dissolução da AR que se aplica nos seis meses posteriores às eleições legislativas “foi prevista justamente para evitar a repetição a curto prazo de eleições no intuito de forçar mudanças na expressão da vontade popular até se obter um resultado ‘adequado’, em substituição do acordo entre partidos com representação parlamentar”.

23 thoughts on “Há limites para a estupidez”

  1. Não se trata de estupidez, será antes uma fuga para a frente e uma
    forma de condicionar o próximo Presidente! Não há desforras nas
    eleições, ganhando em votos perderam em deputados logo, não
    existe qualquer legitimidade em reclamar ser governo quando não
    dispõem de maioria no Parlamento Ponto Final!
    Usam as velhas técnicas do nacional-socialismo também conheci-
    do como nazismo repete-se uma mentira até o Povo acreditar que é
    verdade, mobilizam a comunicação social para espalhar a mensagem
    e, esta obediente presta-se, basta ouvir os programas de antena aber-
    ta da SIC-N onde a novidade é, colocar reporteres na rua entrevis-
    tando pessoas e induzindo respostas! Até passaram imagens do PREC
    com o cerco da Constituinte e os deputados a dormir no chão!
    Toda esta “cegada” serve para mostrar o baixo índice de democracia
    que povoa as cabaças desta gentalha que usa palavras sem saber o
    significado como o “reviralho” … como se dizia no tempo do PREC é
    tudo malta janada, sem princípios só com fins !!!

  2. Estão ensandecidos e o Cavaco é o mais chalado de todos.
    Eleger um estupor deste calibre para a Presidência da República tinha de acabar em merda da grossa.
    Agora vejam lá se querem repetir a dose com o Marcelo, ou se tomam juízo e se fazem o que é preciso para voltar a eleger um presidente da República decente.

    Até o candidato a Rei, o Duarte Pio, compreende melhor e respeita mais a Constituição que o traste.
    Vejam lá que até ele, o Pio, já disse que dava posse ao António Costa porque “a lei é a lei” e que “a Constituição da República manda” !

  3. J. Madeira: «Usam as velhas técnicas do nacional-socialismo também conhecido como nazismo repete-se uma mentira até o Povo acreditar que é verdade

    J. Madeira, o uso psicológico da mentira em propaganda não é uma invenção do socialismo, nacional ou outro qualquer.

    Vem de muito longe e há-de continuar enquanto o mundo for mundo e os homens sacrificarem aos deuses. Por isso é que, em tempos de grande correcção política — como, por exemplo, nos da Alemanha hitleriana, da velha URSS, ou da imposta em muitos países actuais da União Europeia a propósito do pretenso «Holocausto» — convém dissecar em profundidade todas as aldrabices politicamente correctas.

    E a técnica que refere não é só a da repetição, do martelamento. É também e sobretudo a da desmesura e do mito. Aí é que está o segredo da abelha, o «abre-te sésamo» que escancara o espírito fraco ou desmunido de defesa ao poder inaudito da propaganda.

    Poucos terão alguma vez exposto esse facto com tanta percepção como Hitler. Aqui vai uma citação essencial (em tradução inglesa, para ganhar tempo, com as minhas desculpas pelo facto) que convém ler na íntegra para captar o contexto e os ecos do tempo:

    “But it remained for the Jews, with their unqualified capacity for falsehood, and their fighting comrades, the Marxists, to impute responsibility for the downfall precisely to the man who alone had shown a superhuman will and energy in his effort to prevent the catastrophe which he had foreseen and to save the nation from that hour of complete overthrow and shame. By placing responsibility for the loss of the world war on the shoulders of Ludendorff, they took away the weapon of moral right from the only adversary dangerous enough to be likely to succeed in bringing the betrayers of the Fatherland to Justice. All this was inspired by the principle—which is quite true within itself—that in the big lie there is always a certain force of credibility; because the broad masses of a nation are always more easily corrupted in the deeper strata of their emotional nature than consciously or voluntarily; and thus in the primitive simplicity of their minds they more readily fall victims to the big lie than the small lie, since they themselves often tell small lies in little matters but would be ashamed to resort to large-scale falsehoods. It would never come into their heads to fabricate colossal untruths, and they would not believe that others could have the impudence to distort the truth so infamously. Even though the facts which prove this to be so may be brought clearly to their minds, they will still doubt and waver and will continue to think that there may be some other explanation. For the grossly impudent lie always leaves traces behind it, even after it has been nailed down, a fact which is known to all expert liars in this world and to all who conspire together in the art of lying.”

  4. Penso que o parágrafo seguinte ainda não é ilegal em Portugal, e portanto pode ser citado sem sermos todos deportados para a Alemanha . Cá vai ele, para não se dizer que faço citações fora do contexto e se perceber melhor a questão da ligação do mito à propaganda:

    “From time immemorial. however, the Jews have known better than any others how falsehood and calumny can be exploited. Is not their very existence founded on one great lie, namely, that they are a religious community, whereas in reality they are a race? And what a race! One of the greatest thinkers that mankind has produced has branded the Jews for all time with a statement which is profoundly and exactly true. He (Schopenhauer) called the Jew “The Great Master of Lies”. Those who do not realize the truth of that statement, or do not wish to believe it, will never be able to lend a hand in helping Truth to prevail.”

  5. Está tudo a ser preparado pelos jornais, tv´s etc para uma mobilização da “Maioria silenciosa à la 28 de Setembro”. Até já veio um tal Machado da CAP falar das mocas de Rio Maior… Agora começo a entender melhor o porquê de todas as cedências às forças de segurança…

  6. Passos coelho pede desforra da sua vitória nas eleições de 4 de Outubro!…

    Passos Coelho, com mais uma manobra irreflectida, acaba por reconhecer implicitamente que se tornou o principal derrotado das eleições de 4 de Outubro. Em caso oposto, seria a primeira vez que alguém pede desforra de uma vitória.

  7. Faltou o fim do primeiro parágrafo, em directo da pena do malvado mais malvado da História. Cá vai ele, para edificação dos curiosos e fortificação das mentes:

    “These people know only too well how to use falsehood for the basest purposes.”

  8. Lobos e alcateias sempre existiram. E sempre apareceu um Salgueiro Maia que,de arma da direita apontada à própria cabeça,aguentou uma ordem de “Fogo!”, dada pelo fascista,sem borrar as calças! Os ministros da direita,valentões, estragaram calças,casacos e demais peças,incluindo tapetes e alcatifas,no doce remanso dos gabinetes,nessa altura. Tais pais,tais filhos… Coelho e Portas perderam todo o controle dos esfíncteres e são referenciáveis ,pelo olfacto, a 5 Km. Fracos ,lerdos e cobardes,para além do resto,nunca enganaram ninguém!

  9. F Soares: «Está tudo a ser preparado pelos jornais, tv´s etc para uma mobilização da “Maioria silenciosa à la 28 de Setembro”.»

    F Soares, o 28 de Setembro foi o exacto contrário disso: foi a famosa «inventona» da esquerda que deu origem ao trocadilho. E o que conseguiu foi privar uma parte importante da população dos seus direitos civis e políticos, e forçar o governo Palma Carlos à demissão e — até aos assaltos à República e à Rádio Renascença que fizeram o PS cair em si — impedir a livre organização política e uma ordem constitucional democrática.

    Tudo isto é muito sintomático do estado de espírito pouco recomendável que neste momento existe á direita, como noutros momentos, nos tempos do PREC, existiu à esquerda. Obviamente quando lhe digo, por exemplo, que os esquerdistas no 28 de Setembro de 1974 se comportaram como salteadores de estrada, não estou a incluir todo o esquerdismo sem excepção, e o mesmo digo agora em relação ao golpismo da direita.

    É tudo e não é nada complicado.

  10. Talvez seja apropriado chamar a atenção para o modo absolutamente digno de encómios como o Costa tem respondido com calma e sangue-frio aos dislates de gente que devia ser mais responsável (como os próprios Passos e Portas).

  11. O general Mc Arthur, comandante das forças USA no Pacífico na 2ª Guerra Mundial,foi parado pelos japoneses nas Filipinas e obrigado a recuar. O general,último a embarcar na última lancha da retirada,quando subiu a bordo voltou-se para trás e disse: I shall return!!! Não houve mais discursos,justificações,choradinhos,pragas,palavrões ,etc.,etc.. Que lição para a nossa paupérrima PaF ! Perderam a maioria e não têm elegância que baste para arremedar a aristocracia do General… é uma chuva de cuspo,baba e ranho, desprezível e nojenta,própria de alcouce desqualificado! Com quem nós estivemos metidos…

  12. Abraham Chévre au Lait, não se esqueça que foi por causa desse “I shall return” que, mais tarde, a direcção do avanço aliado no Pacífico teve de ser inutilmente desviada para as Filipinas em vez de prosseguir logo, em força e de forma mais eficaz, pelas pequenas ilhas e arquipélagos rumo ao coração do império japonês.

    O general lá molhou as calcinhas no desembarque, conforme planeado, mas consta que de propósito para a fotografia. Antes disso, parece que tinha desembarcado ao colo de um recruta, para não se molhar. Mas enfim, ao contrário das nossas inventonas pátrias dos anos heróicos da esquerdalha menos civilizada, não estive lá e não vi.

    O que sei de fonte segura é que tudo aquilo acabou em dois holocaustos muito bem tolerados.

  13. As minhas desculpas pelo comentário acima repetido, acidentalmente disparado antes de tempo. Se possível deletar a versão imcompleta (e este), agradeço.

  14. Abraham Chévre au Lait: «E sempre apareceu um Salgueiro Maia que, de arma da direita apontada à própria cabeça, aguentou uma ordem de “Fogo!”, dada pelo fascista,sem borrar as calças!»

    Abraham, mas as calças desse tal Maia não estavam para lavar desde o 16 de Março, que até ficou conhecido por levantamento das Calças, perdão, das Caldas?

    É que lá no meu quartel, na Abrilada, até o básico meio atrasado que varria a parada saiu de Unimog e charuto. Apeteceu-lhe passear e lá foi ele todo lampeiro.

  15. Na verdade, Gungunhana Meirelles, as elites e a direita alemãs encontraram nos judeus o bode expiatório das suas falhadas políticas de conquista territorial. Depois surge Hitler, que protagoniza o embuste das elites ao povo alemão. Elites essas que nunca foram responsabilizadas pelo desastre da 1ª Guerra Mundial; da qual, aliás, todas as elites europeias foram culpadas.

    A direita portuguesa, sempre confrontada com os seus falhanços na condução do país, também encontra sem dificuldades os bodes expiatórios de que precisa para se desculpabilizar. No caso do 25 de Abril, o pronunciamento militar foi provocado pelo derrota iminente na Guiné que, por efeito de dominó, degradaria a situação militar nas outras colónias. Spínola sabia-o, por isso escreveu o livro que dinamitou a credibilidade do regime fascista junto dos militares. Não houve qualquer abrilada; houve um movimento militar patriótico que evitou uma derrota militar humilhante, salvando o país de uma completa descredibilização.

    Mas isto vai de mal a pior, em Paris e na Europa. A direita americana já fez asneiras em demasia, quando ofereceu armas e treino militar a todos os jihadistas que lhe prometeram destruir a Rússia. Vamos ver no que isto dá.

  16. Sim João, no essencial, concordo com o que disse, apenas conjecturo que Spinola alimentasse a esperança de se poder conservar ao menos, Angola, colónia em que a situação militar estava mais controlável.
    Quanto ao mito do “o aspirante desobedeceu, o alferes desobedeceu e o cabo desobedeceu” nunca saberemos ao certo se realmente foi assim ou se a metralhadora encravou.
    De ciência certa, sabemos que no pós 25 recusamos andar aos tiros uns aos outros, até que apareceu aquela tropa abrutalhada do 25 de Novembro . Os do Mama Sume, do aqui estamos prontos para ultrapassar os limites.
    Quanto à religião, coisa que V. aborda noutro quadro de comentários, é coisa que misturada com política dá mistura explosiva.
    Não será a religião, a necessidade que alguns, ou até mesmo muitos, sentem, de servir algo externo a sí próprios ?

  17. Peço desculpa, João, quem aborda o tema da religião é o Gungunhana Meireles .
    Também, a questão do sionismo, que dá pano para mangas .

  18. Joaopft: «Não houve qualquer abrilada; houve um movimento militar patriótico que evitou uma derrota militar humilhante, salvando o país de uma completa descredibilização.»

    Com certeza que o 25 de Abril é uma data histórica com enorme significado patriótico e político. Se usei o termo «abrilada» não foi para o diminuir, mas apenas a propósito do dorminhoco Maia que se resgatou muito bem, mas se esqueceu de dar corda ao despertador na noite de 15 de Março, e actualmente funciona, ao lado do capitão-general Melena e Pá, como uma espécie de imagem de fundador do regime por procuração.

    Acho que é sempre asssim. Os melhores ficam sempre ausentes em parte incerta. É uma simples constatação envolta na bruma dos tempos… LOL

  19. concordo, Gungunhana Meirelles. O circo mediático, um dos grandes males dos nossos tempos, precisa tanto de bodes expiatórios como de semi-deuses.

    O que tarda é o iluminismo (eu prefiro a palavra esclarecimento): o uso autónomo e audaz da razão por parte do cidadão. O corrente “modo de produção mediático”, para usar uma terminologia marxista que, aqui, assenta que nem uma luva, aproveitou o progresso tecnológico para fazer regredir ainda mais o esclarecimento das massas.

    O problema presente é que o progresso tecnológico pressupõe a acumulação constante de capital científico-tecnologico, Chamo-lhe capital de ideias, por ser mais genérico e correcto, pois inclui também elementos culturais não necessariamente tecnológicos, Capital de ideias é todo o capital cultural e civilizacional, acumulado no mundo das ideias de Platão por parte da sociedade humana. Um dos grandes males da sociedade portuguesa é o contra-iluminismo das elites nacionais, filho de séculos a fio de contra-reformas culturais e de obscurantismo.

    Ora, o progresso económico mundial não sobreviverá à travagem na acumulação de capital de ideias que hoje se observa. Os investimentos de capital intensivo cada vez têm menos retorno. A fuga para a frente em que consiste a financialização extrema da economia global — e o sector financeiro é apenas um meio de acumulação e redistribuição de capital, um jogo de soma zero e nada mais — com o peso do sector financeiro, a nível mundial, a subir de 5% (em 1945) para 50%, é um aviso de catástrofe financeira iminente.

    Ora, ao escutar hoje a nossa direita — em si um expoente máximo do contra-iluminismo — distraída em jogos mesquinhos de auto-preservação, pode-se concluir que o estado de necessidade em que nos encontramos obriga ao seu afastamento, das rédeas do poder. Por isso a esquerda, num esforço digamos que (e à falta de melhor palavra) patriótico, se apresta para enfrentar a emergência, pondo em 2º plano as suas profundas divergências e a acordando numa posição política conjunta que providencia um mínimo de acção comum. Para mim, isso é suficiente para eu apoiar a 100% os esforços actuais da esquerda nacional.

  20. Joaopft, concordo com essas linhas gerais.

    Um dos problemas da dívida global que hoje em dia circula como moeda é que tende a rolar encosta abaixo antes de desaparecer, para usar aquela imagem americana do “shit rolls downhill”. Com o resultado que, esteja quem estiver no poder, a única salvação egoisticamente possível é o encosto aos poderosos na esperança de ir adiando consequências, até melhores e mais globais soluções serem congeminadas.

    Mas o problema da soberania nacional não é o único que nos aflige. Uma das deficiências deste país é a fraca tradição de respeito do estado pela soberania individual, e infelizmente, à falta de milagres, não se criam tradições dessas de um dia para o outro. Mais uma razão para, nos dias que correm, se votar á esquerda. A nossa direita, fiel ás suas tradições, não aprende, não quer aprender, e até tem raiva a quem aprenda.

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