Lusoponte ou Lusopodre?

A ponte Vasco da Gama, que até agora já foi paga duas ou três vezes, tem um anafado ex-ministro de Cavaco à frente da empresa concessionária, disposto a fazer-nos pagar o raio da ponte cinco, seis, dez ou doze vezes.

O mais cómico é que o mesmo Ferreira Amaral que contratou com a Lusoponte e que agora lhe preside diz mal das PPP:

Parcerias público-privadas “foram um desastre”, diz Ferreira do Amaral

O presidente do conselho de administração da Lusoponte, Joaquim Ferreira do Amaral, considerou que as parcerias público-privadas (PPP) “foram um desastre”, ao darem a ideia falsa de que “tudo era possível, porque não faltava dinheiro”. As declarações foram feitas quarta-feira [10 de Abril], na comissão parlamentar de inquérito às PPP. “O maior problema é que, no auge das PPP, era difícil falar mal das PPP. Deus me livre de falar contra as PPP”, afirmou, lembrando a satisfação das populações e dos autarcas com o avanço de projectos que eram impossíveis com investimento directo do Estado.
(Público online,10 de Abril de 2013).

Há aqui qualquer coisa que eu não estou a entender. O ministro que em 1995 contratou com a Lusoponte e que agora é o seu presidente diz mal das PPP?

Pois é. Já em Janeiro de 2013, de facto, Ferreira do Amaral afirmava que não considerava a Lusoponte uma parceria público-privada:

“Não percebo em que se baseiam para dizer que o contrato da Lusoponte é uma PPP”, afirmou Ferreira do Amaral, na comissão de inquérito parlamentar às PPP, quando questionado pela deputada do PS Isabel Oneto sobre “a natureza” do contrato com a Lusoponte, depois do antigo governante ter negado participação em qualquer PPP. O antigo ministro dos governos de Cavaco Silva, que, quando assumiu as Obras Públicas, chegou a acordo com a Lusoponte relativo à construção da Ponte Vasco da Gama, defendeu que “o contrato com a Lusoponte impede os malefícios das PPP”. Ferreira do Amaral realçou que, no caso da Lusoponte, o papel do Estado foi o de deixar “fazer o projeto” e estabelecer “condições que considerava imprescindíveis”, tendo a concessionária assumido o risco de financiamento. “O Estado funcionou como típico concessionário” [sic], declarou. O antigo governante sublinhou ainda que todas as compensações auferidas pela concessionária resultaram de alterações ao contrato, a pedido do Estado. “Já estamos no 10.º ou no 11.º contrato. Por razões políticas, o Estado decidiu fazer alterações ao contrato e a concessionária teve direito a compensações”, explicou.
(ionline, 23 de Janeiro de 2013).

Em que ficamos: o contrato da Lusoponte é uma PPP ou não é?

E se não é, será melhor?

Vejamos o que dizia o DN em Janeiro de 2011:

Lusoponte: assinada em 1995, foi a primeira parceria público-privada em Portugal. A concessão Lusoponte tinha como objectivo a construção da Ponte Vasco da Gama e a exploração da Ponte 25 de Abril. O contrato inicial fixava o prazo em 33 anos, com a possibilidade de o seu termo ser antecipado caso se verificassem duas condições: o pagamento dos empréstimos contraídos pela Lusoponte e a passagem nas duas pontes de 2250 milhões de veículos. No entanto, nada disto se verificou: concluiu-se que o volume de tráfego calculado não era o correcto, e a onda de contestação contra o aumento das portagens na Ponte 25 de Abril – o famoso buzinão – obrigou o Governo a rever sucessivamente todo o contrato. Ao todo, dezasseis anos após a sua assinatura, o contrato com a Lusoponte já sofreu sete alterações. Mudanças que custaram aos contribuintes 160 milhões de euros em reequilíbrios financeiros, mais compensações directas de quase 250 milhões de euros. Isto significa que esta PPP já custou mais 410 milhões de euros do que inicialmente tinha sido previsto.
(DN, 12 de Janeiro de 2011).

Contrato mal parido, portanto.

E promete ser pior para o bolso do Zé pagante do que qualquer outra PPP.

Entretanto a Lusoponte vai enchendo a mula à pala do Estado e dos contribuintes:

O Estado dava uma indemnização compensatória à Lusoponte por não haver cobrança de portagem na ponte 25 de Abril durante o mês de Agosto. Em 2011 passou a haver cobrança e a Lusoponte arrecadou o dinheiro, apesar disso o Governo mandou dar 4,4 milhões de euros, como se tivesse havido isenção de portagem, à empresa presidida por Joaquim Ferreira do Amaral, ex-ministro de Cavaco Silva.
A empresa presidida por Joaquim Ferreira do Amaral […] exigiu que a Estradas de Portugal lhe desse os 4,4 milhões de euros.
A 21 de Novembro de 2011, o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Silva Monteiro, decidiu dar os 4,4 milhões à Lusoponte e ordenou à empresa pública Estradas de Portugal “que proceda, de imediato, à liquidação em falta”. Assim, a Lusoponte ficou com o dinheiro da cobrança das portagens no mês de Agosto de 2011 e recebeu de bónus o montante que o Governo decidiu dar à empresa como se não tivesse havido cobrança.
(Esquerda.net 2 de Março de 2012).

Quase que apetece dizer, Lusoputa que a pariu!

11 thoughts on “Lusoponte ou Lusopodre?”

  1. Subscrevo, mas tiro o “quase”: Lusoputa que os pariu, que se afoguem na puta da falta de vergonha, quadrilha do pote dum cabrão, o caralho que os foda a todos e a janela é serventia da casa!

  2. este senhor construiu 800km de auto-estrada, (Socrates 700 e no interior esquecido) bem nos dizer que as ppp são um desastre.pergunto onde ia o estado buscar o dinheiro para contruir as estradas necessarias ,num pais que viveu 5o anos numa apagada e vil tristeza com a ditadura de direita salazarista. em portugal este tipo de contratos é o que os portugueses fazem quando recorrem a terceiros para comprar a sua casa.eu fiz uma pp.(parceria privada) hoje a minha casa está paga.lamento que a medida do governo anterior que permitia que o inquilino suspendesse o pagamento da prestaçao,passando num periodo acordado a pagar uma renda menor,para regressar à situaçao anterior quando a sua condições economicas o permitissem.com esta medida, o inquilino não largava a casa, não sendo portanto objecto de despejo.os defensores dos trabalhadores pcp e bloco,mais uma vez se puseram do lado errado da historia.

  3. Caro Júlio, isto de se chamar PPP a um investimento privado em concessão pública, depende de quem fez o contrato. Melhor esclarecendo: No caso da Lusoponte, em que o dito Joaquim Ferreira do Amaral enquanto ministro fez um contrato com a dita empresa e saiu do governo para ir presidir à mesma empresa, não tem nada de estranho. O Joaquim Amaral apenas fez, o que os seus antepassados sempre fizeram na quinta que é deles! Portugal é deles e eles fazem o que querem disto. Diferente são as concessões para estradas para o interior do país. Aí já são PPPs ruinosas mas não é pelo negócio em si. É que assim estão a contribuir para que as populações saiam do marasmo e do atraso em que viveram séculos. O Jaquim e os amigos deixam de ter gente para trabalhar nas quintas onde vão de férias e ao fim de semana. E esta maralha ainda começa a votar em partidos que não os têm como dirigentes e onde eles não mandam. O problema é esse e vê lá se não te metes com o Jaquim e com os amigos ou ainda acabas desempregado!
    A bem da nação!

  4. Julio

    Tenta ser um pouco mais sério para a próxima! Podes ler esta noticia no jornal de negócios de 30/03/2012

    A Lusoponte vai devolver o dinheiro das portagens cobradas em Agosto ao Estado. A revisão do acordo com a Lusponte foi assinada ontem. Passos Coelho garante que não há nesse acordo compensação à Lusoponte pelo imposto adicional pago em 2011

    O acordo com a Lusoponte foi assinado ontem, anunciou Passos Coelho, no debate quinzenal que está a decorrer no Parlamento, em resposta a Francisco Louçã que na pergunta endereçada ao primeiro-ministro disse ter em sua mão um despacho do secretário de Estado Sérgio Monteiro para que se devolva os 51 milhões de euros pagos de imposto adicional em 2011 pela Lusoponte, devido à taxa adicional aplicada às empresas com lucros acima de dois milhões.

    “O acordo foi assinado ontem. E não inclui qualquer compensação relativamente aquilo que se designou derramas estaduais, resultante da variação de impostos”, garantiu Passos Coelho, acrescentando que “hoje se fará acerto de modo a que haja restituição [pela Lusoponte] daquilo que ficou em avanço pelas portagens de Agosto”.

    A revisão dos mecanismos está feita, garantiu. Passos Coelho disse que logo em Julho do ano passado, quando se decidiu cobrar portagens na Ponte 25 de Abril em Agosto, solicitou à Lusoponte a reabertura do contrato de reequilíbrio financeiro. Mas não se conseguiu que ficasse fechado até Setembro, data em que há lugar a acerto de contas. Assim, passou para Março e até ao final deste mês o contrato fica revisto. “Dissemos que faríamos tudo para ficar concluído até ao final deste mês e ficou encerrado. A Lusoponte vai reembolsar, como era devido, os montantes que estavam em dívida para com o Estado”.

    Pedro Passos Coelho garantiu não haver desautorização em relação a Sérgio Monteiro. “Só há um governo. O governo é só um. Esta é uma decisão tomada pelo Governo”. E por isso disse que quando alguém, dentro do Governo, não estiver de acordo com as decisões que são do Governo está “livre de assumir outras responsabilidades. Políticas do governo são do governo”

  5. oh lusotóino! onde é que há falta de seriedade? só for no copy paste das desculpas esfarrapadas de 2 aldrabões que foram apanhados com a boca na botija. seriedade era botares aí a cronologia das aldrabices contadas por esses dois trastes, mas tudo isso são trocados quando o assumpto é a ponte já ter sido paga 2 ou 3 vezes.

  6. Ignatz

    Agora são desculpas esfarrapadas. ehehehehhehe
    Desculpas esfarrapadas andam vocês, à 2 anos, com a historia do PEC4!

  7. claro que são, pegaste na primeira notícia que achaste adequada para confundir alhos com peidos de sabedoria e voilá a explicação que faltava para compreendermos que a ponte vasco da gama não é uma ppp e que os gajos que foram apanhados com a boca na botija não estavam a roubar mas sim a fazer respiração boca-a-boca para salvar a ex-ponte salazar. podes ter sucesso a gamar chupas às crianças nos jardins escola da jsd, mas aqui não te safas.

  8. O francisco rodrigues acredita portanto que , se o duplo pagamento não tivesse vindo a lume, a Lusoponte iria devolver de qualquer forma o dinheiro ao estado?!
    Até onde vai o fanatismo, meu deus…
    Que tal perceber que houve um secretário de estado que autorizou um pagamento ilegal á Lusoponte porque sim, porque é uma empresa amiguinha, se calhar até deu para o peditório da campanha, e que a Lusoponte só foi obrigada a devolver o dinheiro porque a coisa deu barraca?!
    Mais, até vêr o cheque com a devolução efectiva, um acordo não quer dizer a puta de coisa nenhuma.
    Se fossemos avaliar a acção deste governo por cada acordo que assina estavamos bem arranjados…

  9. Os gajos da Lusoputa vão devolver os 4,4 milhões dois anos depois?

    Talvez seja para não irem presos, eles mais o governo que lhos deu.

    Eu gosto é dessa do “avanço” que o Coelho inventou. Avanço de quê, cum caralho?

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