Lunático pretende que teria evitado a crise…

…se não se tivesse demitido.

 

 

Campos e Cunha em entrevista ao i de hoje disse que “o Estado foi à falência com base nas políticas seguidas, em particular desde 2008, pelo engenheiro Sócrates”. E acrescentou: “Não esqueço quem nos levou à bancarrota”.

Curioso. O fulano opta por não falar de 2005-2008, pois seria penoso reconhecer a consolidação orçamental desses anos, dirigida por Teixeira dos Santos. Mas que terá acontecido a partir de 2008 que precipitou uma crise económica e das finanças públicas em Portugal? Talvez uma crise financeira internacional seguida da crise europeia das dívidas soberanas? Estavas acordado, Campos e Cunha?

Impõe-se uma pergunta: se Campos e Cunha não tivesse feito chichi pelas pernas abaixo e não se tivesse demitido em 2005, poucos meses depois de ter tomado posse como ministro das Finanças, e se tivesse continuado no governo, como é que ele teria passado entre as pedras de granizo a partir de 2008? Porque é isso que, na entrevista ao i, ele pretende que teria conseguido fazer.  Não tem coragem para o afirmar claramente, o que é típico da sua índole esquiva e temerosa. Mas insinua, de facto, que teria evitado a crise das finanças públicas em Portugal.

Que solução milagrosa teria ele para evitar a quebra das exportações, a retracção da procura interna e externa, a subida do desemprego, a descapitalização dos bancos e das empresas, a dramática quebra das receitas fiscais, a urgente necessidade de financiamento do Estado, dos bancos e das empresas privadas, a subida dos juros das obrigações da dívida pública no mercado internacional, etc.? Teria Campos e Cunha evitado a crise internacional, a crise na Europa ou só a crise portuguesa? Teria posto Portugal a pão e água desde 2005, ou mesmo desde 2008, quando ainda se estava longe de conhecer a duração e todos os efeitos da crise? E teria sido isso uma boa solução? Não sabemos nem ele o explicou. Nem hoje nem nunca.

Mas da bancada do ex-ministro cobardola e ressabiado é fácil pôr culpas, mandar postas de pescada e, em matéria política, dar palpites cabotinos como este, revelador do lunático que ele é:

“Os votos em branco deviam estar representados no parlamento por lugares vazios. Tinha duas vantagens. A primeira era trazer pessoas que não votam para dentro do sistema. Em segundo lugar, levaria a que os partidos competissem entre eles, mas também que ganhassem confiança do seu eleitorado.”

A solução mágica de Campos e Cunha, insistentemente exposta por ele na comunicação social – e hoje novamente no i – para o problema político português, tal como o fulano o diagnostica (a alegada falta de representatividade do parlamento e do sistema de partidos), é esta: incentivar o voto em branco. Uma imbecilidade nunca experimentada em nenhum país do mundo, porque nenhum país do mundo tem o azar de ter um governante lunático como Campos e Cunha. O fulano acha que cadeiras vazias no parlamento significaria “trazer pessoas para dentro do sistema” e “levar os partidos a competir entre eles”. Esta é a lógica da batata do tal especialista em finanças públicas que pretende que teria evitado a actual crise financeira do Estado português.

Não sei se a abécula fez as contas, mas a habitual percentagem de votos em branco não daria, com sorte, para mais de uma cadeira vazia no parlamento. Para Campos e Cunha bastaria. Seria a cadeira dele, vazia. É uma boa imagem.

28 thoughts on “Lunático pretende que teria evitado a crise…”

  1. O tom de ataque ad-hominem deste post desvaloriza qualquer conteúdo de valor que possa conter. Dois pontos importantes, no entanto, é preciso fazer:

    1. Campos e Cunha demitiu-se porque fez as contas e chegou à conclusão que Portugal não tinha capacidade para executar mais obras megalómanas, e nisto entrou em conflito directo com o Primeiro-Ministro. No caso, foi o TGV, mas acredito que teria parado também a terceira auto-estrada Porto-Lx de Sócrates. Estava à frente do seu tempo, o que normalmente é sinal de brilhantismo.

    2. Um voto em branco representa, de facto, a opinião expressa de um indivíduo que é democraticamente activo e que afirma não se sentir representado em qualquer das opções. E o que faz a democracia com o voto em branco? Descarta-o, juntando aos nulos e inválidos e, em alguns raciocínios como os do Júlo, ao dos abstencionistas. É diferente, e a aproximação de Campos e Cunha tem fundamento válido. Aliás, a manifestação de um milhão de pessoas, que não consegui ser aproveitada por qualquer partido político da oposição, radical ou não, é demonstrativa da lucidez da proposta.

  2. @Sergio Carvalho:

    Não se atrapalhar pela realidade!

    Facto 1-No período dos 3 anos seguintes ao Cunha ter borrado a cuequinha, Sócrates e Teixeira dos Santos reduziram o défice – pela primeira vez na história da democracia- dos 6,8 deixados pela tropa fandanga para uns – novamente históricos -3%.

    Facto 2- Á data não havia qualquer crise internacional e o TGV, obra contratualizada pelo PSD/CDS com a União Europeia- eram 5 linhas lembra-se?-, fazia e faz parte de uma rede transeuropeia financiada em larga escala pela própria União.

    Facto 3- Eu disse larga escala? Então vamos a contas:

    Qual o custo da construção do TGV Lisboa-Madrid? Sabe? Aposto que não!
    O custo estimado de construção da linha de TGV de Lisboa a Madrid é de aproximadamente 3.500 milhões de euros, sendo que mais de 1000 milhões ou seja 1/3 seria pago a fundo perdido pela UE.
    Sabe o que é fundo perdido? Pergunte ao Cavaco que ele explica-lhe!

    Facto 4- Os detractores da ideia afirmaram que Portugal não tinha dinheiro para estes luxos, que era um investimento sem vantagens para as empresas ou trabalhadores portugueses, etc. Entre os notáveis inclui-se você, e a maralha do BPN e amigos que deram um rombo de 6000 milhões de euros, isto excluindo a nacionalização claro! Roubaram 2 TGVs portanto!

    Facto 5- Os partidários da construção do TGV (TODA a União Europeia incluída) pelo contrário afirmavam que o projecto do TGV Lisboa – Madrid seria essencial para a concretização da Rede Transeuropeia de Transportes, onde Portugal terá de estar integrado de modo a não perder, também nesta matéria, a oportunidade de se aproximar dos seus parceiros europeus. Já perdemos o comboio, aliás tanto que já perdemos fundos que nos foram alocados, os Espanhois tem o TGV a acabar na fronteira, e em Sines, o melhor porto de águas profundas do Sul da Europa, só tem uma linha que o serve com mais de 50 anos de uso em cima e que está sempre com avarias. Quanto custa isto ao país? Cada hora que um comboio não passa ali quanto custa?

    Posto isto de que 3ª auto-estrada Lisboa-Porto fala? Da que leu no Correio da Manhã?
    Só pode.

  3. “Campos e Cunha demitiu-se porque fez as contas e chegou à conclusão…”

    … que ganhava mais acumulando reformas do que prescindindo delas em favor do ordenado de ministro, a partir daí ressabiou e ainda anda a disfarçar os motivos que o levaram a abandonar o cargo. o que mais falta ao país são gajos com casacos apaneleirados a fazer futurologia do passado.

  4. Primo – Campos e Cunha não se demitiu por causa do TGV, nem das auto-estradas, nem das PPP’s, nem de nada com interesse para o português normal.
    Campos e Cunha demitiu-se porque o governo de que fazia parte legislou no sentido dos detentores de cargos públicos de acumular pensão + retribuição. Talvez se recordem que a pensão de Campos e Cunha, por ter estado seis anos no BP mais de 8.000 € por mês.

    Secondo – Os votos em branco podem, quando muito, transmitir a ideia de que quem os utiliza não se identifica com nenhuma das propostas a sufrágio, mas também pode ser entendido como um voto de protesto, uma tomade de posição negativa sobre qualquer assunto em análise no momento, etc., não vejo como é que cadeiraas vazias no Parlamento iriam representar quem quer que fosse, nem como essa representação seria interessante e eficaz. Se as galinhas ainda não falam, as cadeiras muito menos.

    Tertio – Campos e Cunha, quando saiu disse que o fazia por razões familiares e de cansaço, vir agora arengar que foi por causa de isto ou daquilo é apenas o hábito que alguns pedantes exibem para se tentar alcandorar a alturas onde nunca chegarão.
    Ainda ano passado, em entrevista ao mesmo jornal, dizia que Sócrates não tinha governado mal, embora tivesse cometido erros, o que o levou a mudat de posição? Coisas estranhas, não são?

  5. @AlcoólicoAnónimo

    Facto 1: Non sequitur. Não contradiz nem suporta nada do que eu disse.

    Factos 2 e 3: Assumem como aceitável enterrar 2500M€ (~3 subsídios, a nova métrica) num elefante branco. Pior, descartam para canto os custos operacionais do dito elefante branco, que não é capaz de competir com a aviação nem tempo *nem* em custo. Relembremos que sou capaz de voar do Porto para Madrid mais barato do que vou do Porto para Lisboa no pendulino. Se o investimento não tem retorno, mesmo com 33% de desconto, não é por ter desconto que deve ser feito.

    Facto 4: É melhor parar com o álcool. Está a dizer coisas sem sentido. Não tenho ponta por onde pegue nessa afirmação.

    Factor 5: Experimente passar um comboio de carga, cheio, a 30km/h numa linha de alta velocidade com relevé nas curvas e depois diga-me o que acontece aos carris internos. Ou ao TGV que lá passar a 300 a seguir. As linhas de carga e as linhas de alta velocidade são separadas. Ah, e as de carga são excepcionalmente baratas. Se precisamos de linhas de carga, façam-se, mas não se justifiquem absurdidades como o TGV com a ligação de carga à Europa. E, ao redesenhar, aproveite-se e ligue-se ao porto de Viana, ignorado no desenho do TGV.

  6. @Teofilo M

    Respondo apenas ao seu segundo ponto: Da sua resposta depreendo que concorda com a necessidade de contabilizar os votos em branco, discordando do efeito das cadeiras em branco no parlamento. Já não é mau. Agora, em vez do comentário crítico destrutivo, peço-lhe a crítica construtiva. Que alternativas imagina para uma contabilização de votos em branco que coloque pressão sobre os nossos políticos para se ligarem à população, algo em que claramente falham? Eu acho que cadeiras vazias no parlamento seriam um lembrete permanente, mas não sou fundamentalista. Aceito outras formas, desde que eficazes no propósito.

  7. Estes Serginhus do Carvalho e do CARALHO que antes eram tão ativos e opiniosos em público desapareceram do panorama REAL do dia a dia de tudo quanto é local onde antes eram tão audazes, acertivos e comicieiros. Agora andam aqui pelas caixas de comentários a “limpar o cu a eles proprios” descontentes com a merda que ajudaram a levar ao poder.
    Aguenta Serginho!!! Vaselina te bem, porque quando depois de to meterem bem fundo ainda te vão alargar o buraCU.
    Eu sei que todos vamos gritar mas há quem não grite nem PSD -puta que os pariu nem CDS – maldita paneleiragem!
    Vai te foder serginhU!

  8. Sérgio Carvalho, o homem que v. diz que “estava à frente do seu tempo” propunha, para aumentar a rapidez das ligações ferroviárias, a construção de desvios nas linhas, de tantos em tantos quilómetros, para os comboios de mercadorias serem ultrapassados pelos de passageiros. Escreveu-o num artigo do Público. É uma ideia quase tão tola como a proposta das cadeiras vazias no parlamento.

    Pois eu acredito que Campos e Cunha, se tivesse estado no governo desde os anos 90 e o deixassem, teria parado muito mais do que aquilo que v. diz. Teria parado já a Expo 98 e a ponte Vasco da Gama, depois as auto-estradas para o interior, a construção de hospitais, a renovação do parque escolar, o programa e-escola, os programas de apoio às energias renováveis, etc. Ele tem os tiques do mago financeiro de Santa Comba, que nos deixou em herança o troço de auto-estrada até Vila Franca e empurrou milhões de portugueses para a emigração nas décadas de maior crescimento da Europa do pós-guerra.

    Comparar os votos em branco com as recentes manifestações contra o governo não faz qualquer espécie de sentido. O voto em branco é legítimo, mas deve ser estimulado pela lei com essa paródia da atribuição de cadeiras vazias no parlamento? Ou o que deve ser estimulado é, pelo contrário, a participação activa dos cidadãos na política?

    Mais: os votos em branco (ou os nulos ou as abstenções) serão porventura agregáveis, como os votos nos partidos? O voto em branco de um indiferente será agregável ao voto em branco de um anti-parlamentarista de extrema direita, ou ao de um revolucionário de extrema esquerda, ou ao de um cidadão que desse modo entende protestar contra o seu próprio partido? Terá sequer a certeza de que um voto em branco é sempre um voto de protesto? Ciclicamente aparecem uns descontentes com os resultados das eleições (o fatídico A. J. Jardim, por exemplo) a falar em nome dos que não votaram ou votaram em branco ou anularam o seu voto. O que os autoriza a agregarem esses votos ou abstenções, a imporem-lhes arbitrariamente um significado qualquer e a tentarem tornar-se donos deles?

  9. este campos e cunha é mais um ressabiado em que este pobre país é profícuo. ressabiados que são confortados pelos sérgios carvalhos deste mundo. o campos e cunha ainda anda às voltas com as reformas e subsídios, entre providências cautelares e processos em tribunal. é assim a dita elite deste desgraçado país.

  10. Um tipo que abandona o cargo de ministro de um governo porque não pode ganhar o que lhe apetecia, merece a mesma credibilidade de uma batata.

    É mais um waste of space dos que polulam os jornais nas colunas de opinião de trazer por casa.

    É também um excelente treinador de bancada, mas todos nós sabemos que prognosticos depois do jogo, qualquer macaco faz.

  11. Anteriores comentadores já deixaram bem claro quais as verdadeiras razões do
    abandono do Governo por campos e cunha, legislação para moralizar as acumu-
    lações de pensões com vencimentos, feita por José Sócrates!
    Sobre as obras megalómanas, algumas começadas e suspensas pelos estarolas,
    serão faladas daqui a meia dúzia de anos sobretudo, pela sua necessidade!
    É uma tosca tentativa de reescrever a história, procurando pôr-se nos bicos dos
    pés para ficar no retrato, este foi com a entrevista o outro foi escrendo um pre-
    fácio numa compilação das suas faladuras anuais! Até parece que andaram na mes-
    ma escola!!!

  12. Este cavalheiro é do tipo dos intelectuais de pacotilha, que dizem mal dos partidos, mas que adoram os tachos que estes lhes dão quando estão no governo.
    Este senhor sempre foi académico. Então como foi que de repente apareceu em 1996 como Vice Governador do Banco de Portugal? Sem nenhuma experiência que o recomendasse para tal? O que sabia ele de bancos, para além de passar cheques à empregada doméstica?
    Chegou a Vice do BdP de paraquedas graças ao Partido Socialista. Não precisou de ser boy para ter job. Saiu de lá, assim que durão barroso ganhou as eleições. Esteve caladinho até 2005. Com Sócrates e o cheiro a mudança de poder, e algumas amizades no partido, fez umas doutas prelecções nas Novas Fronteiras. Chegou a Ministro. A primeira coisa coisa que fez foi aumentar os impostos, o que não referiu em nenhuma das prelecções que fez aos papalvos, anteriormente. Quando Sócrates decidiu fazer a lei que impedia a acumulação de pensões fugiu vergonhosamente para não perder a pensão do banco de Portugal obtida ao fim de 6 anos de trabalho(!!!). Esta a noção de serviço público que esta gente tem. E falam eles de votos em branco e lugares vazios!! Com um pano encharcado no focinho é o que precisavam.
    Tiram os doutoramentos à custa do erário público, não fazem nenhum trabalho relevante para a comunidade para além de dar umas aulecas, e depois têm a lata de julgar os políticos. Agora está na SEDES porque sabe que esta é um bom trampolim para chorudos tachos, como o seu antecessor conseguiu. A propósito onde anda a SEDES, sumida desde que Sócrates foi afastado?

  13. ” Aliás, a manifestação de um milhão de pessoas, que não consegui ser aproveitada por qualquer partido político da oposição, radical ou não, é demonstrativa da lucidez da proposta.” é isso, foi uma manifestação de apoio ao grande intervencionista que foi Campos e Cunha. Pessoas como esta têm de ser chamadas à realidade pela força e à bruta, e não deve demorar muito. Para custo de todos nós e nãodos que optaram por este desatre…Enfm, falhas da democracia.Mal menor, etc.

  14. acrescento que este é um dos pontos fortes da democracia, embora periclitante: dar voz aos que a atacam, como o Sergio Caravalho. Também é o seu calcanhar de Aquiles, assumindo o direito à existência dos governantes “à frente do seu tempo”com sustentação na demogagia e na ignorância para fazer vingar os seus interesses.E o direito à opinião de quem sustenta esta vergonha. Um povo ignorante dá imenso jeito à demogagia. Deve ser por isso que, daa esquerda è direita, quando se tenta mexer na educação, está tudo do contra. Pelintras criminosos, sergios aos milhares.

  15. sergio, só para rematar: é uma pena que ninguém do teu círculo próximo te tenha explicado que és um escarrapachado fascista sem consciência de o ser. Chegando ao aspirina, ganhas essa benesse. às vezes é preciso que seja um estranho a por-te um espelho à frente.

  16. @sergio: esqueci- me de te dizer que os 3 biliões era para a linha toda ate madrid, ou seja a parte que nos toca é coberta pela UE quase a 70%, o que só prova que és um choné que nem sendo oferecido queres o TGV. Nem sabes porque não o queres só sabes q não queres. Quanto há utilidade do mesmo há estudos feitos por empresas internacionais da area dos transportes que mais do que provam a sua viabilidade e pertinência, mas tu deves ter aí uma capa do CM que diz o contrario. Quanto á questão das bitolas que discutes com a propriedade de um taxista a falar de futebol, há uma solução técnica para isso chamada terceiro carril, mas não dou aulas a preguiçosos e por isso se quiseres aprender o Google é teu amigo!

  17. @ Sergio: O TGV até Badajoz custa menos de 1,5 biliões e 1 desse é OFERECIDO pela UE tas a perceber ó pateta?

  18. @mais_outro

    Carvalho->Caralho. Olha, um trocadilho que nunca tinha ouvido… desde os meus 12 anos. Excelente adição a esta discussão.

  19. @Júlio

    Porventura expressei mal a minha opinião. Não defendo Campos e Cunha, o homem. Defendi, e defendo a posição por ele tomada, imediatamente antecedendo a sua saída, de que Portugal não suportava nas suas finanças mais obras faraónicas. Defendi, e defendo, a vantagem de contabilizar activamente os votos em branco, que hoje em dia são descartados.

    A sua oposição aos votos em branco assenta em dois pilares: O incentivo que a sua contabilização activa provocaria, e a sua não agregabilidade. Compreendo o primeiro, e discordo profundamente do segundo.

    O problema fácil primeiro: O facto de que a contabilização incentiva o voto em branco. É fácil porque problema sem solução resolvido está. É um facto da vida, qual princípio de Eisenberg: medir afecta o objecto da medição. Se medir produz efeitos mais positivos do que não medir, tem que se aceitar a distorção que a medição cria. É a vida. Temos este universo, não temos outro matematicamente mais limpo.

    O segundo, a não agregabilidade, é já um erro de leitura seu. Está a tentar sobre-interpretar o voto em branco, como sendo de um quadrante político, ou de um modelo societário, ou de um modelo de Estado. Nada disso. Um voto em branco, na sua essência, representa seguramente esta afirmação: Eu sou um indivíduo democraticamente activo, ou não teria vindo votar, e não me revejo em qualquer das outras opções apresentadas, ou te-la-ia escolhido.

    Ora, se temos um conjunto relevante de pessoas com uma afirmação consistente, esta afirmação deve ter consequências. Não sei, não é certo para mim, que as cadeiras vazias sejam a consequência ideial. Sei, no entanto, que não retirar qualquer consequência do facto de um conjunto de pessoas não se rever no sistema é um erro. Isto é, não sei o caminho, mas sei que não é o actual. E, numa lógica de melhoria iterativa, a solução de Campos e Cunha não me parece ter qualquer falha mortal.

  20. @Alcoólico Anónimo

    Por favor reveja os seus números ou cite as fontes: http://economico.sapo.pt/noticias/construcao-do-tgv-vai-custar-77-mil-milhoes_7190.html
    Era uma brincadeira para três subsídios, ainda antes das habituais derrapagens.

    E recordo que se “esqueceu” de provar a viabilidade operacional do projecto, em concorrência com a aviação. Sem viabilidade operacional, temos o mítico elefante branco.

    Quanto à questão sobre a exequibilidade de linhas mistas, carga/TGV, claro que são exequíveis. A questão é que:
    1. Os custos de construção da própria infraestrutura são mais altos. Menos inclinação aceite pela linha de alta velocidade, menos relevé (curvas de maior raio).
    2. Os custos de manutenção são mais altos, porque enquanto os comboios de carga provocam e aceitam um desgaste considerável da linha, os comboios de alta velocidade exigem excelente estado da linha. Os custos são mais altos do que os da linha TGV e MUITO mais altos do que uma linha convencional de carga.
    3. As taxas de uso da linha ficam aburdamente baixas, porque comboios de carga e TGV não se podem cruzar, por causa da instabilidade aerodinâmica.
    4. O custo de uma linha dedicada de carga é muito baixo (i.e. o TGV tem que justificar, com os seus méritos próprios, uma grande proporção do custo)

    Como prova da ineficiência, tem o facto de haver muito poucos troços mistos carga/TGV.

    Melhor do que eu exporia aqui, tem este post que encontrei agora no google: http://megaprojectos.wordpress.com/2009/06/18/existem-alternativas-melhores-ao-tgv-as-10-falacias-do-tgv/

  21. @edie

    Não lhe respondi deliberadamente. Assumo que, quando os meus interlocutores recorrem, como o edie fez, ao insulto pessoal, o fazem por esgotamento das restantes linhas de argumentação, o que equivale, para todos os efeitos a dar-me razão, mesmo que raramente os autores o reconheçam.

  22. Caros,
    O homem é mesmo o que é quando largou o governo Sócrates, um emproado: um Borges mais cauteloso ou um Gaspar com mais brilhantina na cabeça.
    Ele o “professor” julgou Sócrates um puto sem cátedra, sem sebentas, sem pensamento e muito menos “finanças” e “economia”, logo um boneco manobrável a seu belo prazer (tal como hoje o Gaspar faz de Passos), e apanhou com um carácter político de envergadura que: nem ao seu ministro das finanças fazia o jeito de criar uma excepção para o safar de perder a reformazita tão custosa e suada de ganhar.
    Depois enfiou-se na Sedes que, como se sabe é uma prateleira de ministeriáveis.
    Agora, meus caros, com esta entrevista neste momento do estado de decomposição do actual governo, o homem simplesmente quis enviar a seguinte mensagem a Cavaco:
    Snr. Presidente, olhe, eu estou vivo, disponha.

  23. Está aqui ó preguiçoso:
    http://www.refer.pt/MenuPrincipal/TransporteFerroviario/AltaVelocidade/Estudos.aspx
    (p)

    (b)Procura e rentabilidade económica(b)
    Eixo Lisboa-Madrid
    Análise custo-benefício, estudo de Procura e rentabilidade económica

    No âmbito do Agrupamento Europeu de Interesse Económico, Alta Velocidade Espanha-Portugal (AEIE-AVEP), foi desenvolvido o estudo de procura, a avaliação financeira e socioeconómica e a análise custo-benefício do eixo Lisboa-Madrid, incidindo sobre a área de influência da Alta Velocidade na totalidade deste Corredor.

    O “Estudo de Mercado e Avaliação Socioeconómica e Financeira da Ligação de Alta Velocidade Madrid-Lisboa/Porto” foi concluído pela Epypsa, Exacto, Booz Allen Hamilton em dezembro de 2004 e atualizado pela RAVE em maio de 2009, por forma a adequar os pressupostos utilizados com a metodologia preconizada pela Comissão Europeia.

    O estudo atualizado conclui que o eixo Lisboa-Madrid terá rentabilidade socioeconómica positiva, com uma Taxa Interna de Rentabilidade (TIR) de 5,9%.

    (p)
    Incorporação da Indústria Nacional

    No sentido de avaliar o potencial de Incorporação Nacional que o projeto irá gerar, o IN OUT GLOBAL, Centro associado do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), procedeu a um estudo das características do Investimento no sistema ferroviário de Alta Velocidade que constitui o projeto RAV e, após a caracterização dos setores industriais nacionais, calculou o respetivo potencial de participação no projeto.

    O estudo “Potencial de participação da indústria nacional no projeto de Alta Velocidade” foi concluído pelo IN OUT GLOBAL (ISCTE) em maio de 2005.

    (p)
    Emprego

    O investimento no projeto RAV, como qualquer grande investimento, vai gerar um número significativo de novos empregos quer na sua fase de construção quer na fase de operação.

    Para quantificar o nível de emprego que este investimento irá gerar, foram realizados vários estudos, sendo de destacar:

    O estudo realizado pelo Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa “Consequências Económicas do Investimento na Construção da Rede de Alta Velocidade” que avaliou o impacto no emprego do investimento na construção da RAV, foi concluído em fevereiro de 2006.

    O estudo “Os Efeitos Fiscais do Investimento na RAV” realizado pelo Prof. Alfredo Marvão Pereira (Universidade da Virgínia, EUA) e pelo Prof. Jorge Miguel Andraz (Universidade do Algarve) o qual quantificou, num horizonte de 30 anos, os efeitos no trabalho permanente, foi concluído em janeiro de 2008.

    (p)
    Impacte da Alta Velocidade no Turismo

    A análise efetuada ao setor turístico, com o acompanhamento da Confederação do Turismo Português, identificou as oportunidades decorrentes da entrada em funcionamento da rede de Alta Velocidade no nosso país, que deverá refletir-se num aumento da atratividade de Portugal como destino e num aumento do número de turistas e excursionistas (em termos de mercado interno alargado, a Alta Velocidade poderá servir 58 milhões de consumidores ibéricos).

    O estudo define também um conjunto de recomendações estratégicas para o desenvolvimento do setor turístico em Portugal, assentes na qualidade, competitividade e sustentabilidade da oferta. Um novo reposicionamento – quer dos agentes de turismo, quer do setor dos transportes – e uma forte estratégia de marketing revelam-se essenciais para potenciar as oportunidades criadas pela Alta Velocidade.

    O “Estudo sobre o impacte do projeto de alta velocidade no setor do turismo em Portugal” foi realizado entre junho e dezembro de 2009, pela Deloitte Consultores, S.A., com o acompanhamento da Confederação do Turismo Português (CTP).

    (p)
    Mercado do Carbono e mercado da Energia

    Com a realização deste estudo, pretendeu-se contribuir para a análise das grandes questões geoestratégicas associadas aos mercados do petróleo e do carbono, tendo em atenção quer a relevância do setor energético na economia, quer o papel do setor dos transportes como consumidor de energias de origem fóssil e emissor de gases de efeito de estufa, quer ainda o papel que a introdução da Alta Velocidade ferroviária terá neste campo.

    O estudo “Análise geoestratégica do comboio de Alta Velocidade no contexto dos mercados do petróleo e do carbono” foi realizado pelo CEEETA – Centro de Estudos em Economia da Energia dos Transportes e do Ambiente e concluído em novembro de 2009.

    (p)
    Efeitos Macroeconómicos

    O projeto de Alta Velocidade promove o crescimento económico conduzindo, consequentemente, ao aumento da receita fiscal. Neste sentido, o aumento da despesa pública decorrente dos encargos do Estado com estes investimentos serão compensados pelo aumento da receita que os mesmos irão gerar.

    Para avaliar o impacto na despesa pública do investimento na Alta Velocidade foram estimados os encargos anuais do Estado com o projeto, o qual corresponde ao saldo dos pagamentos do Estado às Concessionárias menos as Receitas de Exploração.

    Além de analisar o custo para o Estado deste investimento é importante analisar os restantes efeitos macroeconómicos no sentido de compreender se existem impactos positivos suficientes que justifiquem o investimento público.

    Assim, foram realizados estudos que estimaram os impactos na economia portuguesa da Alta Velocidade, nomeadamente no Produto Interno Bruto (PIB), no investimento privado e na receita fiscal.

    (p)
    A Universidade Católica realizou três estudos:

    “Consequências Económicas do Investimento na Construção da RAV”, concluído em fevereiro de 2006;
    “Consequências Económicas da Exploração da RAV – Efeitos no PIB da Substituição de Tráfego” e “Impacto no PIB da Criação de Tráfego”, concluídos em fevereiro de 2006.

    Foi também realizado um outro estudo, intitulado “Os Efeitos Fiscais do Investimento na RAV”, que avaliou o impacto no PIB e no Investimento Privado do projeto RAV, estimado, em termos acumulados e num horizonte temporal de 30 anos, pelo Prof. Alfredo Marvão Pereira (Universidade da Virgínia, EUA) e pelo Prof. Jorge Miguel Andraz (Universidade do Algarve), e concluído em janeiro de 2008.

  24. Ouvir dizer a REN que tens estudos e TIRs Socioeconomicas nao me aquece nem arrefece. So olhando para os estudos propriamente ditos, e variaveis consideradas, e que se poderia tirar alguma conclusao.

    Para ver a qualidade dos estudos patrocinados por governos do PS basta ver o desastre das PPPs rodoviarias, os “pequenos erros de estimacao” do Joao Cravinho…

  25. Claro que concordo com a contagem dos votos em branco, mas fica-se por aqui o meu desacordo quanto à mistura de brancos com nulos na contagem final.
    A separação, a fazer-se, poderia dar indicações quanto à satisfação dos votantes que se dão ao trabalho de ir votar em branco, nada mais.
    Enquanto o voto em branco traduz, quanto a mim, uma crítica o voto nulo para além da crítica junta-lhe os votos erradamente preenchidos o que é bastante diferente.
    Da experiência, parece poder afirmar-se que parte dos brancos se podem somar aos nulos, pois a mensagem é idêntica, no entanto, uma fração não despicienda é motivada ainda pela dificuldade que muitos ainda demonstram no preenchimento do voto.
    Não vejo como transformar os votos brancos em peso democrático nas votações, pois cada um falará por si e não por quem entendeu ser representado, logo a impossibilidade é real.
    Se há quem não concorde com a representação partidária, e não conhecendo eu outra alternativa, apresentem soluções.
    Continuo a não entender a razão da não existência de círculos uninominais, pois estes trariam muita vantagem à democracia pela proximidade obrigatória a que os deputados estariam obrigados, mas parece que nenhum partido estará verdadeiramente interessado neles, pois viam assim fugir-lhes o poder que lhes advém das máquinas partidárias centralizadas nas capitais.

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