Multidão ausente

Godel_6.jpg

A 36.000 pés, e como uma embaladora turbulência, leio um suplemento do NRC-Handelsblad, o diário holandês de referência. Traz um artigo sobre a tese de Kurt Gödel de ser o decorrer do tempo uma ilusão. A tese não convenceu ninguém, nem o seu amigo Einstein. Por um raciocínio que não penetrei totalmente, considerava-se que, a ser realidade o que Gödel intuíra, estaria a máquina do tempo praticamente concebida.

A corroborar tão decepcionante conclusão, o artigo dizia: «Se a máquina do tempo fosse possível, podia ter-se esperado um público considerável na crucifixão de Cristo».

E eu não sei que mais lamentar: se a falta da multidão, com a minha ausência nela, se a inexequibilidade da máquina do tempo. Cristo morreu para nos salvar? É, não se pode ter tudo.

21 thoughts on “Multidão ausente”

  1. «Se a máquina do tempo fosse possível, podia ter-se esperado um público considerável na crucifixão de Cristo»

    Há uma maneira de contornar este argumento – talvez seja possível uma máquina do tempo que não permita viajar no tempo até antes da construção da máquina. P.ex, se, em 2050, essa máquina fosse inventada, talvez permitisse viajar de 2060 para 2055, mas não para 2049 (e muito menos para 0 d.C. ou 3 a.C.)

  2. Fernando:

    Há um livro delicioso (de ficção), sobre essas e outras brincadeiras com o (espaço-)tempo: “Os sonhos de Einstein”.

    Quando a ciência inspira a arte fico sempre orgulhoso (enquanto homem de ciência), mas na minha opinião são os homens das artes quem muitas vezes descobre verdadeiramente o sigificado mais profundo de certos problemas ceintíficos. Exemplo clássico: o livre arbítrio, exemplo que por acaso tem um pouco a ver com a questão da máquina do tempo. Não seria por acaso que Einstein queria tão insistentemente defender o determinismo, segundo ele Deus “não podia” jogar aos dados.

    Sobre o livre arbítrio já escreveram 1001 filósofos, todos sem excepção acabam por mais tarde ou mais cedo cair nas contradições que o conceito encerra.

    Eu quero ser livre, já o livre arbítrio dos outros nem sempre me interessa … mas porque será?

  3. Ah, só faltava mesmo neste blogue a dicotomia entre «homens das artes» e «homens da ciência»?! E eu que pensava que essa classificação velha e relha estava encerrada com o advento da Terceira Cultura e de coisas afins, mas afinal constato que não. A seguir à esquerda e direita, só faltava mesmo esta. Esta necessidade de «partir» o mundo e a realidade não deixa de me surpreender. Como já disse, as caixas de comentários do AspB, pelo observatório que proporcionam, são tão valiosas quanto os postes…

  4. Já agora, uma achega ao poste do FV: tenho por cá um livrinho de um «homem de ciência», Peter Galison, que li com proveito e recomendo: «Os relógios de Einstein e os mapas de Poincaré».

  5. 14 – O senhor Fernando Venâncio quer dar a impressão de estar sempre a tomar conhecimento de alguma coisa. É a estranha preocupação de simular omnisciência. Recusa-se a aceitar que está atolado na ignorância e de cada vez que escreve algo, ficamos com uma sensaçãozinha de ladroagem. É assim um excelente indigente de serviço. O único termo que o define é em inglês: “blag”!
    O senhor Fernando Venâncio e o seu Aspirina, andam perigosa e violentamente a enganar meio mundo. Como é que nós, humildes comentadores, poderemos moralizar este estado de coisas? Aconselhando-o a tomar consciência da justeza das nossas questões éticas, que deverão pautar a sua conduta.
    O senhor Fernando Venâncio revela uma grande dificuldade para encontrar, e aceitar, a sua identidade. Um bocadinho de meio-termo talvez o ajude a sair do buraco: o prazer de tentar melhorar a vida com paciência e perseverança. Uma das facetas mais curiosas desta personalidade do Aspirina, é o seu masoquismo, que cheira a remendo de mau pagador. Os seus artigos têm sempre um tom de arruaça e provocação chocarreira, que reflecte o que tem sido a boçal prática dos blogues de esquerda.

  6. Fernando, da minha parte nunca deixo de imaginar uma civilização (humana, porque não?) que, capaz de construir uma máquina do tempo, não recua mas apenas avança. Exerce uma espécie de princípio da incerteza de Heisenberg auto-regulado para não interferir naquilo que observa. Assim apenas avança no tempo, para um período onde os seres observados já sabem que vão ter visitas do passado e colocam um lugar mais à mesa.

  7. Resposta rápida ao Bacalhau,

    Seja um pouco inventivo, homem. Deixe o corta-cola para a Margarida Rebelo Pinto (fazendo fé em JPG…).

  8. “Fernando, da minha parte nunca deixo de imaginar uma civilização (humana, porque não?) que, capaz de construir uma máquina do tempo, não recua mas apenas avança”

    Isso já existe – em qualquer objecto em movimento o tempo passa mais devegar do que num objecto parado, logo estamos a viajar para o futuro. É apenas uma questão de termos uma velocidade relativamente elevada para termos saltos assinaláveis (estilo entrarmos numa caixa, ela começar a deslocar-se a uma velocidade altíssima e, após passarmos lá uns 10 minutos, saírmos e lá fora já ser o século XXIII)

  9. Porque será que os esquerdistas, que chamam os da direita nacionalista de racistas e xenófobos, nunca tiveram nenhuns políticos pretos, africanos, brasileiros, ucranianos, etc?

    Duas simples perguntas que nunca tiveram resposta” – Dra. Kity in “Criaturas Falsas”, Revista “Espírito”, nº 17, 2005.

  10. Miguel Madeira, obrigado, mas como certamente imagina eu estava a referir-me a uma situação um pouco mais de ficção científica e de modo mais instantâneo.

    É que nessa tese a coisa complica. Se bem me lembro havia aquela famosa situação de irmos até uma estrela a uns 75 anos luz a uma velocidade muito próxima da da luz (impossível, de acordo com a relatividade, viajar à velocidade da luz). A viagem duraria um a dois anos do ponto de vista dos viajantes e os tais 75 anos do ponto de vista de quem ficava para trás na Terra. Isto complicaria as coisas a quem quisesse passar dez minutos numa caixa e sair no século XXIII. Além disso ainda ficaria a questão de se estar num ponto diferente daquele onde se começaria a viagem (a não ser que se andasse em círculos em volta do globo, mas o condutor não poderia mesmo beber, sob pena de falhar uma saída e acabar algures em Plutão).

    Em todo o caso o conceito é bom, só é preciso agora que nos deixem entrar ali no ciclotrão do CERN para fazermos uma visitinha aos nossos filhos e netos.

  11. Não existe dicotomia entre “homens de Ciência” e
    “Homens da Arte” o importante é o que estes homens deixam como boa herança, como sabem ciência e arte andam juntas. Já agora dava uma dica aos ilustres comentadores , dimimuam as definicões tipo
    5 império , 3º vaga , 15ª cultura , decadência ocidental ? Qual decadência ocidental ? Todo Oriente está com formas de capitalismo e socialismo adaptadas do ocidente e se há decadência ela é global
    e tem de ser levada com muito cuidado por causa da sustentabilidade do Planeta. Cuidado quando desenvolverem idéias , intuições , ou partirem de princípios que não servem para nada . o País precisa de voces.

  12. …e imaginar os jornalistas a perguntarem ao JC “como é que se sente”…
    Se não há registos da sua presença no “evento”, então é porque não esteve lá ninguém. Ou então: esteve e não deu nas vistas para não
    “contaminar”; esteve e avisou o homem de que iria morrer por uma causa perdida e o relato da coisa está guardado numa cave do vaticano…

    Até a imaginação do futuro pode servir para não pensarmos nele,né?

  13. Oioi galera .. tudo em cima ??

    O pateta do xatto (piolho pubiano)disse no Semiramis que se eu viesse a este blog iria implodir ..
    Fiquei sem saber se era eu que iria implodir ou se seria este blog…
    Vim para ver…
    Olá Mauro.. sabes .. eu vivi a maior parte da minha vida aí na Portuga .. agora mudei-me para a tua terra ..estou a viver em Salvador .. e estou a adorar..
    Sabes outra coisa .. estás a apostar num cavalo coxo..
    Agora é o Brasil que é ( como diz Buarque) o grande Portugal…

    E tu Luís Rainha ..como vais grande palhaço ?

    À parte isto fica aqui a minha contribuição para mais este pucksickblog com uma novidade .. a partir de agora o vosso PM chama-se Sócratesto… a avaliar pelo Financial Times …
    E claro de um Socratesto só podem vir mais impostos ..

    Report: Portugal Plans Pension Reforms

    The Associated Press
    Monday, May 15, 2006; 4:04 PM

    LISBON, Portugal — Workers with fewer than two children will have to contribute more to their government pensions under planned reforms to prevent the collapse of Portugal’s retirement system, the prime minister said in an interview published Monday.

    Contributions would stay unchanged for people with two children, decrease if they had more than two and increase if they had fewer, according to an interview with Socialist Prime Minister Jose Socratesto published in the Financial Times.

    A Portuguese pension is calculated as a percentage of the top-earning 10 years of the last 15 years of the recipient’s working life.

    Under the reforms, the pension would be calculated according to the employee’s entire working life, the Financial Times said.

    Some workers will be offered the choice of working beyond the current retirement age of 65 or increasing their pension contributions, it said.

    Officials at the Health Ministry said the government planned to present reform measures to Parliament before the summer recess in July, but they could not provide any details.

    The reforms seek to address a pension crisis being felt in several European Union countries due to a falling birth rate and increased life expectancy, as well as lavish payouts.

    Finance Minister Fernando Teixeira dos Santos said earlier this year that at current levels of income and expenditure, Portugal’s pension fund may be unable to meet payouts in 10 years.

    Portugal’s birth rate has fallen to 1.5 children per family, down from 2.6 children per family three decades ago.

    With retirements looming for 78 million baby boomers, the trustees for the U.S. Social Security program said this month that its trust fund will be depleted in 2040, a year earlier than expected.

    The point at which the program will pay out more in benefits than it takes in will occur in 2017

  14. Caros comentaristas e amigos,

    Tenho lido, com agrado, o que aqui escreveram. Mas, porque estou fora de casa, com internet às meias-horas e com prioritárias obrigações de trabalho, não posso responder de momento a algumas interessantes sugestões. Fica o prazer de vos ir lendo.

  15. Esta temática é das mais interessantes e fantasiosas que conheço.

    Os escritores de ficção científica são naturalmente os experts neste campo da fantasia heróica, embora a ciência, particularmente no campo da mecânica e física quânticas, sejam os exploradores de ponta.
    Uma coisa parece certa: a ciência já disse que é possível viajar no tempo. Se uma partícula o consegue, será uma questão de tempo que todas lhe sigam o rasto. Isto é o optimismo diletante a falar, claro.

    Mas também muito interessante é a ficção cinematográfica, no campo visual.
    Em meados dos oitenta, apareceu o primeiro filme de uma trilogia de Robert Zemeckis, ( de Hollywood mas um dos meus realizadores preferidos), sobre o “Regresso ao Futuro”.
    No filme, um aluado “Doc”, interpretado por um mais aluado Christopher Lloyd, inventa uma máquina de viajar no tempo, a bordo de um De Lorean, carro de culto que vai aos anos cinquenta, para deixar ouvir os primeiros sons do rock n´roll. Em palco, o viajante MacFly, executa um solo de guitarra eléctrica que é simplesmente um compêndio de toda a arte da guitarra eléctrica rock.
    A fantasia é tão fantástica que ainda hoje, ao lembrar isto me comovo de alegria pela genialidade de todo o filme e a inventividade( e ingenuidade) de algumas propostas teóricas sobre as viajens intertemporais.

    Os filmes de Zemeckis são uma fantasia, mas as viajens na memória do tempo, são bem reais.
    E isso não precisa de esperar pelos avanços na mecânica quântica.

  16. D. Afonso Henriques

    Fico contente por estar bem aí , conheço outros Portugueses que estão também em Salvador , Natal etc etc , ao contrário de voce estou em Portugal há mais de 20 anos e sinto-me avontade para trabalhar a situação com uma certa “autoridade pessoal” de quem deu muito de si para e por Portugal e estou pode ter certeza , genuinamente preocupado. Por outro lado
    acredito que aos poucos os Portugueses vão perceber a vantagem que também existe em ter Estado em tantas partes do Mundo , particularmente o Brasil , com todos os seus problemas é Porto Seguro para os Portugueses , é muito importante os Portugueses e todos nós fazer-mos duas leituras distintas .

    ” Uma coisa é o que o Governo Brasileiro ou o Governo Português diz, outra é aquilo que o povo faz e o que a realidade nos faz provar. ”

    Voce sabe bem o que estou a dizer.

    A realidade é que poucos Países no Mundo possuem o privilégio de requisitar para si , outras paragens
    para viver. Portugal é um deles.

    Em relação a situação Interna Portuguesa , Afonso Henriques , as coisas vão melhorar desta vez, e sabe porque ? Porque desta vez já não há onde ir buscar mais dinheiro, evidentemente eu próprio dentro , da minha condição de simples cidadão , deixarei o País caso perceba que o Governo Português em desespero de Causa, começou
    a incentivar ou proteger Institucionalmente irregularidades no exterior , para já acredito em muita gente cá, começando pela direita até a esquerda política mas , de qualquer forma estou atento.

    Não é bom poder viver em dois Países tão diferentes e tão iguais. Afonso Henriques ?

    Entretanto percebi perfeitamente a sua mensagem , ela faz todo sentido .

  17. O aspirina alterna entre um anjo da guarda e um demónio obcecado, eliminando por completo a neutralidade a que se propuseram de início. Os seus autores têm uma imagem muito negra da sua obra, pois têm consciência de que nunca conseguirão alcançar a pureza da vida. É por isso que se nota uma compulsão para renuciarem à verdade dos factos, tentando assim aproximarem-se das promessas nunca cumpridas. São lentos de compreensão, andam descalços e inseguros.

    Valupi, senhor dos blogues, serás amaldiçoado pelos outros mas acabarás por reinar sobre eles!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.