Margarida contra George

Savater-JPG.jpg

João Pedro George acaba de entrevistar Fernando Savater,
enquanto lá fora a paisagem passa, indiferente

Hoje, 8 de Maio, prossegue, e talvez conclua, a providência cautelar interposta pela Oficina do Livro. Informe-se de tudo no blogue da editora de JPG, Objecto Cardíaco.

34 thoughts on “Margarida contra George”

  1. Eis um tema que me interessa, única e simplesmente, pelos seus contornos, eminentemente, jurídicos.
    Relativamente aos seus protoganistas, tenho sérias dúvidas sobre “quem está a dar visibilidade a quem” e que outros interesses (de livreiros, etc) estão subjacentes à presente polémica.
    Qualquer que seja o desfecho desta querela, não penso que a literatura saia mais enobrecida…

  2. Apresento a minha solidariedade a JPG.

    Juridicamente, penso que MRP não tem razão nos seus argumentos.

  3. Mas o João Pedro George não é bonito, nem bem parecido, nem giraço. Oh! Para quando um tipo que pense, fale, opine e consiga compor uma sala? Descobri esta de Fernando Venâncio: http://manuelcarvalho.8m.com/venanciofoto.jpg
    É coisa antiga que o senhor é de 1944. Mas também… Entre o George e o Venâncio, (o Savater não conta) quem é que as meninas escolhem?

  4. Protesto. São perguntas retóricas, insinuantes, tendenciosas. E haja umas quotas para os velhinhos.

  5. Como já sou entradota prefiro esta
    http://www.periferica.org/numero03/venancio.jpg
    Digam lá se não é um belo homem? Eu gosto. Mas o que mais gosto nele é o modo como nos trata de igual para igual, com enorme simpatia e condescendência. Quantos Senhores Professores Doutores portugueses teriam a mesma postura? O homem é uma ternura e não digo mais nada.

  6. Antes de mais, um preâmbulo de hombridade: desprezo razoavelmente o que a MRP escreve; acompanho e nutro uma simpatia maneira pela linha editorial corajosa da Objecto Cardíaco.

    Posto isto, já posso intrujar à vontade. Serei breve:

    Quanto à questão pertinente de “quem está a dar visibilidade a quem” (vide 1º comentário), é inegável que uma mão lava a outra. Ou não estivéssemos nós aqui a discorrer sobre a lana-caprina em pleno miolo primaveril. Andy Warhol insistia recorrentemente que falassem mal dele; desde que falassem… Tenho, porém, sérias dúvidas que haja aqui premeditação, como a pergunta tacitamente indicia.

    Por outro lado, a Miosótis R. Frango é o que é literariamente, ou seja, uma bosta. E, como tudo o que cheira mal, neste país vende mais que o alho-porro em dia de são João. Mantém-se parasítica (e faz ela muito bem, que também eu gosto, e muito, de carcanhol à larga no bolso!) às cavalitas e a coberto do frete cor-de-rosa que desbota o gosto do orgulho lusitano. Perverte o bom-senso. Enxovalha e zomba, mesmo que inadvertidamente — posso admitir —, de quem dedica uma vida inteira à escrita, com mister de arte, com preito de missão, com labor de ofício. E além disso, na sua ocupação sócio-epizoária dá-se ares de figura púbica, que até o é, malgrado o escanzelamento intelectual.

    Em poucas palavras, é uma mulher de vida fácil. E a falta do “L” lá atrás não era gralha.

    Decerto, para crítico ver, quereria a moça ser a obra-prima do mestre. Mas na realidade é apenas a prima do mestre-de-obras, que, por sinal, até está muito bem relacionado e mexe uns cordelinhos nas praças da berra.

    Ora, com uma obra assaz carismática e roçando o advento de um paradigma, era natural que a nossa amiga se visse, mais cedo ou mais tarde, focada como case study de alguém que presuma descortinar a flor do seu segredo ou, por assim dizer, a aridez do seu solo, a inexistência de flor, segredo ou algo que requeira descoberta, a montanha que pariu uma rata, e vice-versa, aludindo concretamente à obra.

    O livro publicado pela Objecto Cardíaco não faz escatologia, em qualquer das acepções científicas da palavra, aproximando-se todavia de uma delas. É, sim, um mero exercício de curiosidade aplicada; uma tradução técnica, adaptada e resumida, da obra da autora para Português (ou será que a senhora não quer estar traduzida na sua Língua materna?); um guia ilustrado para os tantos e benditos daltónicos desprovidos de acuidade visual que lhes permita encarar o cor-de-rosa.

    Para compor esta prosápia com um rodapé de tolerância, e para provar sem mácula que nada aqui dito é pessoalmente contra a Malmequer R. Galináceo, aqui lhe deixo uma sugestão de leitura adequada para a antecâmara do tribunal, amanhã ou em eventuais sessões vindouras. Advirto que não se encontra à venda nos mercados hipertensos. Então lá vai:

    “O VIRGEM NEGRA”
    “Fernando Pessoa explicado às criancinhas naturais & estrangeiras por M.C.V. Who Knows Enough About It, seguido de LOUVOR E DESRATIZAÇÃO DE ÁLVARO DE CAMPOS pelo MESMO no mesmo lugar. (…)[o título prossegue]”
    Mário Cesariny Vasconcelos
    Assírio & Alvim, 1989

    Como vê, ó Mirtila R. Garnisé, só os grandes escritores são meritórios de verem as suas obras dissecadas, autopsiadas. Ainda para mais, no seu caso ainda em vida. Quanta honra! Deveria regozijar-se em vez de fazer cara feia a puxar a toga ao causídico. Se doer muito, é só encomendar uma epidural…

    Para reflexão final, apenas o excerto de um poema, manifestamente anal ítico, provindo do livro supracitado. Sem mais delongas ou comentários:

    “O Álvaro gosta muito de levar no cu
    O Alberto nem por isso
    O Ricardo dá-lhe mais para ir
    O Fernando emociona-se e não consegue acabar.

    O Campos
    Em podendo fazia-o mais de uma vez por dia
    Ficavam-lhe os olhos brancos
    E não falava, mordia. O Alberto
    É mais por causa da fotografia
    Das árvores altas nos montes perto
    Quando passam rapazes
    O que nem sempre sucedia. (…)”

    O resto do poema poderia ferir susceptibilidades o que, como é evidente, me desagrada.

    Até já.

  7. Voto no George. Ai não, não voto nada no George. Venâncio. Ai, que horror! Este é o tipo de dilema que precisa de concertação social.

  8. Eu cá não achei bem que se tivesse posto uma fotografia do George num blogue que ainda é, malgré tout, do Silva. Um pouco, mas ainda do Silva. Eu sei que até se pode dizer que entrevistador e entrevistado parecem demasiado íntimos, que o Venâncio mostrou a fotografia de maroto, mas só quem desconhece a economia de uma entrevista pode imaginar que George e Savater não a terão suportado frente-a-frente, como uma chega de bois barrosões, salvo seja, em vez de se terem posto a jeito nesta tão amigável pose lado a lado. Uma entrevista não é uma crítica, nada de insinuar amiguismo onde ele não o há, tenho a certeza que não foi aí que o Venâncio quis chegar.

    Por isso mesmo não achei bem. Para equilibrar, e atendendo ao essencial que nos traz aqui a todos e todas, incluindo o Renato C. (C de “Convidem-me, por favor!”), sugiro que se junte ao rol o Mexia, que é um bom amigo do Silva e que tem a vantagem de ter um aspecto escorreito e profundo, como em aqui: http://www.gezett.de/autoren/mexia_pedro/images/2004651_5160.jpg, e que, na minha opinião, não desmerece do Venâncio.

  9. Que confusão, Lai, que confusão! O único picante da foto de JPG (além de ser um .jpg, claro) é ter sido fanada do próprio blogue dele, o Esplanar.

    Depois, a entrevista com Savater estava terminada, supus eu, e assim o digo, mas pode também ser que não, que eles tivessem estado à espera de que alguém mais entrasse naquela deprimente carruagem-bar para lhes fazer a foto. E que por isso estavam tão descontraídos.

    Restam os terceiros, que não sei a que são aqui chamados, afora o Silva, que ainda é meio ou um bocado (sabe dizer a percentagem?) dono disto. Só anoto que o Renato lhe faz cócegas, é o que é. E, se queria humilhar-me com a vera efígie do Mexia, confesso-lhe que não conseguiu. Eu também fui engraçadinho.

  10. Caro Fernando Venâncio, não ligue à Lai que é uma fedúcia despeitada (no sentido literal, acredite porque a conheço). Não se vá abaixo! Não lhe dê conta das suas partes mais fracas. Deixe-se estar sempre por cima que é por onde começa sempre os seus postes. Força Fernando! (agora, Maria Lai, vou às compras e tratar das contas do banco que é assunto que deixas para mim enquanto levas o teu tempo aqui, pespego que és, a tentar chamar a atenção de homens com franja e obesos loiros de apelido Mexia. Oxímoros, todos!)

  11. Olhe, Venâncio, estou indecisa se gostei mais ou menos da primeira edição do seu comentário:

    “E, se queria humilhar-me com a vera efígie do Mexia, confesso-lhe que conseguiu.”

    Por um lado é mais sincera; por outro, e literariamente, parece-me mais pobre. Mas a especialista não sou eu.

  12. Pois é, Lai. Desta vez, ganhou o literário. Doutra, ganhará a verdade. Mas nem isso é certo.

  13. Ai, Lai! Minha grande estulta, que nos deixaste o Venâncio lacónico no parlatório a confessar o que fez. Pois fez e depois?
    Fernando, não foi por falta de aviso. A Lai nunca faz a coisa por menos até porque a tipa é uma gaja fina, ladina mas desprovida de piedade e a verdade, neste caso, para ela não quer dizer o que é óbvio. Que o Venâncio não engole opróbrio em seco e diz às claras, às clotildes, às lais deste pequeno mundo que apaga, emenda, reduz, aumenta, amplia, marimba. Faz o que quer e faz ele muito bem mesmo quando não cita fontes, gama fotos e isto é que eu acho fixe. Acho mesmo que é o que lhe dá mais graça porque o torna bem mais jovem, para aí do tempo da franja maldita. Maria Lai, deixa o Venâncio em paz! Vai denunciar para outra freguesia. Larga a aspirina de vez, não te faz falta, não te vaso nem dilata ou coisa que se lhe assemelhe. Tu tens lata, Lai mas já chega! Deixa o senhor atenazar o George, um tudo nada, com a ironia própria destes salões. Deixa-o corrigir os comentários à vontade. Ó Venâncio, isto não passa de spam dior, chanel 1×2. Mais nada. Que importância e relevância social isto tem para si, homem! Nascido em 1934, como a Lai, mas mesmo assim ainda aqui no tique tique tique dos blogs. Isso é que é de louvar! Força!

  14. Clotilde,

    Tire lá 10 anos de cima destes já desconjuntados ombros, senhora! Velhinho, velhinho, mas não abuse.

    Fico, sim, a saber a idade veneranda (e daí, nos dias que correm…) da sua estimável confidente.

  15. E assim se constrói a literatura e os autores. Pobres crianças. A brincadeira é um despiste dos invejosos. muita conversa e pouca obra, a começar por esse venâncio, o rei da retórica – esse que leva sempre a meta atrás de si e talvez por isso nunca chega a lado nenhum, porque está sempre de partida para qualquer assunto que implica os outros; mas sem nunca ultrapassar as suas pobres ideias.resumindo: o maior desconforto dos escritores portugueses é quererem ir a reboque uns dos outros. ladram no canil português e no estrangeiro apresentam-se com o ançaime da mediocridade.

  16. Como se costumava dizer, gostei muito deste bocadinho.

    Este blog ainda vai sendo dos poucos sítios onde se podem ler chicuelinas retóricas de/entre pseudónimos, sem medo de chistes cifrados.
    Força!-como se escreve aqui em baixo…

  17. v.f,

    Quanto à «muita conversa» estamos falados. Tens razão, e não sabes tu da missa a metade. Já quanto à «pouca obra», fico perplexo. Vasculho e nada vejo. A que te referirás?

  18. Provérbio chinês: “Quando o sábio aponta para a Lua, o idiota olha para o dedo”.

    Fernando:

    Não perca tempo. Não vale a pena depositar esperança em quem sai incólume das subtilezas do mandarim.

    Até já.

  19. Há um agradável privilégio nisto, de poder juntar-se a tradição com a modernidade.
    No tempo do senhor Dom João V, eram eles que se abeiravam da grade, em suspiros… Agora são elas que se chegam à frente, anelando floreados… Até a grade parece a mesma coisa, mas há um mundo inteiro de diferença.
    Não seja azedo, v.f! Não esqueça que nos anos 80 calámos a Europa. E já tínhamos, uma vez, calado o mundo!

  20. f.v:
    Em questões de missa e literatura, a oração é um desperdício dos que se julgam sempre com razão. Nestas coisas de escrita e sucesso a fé é cega e convencida. Já reparou que o que está a dar no meio literário é colocarmo-nos bem instalados no regaço dos nossos inimigos? veja o caso do George: ser amigo desse pré-histórico é um luxo que não se encontra em nenhuma caverna humana. O mau-feitio do rapaz dá boleia a muita gente sem coragem. Como é que pode haver obra se a construção do que idealizamos é ruína antecipada? moral da história: todos desejam ser como o george sem deixarem de ser quem são – escritores do medo.

  21. A querela jurídica não tem para mim qualquer interesse, salvo conhecer a cor do coelho que há-de sair da cartola do meretíssimo. Porque nem sempre os coelhos são brancos.
    A verdadeira questão está na criação da querela, em si mesma um desconchavo escandaloso. Quem procura visibilidade é quem a provocou.
    A senhora em questão conhece bem onde o vulgo aprecia espojar-se, e a sua editora é especialista em atestar gamelas que prometam lucro.
    O crítico fez apenas o que lhe compete, e é do seu ofício. E não pode chamar pão de primeira ao que lhe parecem farelos.
    Pessoalmente, o simples facto de o saber ligado à extinta Periférica é já motivo de apreço. A isso junto solidariedade e agradecimento, quando o vejo exercer a função em linguagens concretas, perceptíveis, que afirmam o que querem dizer. Sem os floreados redondos que por aí andam tantas vezes, abrangentes, cabalísticos e tribais.
    “Uma das grandes funções da crítica é ser polémica. É instigar, mexer com a inteligência”. (cito o próprio)
    Isso mexe com as ‘autoridades’. Mostra os pés de barro dos deuses. Tira a camisita aos convencidos, os coturnos aos meias-lecas.
    Louva o que tem que louvar, sem meias-tintas. Ao resto aconselha o silêncio, sem reverências bem comportadas.
    Há mais quem faça isso. Mas críticos bulldozer ainda nos faltam vinte. Como pão para a boca.

  22. v.f.,

    isso recorda-me um singelo episódio anedótico.

    O George e a Mary em Hyde Park:
    — George, please take off your glasses, sweetty. You’re hurting me!
    Um pouco depois:
    — George, do put your glasses back on, you moron. You’re licking the fucking grass!!!

    Moral da estória: não vai fácil a vida para os georges deste mundo. As Quitérias Barbudas barricadas deste mundo não se decidem. Mas se eventualmente se decidem, rapidamente mudam de opinião.

    Até já.

  23. Este comentário, fi-lo no Portugal dos Pequeninos sobre o texto de VPV sobre MVdaCosta e JPGeorge com as couves e alforrecas:
    O problema é que se diz mal de tudo e de todos, a torto e e direito, mas pelas costas, no corta casacas, com ou sem vira casacas. Sim, devíamos ser exigentes, ter a coragem de afirmarmos o nosso desagrado, a nossa decepção, ser capazes de pôr o dedo em todas as “fridas” que nos impedem de viver, de pensar de sonhar mesmo. Isso não é dizer mal, é ser justo e exigente. Nem sempre VPV assim age, como até é duvidosa a posição de George em relação a M.R.Pinto, os livros dela não valem nada, nem mereciam um livro que os criticassem, pondo-se e pondo-os em valor. Quando entro numa livraria, nem olho para os destaques… mas é assim que vivem as livrarias, os editores e os autores… e o público é do que come. Serve para este post e para o seginte. Não acrescento mais nada

  24. Renato C,

    Em Hyde Park, ninguém, nem mesmo quando está a ser lambido no cu,diz “sweetty”. Passa lá um dia destes e põe o ouvido à escuta.

    Humberto D

  25. «Chicuelinas retóricas», josé?! Impagável. Não há dúvida que o pessoal daqui maneja bem a muleta e o capote… Olé… Espero que não haja toiros de morte, nem estocadas finais :-)

  26. O Jagudi foi o único que sublinhou a fraqueza destes fogos de vista. De não surpreender, portanto, que as vulgares Leonor, Lai e Clotilde tivessem perdido o bafo morno necessário para continuarem as suas completamente vácuas intervenções. Bom o “sweetty” Renato C deu o seu melhor, mas no fim, coitado, escorregou num dos presentes de corgi real depositados amiude nos carreirinhos de Hyde Park.

  27. Errata do comentário anterior:

    1 — fogos-de-vista
    2 — amiúde
    3 — e corgi real é mais correcto se hifenizado.

    Será que estes broncos que se querem fazer passar por inteligentes não têm ao menos dicionários em casa?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.