Vinte Linhas 762

Naquela manhã de Abril em 1995

O dia 14 de Abril foi, no ano de 1995, uma sexta-feira; não uma qualquer mas a Sexta-Feira Santa. Minha mãe estava a sofrer numa cama articulada de um Lar de Idosos, entre tubos, lágrimas e vitaminas. Passaram dezassete anos e continuo a pensar que foi a Sombra de Deus e a Sua vontade que quis levar, naquele dia tão especial, o corpo de minha mãe, já cansado de tantas doenças, para ele poder repousar na Sua Sombra, afinal muito mais viva que todas as luzes do Mundo.

Os anos passam uns atrás dos outros muito depressa, parece que tudo foi ontem, havia sol, os meus filhos estavam atónitos e nenhum deles se lembrava com precisão de outra morte na família. Tinha sido o avô João em 1983: a mais velha tinha cinco anos, o rapaz tinha dois e a mais nova ainda não tinha nascido. Em Santa Catarina o Largo do Pelourinho ficou cheio de gente e os sinais dobrados na torre da igreja eram uma música triste, como se cada batida ritmada dos badalos dos três sinos fosse uma lágrima húmida, volumosa e sonora.

Em Abril de 1995 eu já sabia mas hoje posso afirmar: as mães não morrem. Continuam presentes e activas embora invisíveis. Às vezes parece que foram ao cinema ver um filme romântico ou às compras para o enxoval da neta mais velha ou então comprar uns lápis de côr para a escola do menino. Também acontece que as ovelhinhas do presépio precisam de ser substituídas, todos os anos os miúdos partem uma ou mais. Chegam a passar uma tarde quase inteira para comprar alfazema a peso para depois costurarem saquinhos pequenos que vão cheirar bem para as gavetas da roupa. As mães não morrem. Apenas deixaram de ir lanchar à pastelaria do costume onde todas as amigas e vizinhas já não são vistas todos os dias.

9 thoughts on “Vinte Linhas 762”

  1. resumindo: as camas articuladas são fatais, a casa de chá da benedita está a perder clientes e a industria local de scones a definhar em solidariedade com as plantações de alfazema. belo quadro de comunismo ecuménico para publicitar underwear calvino klein.

    * gás profano líquido

  2. No lar toma vitaminas,
    é para robustecer,
    mas por artes bem divinas,
    ela acabou por morrer!

    O quadro é diabólico,
    porque, ao fim a ao cabo,
    embora seja católico,
    isto meteu o Diabo!

    É triste morrer assim,
    morrer de morte morrida,
    mas pior é quanto a mim,
    morrer de morte matada! (não rima mas é verdade)

  3. Ó pá, mas que pretendes tu com isto? Se fosses um escritor de verdade, não escrevias SEMPRE sobre ti, o que significa que não tens o mundo interior que carateriza os verdadeiros escritores e olha que estes nem precisam de escrever bem. Precisam, isso sim, de chamar, de fazer-nos entrar na sua história, no mundo criado naquele concreto livro. Tu pá, escreves SEMPRE sobre ti e eu não quero saber de ti, e acho incrível, para não dizer patético que nos venhaas moralizar com sentimentos made in china, onde pontuas ( mal) o dobrar dos sino pela morte de alguém e a presença eterna da mãe que cria e educa o rebento. Ó meu, se a tua estivesse sempre presente em ti, tu não epitetavas tão ordinariamente os OUTROS, não desejavas abrir as tripas a meia duzia de filhos da puta, não chamavas TORTOS aos avós dos outros, e muito menos pontapeavas com palavras vulgares os memsos OUTROS. Aliás, ao pronunciares tais impropérios acabas por azedar cada vez mais estoutros gajos quepor aqui passam e te correm à pancada, justamente pela tua falta de educação. Pelo que se a de cujus andar á tua volta, deve estar muito aflita pois o seu descendente desonra-a em cada linha que escreve imputando aos outros a pobreza de espirito, mas arrogando-se a suprema capacidade de ser superior. Ó meu, cala-te! Respeita quem partiu, pois onde quer que esteja, está melhor, porque não tem que te gramar. Fogo.

  4. Realmente, há cada “besta”!

    O JCF não pode escrever o que lhe apetecer, tem de pedir autorização, até a um “cavalo anónimo” (que é sempre o mesmo careca, que se esquece do boné em casa…).

    Desaparece pá!

    Não gostas, desanda, vai para outra paróquia ser sacristão e diácono remédios.

  5. Olinda uma coisa não obriga a outra. Não se pode generalizar, há lares onde o conforto é total e as condições são perfeitas. Cada caso é um caso. Caro Evaristo – nem mais!

  6. não: só há um lar – o nosso. e essas imitações não têm o cheiro nem as recordações nem as marcas do tempo nos dias. eu quero morrer em casa.

  7. Ó Evaristo, come palha estrumada, pá, a ber se consegues cagar alguma sentença com conteúdo. Dá um abolta pelo país e berás onde puderás comprar uma raçãozita à tua altura. Tranca a bigorna, e descarrega nas ovelhas do teu círculo, ehehehe

    Ó Zeca, tu lembras-me o cobardolas, só se afoita a com companhia, mesmo que esta seja a sua própria sombra. Bai cumer caganitas de cabra, pá, com a tua sensivilidade, ainda as tomas como azeitona preta, ó marreco.

  8. Ó Evaristo e troles afins, mandai o sítio, pá, bamos ber quem é que é cabalo e vesta. Para já mulas da cooperatiba estãoe identificadas, e tu ibaristo és um lambe cús com hálito a peida mal labada, ó chaparro. Toma lá a raçãoe pá, e depois escoiceia, mas nas cabras que te rodeiam, tá bem, jabardo? Mutatis mutandis pró teu clone, o besta mor do «escritor de domingo».

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