Vinte Linhas 688

Dissertação para uma fotografia a verde e branco (a Mário Lino)

Em 1954 não havia já o Relvão da Doca mas o amor à camisola continuava na «mais bela pequena cidade do Mundo» – como escreveu, para sempre, o poeta Pedro da Silveira. Havia três clubes de futebol na cidade da Horta: Fayal Sport Clube, Atlético da Angústias e Sporting da Horta. A rivalidade no campo era uma semanal tempestade de emoções. Vejamos os nomes dos rapazes. No primeiro plano da esquerda para a direita: Manuel Lima, Fernando Morisson, João Rodrigues (cap.), Manuel Gaspar e Eduíno da Costa. No segundo plano e da esquerda para a direita: António Almeida, Manuel Maria, Josué Canário, João Cardoso; Antero Lino, António Jorge e Mário Baptista. Havia o atletismo, o hóquei em patins, o teatro, a música, os espectáculos de variedades. Cada figura uma história. Antero Lino é o irmão Mário tal e qual. Dois anos depois os dirigentes do Lusitânia compraram a carta de desobrigação de Mário Lino por 15 contos e Antero desejou-lhe felicidades num abraço apertado. As viagens eram de barco, tudo era longe e Mário Lino viria a desfilar na pista com o estandarte dos verdes de Angra na inauguração do estádio José Alvalade em 1956. Passada a Instrução primária da Horta, completado o Liceu em Angra, Mário viria para a Universidade de Lisboa. Universidade do futebol, entenda-se, com direito a pós-graduação, mestrado e doutoramento.

Que será feito dos sonhos destes rapazes de 1954? Entre emigração, cabo submarino, escritórios e oficinas, quem sabe da monotonia dos dias quebrada pelos desafios de domingo à tarde? Quem os guardou, quem escondeu os sonhos dos rapazes da camisola verde e gola branca? Onde está a Zézinha e as meninas do Liceu da Horta com os ramos de flores à espera dos campeões? Quem mandou o telegrama a anunciar que podem chamar as filarmónicas?

7 thoughts on “Vinte Linhas 688”

  1. Um clube de elite, da polícia, que não gostava das pessoas de cor, era racista. Foi o que disse o Eusébio.
    E depois atreves-te a dedicar o texto ao marmelo que saiu de ministro para ir ser presidente do conselho fiscal das seguradoras da Caixa Geral de Depósitos

  2. Pico-Faial-Flores-Corvo, que equipa é esta. poeta, na minha memória do tempo da D. Guilhermina na escola de Pereiros, uma equipa de ilhas, um futebol de quatro, mas elas são mais de onze, esmaecida foto de um campo por relvar – de um tempo por relvar – porque, a sê-lo, seria da cor da camisola deles, a Zezinha, poeta, estándo lado para onde todos olhos e as demais meninas do Liceu da Horta com flores e corvo e pico.
    Esmaecida foto que apetecia poder aumentar para lhes ler os nomes e as circunstãncias e as vitórias certas em 1954.
    Jnascimento

  3. Queria escrever de novo para corrigir:

    Pico-Faial-Flores-Corvo, que equipa é esta, poeta, na minha memória do tempo de D. Guilhermina, a minha escola de Pereiros, uma equipa de ilhas, uma espécie de futebol de quatro, mas elas são mais de onze, esmaecida foto de um tempo por relvar, porque quando fôr, só pode ser da cor da camisola deles, a Zezinha, poeta, está do lado de lá para onde todos olham, nem o podia ser de outro modo, e as demais meninas do Liceu da Horta com flores e pico e corvo.
    Esmaecida foto, poeta, que apetecia aumentar para lhe ler o nomes, as circunstâncias e a vitória certa, em 1954.
    Jnascimento

  4. Nunca ouvi tais bocas ao Eusébio.

    Se seria assim mesmo ou de outra maneira que falou, não sei.

    Mas como há pretos e pretos, tambem às vezes aparecem-nos “broncos” e broncos.

  5. O sr. Virgolino é um analfabeto que não percebe nada disto – este Mário Lino é um senhor cuja biografia breve acima refiro e nada tem a ver com o outro. Ou por maldade ou por ignorância – só assim se percebe a parvoíce. E não me tente tratar por tu que eu não o conheço nem estou interessado. Desapareça do estaminé!

  6. O texto é bom e a foto uma preciosidade.

    P.S. – Fontainhas, põe os neurónios a funcionar. O Mário Lino da dedicatória foi defesa do Sporting Clube de Portugal e da selecção nacional. Não é o político que parece que te eriça o pelo.

  7. Meu Caro Joaquim – a Zezinha (Maria José) existe mesmo e sei onde vive. Aqui funciona como símbolo de todas as meninas do Liceu da Horta que iam receber as equipas ao Cais ao som das Filarmónicas. Poderia ter falado da Eduardina mas não calhou. Apenas isso…

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