Vinte Linhas 681

Fausto no Santoínho ou o esplendor do insólito

No passado dia 29 de Outubro à noite estive no arraial minhoto do Santoínho, em Darque, Viana do Castelo. Para além de toda a panóplia da festa popular (caldo verde, sardinhas, broa, bifanas, vinho tinto e branco, frango assado e champorreão) havia a música do grupo folclórico privativo da Quinta e música para dançar. Foi aí que, surpresa das surpresas, apareceu um tema de Fausto Bordalo Dias. Ao ouvir os primeiros acordes de «O barco vai de saída» do álbum «Por este rio acima» de 1982, eu estranhei o som embora me tenha sido agradável. É sempre muito bom ouvir uma canção do Fausto mas ali, no arraial minhoto, o registo era mais… Quim Barreiros. Digamos assim.

Horas antes tinha deambulado por Viana do Castelo e, a meio do passeio, fui agredido por um mamarracho que, tal como os eucaliptos, seca tudo à sua volta. Num certo sentido aquele prédio a obstruir a visão da foz do rio Lima a grande parte da cidade de Viana do Castelo é um Quim Barreiros da arquitectura e do urbanismo. Para meu azar a camioneta da excursão que me calhou tinha um CD do Quim Barreiros e durante largo tempo fui também agredido com as baixas graçolas do tipo «Ó Maria deixa-me ir à tua padaria!».

Talvez por isso tudo conjugado é que ouvir uma música de Fausto Bordalo Dias no arraial minhoto do Santoínho foi uma grande e boa surpresa. Uma ilhota de perfeição e de bom gosto num mar de mau gosto e de música a metro. Uma pobreza franciscana interrompida para dar lugar a uma canção de um álbum inspirado na «Peregrinação» de Fernão Mendes Pinto, uma das referências fundamentais da Música Popular Portuguesa Contemporânea e um dos discos mais vendidos da nossa indústria discográfica.

18 thoughts on “Vinte Linhas 681”

  1. oh meu! tás armado em fino ou foste confrontado contigo próprio, tás a tempo de te suicidares e matares o piroso que há dentro de ti. oh palerma! o barreiros é um artista, coisa que tu gostarias de ser a-qualquer-preço-des-de-que-fosse-a-receber, mas não consegues. vai-te catar! atão querias edite pífara na caminete e jaques du baril no santoínho, tás mas é a pedir que te vão à padaria. vê lá se te queixas do catering, o pão das sandes de beluga era rijo e o arruinarte era frutado d’urinol.

  2. Essa da “música popular portuguesa”, copiada da fórmula “música popular brasileira” (mpb) em voga a partir dos anos 60, nunca me convenceu. A chamada mpb, que não se confundia com a verdadeira música popular do Brasil, foi um género de fusão, fortemente conotado com meios urbanos e intelectuais contestatários. Aqui o Zeca Afonso, os baladeiros e depois os Trovante (que começaram a falar de mpp), o Fausto, a Brigada Victor Jara, a Banda do Casaco, etc andaram nessa onda.
    Mais verdadeiramente “popular” será essa arte dos Quins Barreiros, da Ágata, do Tony não sei quê e quejandos, com letras saturadas de sexo cabotino, trocadalhos e rebimbomalhos – ainda que nem toda a música popular portuguesa contemporânea seja dessa estirpe.
    Vertida em moldes de música popular, mas só parcialmente encostada à tradição, a música do Fausto, como também a do Chico Buarque e outros no Brasil, é muito mais sofisticada e as suas letras, como essas do “Por este rio acima”, fogem a toda a velocidade dos temas populares. Não é música do povo, mas sim de uma elite urbana que presta homenagem à arte musical popular.

  3. Ó Zé Chico, o que ouviste na camioneta talvez seja música a metro, mas a verdade é que vende mais do que a música erudita de que finges gostar. O povo gosta e diverte-se.

    No fundo é o que acontece com a tua escrita: só escreves banalidades, mas acabamos por vir aqui divertir-nos um bocado com o teu cabotinismo.

    És um gajo com piada (involuntária é certo), e talvez devesses cobrar por isso.

  4. são bem giros os arraiais minhotos, mais pela pândega do que pelos petiscos – mas as sardinhas não são de desperdiçar, costumam ser gordas e suculentas. podias ter dito que vinhas e tomávamos um chá. :-)

  5. Caro José Francisco: Quem se mete em excursões pimba, para ir a arraiais minhotos, acaba por se meter em trabalhos. Deixe-os falar. Admira-me é que venham aqui beber. Já uma vez passei por essa experiência, e jurei para nunca mais. “Se o povinho gosta, então demos-lhe o que ele gosta”, é o que diz o “mercado”. Vi avózinhas a fazer côro, a cantar o “bacalhau quer’alho”… Mas se houvesse alguem que as mandasse para o c…, aqui d’El-Rei que alguem estava a ser indecente. Buçalidade, ignorância, alarvidade. Fujo desses festejos, onde as pessoas vão só comer e beber, desalmadamente.
    Como sempre, o José do Carmo Francisco contou-nos uma boa história. Continue, não se arrependa do que acima escreveu. Eles confundem o “popular” com o “reles pimba”. Popular, genuino, é o Canarinho… que canta à desgarrada, sem ser buçal nem pimba. Parabens.

  6. Ó maluco, já devias ter metido uma licença sem vencimento ou então umas férias. És um chanfrado que não percebe nada disto. Mete a viola no saco, ó chartéu!

  7. Obrigado Evaristo e Olinda – isto é uma paisagem bonita mas mal povoada. Aparece cada maluco… O Jonas nem tenta disfarçar, é como o outro taralhouco, fala no plural.

  8. Ó maluco a palavra é champorreão – está na Internet se tiveres dúvidas. Há fotografias mesmo mas como és maluco não acreditas. Eu não me enganei…

  9. Uma pequena curiosidade sobre o artista: nasceu a bordo de um navio que vinha de Angola para Portugal, o navio chamava-se Pátria …. foi registado em Vila Franca das Naves.
    Peregrinação…fado…destino.

  10. oh xico! quem é que te pagou a excursão à quinta pedagógica para ires ver rústicos do minho a fazer habilidades folclóricas para rústicos estremadura interior. viajas à borliú e ainda dizes mal ou pagas do teu bolso e disfarças pior.

  11. já sei, foste raptado pela sopeira que aproveitou uma ida da patroa à terra para uma escapadinha romântica com o patrão.

  12. edie, uma pequena curiosidade sobre o artista, parece que os pais que lhe enviavam uma mesada de Angola para os estudos na então metrópole, o filho não quis mais essa mesada a partir do 25 A, porque o rebento chegou à conclusão que o dinheiro era o resultado da exploração ignominiosa dos angolanos.

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