Vinte Linhas 666

Bairro Alto a terra queimada ou o deslize do brasileiro

João Correia Filho, jornalista brasileiro, escreveu o livro «Lisboa em Pessoa» – Guia turístico da Capital Portuguesa. Teve a sorte de visitar a Livraria «Fábula Urbis» ali à Sé. Historiador, livreiro e editor, João Pimentel ajudou o autor do livro a conhecer melhor a cidade de Lisboa sugerindo roteiros e elaborando listas de livros a descobrir. Na página 175 do livro aparece uma nota sobre o Miradouro de S. Pedro de Alcântara: «Quando o sol se vai embora, o miradouro vira um grande salão de encontros, tomado por jovens que enchem os seus quiosques-bar (abertos todos os dias. Entre quinta e sábado organizam-se aí concertos e actuações de DJ) e fazem do lugar o ponto de partida para a divertida noite do Bairro Alto.» Ora a verdade é muito diferente. Não só a realidade cujo mau cheiro a urina sai da Travessa de São Pedro (ali em frente) mas todo o espectáculo do lixo, das garrafas de litro e dos copos de plástico. Quanto à música e seu barulho existe uma carta do Departamento Camarário responsável que determina a cessação das actividades musicais à uma da manhã desde que a mesma não afecte residentes e vizinhos. Mas a Polícia Municipal, chamada por um morador cujo filho pequeno não conseguia dormir às duas da manhã, referiu que os senhores do Bar possuem uma carta do vereador Sá Fernandes (esse mesmo) a permitir barulho até às duas da manhã. Mas na Net são anunciadas actividades até às 3 da matina. Pois… O vereador, conhecido pelas providências cautelares e por integrar a comissão liquidatária dos jardins de Lisboa, terá assinado uma autorização sem saber da decisão anterior do Serviço respectivo. Sem saber, tal como o jornalista brasileiro. É o que faz escrever sobre uma realidade que não se conhece pois só quem vive no Bairro Alto percebe o sentido da expressão terra queimada.

10 thoughts on “Vinte Linhas 666”

  1. Exacto Olinda: o Bairro Alto onde vivo desde 1976 nunca esteve tão mal, é mesmo uma terra queimada. A ligeireza com que o jornalista brasileiro falou da folia no miradouro (passando por cima do lixo e do cheiro a urina) é comparada à ligeireza do vereador que decidiu contra a decisão do serviço camarário responsável e contra o bem-estar dos moradores. O problema é esse: para muita gente o Bairro Alto não devia ter moradores mas apenas bares e restaurantes. É diabólico.

  2. oh xico! quanto é que pagas de renda de casa? em 76 eram os moradores que vazavam penicos janela fora e não te queixaste das tradições de merda do bairro alto, agora gramas com a vingança do transeunte. merda atrai merda.

  3. Como sabes Olinda, escrever é escolher. O que afirmo é que o senhor brasileiro, depois de se informar junto da pessoa certa (João Pimentel) fez a reportagem possível e não se lembrou que há leis em Portugal, uma dela a lei do Ruído. Para ele o que contava era o folclore. De facto aquilo às vezes parece a Baía…quando o barulho entra pelas nossas casas.

  4. Em termos práticos é esta a questão: há portugueses e lisboetas que não têm os mesmos direitos que todos os outros. Levam todos os dias com o ruído até às tantas, maus cheiros, rixas, etc como se tudo isto fosse normal. E não é…

  5. Oh anónimo que de onde estás só uma palavra descreve o teu discurso de ódio: cobardia. Se merda atrai merda, és o último a atirar-te ao poço, o mais estúpido, ignóbil e – portanto – merdoso!
    É que de bufos e cobardes não reza a História: os anónimos são a maior das merdas das que todas queremos sempre ver pelo esgoto abaixo.

  6. O «morador» tem toda a razão; este «anónimo» é miserável porque é mesmo bandido e não pelo anonimato. Ainda hoje de manhã na Travessa de São Pedro um grupo de franceses, perante o cheiro intenso a urina desabafava: «Terrible!» E é mesmo terrível.

  7. a destilação da tua obra literária liberta frangrâncias poéticas intensas em ácido úrico para delírio dos franceses que visitam o teu habitat. já tou a ver a nova grife dior terrible by xico, le poéte.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.