Vinte Linhas 625

Dissertação para a geografia de um rosto

Chegaste à grande cidade onde domina a civilização do barro mas trazias a memória plena de uma civilização de granito: vindimas nas encostas da pedra, canções, comboios a vapor, vinho fino, a espuma branca de rios a caminho do Douro, seus afluentes apressados e velozes.

Obscuro geógrafo, adepto desta ciência de observação, eu procuro descobrir, descrever, e interpretar o relevo e o clima do teu rosto. São paisagens, contornos, transições e contrastes. A vegetação é o teu cabelo que recebe, na esquina da esplanada, as carícias do vento.

O teu olhar é um produto directo da superfície da Terra. Há nele uma mistura inesperada: lado a lado a pré-história e a civilização actual. Ou seja: litorais povoados, montanhas de gelo perpétuo, desertos de areia, florestas tropicais. E cidades, cidades feitas de caixotes cinzentos e raros jardins.

A tua pele, batida pela brisa de Lisboa, apresenta sinais de erosão. É o juntar de dois mundos: natureza e civilização, mundo vegetal e mundo animal. Sem esquecer o outro mundo que não se vê mas apenas se pressente: o mundo das caravanas, seu comércio e seu convívio. As fronteiras, as viagens e as feiras francas.

O poema, este poema, é o mapa possível depois de olhar o teu rosto e o teu perfil. A tua expressão humana na paisagem é também uma espécie de geografia.

Caminhas no teu ritmo sincopado pela longa rua das montras e dos eléctricos. Assim habitas a terra na agricultura minuciosa dos minutos.

10 thoughts on “Vinte Linhas 625”

  1. Belo poema, José do Carmo Francisco !
    Sou irmão ou primo da sua musa e, como ela, deixei na terra memória idêntica: a vinha nas encostas, o pequeno rio a juntar-se ao Doiro, as cerejas deste tempo, o centeio quase maduro, as mesmas fragas.
    Bom dia poeta, obrigado.
    Jnascimento

  2. olha o poeta anda a comer a irmã ou a prima do nascimento. quanto à prosopoesia uma data de frases comuns a ilustrar banalidades do eugénio das vulgaridades.

  3. Ó porcalhão, ó bandido, ó monstro, vai morrer longe! Vai chamar eugénio ao teu avô torto, bandalho!

  4. E o verbo achar é brasileiro. Ao menos reconhece que te enganaste. Mas como és labrego continuas a assobiar para o lado e a fingir que não viste.
    Muita palha tu ruminas, ó cagarolas e corbardão.

  5. Ó porcalhão, vai chamar ruminante ao teu avô torto – se é que tens avô… Esse assunto não é para aqui chamado, ó bandalho!

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