Vinte Linhas 529

«Ora, Ora! Isto é coisa de Robertos!»

Nasci em 1951. No meu tempo de menino, as estradas eram de macadame, havia pó no Verão e lama branca no Inverno. Às vezes lá apareciam na minha terra (Santa Catarina – Caldas da Rainha) uns «Robertos» que armavam a sua tenda branca umas vezes triangular, outras vezes quadrada. As suas histórias metiam muita traulitada com frases do género «Rais ta parta!» ou «Lá vai a cachaporra!». A minha avó via mas não gostava de «Robertos» e dizia baixinho: «Isto é uma miséria…». Esta história nacional (sim, nacional…) do guarda-redes do Benfica que se chama Roberto fez-me lembrar a história do meu tempo de criança quando os saltimbancos apareciam não se sabe de onde. Para ir à minha terra há três estradas (Alcobaça, Rio Maior, Caldas) mas eles apareciam tão sem avisar que nunca se percebia de onde vinham. Eram pobres, invariavelmente pobres, magros e tristes. Não tinham o porte altivo dos ciganos, eram humildes, quase pediam desculpa por aparecerem ali. Muitas vezes se dizia, entre a nossa gente, quando uma coisa parecia absurda: «Ora, Ora! Isso é coisa de Robertos!».Pois este pobre Roberto, desajeitado, confuso, atónito, tem feito desesperar quem no Benfica pagou por ele quase nove milhões de euros mas ao mesmo tempo tem povoado os cafés portugueses de piadas sem fim. Com o Benfica é sempre assim. Não basta a data falsa da fundação trocando 1908 por 1904, não basta a anedota das «Ligas» entre 1934 e 1938 que, de repente, já eram campeonatos como se o Campeonato de Portugal tivesse sido «escondido» entre 1934 e 1938, temos aí o guardião Roberto. Afinal já todos nós sabemos que, tal como no livro, os guarda-redes morrem ao domingo.

6 thoughts on “Vinte Linhas 529”

  1. Como todos os lagartos o JCF tem uma fixação ( ou complexos) com o Benfica!!!
    Se em vez de falar do Roberto falasse do Patrício, mormente dos frangos contra a Bimby pelo menos falava daquilo que vê e sabe!!!! E que tal comentar os disparates do cotonete e do lacaio do Giorgio di Buffa!!!!

  2. Sousa Mendes,

    Atenção: há lagartos e lagartos. Até há sardões e são todos verdes, mas não são iguais. Como num estádio de futebol: há a tribuna, há a cadeirinha especial, há a cadeirinha do povo, e há a entrada à canzana. Mas são todos lagartos.

    Como sou sportinguista, solicito-lhe: não generalize, porque há detalhes importantes.

  3. Sousa Mendes,

    Ora eça, pá, poje só num keru ka ma cunfundas, tás a bere, oube lá, nem todus os sacus são iguaises. Mas porra, purke poese tantus puntos de esclamassaoe? è purque falase da redassãoe dum autore cunhecidu, e todus temus de cunhecer, sanãoe somos iguinurantes, é?
    Cunta lá,meue, lampiãoe da sigunda circulare.

  4. Sousa, my good friend lampiaoe,

    Oube lá, tenhu ka escrebere assie tás a bere. Mas num soue do Puorto pá. cum esta treta dandare a ascrebere assie istou a lixar a iscrita, carago.

    Oube, já deie pur mie a falare assie.
    mas tenhu ka inflamare esta porra, pá, num é eçe o ovjectibo do aspirina?

    Tás a bere, o balupie, ece biatu caralhadu, já me manda largare o binhu, granda ele cabron, logu o malhore afrodisiacu terreno, akele ka nus torna inimputabeis. Tás a bere a cousa?

    Aperta aí o vacalhau, num cunfundas, manganaõe.

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