Vinte Linhas 264

«Montaigne tinha, por vezes, muita graça»

Recebi em casa, no mesmo dia, um postal da Fundação Calouste Gulbenkian a anunciar o site da Revista Colóquio/Letras (www.coloquio.gulbenkian.pt) e a revista «O Bancário» desta quinzena. As duas formas de comunicação cruzaram-se num nome – Jacinto do Prado Coelho. Na verdade foi um convívio agradável (embora breve) que mantive com o simpático director da Revista Colóquio/Letras entre 1980 e 1984. Fui apresentado por Luís Amaro, o competente e dedicado secretário da Revista. As portas do seu gabinete estavam sempre abertas para os novos e lá publiquei alguns poemas. A revista «O Bancário» noticia a saída de um livro meu no Brasil e, ao referir a bibliografia, chama «Eduardo» ao autor (coordenador) do Grande Dicionário de Literatura Jacinto do Prado Coelho. São lapsos que acontecem como por exemplo numa leitura de poemas com Joaquim Pessoa e José Jorge Letria quando o nervoso apresentador disse «Temos connosco Fernando Pessoa e Joaquim Letria!» saindo esbaforido pelos fundos do palco. A história deliciosa que quero contar tem a ver com uma aluna visivelmente inapta para os estudos literários a quem o professor Jacinto do Prado Coelho pediu um texto sobre o seguinte tema: «Montaigne e a Graça». Na segunda-feira seguinte a mocinha trouxe uma redacção que começava com esta frase desenrascada e também inesquecível: «Montaigne tinha, por vezes, muita graça.» Claro que a redacção, toda ela neste tom, foi contemplada com um redondo «zero» porque o professor Jacinto gostava de brincar mas nas aulas não era para brincadeiras. Voltando ao princípio: não deixem de ver o site pois está muito bem organizado e podemos ler no ecran o que agora só aparece nos alfarrabistas.

13 thoughts on “Vinte Linhas 264”

  1. Querias uma medalha de bons serviços, não? Depois do vómito veio a repulsa e o nojo. Se não tens nada a dizer, cala-te.

  2. jcfrancisco, não quero de modo algum desvalorizar o teu gesto, e há sempre quem não saiba, pelo que a informação nunca deixa de ser útil. mas há que ser um pouco mais rigoroso, não o divulgaste em «primeira mão»: já no dia 20 tinha saído essa notícia no público.pt e um pouco por todo o lado.

  3. Peço desculpa a todos pois soube através de um amigo envolvido no projecto; foi por isso que pensei divulgar. No «aspirinab». E não sabia do resto. Peço desculpa pelo equívoco.

  4. jcf, nem tanto, também não é preciso pedir desculpas.

    nik, és bué mauzinho, não tens que lhe chamar pretensioso quando foi apenas bem-intencionado…

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