Um livro por semana 58

«A história da PIDE» de Irene Flunser Pimentel

Este trabalho é dedicado a Maria Ângela Vidal e Campos e Maria Fernanda de Paiva Tomás, as duas mulheres que, durante mais tempo permaneceram presas pela polícia política. A PIDE foi criada em 1945 no seguimento da actividade da PVDE (fundada em 1933) e deu origem em 1969 à DGS – três nomes para uma mesma sinistra tarefa: destruir a oposição organizada contra o Estado Novo. Este trabalho de 575 páginas desvenda o que foi a PIDE, a sua estrutura e os seus métodos: vigilância, captura, interrogatório, investigação e instrução de processos. Vejamos em breve nota o que no livro consta sobre o Padre Felicidade Alves: «Em 1965 a PIDE informou Salazar de que, na sua homilia proferida na Igreja dos Jerónimos, em 17 de Janeiro, o reverendo José Felicidade Alves defendera a teoria evolucionista, terminando com uma crítica às relações entre o Estado e a Igreja em Portugal. Disse ainda a PIDE que tinha sido feita a gravação integral desta homilia, prometendo que continuaria a gravar as missas desse sacerdote. Diferentemente do caso do bispo do Porto, em que Salazar se envolveu directamente mas em que o papel ambíguo de Cerejeira foi sobretudo de silêncio, o caso do padre Felicidade Alves teve a intervenção deste último, que acabou por emitir sobre ele o decreto de remoção e de suspensão a divinis das funções sacerdotais. No entanto o padre Felicidade Alves contou mais tarde que apenas começou a ser alvo da repressão da PIDE/DGS durante o governo de Marcelo Caetano.»

(Editora: Círculo de Leitores/Temas e Debates, Capa: Rochinha Diogo)

4 thoughts on “Um livro por semana 58”

  1. Jon Stewart, do Daily Show – 700 mil milhões de dólares para os Bancos

    Jon Stewart, do Daily Show, fala-nos do plano do secretário das Finanças, Henry Paulson, no valor de 700 mil milhões de dólares, para salvar a finança americana. Pelo meio, uma breve mas brilhante análise da situação por George Bush. Um curto vídeo que nos arranca um bom par de gargalhadas e que termina numa toada arrepiante:

    Stewart: Com Wall Street em ruínas, o secretário Frankensteiniano das Finanças, Henry Paulson, correu a ajudar com um plano brilhante. Um plano governamental de 700 mil milhões de dólares para resgatar a indústria financeira. 700 mil milhões do vosso dinheiro.

    Bem, 700 mil milhões de dólares é imenso dinheiro, será que o Paulson vai aceitar? Sim ele aceita mas só sob certas condições. Para o secretário Paulson aceitar o nosso dinheiro, as decisões dele têm de ser, e passo a citar:

    Não consultáveis e mantidas em sigilo, e não podem ser analisadas por qualquer tribunal ou organismo administrativo.

    Ouçam, antes de darmos a um funcionário sinistro que nem sequer foi a votos 700 mil milhões de dólares para fazer o que lhe apetecer, há uma coisa que devem saber. Este guru financeiro foi apanhado de surpresa.

    (Entrevista de Paulson na Fox News a 16 de Março deste ano – 2008):

    Paulson: tenho imensa confiança no nosso mercado financeiro, nas nossas instituições financeiras, os nossos mercados são resistentes, são flexíveis. As nossas instituições e os bancos de investimento são fortes.

    Stewart: Isto é que é ter visão! É a cabeça de Aquiles dele. Para mais informações vamos falar com o nosso analista John Oliver. Oliver, obrigado por estares connosco. Isto é espantoso… Um exemplo espantoso… Para esta Administração depois do Katrina, depois do Iraque…

    Oliver: A prisão de Guantánamo?

    Stewart: Sim, isso também nos colocou numa situação difícil…

    Oliver: E a politização do sistema judicial?

    Stewart: Sim, preocupante.

    Oliver: O secretismo draconiano?

    Stewart: Sim, está bem. Onde quero chegar é ao seguinte, nunca pensei que houvesse outra área onde estes tipos conseguissem dar barraca.

    Oliver: Eu sei. E não foi fácil. Foi como tentar encontrar a veia num viciado em falhanços.

    Stewart: Então… Isto é… Eu compreendo, quando a veia morre é difícil… Então esta crise económica é, digamos assim, a cobertura de bosta no bolo de merda desta administração?

    Oliver: Muito bem… Duas coisas: primeiro, essa metáfora teve classe. E, segundo, não os dês por acabados, Jon. Ainda falta muito até Janeiro (de 2009).

    Stewart: Então achas que ainda há mais para vir? O que é que resta para eles… desconseguirem, digamos assim?

    Oliver: Bem, vejamos… Ainda tens casa? Sim? Bem, então aí tens. Os teus filhos tomaram o pequeno-almoço hoje de manhã?

    Stewart: Tomaram, tomaram um bom pequeno-almoço.

    Oliver: E foi alguma coisa que encontraram na rua?

    Stewart: Estás a dizer que o Presidente só vai ficar satisfeito quando os miúdos americanos comerem animais atropelados?

    Oliver: Quando lutarem entre si pelos animais atropelados. Quando os animais atropelados forem o prémio para os mais fortes.

    Stewart: Mas… Porquê?

    Oliver: O legado Jon. Ouve, todos sabemos que ele nunca será lembrado como o melhor Presidente. Mas ainda pode, se se esforçar bastante…

    Stewart: Ser o pior?

    Oliver: Ser o último!

    Vídeo legendado em português:
    .

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.