Um livro por semana 286

«Antes que o sol acabasse» de Mário Machado Fraião

Este nono trabalho literário individual de Mário Machado Fraião (1952-2010) é o primeiro livro póstumo e foi escrito no tempo em que o autor trabalhou no volume colectivo «Manuel Teixeira Gomes, ofício de viver» (Tinta da China, 2010). No poema que dá título ao conjunto se recorda Portimão: «Aqui as igrejas estão caiadas / com suas barras azuis / e amarelas / outras envelhecem / para sempre esquecidas frente ao sol».

Nascido à beira do porto da Horta, o autor foi um infatigável viajante que passou por Évora: «eterno aprendiz / de feiticeiro / subindo a Rua de Machede / Ocultava / seguramente uma grave acusação / além de um ser estranho / pessoa / de fora / o frio de Janeiro percorrendo os ossos todos do meu corpo». Mas as melhores viagens são as dos barcos: «Os nomes oscilam sobre o cais / o Martim Moniz o Pedro Nunes / o Seixalense / Pequenos grupos / ou pequenas multidões / incessantemente / atravessam os longos corredores metálicos / sobre as águas / ínfimas parcelas no largo firmamento que nos cobre».

Entre a terra e o mar, o barco escreve o amor: «E enquanto as madeiras rangem / pode haver / nas tábuas do casco / uma flor / o nome da mulher amada / uma estrela na proa». E a paz pode ser o outro nome do amor: «Mas se finalmente / nos decidimos a descer / procurando o vento / uma brisa aqui tão quente / com sabor a pêssegos / amêijoas / amêndoas / logo encontraremos as ondas / verdes / a espuma bravia / e uma paz imorredoira percorrerá os nosso corpos / nessa imensa água grande / onde os dois mares se confundem / e assim atravessando o Verão eternamente».

(Edição: O Telégrapho – Horta, Prefácio: Victor Rui Dores, Fotografias: Renato Monteiro)

2 thoughts on “Um livro por semana 286”

  1. Ó Xeca pá, CALA-TE. bai dormir meu trambolho, fogo se tapanho nas urgências, enfio-te soro até à caveça,a ber seça trampa raciocina melhore. Cum catano, bem-me este BARDA armado em sensibel, o caraças, pá, gajo que quer por a stripas dos outros ao sol, safado, ai se tu boltas a pruferir desiderados de semelhante jaez!

  2. Hoje não tenho pachorra para ler este naco de prosa e poesia. esta saiu-me bem! “Naco de prosa…”
    Se aparece por aí o Jumento ainda me dá os parabéns por esta tirada. Do Xico é que já não espero nada a não ser dentadas. Mas agora pergunto: porque é que ele vem morder na gente e não vai morder na EMEL, no Costa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.